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        <title><![CDATA[GENESIS BLOG]]></title>
        <description><![CDATA[Psicólogo 🇵🇹
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      <pubDate>Thu, 24 Jul 2025 19:52:18 GMT</pubDate>
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      <title><![CDATA[5 Razões Para A Crise Da Autoridade]]></title>
      <description><![CDATA[Autoridade: Prestígio e virtude vs corrupção e desventura
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      <pubDate>Thu, 24 Jul 2025 19:52:18 GMT</pubDate>
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      <category>política</category>
      
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      <dc:creator><![CDATA[Tiago G]]></dc:creator>
      <content:encoded><![CDATA[<p>Tenho vindo a notar que a autoridade, ou pelo menos como a postulamos atualmente, é um termo muitas vezes equívoco e que traz consigo uma conotação negativa. Não são raras as ocasiões em que me deparo com pessoas que equiparam autoridade a tirania (o abuso despótico da autoridade), que não reconhecem o prestígio ou virtude de um determinado cargo, e outras que não reconhecem a hierarquia como um fenómeno natural e que automaticamente se consagra a uma autoridade.</p>
<p>Nota-se no exemplo da política, neste campo ao contrário do que outrora acontecia o político é frequentemente visto com desconfiança e é até muitas vezes equipado ao usurpador oportunista que se serve em vez de servir.</p>
<p>Em conversas de café, nos media e até nas revistas cor de rosa vemos os responsáveis políticos associados a escândalos, corrupções e escárnios de toda a ordem. Escasseiam ou não existem na atualidade, figuras que verdadeiramente incorporem o espírito do rei filósofo inspirador do qual Platão falava, alguém livre de vícios e da ganância e possuidor das virtudes da justiça, temperança, sabedoria e coragem.</p>
<p><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!DE25!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F98253685-14d8-4c10-8a15-5a7d4fb8a559_640x852.jpeg" alt="Plato quote: Until philosophers are kings, or the kings and princes of..." title="Plato quote: Until philosophers are kings, or the kings and princes of..."></p>
<p>Na escola vemos um processo semelhante quando temos nos professores a imagem de avençados do estado sem sentido crítico que se limitam a seguir uma cartilha ideológica. Cada vez menos vemos o professor como o mestre, o diretor do intelecto que por virtude do seu aprofundamento se tornou um sábio numa determinada área e é capaz de partilhar esse conhecimento por forma a formar as mentes dos seus alunos.</p>
<p>Na medicina, os médicos são também alvo da descrença social que cada vez mais os caricatura como sendo marionetas da indústria farmacêutica e do estado sem capacidade e/ou autonomia para ajudarem os seus utentes como outrora faziam. A pandemia veio elucidar-nos sobre estes factos, demonstrando uma conformidade social sem precedentes e posturas muitas-vezes anti-científicas propaladas com evidentes interesses ideológicos e políticos.</p>
<p>Enfim, são muitos os exemplos de cargos que tradicionalmente prestigiantes que, de momento, não usufruem desse prestígio mas o problema será da autoridade per si ou estará relacionado com quem exerce essa autoridade? É fácil fazermos esta confusão e embarcarmos numa deriva libertina onde procuramos libertar-nos de toda a autoridade, contudo importa perceber que essa não é solução. A autoridade é uma condição natural na medida em que a hierarquia também o é, a melhor forma de ordenar a nossa vida individual e colectiva é ordenando a autoridade e estabelecendo de forma mais objetiva os critérios que configuram essa autoridade.</p>
<p>Isso talvez seja tema de uma outra exposição, como objeto deste texto irei elencar algumas das razões para este sentimento colectivo de desconfiança e desprestígio da autoridade:</p>
<p><strong>1- Virus do individualismo</strong> </p>
<p>O ser humano agrega-se naturalmente em comunidade na medida em que é capaz de definir finalidades comuns e assim constituir uma pólis (uma comunidade de pessoas organizada por leis, instituições e práticas comuns). Esta é uma condição sine qua non sob a qual assenta a formação do nosso país e da civilização.</p>
<p>Atualmente, vivemos uma era em que os laços que criamos quer em termos familiares quer em termos comunitários estão sob pressão para a desagregação. A cultura incentiva o indivíduo a colocar-se sempre em primeiro lugar, galvanizando o egoísmo e isolamento social das pessoas. Esta é a mesma cultura que proclama que devemos ser auto-suficientes, ao mesmo tempo que nos torna a todos cada vez mais dependentes do estado. Com isto sofre a família, a unidade básica da sociedade que se vê com cada vez menos autoridade e autonomia e vê os seus membros num funcionamento cada vez mais atomizado, fruto também em parte da ausência de direção espiritual da família, isto é, o estabelecimento do paradigma moral em que a família opera.</p>
<p><strong>2- Falácia da igualdade</strong> </p>
<p>Um dos alicerces filosóficos que domina as escolas de pensamento modernas é a ideia de igualdade. Um triunfo da cultura marxista levou a que fosse incorporado na cartilha de valores da nossa sociedade a igualdade como um fim em si mesmo. Esta doutrina está plena de sofismas e erros de lógica que não estão de acordo inclusive com aspectos de ordem natural. O ser humano como ser individual tem aptidões, interesses e competências específicas que fazem de cada um de nós diferentes. Há pessoas mais inteligentes, mais burras, mais aptas a uma coisa e menos aptas a outra e isso estabelece naturalmente diferenças entre nós que são muitas vezes valiosíssimas em termos da riqueza e diversidade de contributos sociais que cada um de nós consegue produzir. O problema é que nesta lógica da igualdade como fim em si mesmo a diferença não é bem-vinda e muito menos apreciada.</p>
<p>Também como fruto desta doutrina tendemos a considerar todas as opiniões como sendo “iguais”, o peso do voto de todos como sendo igual, quando isto é evidentemente um engano uma vez que temos naturalmente pessoas mais instruídas e menos instruídas para proferir opiniões sobre determinados assuntos, assim como temos opiniões que são erros a todos os títulos e opiniões que são fundadas na verdade.</p>
<p><strong>3- Ausência da hierarquia</strong></p>
<blockquote>
<p>Do mesmo modo que a perfeita constituição do corpo humano resulta da união e da articulação dos membros, que não têm as mesmas forças nem as mesmas funções, mas cuja feliz associação e concurso harmonioso dão a todo o organismo a sua beleza plástica, a sua força e a sua aptidão para prestar os serviços necessários, assim também, no seio da sociedade humana, acha-se uma variedade quase infinita de partes dissemelhantes. Se elas fossem todas iguais entre si, e livres, cada uma por sua conta, de agir a seu talante, nada seria mais disforme do que tal sociedade. Pelo contrário, se por uma sábia hierarquia dos merecimentos, dos gostos, das aptidões, cada uma delas concorre para o bem geral, vereis erguer-se diante de vós a imagem de uma sociedade bem ordenada e conforme a natureza.</p>
