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        <title><![CDATA[GENESIS BLOG]]></title>
        <description><![CDATA[Psicólogo 🇵🇹
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      <pubDate>Thu, 24 Jul 2025 19:52:18 GMT</pubDate>
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      <title><![CDATA[5 Razões Para A Crise Da Autoridade]]></title>
      <description><![CDATA[Autoridade: Prestígio e virtude vs corrupção e desventura
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      <pubDate>Thu, 24 Jul 2025 19:52:18 GMT</pubDate>
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      <category>política</category>
      
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      <dc:creator><![CDATA[Tiago G]]></dc:creator>
      <content:encoded><![CDATA[<p>Tenho vindo a notar que a autoridade, ou pelo menos como a postulamos atualmente, é um termo muitas vezes equívoco e que traz consigo uma conotação negativa. Não são raras as ocasiões em que me deparo com pessoas que equiparam autoridade a tirania (o abuso despótico da autoridade), que não reconhecem o prestígio ou virtude de um determinado cargo, e outras que não reconhecem a hierarquia como um fenómeno natural e que automaticamente se consagra a uma autoridade.</p>
<p>Nota-se no exemplo da política, neste campo ao contrário do que outrora acontecia o político é frequentemente visto com desconfiança e é até muitas vezes equipado ao usurpador oportunista que se serve em vez de servir.</p>
<p>Em conversas de café, nos media e até nas revistas cor de rosa vemos os responsáveis políticos associados a escândalos, corrupções e escárnios de toda a ordem. Escasseiam ou não existem na atualidade, figuras que verdadeiramente incorporem o espírito do rei filósofo inspirador do qual Platão falava, alguém livre de vícios e da ganância e possuidor das virtudes da justiça, temperança, sabedoria e coragem.</p>
<p><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!DE25!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F98253685-14d8-4c10-8a15-5a7d4fb8a559_640x852.jpeg" alt="Plato quote: Until philosophers are kings, or the kings and princes of..." title="Plato quote: Until philosophers are kings, or the kings and princes of..."></p>
<p>Na escola vemos um processo semelhante quando temos nos professores a imagem de avençados do estado sem sentido crítico que se limitam a seguir uma cartilha ideológica. Cada vez menos vemos o professor como o mestre, o diretor do intelecto que por virtude do seu aprofundamento se tornou um sábio numa determinada área e é capaz de partilhar esse conhecimento por forma a formar as mentes dos seus alunos.</p>
<p>Na medicina, os médicos são também alvo da descrença social que cada vez mais os caricatura como sendo marionetas da indústria farmacêutica e do estado sem capacidade e/ou autonomia para ajudarem os seus utentes como outrora faziam. A pandemia veio elucidar-nos sobre estes factos, demonstrando uma conformidade social sem precedentes e posturas muitas-vezes anti-científicas propaladas com evidentes interesses ideológicos e políticos.</p>
<p>Enfim, são muitos os exemplos de cargos que tradicionalmente prestigiantes que, de momento, não usufruem desse prestígio mas o problema será da autoridade per si ou estará relacionado com quem exerce essa autoridade? É fácil fazermos esta confusão e embarcarmos numa deriva libertina onde procuramos libertar-nos de toda a autoridade, contudo importa perceber que essa não é solução. A autoridade é uma condição natural na medida em que a hierarquia também o é, a melhor forma de ordenar a nossa vida individual e colectiva é ordenando a autoridade e estabelecendo de forma mais objetiva os critérios que configuram essa autoridade.</p>
<p>Isso talvez seja tema de uma outra exposição, como objeto deste texto irei elencar algumas das razões para este sentimento colectivo de desconfiança e desprestígio da autoridade:</p>
<p><strong>1- Virus do individualismo</strong> </p>
<p>O ser humano agrega-se naturalmente em comunidade na medida em que é capaz de definir finalidades comuns e assim constituir uma pólis (uma comunidade de pessoas organizada por leis, instituições e práticas comuns). Esta é uma condição sine qua non sob a qual assenta a formação do nosso país e da civilização.</p>
<p>Atualmente, vivemos uma era em que os laços que criamos quer em termos familiares quer em termos comunitários estão sob pressão para a desagregação. A cultura incentiva o indivíduo a colocar-se sempre em primeiro lugar, galvanizando o egoísmo e isolamento social das pessoas. Esta é a mesma cultura que proclama que devemos ser auto-suficientes, ao mesmo tempo que nos torna a todos cada vez mais dependentes do estado. Com isto sofre a família, a unidade básica da sociedade que se vê com cada vez menos autoridade e autonomia e vê os seus membros num funcionamento cada vez mais atomizado, fruto também em parte da ausência de direção espiritual da família, isto é, o estabelecimento do paradigma moral em que a família opera.</p>
<p><strong>2- Falácia da igualdade</strong> </p>
<p>Um dos alicerces filosóficos que domina as escolas de pensamento modernas é a ideia de igualdade. Um triunfo da cultura marxista levou a que fosse incorporado na cartilha de valores da nossa sociedade a igualdade como um fim em si mesmo. Esta doutrina está plena de sofismas e erros de lógica que não estão de acordo inclusive com aspectos de ordem natural. O ser humano como ser individual tem aptidões, interesses e competências específicas que fazem de cada um de nós diferentes. Há pessoas mais inteligentes, mais burras, mais aptas a uma coisa e menos aptas a outra e isso estabelece naturalmente diferenças entre nós que são muitas vezes valiosíssimas em termos da riqueza e diversidade de contributos sociais que cada um de nós consegue produzir. O problema é que nesta lógica da igualdade como fim em si mesmo a diferença não é bem-vinda e muito menos apreciada.</p>