<p>Papa Leão XIII in encíclica «Humanum Genus», 20 de Abril de 1884.</p>
</blockquote>
<p>As sábias palavras do Papa Leão XIII remetem-nos para a condição natural da hierarquia e estabelecem que uma hierarquia propriamente ordenada (dos merecimentos, dos gostos e das aptidões) é a que produz a sociedade bem ordenada e conforme a natureza. Acontece que atualmente, vivemos numa permanente contradição em termos formais. Por um lado, a ideia de que a “igualdade” é o fim em si mesmo, por outro temos inevitavelmente uma hierarquia de facto porque por muitos artifícios retóricos que empreguemos há sempre uma discriminação quanto mais não seja de ordem natural.</p>
<p><strong>4- Silêncio das elites intelectuais</strong></p>
<p> A academia, os media e a cultura como um todo está tomada por uma paradigma ideológico que auxilia a construir uma narrativa sobre a autoridade que a descredibiliza. São vários os vetores da propaganda que pretendem dissuadir o indivíduo de procurar a verdadeira autoridade enquanto o convencem de que a autoridade reside em si, quando na verdade vive numa cárcere forjada por quem usurpou a autoridade legítima.</p>
<p>Importa portanto nesta fase, voltar a formar pessoas em relação aos critérios que tornam uma autoridade legítima e voltar a criar referências que reabilitem a autoridade e voltem a inspirar pessoas com o seu exemplo.</p>
<p><strong>5- Uma sociedade sem ideais ou com os ideais invertidos (uma imagem deturpada da virtude)</strong></p>
<p> As referências que temos de pessoas virtuosas na nossa sociedade são, muitas delas testemunhos vivos de um vazio na nossa sociedade. Há pessoas elevadas à fama e ao sucesso por razões absurdas e, infelizmente, são muitas vezes estas pessoas que são tidos como modelos para uma parte significativa da população. Quando aprendemos de maus modelos, imitamos os seus maus hábitos e os seus vícios. É muito frequente vermos pessoas “louvadas” pelo seu narcisismo, pela vaidade, pelo materialismo e hedonismo.</p>
<p>Para fazer face a isto precisamos de reconfigurar o que de facto são os nossos ideais e como elevamos alguém por virtude do exercício exemplar desses ideais.</p>
<p><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!2uSK!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fc14d0a77-543d-4eb5-87de-733654073e84_1600x1067.jpeg" alt="Coronation of Charlemagne - World History Encyclopedia"><em>Coronation of Charlemagne - World History Encyclopedia A Coroação de Carlos Magno, 1861, por Friedrich Kaulbach (1822-1903). A pintura retrata a coroação de Carlos Magno (742-814) como Imperador do Sacro Império Romano pelo Papa Leão III (r. 795-816) em 25 de dezembro de 800</em>. </p>
<p>A autoridade que se não exerce, perde-se e de facto vemos isto a acontecer quando cada vez mais nos desresponsabilizamos das tarefas que nos são devidas quer pelo nosso papel social quer pelos dons que recebemos e dos quais não fazemos uso. É importantíssimo que vejamos a autoridade como um dom e um privilégio que temos, que nos permite agir em prol do bem-comum. Sempre com espírito de serviço e com exemplo de sacrifício porque aquele que é o líder de todos não deve nunca esquecer-se que é também o servo de todos.</p>
]]></content:encoded>
      <itunes:author><![CDATA[Tiago G]]></itunes:author>
      <itunes:summary><![CDATA[<p>Tenho vindo a notar que a autoridade, ou pelo menos como a postulamos atualmente, é um termo muitas vezes equívoco e que traz consigo uma conotação negativa. Não são raras as ocasiões em que me deparo com pessoas que equiparam autoridade a tirania (o abuso despótico da autoridade), que não reconhecem o prestígio ou virtude de um determinado cargo, e outras que não reconhecem a hierarquia como um fenómeno natural e que automaticamente se consagra a uma autoridade.</p>
<p>Nota-se no exemplo da política, neste campo ao contrário do que outrora acontecia o político é frequentemente visto com desconfiança e é até muitas vezes equipado ao usurpador oportunista que se serve em vez de servir.</p>
<p>Em conversas de café, nos media e até nas revistas cor de rosa vemos os responsáveis políticos associados a escândalos, corrupções e escárnios de toda a ordem. Escasseiam ou não existem na atualidade, figuras que verdadeiramente incorporem o espírito do rei filósofo inspirador do qual Platão falava, alguém livre de vícios e da ganância e possuidor das virtudes da justiça, temperança, sabedoria e coragem.</p>
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<p>Na escola vemos um processo semelhante quando temos nos professores a imagem de avençados do estado sem sentido crítico que se limitam a seguir uma cartilha ideológica. Cada vez menos vemos o professor como o mestre, o diretor do intelecto que por virtude do seu aprofundamento se tornou um sábio numa determinada área e é capaz de partilhar esse conhecimento por forma a formar as mentes dos seus alunos.</p>
<p>Na medicina, os médicos são também alvo da descrença social que cada vez mais os caricatura como sendo marionetas da indústria farmacêutica e do estado sem capacidade e/ou autonomia para ajudarem os seus utentes como outrora faziam. A pandemia veio elucidar-nos sobre estes factos, demonstrando uma conformidade social sem precedentes e posturas muitas-vezes anti-científicas propaladas com evidentes interesses ideológicos e políticos.</p>
<p>Enfim, são muitos os exemplos de cargos que tradicionalmente prestigiantes que, de momento, não usufruem desse prestígio mas o problema será da autoridade per si ou estará relacionado com quem exerce essa autoridade? É fácil fazermos esta confusão e embarcarmos numa deriva libertina onde procuramos libertar-nos de toda a autoridade, contudo importa perceber que essa não é solução. A autoridade é uma condição natural na medida em que a hierarquia também o é, a melhor forma de ordenar a nossa vida individual e colectiva é ordenando a autoridade e estabelecendo de forma mais objetiva os critérios que configuram essa autoridade.</p>
<p>Isso talvez seja tema de uma outra exposição, como objeto deste texto irei elencar algumas das razões para este sentimento colectivo de desconfiança e desprestígio da autoridade:</p>
<p><strong>1- Virus do individualismo</strong> </p>
<p>O ser humano agrega-se naturalmente em comunidade na medida em que é capaz de definir finalidades comuns e assim constituir uma pólis (uma comunidade de pessoas organizada por leis, instituições e práticas comuns). Esta é uma condição sine qua non sob a qual assenta a formação do nosso país e da civilização.</p>
<p>Atualmente, vivemos uma era em que os laços que criamos quer em termos familiares quer em termos comunitários estão sob pressão para a desagregação. A cultura incentiva o indivíduo a colocar-se sempre em primeiro lugar, galvanizando o egoísmo e isolamento social das pessoas. Esta é a mesma cultura que proclama que devemos ser auto-suficientes, ao mesmo tempo que nos torna a todos cada vez mais dependentes do estado. Com isto sofre a família, a unidade básica da sociedade que se vê com cada vez menos autoridade e autonomia e vê os seus membros num funcionamento cada vez mais atomizado, fruto também em parte da ausência de direção espiritual da família, isto é, o estabelecimento do paradigma moral em que a família opera.</p>
<p><strong>2- Falácia da igualdade</strong> </p>
<p>Um dos alicerces filosóficos que domina as escolas de pensamento modernas é a ideia de igualdade. Um triunfo da cultura marxista levou a que fosse incorporado na cartilha de valores da nossa sociedade a igualdade como um fim em si mesmo. Esta doutrina está plena de sofismas e erros de lógica que não estão de acordo inclusive com aspectos de ordem natural. O ser humano como ser individual tem aptidões, interesses e competências específicas que fazem de cada um de nós diferentes. Há pessoas mais inteligentes, mais burras, mais aptas a uma coisa e menos aptas a outra e isso estabelece naturalmente diferenças entre nós que são muitas vezes valiosíssimas em termos da riqueza e diversidade de contributos sociais que cada um de nós consegue produzir. O problema é que nesta lógica da igualdade como fim em si mesmo a diferença não é bem-vinda e muito menos apreciada.</p>
<p>Também como fruto desta doutrina tendemos a considerar todas as opiniões como sendo “iguais”, o peso do voto de todos como sendo igual, quando isto é evidentemente um engano uma vez que temos naturalmente pessoas mais instruídas e menos instruídas para proferir opiniões sobre determinados assuntos, assim como temos opiniões que são erros a todos os títulos e opiniões que são fundadas na verdade.</p>
<p><strong>3- Ausência da hierarquia</strong></p>
<blockquote>
<p>Do mesmo modo que a perfeita constituição do corpo humano resulta da união e da articulação dos membros, que não têm as mesmas forças nem as mesmas funções, mas cuja feliz associação e concurso harmonioso dão a todo o organismo a sua beleza plástica, a sua força e a sua aptidão para prestar os serviços necessários, assim também, no seio da sociedade humana, acha-se uma variedade quase infinita de partes dissemelhantes. Se elas fossem todas iguais entre si, e livres, cada uma por sua conta, de agir a seu talante, nada seria mais disforme do que tal sociedade. Pelo contrário, se por uma sábia hierarquia dos merecimentos, dos gostos, das aptidões, cada uma delas concorre para o bem geral, vereis erguer-se diante de vós a imagem de uma sociedade bem ordenada e conforme a natureza.</p>
<p>Papa Leão XIII in encíclica «Humanum Genus», 20 de Abril de 1884.</p>
</blockquote>
<p>As sábias palavras do Papa Leão XIII remetem-nos para a condição natural da hierarquia e estabelecem que uma hierarquia propriamente ordenada (dos merecimentos, dos gostos e das aptidões) é a que produz a sociedade bem ordenada e conforme a natureza. Acontece que atualmente, vivemos numa permanente contradição em termos formais. Por um lado, a ideia de que a “igualdade” é o fim em si mesmo, por outro temos inevitavelmente uma hierarquia de facto porque por muitos artifícios retóricos que empreguemos há sempre uma discriminação quanto mais não seja de ordem natural.</p>
<p><strong>4- Silêncio das elites intelectuais</strong></p>
<p> A academia, os media e a cultura como um todo está tomada por uma paradigma ideológico que auxilia a construir uma narrativa sobre a autoridade que a descredibiliza. São vários os vetores da propaganda que pretendem dissuadir o indivíduo de procurar a verdadeira autoridade enquanto o convencem de que a autoridade reside em si, quando na verdade vive numa cárcere forjada por quem usurpou a autoridade legítima.</p>
<p>Importa portanto nesta fase, voltar a formar pessoas em relação aos critérios que tornam uma autoridade legítima e voltar a criar referências que reabilitem a autoridade e voltem a inspirar pessoas com o seu exemplo.</p>
<p><strong>5- Uma sociedade sem ideais ou com os ideais invertidos (uma imagem deturpada da virtude)</strong></p>
<p> As referências que temos de pessoas virtuosas na nossa sociedade são, muitas delas testemunhos vivos de um vazio na nossa sociedade. Há pessoas elevadas à fama e ao sucesso por razões absurdas e, infelizmente, são muitas vezes estas pessoas que são tidos como modelos para uma parte significativa da população. Quando aprendemos de maus modelos, imitamos os seus maus hábitos e os seus vícios. É muito frequente vermos pessoas “louvadas” pelo seu narcisismo, pela vaidade, pelo materialismo e hedonismo.</p>
<p>Para fazer face a isto precisamos de reconfigurar o que de facto são os nossos ideais e como elevamos alguém por virtude do exercício exemplar desses ideais.</p>
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<p>A autoridade que se não exerce, perde-se e de facto vemos isto a acontecer quando cada vez mais nos desresponsabilizamos das tarefas que nos são devidas quer pelo nosso papel social quer pelos dons que recebemos e dos quais não fazemos uso. É importantíssimo que vejamos a autoridade como um dom e um privilégio que temos, que nos permite agir em prol do bem-comum. Sempre com espírito de serviço e com exemplo de sacrifício porque aquele que é o líder de todos não deve nunca esquecer-se que é também o servo de todos.</p>
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      <title><![CDATA[A Crise da Masculinidade]]></title>
      <description><![CDATA[A figura do pai de família como antítese do homem moderno
]]></description>
             <itunes:subtitle><![CDATA[A figura do pai de família como antítese do homem moderno
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      <pubDate>Tue, 18 Mar 2025 18:59:23 GMT</pubDate>
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      <dc:creator><![CDATA[Tiago G]]></dc:creator>
      <content:encoded><![CDATA[<p>O que torna um homem um modelo a ser seguido ? Que qualidades pode apresentar um homem que demonstram as suas aspirações ?</p>
<p>Nos dias que correm a nobreza de carácter não parece ser o factor chave nas figuras que são mais celebradas pelo mundo inteiro. A nossa sociedade dá mais atenção ao indigente moral célebre pelas sacadas narcísicas do que ao guerreiro, ao santo, ao patriarca que dedicaram a sua vida a um propósito e aspirações manifestamente superiores.</p>
<p>É frequente vermos ser objeto de atenção o homem vaidoso, efeminado, narcísico e corrupto até. O facto de serem estas as referências que temos na cultura moderna diz muito da sociedade em que vivemos. É importante notar que nós somos como espelhos que refletem aquilo que reverenciamos, isto é, vamo-nos tornando mais parecidos com o objeto da nossa admiração. É nosso instinto tentar imitar aquilo que admiramos, portanto isto é um grave problema quando admiramos as coisas erradas.</p>