<p>Também como fruto desta doutrina tendemos a considerar todas as opiniões como sendo “iguais”, o peso do voto de todos como sendo igual, quando isto é evidentemente um engano uma vez que temos naturalmente pessoas mais instruídas e menos instruídas para proferir opiniões sobre determinados assuntos, assim como temos opiniões que são erros a todos os títulos e opiniões que são fundadas na verdade.</p>
<p><strong>3- Ausência da hierarquia</strong></p>
<blockquote>
<p>Do mesmo modo que a perfeita constituição do corpo humano resulta da união e da articulação dos membros, que não têm as mesmas forças nem as mesmas funções, mas cuja feliz associação e concurso harmonioso dão a todo o organismo a sua beleza plástica, a sua força e a sua aptidão para prestar os serviços necessários, assim também, no seio da sociedade humana, acha-se uma variedade quase infinita de partes dissemelhantes. Se elas fossem todas iguais entre si, e livres, cada uma por sua conta, de agir a seu talante, nada seria mais disforme do que tal sociedade. Pelo contrário, se por uma sábia hierarquia dos merecimentos, dos gostos, das aptidões, cada uma delas concorre para o bem geral, vereis erguer-se diante de vós a imagem de uma sociedade bem ordenada e conforme a natureza.</p>
<p>Papa Leão XIII in encíclica «Humanum Genus», 20 de Abril de 1884.</p>
</blockquote>
<p>As sábias palavras do Papa Leão XIII remetem-nos para a condição natural da hierarquia e estabelecem que uma hierarquia propriamente ordenada (dos merecimentos, dos gostos e das aptidões) é a que produz a sociedade bem ordenada e conforme a natureza. Acontece que atualmente, vivemos numa permanente contradição em termos formais. Por um lado, a ideia de que a “igualdade” é o fim em si mesmo, por outro temos inevitavelmente uma hierarquia de facto porque por muitos artifícios retóricos que empreguemos há sempre uma discriminação quanto mais não seja de ordem natural.</p>
<p><strong>4- Silêncio das elites intelectuais</strong></p>
<p> A academia, os media e a cultura como um todo está tomada por uma paradigma ideológico que auxilia a construir uma narrativa sobre a autoridade que a descredibiliza. São vários os vetores da propaganda que pretendem dissuadir o indivíduo de procurar a verdadeira autoridade enquanto o convencem de que a autoridade reside em si, quando na verdade vive numa cárcere forjada por quem usurpou a autoridade legítima.</p>
<p>Importa portanto nesta fase, voltar a formar pessoas em relação aos critérios que tornam uma autoridade legítima e voltar a criar referências que reabilitem a autoridade e voltem a inspirar pessoas com o seu exemplo.</p>
<p><strong>5- Uma sociedade sem ideais ou com os ideais invertidos (uma imagem deturpada da virtude)</strong></p>
<p> As referências que temos de pessoas virtuosas na nossa sociedade são, muitas delas testemunhos vivos de um vazio na nossa sociedade. Há pessoas elevadas à fama e ao sucesso por razões absurdas e, infelizmente, são muitas vezes estas pessoas que são tidos como modelos para uma parte significativa da população. Quando aprendemos de maus modelos, imitamos os seus maus hábitos e os seus vícios. É muito frequente vermos pessoas “louvadas” pelo seu narcisismo, pela vaidade, pelo materialismo e hedonismo.</p>
<p>Para fazer face a isto precisamos de reconfigurar o que de facto são os nossos ideais e como elevamos alguém por virtude do exercício exemplar desses ideais.</p>
<p><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!2uSK!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fc14d0a77-543d-4eb5-87de-733654073e84_1600x1067.jpeg" alt="Coronation of Charlemagne - World History Encyclopedia"><em>Coronation of Charlemagne - World History Encyclopedia A Coroação de Carlos Magno, 1861, por Friedrich Kaulbach (1822-1903). A pintura retrata a coroação de Carlos Magno (742-814) como Imperador do Sacro Império Romano pelo Papa Leão III (r. 795-816) em 25 de dezembro de 800</em>. </p>
<p>A autoridade que se não exerce, perde-se e de facto vemos isto a acontecer quando cada vez mais nos desresponsabilizamos das tarefas que nos são devidas quer pelo nosso papel social quer pelos dons que recebemos e dos quais não fazemos uso. É importantíssimo que vejamos a autoridade como um dom e um privilégio que temos, que nos permite agir em prol do bem-comum. Sempre com espírito de serviço e com exemplo de sacrifício porque aquele que é o líder de todos não deve nunca esquecer-se que é também o servo de todos.</p>
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      <itunes:author><![CDATA[Tiago G]]></itunes:author>
      <itunes:summary><![CDATA[<p>Tenho vindo a notar que a autoridade, ou pelo menos como a postulamos atualmente, é um termo muitas vezes equívoco e que traz consigo uma conotação negativa. Não são raras as ocasiões em que me deparo com pessoas que equiparam autoridade a tirania (o abuso despótico da autoridade), que não reconhecem o prestígio ou virtude de um determinado cargo, e outras que não reconhecem a hierarquia como um fenómeno natural e que automaticamente se consagra a uma autoridade.</p>
<p>Nota-se no exemplo da política, neste campo ao contrário do que outrora acontecia o político é frequentemente visto com desconfiança e é até muitas vezes equipado ao usurpador oportunista que se serve em vez de servir.</p>
<p>Em conversas de café, nos media e até nas revistas cor de rosa vemos os responsáveis políticos associados a escândalos, corrupções e escárnios de toda a ordem. Escasseiam ou não existem na atualidade, figuras que verdadeiramente incorporem o espírito do rei filósofo inspirador do qual Platão falava, alguém livre de vícios e da ganância e possuidor das virtudes da justiça, temperança, sabedoria e coragem.</p>
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<p>Na escola vemos um processo semelhante quando temos nos professores a imagem de avençados do estado sem sentido crítico que se limitam a seguir uma cartilha ideológica. Cada vez menos vemos o professor como o mestre, o diretor do intelecto que por virtude do seu aprofundamento se tornou um sábio numa determinada área e é capaz de partilhar esse conhecimento por forma a formar as mentes dos seus alunos.</p>
<p>Na medicina, os médicos são também alvo da descrença social que cada vez mais os caricatura como sendo marionetas da indústria farmacêutica e do estado sem capacidade e/ou autonomia para ajudarem os seus utentes como outrora faziam. A pandemia veio elucidar-nos sobre estes factos, demonstrando uma conformidade social sem precedentes e posturas muitas-vezes anti-científicas propaladas com evidentes interesses ideológicos e políticos.</p>
<p>Enfim, são muitos os exemplos de cargos que tradicionalmente prestigiantes que, de momento, não usufruem desse prestígio mas o problema será da autoridade per si ou estará relacionado com quem exerce essa autoridade? É fácil fazermos esta confusão e embarcarmos numa deriva libertina onde procuramos libertar-nos de toda a autoridade, contudo importa perceber que essa não é solução. A autoridade é uma condição natural na medida em que a hierarquia também o é, a melhor forma de ordenar a nossa vida individual e colectiva é ordenando a autoridade e estabelecendo de forma mais objetiva os critérios que configuram essa autoridade.</p>
<p>Isso talvez seja tema de uma outra exposição, como objeto deste texto irei elencar algumas das razões para este sentimento colectivo de desconfiança e desprestígio da autoridade:</p>
<p><strong>1- Virus do individualismo</strong> </p>
<p>O ser humano agrega-se naturalmente em comunidade na medida em que é capaz de definir finalidades comuns e assim constituir uma pólis (uma comunidade de pessoas organizada por leis, instituições e práticas comuns). Esta é uma condição sine qua non sob a qual assenta a formação do nosso país e da civilização.</p>
<p>Atualmente, vivemos uma era em que os laços que criamos quer em termos familiares quer em termos comunitários estão sob pressão para a desagregação. A cultura incentiva o indivíduo a colocar-se sempre em primeiro lugar, galvanizando o egoísmo e isolamento social das pessoas. Esta é a mesma cultura que proclama que devemos ser auto-suficientes, ao mesmo tempo que nos torna a todos cada vez mais dependentes do estado. Com isto sofre a família, a unidade básica da sociedade que se vê com cada vez menos autoridade e autonomia e vê os seus membros num funcionamento cada vez mais atomizado, fruto também em parte da ausência de direção espiritual da família, isto é, o estabelecimento do paradigma moral em que a família opera.</p>
<p><strong>2- Falácia da igualdade</strong> </p>
<p>Um dos alicerces filosóficos que domina as escolas de pensamento modernas é a ideia de igualdade. Um triunfo da cultura marxista levou a que fosse incorporado na cartilha de valores da nossa sociedade a igualdade como um fim em si mesmo. Esta doutrina está plena de sofismas e erros de lógica que não estão de acordo inclusive com aspectos de ordem natural. O ser humano como ser individual tem aptidões, interesses e competências específicas que fazem de cada um de nós diferentes. Há pessoas mais inteligentes, mais burras, mais aptas a uma coisa e menos aptas a outra e isso estabelece naturalmente diferenças entre nós que são muitas vezes valiosíssimas em termos da riqueza e diversidade de contributos sociais que cada um de nós consegue produzir. O problema é que nesta lógica da igualdade como fim em si mesmo a diferença não é bem-vinda e muito menos apreciada.</p>
<p>Também como fruto desta doutrina tendemos a considerar todas as opiniões como sendo “iguais”, o peso do voto de todos como sendo igual, quando isto é evidentemente um engano uma vez que temos naturalmente pessoas mais instruídas e menos instruídas para proferir opiniões sobre determinados assuntos, assim como temos opiniões que são erros a todos os títulos e opiniões que são fundadas na verdade.</p>
<p><strong>3- Ausência da hierarquia</strong></p>
<blockquote>
<p>Do mesmo modo que a perfeita constituição do corpo humano resulta da união e da articulação dos membros, que não têm as mesmas forças nem as mesmas funções, mas cuja feliz associação e concurso harmonioso dão a todo o organismo a sua beleza plástica, a sua força e a sua aptidão para prestar os serviços necessários, assim também, no seio da sociedade humana, acha-se uma variedade quase infinita de partes dissemelhantes. Se elas fossem todas iguais entre si, e livres, cada uma por sua conta, de agir a seu talante, nada seria mais disforme do que tal sociedade. Pelo contrário, se por uma sábia hierarquia dos merecimentos, dos gostos, das aptidões, cada uma delas concorre para o bem geral, vereis erguer-se diante de vós a imagem de uma sociedade bem ordenada e conforme a natureza.</p>
<p>Papa Leão XIII in encíclica «Humanum Genus», 20 de Abril de 1884.</p>
</blockquote>
<p>As sábias palavras do Papa Leão XIII remetem-nos para a condição natural da hierarquia e estabelecem que uma hierarquia propriamente ordenada (dos merecimentos, dos gostos e das aptidões) é a que produz a sociedade bem ordenada e conforme a natureza. Acontece que atualmente, vivemos numa permanente contradição em termos formais. Por um lado, a ideia de que a “igualdade” é o fim em si mesmo, por outro temos inevitavelmente uma hierarquia de facto porque por muitos artifícios retóricos que empreguemos há sempre uma discriminação quanto mais não seja de ordem natural.</p>