<p>Pode parecer contraintuitivo mas por vezes as coisas mais admiráveis na vida são na verdade as mais simples. Prestemos atenção ao que nos diz o auto G.K Chesterton a este propósito.</p>
<p><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fadb537a2-9e9c-4e65-95cd-6d05cac89187_850x400.jpeg" alt="Gilbert K. Chesterton quote: The most extraordinary thing in the world is  an ordinary..."></p>
<p>Há algo de magnificamente sóbrio no pai de família que não procura atenção e se dedica exclusivamente ao seu dever. Esta figura é, por hora, demonizada tantas e tantas vezes, sendo frequentemente apresentado como sendo o mandatário de uma cultura misógina e machista.</p>
<p>Estou convencido que enquanto a figura de pai de família não for devidamente reabilitada, dificilmente teremos um ressurgimento de famílias propriamente ordenadas. É importante notar aqui um ponto, este pai de família deve ser alguém capaz de colocar os interesses da família primeiro que os seus interesses individuais. Deve ser alguém que não viva no relativismo moral, mas sim um homem de fé, algo que está em vias de extinção no ocidente e em particular em Portugal. Este homem deve ser o porto de abrigo para a sua família, alguém disposto a travar o bom combate, e será sempre portanto um defensor acérrimo da verdade. Não será naturalmente alguém obcecado com a sua própria imagem, mas sim um homem desejavelmente forte quer em termos físicos, tendo zelo na forma como se exercita, quer em termos mentais, sendo uma pessoa capaz mas com autocontrolo. Deve também ser um homem com uma vida intelectual, isto é, alguém que nutre interesse pelo legado que lhe foi confiado e procura aprender sobre o mesmo. Muitos homens antes de si fizeram sacrifícios para que o homem da atualidade usufrua dos mais variados benefícios.</p>
<p>A atualidade oferece-nos por vezes a promoção de algumas destas facetas, algo que seria desejável e bom, contudo com algumas distorções. Há homens fortes, capazes de feitos atléticos ímpares, que se cultivam nesse domínio mas pelas razões erradas. Por vezes o imperativo moral que os guia é a vaidade, sendo que esse trabalho físico que fazem conspira para consolidar o seu narcisismo.</p>
<p>Outros há com uma determinação inabalável, algo louvável quando usada para os fins próprios. Esta determinação não deve ser usada para a procura de grandes riquezas como um fim em si mesmas, nem como um isco usado para o oportunismo sexual com as mulheres.</p>
<p>Poderíamos também dar como exemplo, homens com uma prodigiosa inteligência mas que, não a tendo devidamente orientada, a usam para manipular e corromper o discurso público não olhando a meios para atingir os fins.</p>
<p>Um factor chave que dificulta a formação de mais homens com este tipo de espinha dorsal é uma certa apropriação da linguagem que tem existido no discurso público que procura rotular quem ousa desafiar este&nbsp;<em>status quo.</em>&nbsp;Termos como “negacionista”, “radical”, “fascista”, “fundamentalista”, “ultranacionalista” entre outros, são constantemente atirados remetendo o homem para uma falsa conclusão:</p>
<blockquote>
<p><strong>“ Tu não podes defender nada, nem ter certeza de nada”.</strong></p>
</blockquote>
<p><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F8d2e324f-f2f5-4ee5-b670-7cf8c4f147b6_562x368.png" alt=""></p>
<p>Outra ferramenta importante nesta desconstrução é o apelo ao vício. Sendo através da pornografia, da comida ultra-processada ou de uma vida de conforto , há claramente um incentivo ao hedonismo e à autoindulgência. Procura-se alimentar cada vez mais esta busca do prazer com o fim último, e por conseguinte a coragem, o sacrifício e o trabalho, como pedras angulares da construção do carácter do homem ficam para segundo plano.</p>
<p>O cavalheirismo ficou-se apenas pelas aparências. Por vezes, há um verniz de algumas das propriedades que descrevi em várias situações, contudo não passa de uma máscara. É fácil segurar uma porta para uma senhora e dizer “com licença”, “por favor”, para se mostrar alguém educado quando o custo para o fazer é mínimo. Difícil é estar disposto a fazer sacríficos em que nos doamos inteiramente pelos outros, no entanto é isso que é pedido ao homem. Doando-se encontrará o seu verdadeiro propósito.</p>
]]></content:encoded>
      <itunes:author><![CDATA[Tiago G]]></itunes:author>
      <itunes:summary><![CDATA[<p>O que torna um homem um modelo a ser seguido ? Que qualidades pode apresentar um homem que demonstram as suas aspirações ?</p>
<p>Nos dias que correm a nobreza de carácter não parece ser o factor chave nas figuras que são mais celebradas pelo mundo inteiro. A nossa sociedade dá mais atenção ao indigente moral célebre pelas sacadas narcísicas do que ao guerreiro, ao santo, ao patriarca que dedicaram a sua vida a um propósito e aspirações manifestamente superiores.</p>
<p>É frequente vermos ser objeto de atenção o homem vaidoso, efeminado, narcísico e corrupto até. O facto de serem estas as referências que temos na cultura moderna diz muito da sociedade em que vivemos. É importante notar que nós somos como espelhos que refletem aquilo que reverenciamos, isto é, vamo-nos tornando mais parecidos com o objeto da nossa admiração. É nosso instinto tentar imitar aquilo que admiramos, portanto isto é um grave problema quando admiramos as coisas erradas.</p>
<p>Pode parecer contraintuitivo mas por vezes as coisas mais admiráveis na vida são na verdade as mais simples. Prestemos atenção ao que nos diz o auto G.K Chesterton a este propósito.</p>
<p><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fadb537a2-9e9c-4e65-95cd-6d05cac89187_850x400.jpeg" alt="Gilbert K. Chesterton quote: The most extraordinary thing in the world is  an ordinary..."></p>
<p>Há algo de magnificamente sóbrio no pai de família que não procura atenção e se dedica exclusivamente ao seu dever. Esta figura é, por hora, demonizada tantas e tantas vezes, sendo frequentemente apresentado como sendo o mandatário de uma cultura misógina e machista.</p>
<p>Estou convencido que enquanto a figura de pai de família não for devidamente reabilitada, dificilmente teremos um ressurgimento de famílias propriamente ordenadas. É importante notar aqui um ponto, este pai de família deve ser alguém capaz de colocar os interesses da família primeiro que os seus interesses individuais. Deve ser alguém que não viva no relativismo moral, mas sim um homem de fé, algo que está em vias de extinção no ocidente e em particular em Portugal. Este homem deve ser o porto de abrigo para a sua família, alguém disposto a travar o bom combate, e será sempre portanto um defensor acérrimo da verdade. Não será naturalmente alguém obcecado com a sua própria imagem, mas sim um homem desejavelmente forte quer em termos físicos, tendo zelo na forma como se exercita, quer em termos mentais, sendo uma pessoa capaz mas com autocontrolo. Deve também ser um homem com uma vida intelectual, isto é, alguém que nutre interesse pelo legado que lhe foi confiado e procura aprender sobre o mesmo. Muitos homens antes de si fizeram sacrifícios para que o homem da atualidade usufrua dos mais variados benefícios.</p>