<p><strong>4- Silêncio das elites intelectuais</strong></p>
<p> A academia, os media e a cultura como um todo está tomada por uma paradigma ideológico que auxilia a construir uma narrativa sobre a autoridade que a descredibiliza. São vários os vetores da propaganda que pretendem dissuadir o indivíduo de procurar a verdadeira autoridade enquanto o convencem de que a autoridade reside em si, quando na verdade vive numa cárcere forjada por quem usurpou a autoridade legítima.</p>
<p>Importa portanto nesta fase, voltar a formar pessoas em relação aos critérios que tornam uma autoridade legítima e voltar a criar referências que reabilitem a autoridade e voltem a inspirar pessoas com o seu exemplo.</p>
<p><strong>5- Uma sociedade sem ideais ou com os ideais invertidos (uma imagem deturpada da virtude)</strong></p>
<p> As referências que temos de pessoas virtuosas na nossa sociedade são, muitas delas testemunhos vivos de um vazio na nossa sociedade. Há pessoas elevadas à fama e ao sucesso por razões absurdas e, infelizmente, são muitas vezes estas pessoas que são tidos como modelos para uma parte significativa da população. Quando aprendemos de maus modelos, imitamos os seus maus hábitos e os seus vícios. É muito frequente vermos pessoas “louvadas” pelo seu narcisismo, pela vaidade, pelo materialismo e hedonismo.</p>
<p>Para fazer face a isto precisamos de reconfigurar o que de facto são os nossos ideais e como elevamos alguém por virtude do exercício exemplar desses ideais.</p>
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<p>A autoridade que se não exerce, perde-se e de facto vemos isto a acontecer quando cada vez mais nos desresponsabilizamos das tarefas que nos são devidas quer pelo nosso papel social quer pelos dons que recebemos e dos quais não fazemos uso. É importantíssimo que vejamos a autoridade como um dom e um privilégio que temos, que nos permite agir em prol do bem-comum. Sempre com espírito de serviço e com exemplo de sacrifício porque aquele que é o líder de todos não deve nunca esquecer-se que é também o servo de todos.</p>
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      <title><![CDATA[Dez Conselhos Que Gostava De Ter Recebido]]></title>
      <description><![CDATA[Uma análise retrospectiva
]]></description>
             <itunes:subtitle><![CDATA[Uma análise retrospectiva
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      <pubDate>Thu, 20 Feb 2025 23:17:29 GMT</pubDate>
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      <dc:creator><![CDATA[Tiago G]]></dc:creator>
      <content:encoded><![CDATA[<p>Quando estava prestes a entrar para a universidade sentia que a minha vida estava a desenrolar-se plenamente de acordo com os conselhos que havia recebido. Estava focado nos estudos e com a esperança de que esse foco me garantisse um bom trabalho. Com efeito, os estudos abriram algumas portas, no entanto, não posso deixar de assinalar que há outras decisões mais importantes a tomar e que não tiveram o mesmo protagonismo na minha vida.</p>
<p>Nessa mesma altura estava a iniciar um relacionamento amoroso, sem ter clara a finalidade desse namoro e o caminho que o mesmo deveria ter seguido. Talvez até me tivessem aconselhado sobre isso, contudo o foco estava mais no trabalho e em usufruir das oportunidades que se apresentaram nessa juventude confortável, na qual contei sempre com o apoio financeiro dos meus pais. Estava, como a maioria à minha volta, a viver uma vida libertina. Quer isto dizer uma vida sem grandes preocupações, a não ser estudar e fazer o suficiente para não reprovar a nenhuma disciplina. O resto é movido muito mais para emoção do que pela razão. Aquilo que considerava prazeroso era bom e o que não o era, era mau. Não tinha propriamente uma ideia clara do que queria criar a longo prazo e portanto estava muito mais focado no presente e em usufruir daquilo que podia no momento.</p>
<p>Fazendo uma análise retrospetiva de tudo, não culpo ninguém porque a informação existe para quem a procura, contudo noto aqui apenas o ambiente social e cultural que favorece determinadas decisões em detrimento de outras. O foco tem estado muito mais nos estudos, no trabalho e na fruição dos prazeres que se apresentam aos jovens sem que se pense demasiado no futuro.</p>
<p>Neste contexto, e vendo esta fase da vida com outro grau de distanciamento, deixo aqui dez conselhos que julgo essenciais.</p>
<p><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F1ab20422-2add-4f40-8f0a-dcc97b97b2e8_1024x1259.jpeg" alt=""><em>Rei Salomão - Gustav Dore</em> </p>
<p><em><strong>1.Focar na decisão mais importante: constituir ou não família.</strong></em> </p>
<p>A decisão de constituir ou não família é muito mais relevante para a nossa vida do que propriamente a de escolher uma profissão. Não estou necessariamente a fazer apologia de que todas as pessoas devem constituir família, convenhamos que muitos de nós não têm vocação para o mesmo (apesar de muitos ainda assim o fazerem), mas quer seja afirmativa ou negativa a resposta parece-me fundamental que nos concentremos nessa decisão. Muito mais do que qualquer profissão a família é onde naturalmente procuramos apoio, conforto e incentivo perante todas as vicissitudes da vida.</p>
<p>O facto de existirem famílias que não são fontes de amor para as pessoas em nada invalida que esta seja a organização social por excelência que aporta significado ás nossas vidas. Infelizmente, para muitas pessoas uma experiência pessoal mais difícil a este nível influi na forma como pensam sobre a possibilidade de criarem a sua própria família.</p>