<p>A atualidade oferece-nos por vezes a promoção de algumas destas facetas, algo que seria desejável e bom, contudo com algumas distorções. Há homens fortes, capazes de feitos atléticos ímpares, que se cultivam nesse domínio mas pelas razões erradas. Por vezes o imperativo moral que os guia é a vaidade, sendo que esse trabalho físico que fazem conspira para consolidar o seu narcisismo.</p>
<p>Outros há com uma determinação inabalável, algo louvável quando usada para os fins próprios. Esta determinação não deve ser usada para a procura de grandes riquezas como um fim em si mesmas, nem como um isco usado para o oportunismo sexual com as mulheres.</p>
<p>Poderíamos também dar como exemplo, homens com uma prodigiosa inteligência mas que, não a tendo devidamente orientada, a usam para manipular e corromper o discurso público não olhando a meios para atingir os fins.</p>
<p>Um factor chave que dificulta a formação de mais homens com este tipo de espinha dorsal é uma certa apropriação da linguagem que tem existido no discurso público que procura rotular quem ousa desafiar este&nbsp;<em>status quo.</em>&nbsp;Termos como “negacionista”, “radical”, “fascista”, “fundamentalista”, “ultranacionalista” entre outros, são constantemente atirados remetendo o homem para uma falsa conclusão:</p>
<blockquote>
<p><strong>“ Tu não podes defender nada, nem ter certeza de nada”.</strong></p>
</blockquote>
<p><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F8d2e324f-f2f5-4ee5-b670-7cf8c4f147b6_562x368.png" alt=""></p>
<p>Outra ferramenta importante nesta desconstrução é o apelo ao vício. Sendo através da pornografia, da comida ultra-processada ou de uma vida de conforto , há claramente um incentivo ao hedonismo e à autoindulgência. Procura-se alimentar cada vez mais esta busca do prazer com o fim último, e por conseguinte a coragem, o sacrifício e o trabalho, como pedras angulares da construção do carácter do homem ficam para segundo plano.</p>
<p>O cavalheirismo ficou-se apenas pelas aparências. Por vezes, há um verniz de algumas das propriedades que descrevi em várias situações, contudo não passa de uma máscara. É fácil segurar uma porta para uma senhora e dizer “com licença”, “por favor”, para se mostrar alguém educado quando o custo para o fazer é mínimo. Difícil é estar disposto a fazer sacríficos em que nos doamos inteiramente pelos outros, no entanto é isso que é pedido ao homem. Doando-se encontrará o seu verdadeiro propósito.</p>
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      </item>
      
      <item>
      <title><![CDATA[Será que o mal existe? ]]></title>
      <description><![CDATA[A verdadeira face do mal]]></description>
             <itunes:subtitle><![CDATA[A verdadeira face do mal]]></itunes:subtitle>
      <pubDate>Sat, 14 Dec 2024 14:05:58 GMT</pubDate>
      <link>https://tvieiragoncalves.npub.pro/post/ser-que-o-mal-existe-ttbad7/</link>
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      <category>mal</category>
      
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      <dc:creator><![CDATA[Tiago G]]></dc:creator>
      <content:encoded><![CDATA[<p>O título deste texto dá-nos uma pergunta retórica, isto é, uma interrogação com uma resposta evidente. Para que não restem dúvidas a resposta evidente seria, um enfático e inequívoco sim. Sim, o mal existe. Contudo, nos dias que correm muitas pessoas aparentam duvidar da existência do mal.</p>
<p>Creio que em verdade não será tanto uma dúvida sincera, porque de facto ninguém consegue sustentar uma visão de mundo sem ter alguma ideia do que é o mal. Penso que será mais uma tentativa de fazer apologética do mal, disfarçada de uma certa ingenuidade. O que quero dizer é que as pessoas que apregoam que o mal não existe sabem perfeitamente que existe, no entanto é conveniente negá-lo para que daí não decorra um julgamento sincero das suas atitudes. A definição objetiva destas coisas pode ser-nos difícil porque implica que nos vejamos de uma forma mais clara e honesta quando usamos de uma medida objetiva.</p>
<p>Ao desviarmos a atenção destes factos, tentamos de alguma forma justificar a nossa corrupção moral. Dizemos adágios populares como: “cada cabeça sua sentença”; isto para esconder um facto incontornável que é a universalidade do mal. Significa isto que o mal quando nasce é para todos, assim como o bem. Não é lógico nem racional defender que a pedofilia é um mal na nossa cultura mas que nas outras culturas não é assim tão mau. Se é um mal é-o naturalmente para a humanidade. Por outro lado defender que as leis morais são exclusivas para um determinado grupo de humanos é concorrer para a ideia de casta social ou diferença na essência do humano.</p>
<p>Um outro esquema que nos leva a considerar que o mal é relativo é o facto de ignorarmos de onde provém a definição de mal. É porventura frequente que imbuídos do espírito da democracia ocidental julguemos que a possível definição de mal vem da convenção social, ou seja, daquilo que a maior parte das pessoas acredita ser o mal. Contudo, facilmente percebemos que não é assim, que a definição de mal não provém de convenção social mas que depende de condições preternaturais. Há uma intemporalidade no mal que não depende da época ou da convenção social.</p>
<p>Penso que a analogia com a física pode ajudar-nos a perceber melhor estas realidades. Não há uma lei da gravidade diferente para a pessoa A e para a pessoa B, a lei é exatamente a mesma no entanto os corpos movem-se a diferentes velocidades e altitudes portanto sentem-na de formas diferentes.</p>
<p>No ramo da psicologia vejo infelizmente um problema sério que se pretende com a excessiva utilização da linguagem terapêutica para falar sobre o mal. É muitíssimo frequente ver uma tentativa de patologizar todos os males. Não negando que o distúrbio psíquico pode estar presente na pessoa que comete um mal, inclusive um mal grave, isso não significa que em muitos casos não haja um assentimento consciente e deliberado da pessoa àquela atitude. Esta linguagem terapêutica levam-nos por vezes a romantizar o mal, e a procurar narrativas que o tornam numa novela sentimental onde a pessoa é sempre rotulada como uma vítima das circunstâncias contextuais, basta vermos o exemplo do marxismo que assim a determina.</p>