<p>Algumas questões a ter em conta nesta ponderação:</p>
<p>Qual é o meu ideal de família ?</p>
<p>Qual o meu papel enquanto homem/mulher no seio da família?</p>
<p>Que tipo de parceiro devo procurar?</p>
<p>Desejo ter filhos ?</p>
<p>Podemos usar estas questões como pontos de partida para iniciar uma exploração da nossa vocação.</p>
<p><em><strong>2.Tomar decisões cedo em vez de protelar indefinidamente</strong></em> </p>
<p>Atualmente notamos que as pessoas constituem família cada vez mais tarde e que têm filhos cada vez mais tarde. É curioso notar que nos relacionamentos por vezes há alguma pressa para passar do conhecer a pessoa à intimidade sexual e não há pressa alguma para decidir se de facto é com aquela pessoa que queremos passar o resto dos nossos dias.</p>
<p>Este é apenas um aspecto no qual se nota uma progressiva detioração da capacidade para decidir. É-nos muitas vezes transmitida a ideia de que temos tempo e de que não há uma idade certa para tomar determinadas decisões. Estes discursos são cínicos pois é evidente que há fases que são mais propícias para dar determinados passos na nossa vida, daí que seja muito importante aprender a tomar decisões cedo.</p>
<p>Para tomar decisões sóbrias é fundamental saber-se exatamente aquilo que queremos. Se tudo isso está indefinido e não conseguimos postular uma ideia de futuro para nós será muito mais difícil tomar qualquer tipo de decisão importante. Um outro aspecto a ter em conta é o de que as principais decisões são guiadas pela razão, isto é os nossos sentimentos têm de estar ao serviço dos nossos valores e nunca o contrário.</p>
<p><em>3.Se não te imaginas a casar com a pessoa com quem estás, termina o relacionamento.</em> </p>
<p>Deixar a porta aberta num relacionamento de forma indefinida é algo que vai produzir instabilidade no longo prazo. É óbvio que para muitas pessoas o casamento é “apenas um papel” e portanto não vêm a real utilidade em se casar. Contudo, e de forma não surpreendente, notamos que os casais que têm na sua vida uma visão sobrenatural do casamento tendem a perdurar. Digamos que a cola que é usada para unir as pessoas é de um outro calibre, enquanto que a cola usada por aqueles que não têm Deus nas suas vidas está muito mais sujeita à volatilidade do tempo, dos apetites individuais e do relativismo.</p>
<p><em>4.Assume a responsabilidade pelos teus erros sem te deixar levar pelo vitimismo.</em> </p>
<p>A cultura atual, influenciada de forma determinante pela filosofia marxista, está permanentemente a postular divisões de poder na sociedade que pressupõe duas categorias principais a de oprimido e opressor. Esta ideologia apoiada no revisionismo histórico e numa pedagogia social falaciosa incute desde cedo na população a ideia de que em algum momento, tendo ou não pertencido a uma minoria, somos vítimas. Vemos vários exemplos e derivações desta doutrina quando tocamos em temas como o feminismo, o racismo e outros ismos que se focam apenas nesta divisão dicotómica oprimido e opressor.</p>
<p>Esta narrativa esquece que a hierarquia é uma organização natural que define aptidões diferenciadas e consequentemente vocações diferentes. Um outro aspecto que também é esquecido é o livre arbítrio, isto é, a ideia de que as pessoas têm poder de decisão e que muitas vezes podem ser coniventes e partes atuantes no sistema em que participam.</p>
<p>Quer isto dizer que individualmente cada um de nós, havendo discernimento, tem escolha e portanto é muito mais produtivo focar a nossa atenção nesse aspecto do que em qualquer tipo de desigualdade que possa existir. A igualdade de circunstâncias para todas as pessoas é uma utopia, a única igualdade que existe é da essência humana.</p>
<p>O caminho para escapar ao vitimismo será sempre o da responsabilidade individual e da gratidão apesar das circunstâncias adversas que possamos estar a viver.</p>
<p><em>5.Foca-te primeiro no que te é mais próximo antes do mundo</em></p>
<p>Por vezes, inspirados por uma soberba intelectual que agora é típica da juventude vemo-nos a fazer o papel de ativistas em determinadas causas, algumas nobres outras nem tanto. Acontece que este ativismo é frequentemente uma ato postiço, uma pose que usamos como forma de sinalizar a nossa virtude perante os nossos pares. Onde se percebem os pés de barro é quando notamos que diante das pessoas que nos são mais próximas não temos o mesmo zelo que apresentamos quando estamos a debater as grandes questões do mundo.</p>
<p>Há que ser zeloso com quem nos rodeia e os problemas mais urgentes para resolver, e aqueles em que a nossa intervenção é de facto mais necessária, são os que nos são mais próximos.</p>
<p><em>6.Dizer a verdade</em></p>
<p> A corrupção moral funciona de forma gradual, vai de menos a mais, começamos com uma coisa pequena até chegarmos a algo maior. Quando somos mais novos vamos experimentando a corrupção através do exercício da mentira em pequenas coisas e gradualmente vamos avançando para as coisas maiores. Alguns de nós resistem à mentira, facilmente se entende que não desejamos que os outros nos mintam no entanto, se o repetimos muitas vezes facilmente a banalizamos.</p>
<p>A mentira é uma tentativa de esquivar a responsabilidade pelas nossas ações ou opiniões, uma tentativa de fuga ás consequências. Contudo, importa perceber que inevitavelmente vamos sempre confrontar-nos com as consequências sejam quais forem as circunstâncias. Se não as experimentamos pela espada dos outros será pela nossa própria espada quando finalmente percebermos que não há harmonia entre o pensamento e a ação, que dizemos uma coisa mas fazemos outra, que a nossa identidade é também ela uma ficção. O exercício da verdade será a única via para nos aproximarmos de uma existência mais harmoniosa e autêntica, a única forma de estabelecer uma relação genuína com os outros.</p>
<p><em>7.Decisões inspiradas pela coragem e menos pelo medo</em></p>
<p>As nossas decisões têm frequentemente como força motriz o medo. O medo da rejeição impede-nos de ir falar com aquela pessoa de quem gostamos, o medo do juízo social impede-nos de proferir a nossa opinião em determinado assunto, o medo da morte leva-nos a ter comportamentos obsessivos com a nossa saúde; enfim, são muitas as situações em que as nossas decisões são pautadas pelo medo.</p>
<p>É importante que cada vez mais, o medo não seja o factor definidor da nossa decisão. A coragem, temperada pela prudência, devem ser os grandes arquitetos da nossa decisão. Aquilo que é bom no sentido mais profundo é o que devemos seguir, independentemente de sentirmos medo.</p>
<p><em>8.Ninguém é obrigado a gostar de nós, ninguém nos deve nada</em></p>
<p> O ressentimento e mágoa leva-nos por vezes a tratar os outros como se eles nos devessem algo, como se fosse impensável não nos reconhecerem como aprazíveis aos seus olhos ou justos. Isto é uma forma subtil do orgulho se expressar, porque mais uma vez nos colocamos na posição de vítima e assim, julgamos que os outros nos deveriam reconhecer como virtuosos de alguma forma.</p>
<p>Pois bem, apesar dos outros, tal como nós, terem deveres e poderem fazer menção honrosa da nossa existência não devemos esperar isso. Esperando isso, acabamos escravizados por essas expectativas porque continuamos à espera que gostem de nós. Desta forma distorcemos também o próprio conceito de amor, que é doar-se sem esperar em troca. Não é que os outros não o possam fazer, podem, o problema está na espera e na exigência.</p>
<p><em>9.Definir uma matriz moral objetiva</em> </p>
<p>Imbuídos de um espírito relativista estamos muitas vezes sujeitos a uma subjetividade enorme no que diz respeito aos nossos valores. O resultado disto é que inevitavelmente vamos ter uma definição menos clara do bem e do mal. Frequentemente vamos confundir o que é bom ou mau com os nossos desejos, alimentado pelos nossos vícios. Para termos uma visão mais clara da realidade é fundamental sairmos dessa visão subjetiva do valor e sermos capazes de procurar a verdadeira fonte das definições morais.</p>
<p>Aqui, há determinadas mensagens sociais que nos confundem os sentidos, nomeadamente aquelas que atestam que tudo são apenas “pontos de vista”, que não há uma “verdade” mas sim várias verdades, e que “neste tempo/cultura/país” a moralidade é outra. São tudo asserções que dificultam esta pesquisa pela verdade e definição moral universal. Neste campo, o ser humano só será capaz de ter mais estabilidade em termos psicológicos aderindo a um sistema de valores imutável, esta é a única forma de basear a sua identidade em princípios mais objetivos.</p>
<p><em>10.Encontrar um propósito maior para a vida</em></p>
<p> Santo Agostinho diz-nos o seguinte:</p>
<ul>
<li><p>Se não queres sofrer não ames, mas se não amas para que queres viver?</p>
<p>Santo Agostinho</p>
</li>
</ul>
<p>Por vezes na nossa vida procuramos esquivar-nos do sofrimento e inclusive somos vitimas de um certo ceticismo e embotamento afetivo. Vamos experimentando a traição e a frustração das nossas expectativas e isso vai endurecendo o nosso coração. Em resultado disso, muitas vezes tornamo-nos também mais egoístas, focados na mera satisfação das nossas necessidades e menos nas dos outros. No entanto, isto faz de nós infelizes porque não conseguimos deixar de amar. A solução é encontrar algo maior que nós mesmos para amar, entendendo sempre que a essência do amor é o sacrifício. Encontrar isso é simultaneamente definir um propósito para a vida e daí derivar um significado que nos sustenta até nos momentos mais difíceis.</p>
<p>Eventualmente poderei fazer alguma publicação específica expandindo um pouco mais alguns destes conselhos, uma vez que observo que muito mais poderia ter sido dito em cada um deles. Talvez venha a criar mais algumas publicações sobre este tema.</p>
]]></content:encoded>
      <itunes:author><![CDATA[Tiago G]]></itunes:author>
      <itunes:summary><![CDATA[<p>Quando estava prestes a entrar para a universidade sentia que a minha vida estava a desenrolar-se plenamente de acordo com os conselhos que havia recebido. Estava focado nos estudos e com a esperança de que esse foco me garantisse um bom trabalho. Com efeito, os estudos abriram algumas portas, no entanto, não posso deixar de assinalar que há outras decisões mais importantes a tomar e que não tiveram o mesmo protagonismo na minha vida.</p>
<p>Nessa mesma altura estava a iniciar um relacionamento amoroso, sem ter clara a finalidade desse namoro e o caminho que o mesmo deveria ter seguido. Talvez até me tivessem aconselhado sobre isso, contudo o foco estava mais no trabalho e em usufruir das oportunidades que se apresentaram nessa juventude confortável, na qual contei sempre com o apoio financeiro dos meus pais. Estava, como a maioria à minha volta, a viver uma vida libertina. Quer isto dizer uma vida sem grandes preocupações, a não ser estudar e fazer o suficiente para não reprovar a nenhuma disciplina. O resto é movido muito mais para emoção do que pela razão. Aquilo que considerava prazeroso era bom e o que não o era, era mau. Não tinha propriamente uma ideia clara do que queria criar a longo prazo e portanto estava muito mais focado no presente e em usufruir daquilo que podia no momento.</p>