<p>Nesta ideologia a pessoa comete crimes porque é pobre e foi vetada a uma exclusão social, como se não fosse possível à pessoa pobre seguir um caminho de retidão moral. O filme Joker ilustra bem este aspeto novelesco da romantização do mal. Neste filme a personagem principal, um psicopata degenerado, é retratado como um doente mental que procura fazer “justiça” assassinando inocentes e destruindo património. Devido à pueril noção de agência, responsabilidade individual, e livre arbítrio o mal é quase tratado como uma caminho único, como se a personagem estivesse predestinada aquele mal.</p>
<p><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F41e645b3-5423-4a82-85ef-c7f69bb2f04e_1486x821.jpeg" alt="A 'Joker' sequel? Joaquin Phoenix on the potential for more - Los Angeles  Times">&gt; <em>Joaquin Phoenix - Joker 2019</em></p>
<p>São muitos os esquemas á nossa volta que além de dissimularem o mal, tentando indicar a sua inexistência, o promovem como sendo um bem. São muitas as mensagens contraditórias que promovem o exercício da vontade humana como um imperativo moral. São também frequentes as apologias à tolerância e empatia para com o mal. Contudo, isto é absurdidade. Como teremos ordem e paz sem combater os males? Como teremos espaço para a virtude quando tudo estiver tomado pelo mal ? Precisamos de filtrar este ruido para perceber de forma mais objetiva qual é a verdadeira face do mal.      </p>
]]></content:encoded>
      <itunes:author><![CDATA[Tiago G]]></itunes:author>
      <itunes:summary><![CDATA[<p>O título deste texto dá-nos uma pergunta retórica, isto é, uma interrogação com uma resposta evidente. Para que não restem dúvidas a resposta evidente seria, um enfático e inequívoco sim. Sim, o mal existe. Contudo, nos dias que correm muitas pessoas aparentam duvidar da existência do mal.</p>
<p>Creio que em verdade não será tanto uma dúvida sincera, porque de facto ninguém consegue sustentar uma visão de mundo sem ter alguma ideia do que é o mal. Penso que será mais uma tentativa de fazer apologética do mal, disfarçada de uma certa ingenuidade. O que quero dizer é que as pessoas que apregoam que o mal não existe sabem perfeitamente que existe, no entanto é conveniente negá-lo para que daí não decorra um julgamento sincero das suas atitudes. A definição objetiva destas coisas pode ser-nos difícil porque implica que nos vejamos de uma forma mais clara e honesta quando usamos de uma medida objetiva.</p>
<p>Ao desviarmos a atenção destes factos, tentamos de alguma forma justificar a nossa corrupção moral. Dizemos adágios populares como: “cada cabeça sua sentença”; isto para esconder um facto incontornável que é a universalidade do mal. Significa isto que o mal quando nasce é para todos, assim como o bem. Não é lógico nem racional defender que a pedofilia é um mal na nossa cultura mas que nas outras culturas não é assim tão mau. Se é um mal é-o naturalmente para a humanidade. Por outro lado defender que as leis morais são exclusivas para um determinado grupo de humanos é concorrer para a ideia de casta social ou diferença na essência do humano.</p>
<p>Um outro esquema que nos leva a considerar que o mal é relativo é o facto de ignorarmos de onde provém a definição de mal. É porventura frequente que imbuídos do espírito da democracia ocidental julguemos que a possível definição de mal vem da convenção social, ou seja, daquilo que a maior parte das pessoas acredita ser o mal. Contudo, facilmente percebemos que não é assim, que a definição de mal não provém de convenção social mas que depende de condições preternaturais. Há uma intemporalidade no mal que não depende da época ou da convenção social.</p>
<p>Penso que a analogia com a física pode ajudar-nos a perceber melhor estas realidades. Não há uma lei da gravidade diferente para a pessoa A e para a pessoa B, a lei é exatamente a mesma no entanto os corpos movem-se a diferentes velocidades e altitudes portanto sentem-na de formas diferentes.</p>
<p>No ramo da psicologia vejo infelizmente um problema sério que se pretende com a excessiva utilização da linguagem terapêutica para falar sobre o mal. É muitíssimo frequente ver uma tentativa de patologizar todos os males. Não negando que o distúrbio psíquico pode estar presente na pessoa que comete um mal, inclusive um mal grave, isso não significa que em muitos casos não haja um assentimento consciente e deliberado da pessoa àquela atitude. Esta linguagem terapêutica levam-nos por vezes a romantizar o mal, e a procurar narrativas que o tornam numa novela sentimental onde a pessoa é sempre rotulada como uma vítima das circunstâncias contextuais, basta vermos o exemplo do marxismo que assim a determina.</p>
<p>Nesta ideologia a pessoa comete crimes porque é pobre e foi vetada a uma exclusão social, como se não fosse possível à pessoa pobre seguir um caminho de retidão moral. O filme Joker ilustra bem este aspeto novelesco da romantização do mal. Neste filme a personagem principal, um psicopata degenerado, é retratado como um doente mental que procura fazer “justiça” assassinando inocentes e destruindo património. Devido à pueril noção de agência, responsabilidade individual, e livre arbítrio o mal é quase tratado como uma caminho único, como se a personagem estivesse predestinada aquele mal.</p>
<p><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F41e645b3-5423-4a82-85ef-c7f69bb2f04e_1486x821.jpeg" alt="A 'Joker' sequel? Joaquin Phoenix on the potential for more - Los Angeles  Times">&gt; <em>Joaquin Phoenix - Joker 2019</em></p>
<p>São muitos os esquemas á nossa volta que além de dissimularem o mal, tentando indicar a sua inexistência, o promovem como sendo um bem. São muitas as mensagens contraditórias que promovem o exercício da vontade humana como um imperativo moral. São também frequentes as apologias à tolerância e empatia para com o mal. Contudo, isto é absurdidade. Como teremos ordem e paz sem combater os males? Como teremos espaço para a virtude quando tudo estiver tomado pelo mal ? Precisamos de filtrar este ruido para perceber de forma mais objetiva qual é a verdadeira face do mal.      </p>
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      <title><![CDATA[Quo vadis Portugal?]]></title>
      <description><![CDATA[Do milagre de Ourique ao Paganismo.]]></description>
             <itunes:subtitle><![CDATA[Do milagre de Ourique ao Paganismo.]]></itunes:subtitle>
      <pubDate>Tue, 24 Oct 2023 10:55:46 GMT</pubDate>
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      <category>psicologia</category>
      
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      <dc:creator><![CDATA[Tiago G]]></dc:creator>
      <content:encoded><![CDATA[<p><img src="https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/9/9c/BatalhaOurique.jpg/800px-BatalhaOurique.jpg" alt="image"></p>
<p>Para quem possa estar a ler este texto e seja mais jovem, esta mensagem é para ti. Provavelmente nasceste, assim como eu, numa época onde se sentia que a religião era uma coisa do passado. Multiplicavam-se as mensagens na cultura pop a desqualificar a religião como uma doutrina bafienta, obsoleta que não se atualizava e não se adaptava à modernidade. A mensagem que ganhava mais destaque era a de que não era cool ser religioso, que as únicas pessoas que o eram seriam as pessoas fracas nas suas convicções e que tinham sido vítimas de uma forte lavagem cerebral. Tudo servia para desconstruir e diluir a presença da doutrina moral da igreja na sociedade. Entretenimento, agendas políticas, cultura, ciência, arte, informação, todos estes alicerces da sociedade ratificam a mesma tese: precisamos de nos modernizar e atualizar o nosso modus vivendi. António Gramsci é um dos exemplos de pensadores que estão por detrás desta transformação social, propondo que se faça primeiro uma revolução cultural para que seguidamente se faça a revolução política, e assim foi.</p>
<p><img src="https://i.ytimg.com/vi/mEf9_dgqZGM/sddefault.jpg" alt="image"><br>Diácono remédios - Provedor da Herman Enciclopédia</p>
<p>Tudo na cultura indicava outras direções para a consagração de uma “evolução” nos costumes e na convivência entre as pessoas. Antes tudo era na aparência sangrento e eivado de restrições, agora tudo é e será liberdade e Iluminismo. </p>
<p>Este movimento de esvaziamento da cultura católica era justificado como sendo necessário pois imbuído do espírito revolucionário acreditava-se que tratava de repor a verdade e  acabar com as restrições que a religião colocou na sociedade portuguesa, contudo teve o resultado talvez inesperado para alguns de produzir não um estado laico na sua conceção utópica mas sim um estado que professa uma religião pagã. Esta religião havia de ter também as suas restrições e dogmas além de produzir os seus próprios mitos para agregar socialmente em torno da ideologia. </p>
<p>O creacionismo  por exemplo era coisa de outro tempo, agora havia que inventar uma cosmovisão diferente, em que o universo é rei e senhor e o milagre que está na génese da criação é o Big Bang. Nada mais que um truque retórico que nos desvia do creacionismo católico criando novos mitos cosmológicos mas não responde às questões de fundo: porquê algo em vez de nada ? Que obra existe sem criador ? Este truque retórico funciona porque quando nos apegamos às coisas do mundo, as descrições físicas e materialistas da realidade, estamos como que demasiado entretidos intelectualmente para subir de nível de análise e colocar as questões no plano metafísico. Sem essa organização psíquica que nos permita desenvolver uma interpretação metafísica da realidade objetiva estamos suscetíveis a que esse espaço deixado vago possa ser ocupado pela ideologia vigente, presa a um tempo, um espaço e manchada por um oportunismo político que procura conquistar tudo o que é nosso começando por instilar ideias de forma subtil, por vezes quase impercetível. </p>
<p>O filósofo brasileiro Olavo de Carvalho, na sua crítica ao marxismo, diz-nos que as ideias marxistas tornam-se de tal forma insidiosas que ao dominar educação e cultura fabricam cidadãos socialistas que não se apercebem que estão a fazer o apostolado ao socialismo. Os menos humildes de entre nós julgam que as ideias que possuem foram forjadas por si mesmos, no entanto, se lhes perguntarmos se conhecem a origem filosófica de determinadas ideias serão frequentemente incapazes de o identificar. Com a humildade vem o reconhecimento de que somos todos extremamente influenciáveis e de que determinadas escolas de pensamento nos podem ter capturado, usando-nos como armamento para a disseminação de determinadas ideias. Estas ideologias são como predadores famintos esperando pacientemente encontrar vulnerabilidades na sua presa para poderem explorar essas fraquezas e ganhar terreno. </p>
<p>A procura de uma matriz de organização da realidade, um significado fundamental, é um instinto humano, um instinto religioso, e quando não preenchido pode então ser parasitado por “religiões” muitas delas  primitivas. Desengane-se quem pensa que o ateísmo, o materialismo ou o relativismo não é uma religião, nada poderia estar mais longe da verdade. Após exame consciente daquilo a que o ateísmo se propunha a fazer, libertar o ser humano dos seus preconceitos e da tirania da doutrina religiosa que se afirmava sobre os desejos hedonísticos das pessoas, percebemos que o ateísmo não só não conseguiu fazer isso porque não nos livra da culpa como deixou muito pouco de humano em nós. Numa concepção ateísta e relativista tudo é passível de ser questionado, até ao axioma mais básico levando a que categorias semânticas como “homem”, “mulher” e “ser humano” sejam agora veículos de discórdia e confusão quanto á sua definição.</p>
<p><img src="https://www.dymocks.com.au/Pages/ImageHandler.ashx?q=9781956007008&amp;w=&amp;h=570" alt="image"><br>What is a Woman - Documentário de Matt Walsh que aborda as questões da identidade de género</p>
<p>Ainda assim, como vemos plasmado na sociedade atual há uma teoria sobre a virtude em que o que é determinado pela massa  da população é o “bom” e o que é para ser seguido, mesmo quando incoerente do ponto de vista lógico ou atentatório contra a natureza humana. Nesta nova religião o subjetivismo exuberante levou a que a arte perdesse aspirações estéticas dedicando-se quase exclusivamente á afronta e ao desafio ao status quo que nada mais é que a disseminação das ideias da ideologia que vigora. No domínio da ciência, esta está cada vez mais refém da ideologia servindo os interesses da mesma. Quanto à moral, não é possível não possuir um teoria sobre de bem e sobre o mal sem um dogma, e aqui nestas novas religiões existem vários dogmas e rituais sacramentais tal como nas religiões tradicionais. Seja a glorificação do materialismo, a celebração de uma suposta “evolução” do ser humano, ou a elevação do sexo a um plano mais elevado de atenção, estes e outros dogmas fazem parte desta religião. </p>
<p>Assim lembremos as palavras de Ralph Waldo Emerson quando nos diz que o ser humano irá sempre venerar algo e que nos tornamos naquilo que veneramos, ou seja o que ocupa a nossa imaginação e os nossos pensamentos irá também determinar o nosso carácter. Portanto, cuidemos de escolher que objetos colocamos nos nossos “altares” e o que vamos venerar pois isso estará na base da criação da sociedade futura. Não existe a opção não ter religião, existe sim a opção de deixar na escuridão do inconsciente a principal força motivacional que está na base de um sistema perceptivo. De qualquer modo, algo tem de ocupar o lugar mais elevado na nossa hierarquia moral a questão é: o que deverá ser ?</p>
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<p><a href="mailto:tiagogoncalves@walletofsatoshi.com">tiagogoncalves@walletofsatoshi.com</a></p>
]]></content:encoded>
      <itunes:author><![CDATA[Tiago G]]></itunes:author>
      <itunes:summary><![CDATA[<p><img src="https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/9/9c/BatalhaOurique.jpg/800px-BatalhaOurique.jpg" alt="image"></p>