<p>Fazendo uma análise retrospetiva de tudo, não culpo ninguém porque a informação existe para quem a procura, contudo noto aqui apenas o ambiente social e cultural que favorece determinadas decisões em detrimento de outras. O foco tem estado muito mais nos estudos, no trabalho e na fruição dos prazeres que se apresentam aos jovens sem que se pense demasiado no futuro.</p>
<p>Neste contexto, e vendo esta fase da vida com outro grau de distanciamento, deixo aqui dez conselhos que julgo essenciais.</p>
<p><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F1ab20422-2add-4f40-8f0a-dcc97b97b2e8_1024x1259.jpeg" alt=""><em>Rei Salomão - Gustav Dore</em> </p>
<p><em><strong>1.Focar na decisão mais importante: constituir ou não família.</strong></em> </p>
<p>A decisão de constituir ou não família é muito mais relevante para a nossa vida do que propriamente a de escolher uma profissão. Não estou necessariamente a fazer apologia de que todas as pessoas devem constituir família, convenhamos que muitos de nós não têm vocação para o mesmo (apesar de muitos ainda assim o fazerem), mas quer seja afirmativa ou negativa a resposta parece-me fundamental que nos concentremos nessa decisão. Muito mais do que qualquer profissão a família é onde naturalmente procuramos apoio, conforto e incentivo perante todas as vicissitudes da vida.</p>
<p>O facto de existirem famílias que não são fontes de amor para as pessoas em nada invalida que esta seja a organização social por excelência que aporta significado ás nossas vidas. Infelizmente, para muitas pessoas uma experiência pessoal mais difícil a este nível influi na forma como pensam sobre a possibilidade de criarem a sua própria família.</p>
<p>Algumas questões a ter em conta nesta ponderação:</p>
<p>Qual é o meu ideal de família ?</p>
<p>Qual o meu papel enquanto homem/mulher no seio da família?</p>
<p>Que tipo de parceiro devo procurar?</p>
<p>Desejo ter filhos ?</p>
<p>Podemos usar estas questões como pontos de partida para iniciar uma exploração da nossa vocação.</p>
<p><em><strong>2.Tomar decisões cedo em vez de protelar indefinidamente</strong></em> </p>
<p>Atualmente notamos que as pessoas constituem família cada vez mais tarde e que têm filhos cada vez mais tarde. É curioso notar que nos relacionamentos por vezes há alguma pressa para passar do conhecer a pessoa à intimidade sexual e não há pressa alguma para decidir se de facto é com aquela pessoa que queremos passar o resto dos nossos dias.</p>
<p>Este é apenas um aspecto no qual se nota uma progressiva detioração da capacidade para decidir. É-nos muitas vezes transmitida a ideia de que temos tempo e de que não há uma idade certa para tomar determinadas decisões. Estes discursos são cínicos pois é evidente que há fases que são mais propícias para dar determinados passos na nossa vida, daí que seja muito importante aprender a tomar decisões cedo.</p>
<p>Para tomar decisões sóbrias é fundamental saber-se exatamente aquilo que queremos. Se tudo isso está indefinido e não conseguimos postular uma ideia de futuro para nós será muito mais difícil tomar qualquer tipo de decisão importante. Um outro aspecto a ter em conta é o de que as principais decisões são guiadas pela razão, isto é os nossos sentimentos têm de estar ao serviço dos nossos valores e nunca o contrário.</p>
<p><em>3.Se não te imaginas a casar com a pessoa com quem estás, termina o relacionamento.</em> </p>
<p>Deixar a porta aberta num relacionamento de forma indefinida é algo que vai produzir instabilidade no longo prazo. É óbvio que para muitas pessoas o casamento é “apenas um papel” e portanto não vêm a real utilidade em se casar. Contudo, e de forma não surpreendente, notamos que os casais que têm na sua vida uma visão sobrenatural do casamento tendem a perdurar. Digamos que a cola que é usada para unir as pessoas é de um outro calibre, enquanto que a cola usada por aqueles que não têm Deus nas suas vidas está muito mais sujeita à volatilidade do tempo, dos apetites individuais e do relativismo.</p>
<p><em>4.Assume a responsabilidade pelos teus erros sem te deixar levar pelo vitimismo.</em> </p>
<p>A cultura atual, influenciada de forma determinante pela filosofia marxista, está permanentemente a postular divisões de poder na sociedade que pressupõe duas categorias principais a de oprimido e opressor. Esta ideologia apoiada no revisionismo histórico e numa pedagogia social falaciosa incute desde cedo na população a ideia de que em algum momento, tendo ou não pertencido a uma minoria, somos vítimas. Vemos vários exemplos e derivações desta doutrina quando tocamos em temas como o feminismo, o racismo e outros ismos que se focam apenas nesta divisão dicotómica oprimido e opressor.</p>
<p>Esta narrativa esquece que a hierarquia é uma organização natural que define aptidões diferenciadas e consequentemente vocações diferentes. Um outro aspecto que também é esquecido é o livre arbítrio, isto é, a ideia de que as pessoas têm poder de decisão e que muitas vezes podem ser coniventes e partes atuantes no sistema em que participam.</p>
<p>Quer isto dizer que individualmente cada um de nós, havendo discernimento, tem escolha e portanto é muito mais produtivo focar a nossa atenção nesse aspecto do que em qualquer tipo de desigualdade que possa existir. A igualdade de circunstâncias para todas as pessoas é uma utopia, a única igualdade que existe é da essência humana.</p>
<p>O caminho para escapar ao vitimismo será sempre o da responsabilidade individual e da gratidão apesar das circunstâncias adversas que possamos estar a viver.</p>
<p><em>5.Foca-te primeiro no que te é mais próximo antes do mundo</em></p>