<p>Para quem possa estar a ler este texto e seja mais jovem, esta mensagem é para ti. Provavelmente nasceste, assim como eu, numa época onde se sentia que a religião era uma coisa do passado. Multiplicavam-se as mensagens na cultura pop a desqualificar a religião como uma doutrina bafienta, obsoleta que não se atualizava e não se adaptava à modernidade. A mensagem que ganhava mais destaque era a de que não era cool ser religioso, que as únicas pessoas que o eram seriam as pessoas fracas nas suas convicções e que tinham sido vítimas de uma forte lavagem cerebral. Tudo servia para desconstruir e diluir a presença da doutrina moral da igreja na sociedade. Entretenimento, agendas políticas, cultura, ciência, arte, informação, todos estes alicerces da sociedade ratificam a mesma tese: precisamos de nos modernizar e atualizar o nosso modus vivendi. António Gramsci é um dos exemplos de pensadores que estão por detrás desta transformação social, propondo que se faça primeiro uma revolução cultural para que seguidamente se faça a revolução política, e assim foi.</p>
<p><img src="https://i.ytimg.com/vi/mEf9_dgqZGM/sddefault.jpg" alt="image"><br>Diácono remédios - Provedor da Herman Enciclopédia</p>
<p>Tudo na cultura indicava outras direções para a consagração de uma “evolução” nos costumes e na convivência entre as pessoas. Antes tudo era na aparência sangrento e eivado de restrições, agora tudo é e será liberdade e Iluminismo. </p>
<p>Este movimento de esvaziamento da cultura católica era justificado como sendo necessário pois imbuído do espírito revolucionário acreditava-se que tratava de repor a verdade e  acabar com as restrições que a religião colocou na sociedade portuguesa, contudo teve o resultado talvez inesperado para alguns de produzir não um estado laico na sua conceção utópica mas sim um estado que professa uma religião pagã. Esta religião havia de ter também as suas restrições e dogmas além de produzir os seus próprios mitos para agregar socialmente em torno da ideologia. </p>
<p>O creacionismo  por exemplo era coisa de outro tempo, agora havia que inventar uma cosmovisão diferente, em que o universo é rei e senhor e o milagre que está na génese da criação é o Big Bang. Nada mais que um truque retórico que nos desvia do creacionismo católico criando novos mitos cosmológicos mas não responde às questões de fundo: porquê algo em vez de nada ? Que obra existe sem criador ? Este truque retórico funciona porque quando nos apegamos às coisas do mundo, as descrições físicas e materialistas da realidade, estamos como que demasiado entretidos intelectualmente para subir de nível de análise e colocar as questões no plano metafísico. Sem essa organização psíquica que nos permita desenvolver uma interpretação metafísica da realidade objetiva estamos suscetíveis a que esse espaço deixado vago possa ser ocupado pela ideologia vigente, presa a um tempo, um espaço e manchada por um oportunismo político que procura conquistar tudo o que é nosso começando por instilar ideias de forma subtil, por vezes quase impercetível. </p>
<p>O filósofo brasileiro Olavo de Carvalho, na sua crítica ao marxismo, diz-nos que as ideias marxistas tornam-se de tal forma insidiosas que ao dominar educação e cultura fabricam cidadãos socialistas que não se apercebem que estão a fazer o apostolado ao socialismo. Os menos humildes de entre nós julgam que as ideias que possuem foram forjadas por si mesmos, no entanto, se lhes perguntarmos se conhecem a origem filosófica de determinadas ideias serão frequentemente incapazes de o identificar. Com a humildade vem o reconhecimento de que somos todos extremamente influenciáveis e de que determinadas escolas de pensamento nos podem ter capturado, usando-nos como armamento para a disseminação de determinadas ideias. Estas ideologias são como predadores famintos esperando pacientemente encontrar vulnerabilidades na sua presa para poderem explorar essas fraquezas e ganhar terreno. </p>
<p>A procura de uma matriz de organização da realidade, um significado fundamental, é um instinto humano, um instinto religioso, e quando não preenchido pode então ser parasitado por “religiões” muitas delas  primitivas. Desengane-se quem pensa que o ateísmo, o materialismo ou o relativismo não é uma religião, nada poderia estar mais longe da verdade. Após exame consciente daquilo a que o ateísmo se propunha a fazer, libertar o ser humano dos seus preconceitos e da tirania da doutrina religiosa que se afirmava sobre os desejos hedonísticos das pessoas, percebemos que o ateísmo não só não conseguiu fazer isso porque não nos livra da culpa como deixou muito pouco de humano em nós. Numa concepção ateísta e relativista tudo é passível de ser questionado, até ao axioma mais básico levando a que categorias semânticas como “homem”, “mulher” e “ser humano” sejam agora veículos de discórdia e confusão quanto á sua definição.</p>
<p><img src="https://www.dymocks.com.au/Pages/ImageHandler.ashx?q=9781956007008&amp;w=&amp;h=570" alt="image"><br>What is a Woman - Documentário de Matt Walsh que aborda as questões da identidade de género</p>
<p>Ainda assim, como vemos plasmado na sociedade atual há uma teoria sobre a virtude em que o que é determinado pela massa  da população é o “bom” e o que é para ser seguido, mesmo quando incoerente do ponto de vista lógico ou atentatório contra a natureza humana. Nesta nova religião o subjetivismo exuberante levou a que a arte perdesse aspirações estéticas dedicando-se quase exclusivamente á afronta e ao desafio ao status quo que nada mais é que a disseminação das ideias da ideologia que vigora. No domínio da ciência, esta está cada vez mais refém da ideologia servindo os interesses da mesma. Quanto à moral, não é possível não possuir um teoria sobre de bem e sobre o mal sem um dogma, e aqui nestas novas religiões existem vários dogmas e rituais sacramentais tal como nas religiões tradicionais. Seja a glorificação do materialismo, a celebração de uma suposta “evolução” do ser humano, ou a elevação do sexo a um plano mais elevado de atenção, estes e outros dogmas fazem parte desta religião. </p>
<p>Assim lembremos as palavras de Ralph Waldo Emerson quando nos diz que o ser humano irá sempre venerar algo e que nos tornamos naquilo que veneramos, ou seja o que ocupa a nossa imaginação e os nossos pensamentos irá também determinar o nosso carácter. Portanto, cuidemos de escolher que objetos colocamos nos nossos “altares” e o que vamos venerar pois isso estará na base da criação da sociedade futura. Não existe a opção não ter religião, existe sim a opção de deixar na escuridão do inconsciente a principal força motivacional que está na base de um sistema perceptivo. De qualquer modo, algo tem de ocupar o lugar mais elevado na nossa hierarquia moral a questão é: o que deverá ser ?</p>
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