<p>Por vezes, inspirados por uma soberba intelectual que agora é típica da juventude vemo-nos a fazer o papel de ativistas em determinadas causas, algumas nobres outras nem tanto. Acontece que este ativismo é frequentemente uma ato postiço, uma pose que usamos como forma de sinalizar a nossa virtude perante os nossos pares. Onde se percebem os pés de barro é quando notamos que diante das pessoas que nos são mais próximas não temos o mesmo zelo que apresentamos quando estamos a debater as grandes questões do mundo.</p>
<p>Há que ser zeloso com quem nos rodeia e os problemas mais urgentes para resolver, e aqueles em que a nossa intervenção é de facto mais necessária, são os que nos são mais próximos.</p>
<p><em>6.Dizer a verdade</em></p>
<p> A corrupção moral funciona de forma gradual, vai de menos a mais, começamos com uma coisa pequena até chegarmos a algo maior. Quando somos mais novos vamos experimentando a corrupção através do exercício da mentira em pequenas coisas e gradualmente vamos avançando para as coisas maiores. Alguns de nós resistem à mentira, facilmente se entende que não desejamos que os outros nos mintam no entanto, se o repetimos muitas vezes facilmente a banalizamos.</p>
<p>A mentira é uma tentativa de esquivar a responsabilidade pelas nossas ações ou opiniões, uma tentativa de fuga ás consequências. Contudo, importa perceber que inevitavelmente vamos sempre confrontar-nos com as consequências sejam quais forem as circunstâncias. Se não as experimentamos pela espada dos outros será pela nossa própria espada quando finalmente percebermos que não há harmonia entre o pensamento e a ação, que dizemos uma coisa mas fazemos outra, que a nossa identidade é também ela uma ficção. O exercício da verdade será a única via para nos aproximarmos de uma existência mais harmoniosa e autêntica, a única forma de estabelecer uma relação genuína com os outros.</p>
<p><em>7.Decisões inspiradas pela coragem e menos pelo medo</em></p>
<p>As nossas decisões têm frequentemente como força motriz o medo. O medo da rejeição impede-nos de ir falar com aquela pessoa de quem gostamos, o medo do juízo social impede-nos de proferir a nossa opinião em determinado assunto, o medo da morte leva-nos a ter comportamentos obsessivos com a nossa saúde; enfim, são muitas as situações em que as nossas decisões são pautadas pelo medo.</p>
<p>É importante que cada vez mais, o medo não seja o factor definidor da nossa decisão. A coragem, temperada pela prudência, devem ser os grandes arquitetos da nossa decisão. Aquilo que é bom no sentido mais profundo é o que devemos seguir, independentemente de sentirmos medo.</p>
<p><em>8.Ninguém é obrigado a gostar de nós, ninguém nos deve nada</em></p>
<p> O ressentimento e mágoa leva-nos por vezes a tratar os outros como se eles nos devessem algo, como se fosse impensável não nos reconhecerem como aprazíveis aos seus olhos ou justos. Isto é uma forma subtil do orgulho se expressar, porque mais uma vez nos colocamos na posição de vítima e assim, julgamos que os outros nos deveriam reconhecer como virtuosos de alguma forma.</p>
<p>Pois bem, apesar dos outros, tal como nós, terem deveres e poderem fazer menção honrosa da nossa existência não devemos esperar isso. Esperando isso, acabamos escravizados por essas expectativas porque continuamos à espera que gostem de nós. Desta forma distorcemos também o próprio conceito de amor, que é doar-se sem esperar em troca. Não é que os outros não o possam fazer, podem, o problema está na espera e na exigência.</p>
<p><em>9.Definir uma matriz moral objetiva</em> </p>
<p>Imbuídos de um espírito relativista estamos muitas vezes sujeitos a uma subjetividade enorme no que diz respeito aos nossos valores. O resultado disto é que inevitavelmente vamos ter uma definição menos clara do bem e do mal. Frequentemente vamos confundir o que é bom ou mau com os nossos desejos, alimentado pelos nossos vícios. Para termos uma visão mais clara da realidade é fundamental sairmos dessa visão subjetiva do valor e sermos capazes de procurar a verdadeira fonte das definições morais.</p>
<p>Aqui, há determinadas mensagens sociais que nos confundem os sentidos, nomeadamente aquelas que atestam que tudo são apenas “pontos de vista”, que não há uma “verdade” mas sim várias verdades, e que “neste tempo/cultura/país” a moralidade é outra. São tudo asserções que dificultam esta pesquisa pela verdade e definição moral universal. Neste campo, o ser humano só será capaz de ter mais estabilidade em termos psicológicos aderindo a um sistema de valores imutável, esta é a única forma de basear a sua identidade em princípios mais objetivos.</p>
<p><em>10.Encontrar um propósito maior para a vida</em></p>
<p> Santo Agostinho diz-nos o seguinte:</p>
<ul>
<li><p>Se não queres sofrer não ames, mas se não amas para que queres viver?</p>
<p>Santo Agostinho</p>
</li>
</ul>
<p>Por vezes na nossa vida procuramos esquivar-nos do sofrimento e inclusive somos vitimas de um certo ceticismo e embotamento afetivo. Vamos experimentando a traição e a frustração das nossas expectativas e isso vai endurecendo o nosso coração. Em resultado disso, muitas vezes tornamo-nos também mais egoístas, focados na mera satisfação das nossas necessidades e menos nas dos outros. No entanto, isto faz de nós infelizes porque não conseguimos deixar de amar. A solução é encontrar algo maior que nós mesmos para amar, entendendo sempre que a essência do amor é o sacrifício. Encontrar isso é simultaneamente definir um propósito para a vida e daí derivar um significado que nos sustenta até nos momentos mais difíceis.</p>
<p>Eventualmente poderei fazer alguma publicação específica expandindo um pouco mais alguns destes conselhos, uma vez que observo que muito mais poderia ter sido dito em cada um deles. Talvez venha a criar mais algumas publicações sobre este tema.</p>
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