<rss
      xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
      xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/"
      xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
      xmlns:itunes="http://www.itunes.com/dtds/podcast-1.0.dtd"
      xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
      version="2.0"
    >
      <channel>
        <title><![CDATA[GENESIS BLOG]]></title>
        <description><![CDATA[Psicólogo 🇵🇹
Bitcoin maxi
Portuguese 
Catholic]]></description>
        <link>https://tvieiragoncalves.npub.pro/tag/psicologia/</link>
        <atom:link href="https://tvieiragoncalves.npub.pro/tag/psicologia/rss/" rel="self" type="application/rss+xml"/>
        <itunes:new-feed-url>https://tvieiragoncalves.npub.pro/tag/psicologia/rss/</itunes:new-feed-url>
        <itunes:author><![CDATA[Tiago G]]></itunes:author>
        <itunes:subtitle><![CDATA[Psicólogo 🇵🇹
Bitcoin maxi
Portuguese 
Catholic]]></itunes:subtitle>
        <itunes:type>episodic</itunes:type>
        <itunes:owner>
          <itunes:name><![CDATA[Tiago G]]></itunes:name>
          <itunes:email><![CDATA[Tiago G]]></itunes:email>
        </itunes:owner>
            
      <pubDate>Thu, 09 Oct 2025 18:10:59 GMT</pubDate>
      <lastBuildDate>Thu, 09 Oct 2025 18:10:59 GMT</lastBuildDate>
      
      <itunes:image href="https://nostr.build/i/6790.gif" />
      <image>
        <title><![CDATA[GENESIS BLOG]]></title>
        <link>https://tvieiragoncalves.npub.pro/tag/psicologia/</link>
        <url>https://nostr.build/i/6790.gif</url>
      </image>
      <item>
      <title><![CDATA[O que é o humano?]]></title>
      <description><![CDATA[Elementos para a antropologia clássica do ser humano
]]></description>
             <itunes:subtitle><![CDATA[Elementos para a antropologia clássica do ser humano
]]></itunes:subtitle>
      <pubDate>Thu, 09 Oct 2025 18:10:59 GMT</pubDate>
      <link>https://tvieiragoncalves.npub.pro/post/o-que-o-humano-4sgaro/</link>
      <comments>https://tvieiragoncalves.npub.pro/post/o-que-o-humano-4sgaro/</comments>
      <guid isPermaLink="false">naddr1qq257tt3w4jj6meddp6k6ctwdukngum8v9ex7q3qh5e0y6r2tagu4cygnfggzcfrt4afarvcvvcgqmpzyv605g4n89nqxpqqqp65w907jff</guid>
      <category>filosofia</category>
      
        <media:content url="https://blossom.primal.net/878931952234fe8000e304a353cf7e5da708af16b1aec16736cbcb5cdccffd5d.jpg" medium="image"/>
        <enclosure 
          url="https://blossom.primal.net/878931952234fe8000e304a353cf7e5da708af16b1aec16736cbcb5cdccffd5d.jpg" length="0" 
          type="image/jpeg" 
        />
      <noteId>naddr1qq257tt3w4jj6meddp6k6ctwdukngum8v9ex7q3qh5e0y6r2tagu4cygnfggzcfrt4afarvcvvcgqmpzyv605g4n89nqxpqqqp65w907jff</noteId>
      <npub>npub1h5e0y6r2tagu4cygnfggzcfrt4afarvcvvcgqmpzyv605g4n89nqhlf2e2</npub>
      <dc:creator><![CDATA[Tiago G]]></dc:creator>
      <content:encoded><![CDATA[<p>Na atualidade vejo a defesa de uma antropologia humana que não está fundada na boa filosofia e que nos leva a um entendimento parcial ou até errado do ser humano. Dentro da psicologia moderna há inclusive alguns modelos que pela sua natureza, inerentemente materialista ou relativista, ignoram alguns pressupostos elementares para o entendimento do ser humano. Decidi escrever este texto apenas para deixar aqui alguns elementos que procuro incorporar no meu trabalho como psicólogo e que me parecem essenciais para um melhor entendimento do ser humano.</p>
<h2>Essência e matéria</h2>
<p>Antes das coisas existirem materialmente, existem na mente de alguém. Uma casa antes de ser construída existe em termos conceptuais na mente do seu construtor. Um triângulo antes de ser desenhado numa folha existe em termos da sua essência .</p>
<p>O que quer isto dizer ?</p>
<p>Quer dizer que o conjunto de coisas que existem tem propriedades materiais e imateriais. Pensar nas coisas apenas de uma forma, essencial ou material, é perder elementos para uma representação mais completa de tudo o que existe.</p>
<p>Estes conceitos aplicam-se ao ser humano, que tem características essenciais (indispensáveis à caracterização da natureza humana), como por exemplo ser dotado de razão e vontade; e características materiais que compõe os componentes físicos do Homem: carne, ossos, sangue etc… Ao analisarmos o ser humano apenas na sua perspetiva material cometemos alguns erros inclusive de natureza valorativa, pois o entendimento da essência é fundamental para que realizemos o valor do ser humano enquanto um ser diferente entre os viventes.</p>
<p>Não dizemos que o valor da vida de um cão tem o mesmo valor da vida de um humano, porque não o fazemos ? Precisamente pelo entendimento que temos da diferença na nossa essência.</p>
<p>A vida dos humanos tem o mesmo valor ? Se atendermos apenas à parte material do ser humano podemos facilmente cair na falácia de que algumas vidas podem valer mais e outras menos. São as duas dimensões, essencial e material, que configuram o que é a verdadeira dignidade humana.</p>
<h2><strong>Causa e finalidade</strong></h2>
<p>A causa das coisas diz respeito ao porquê das coisas existirem. Qualquer arguto observador da realidade percebe, ainda que de forma intuitiva, que os fenómenos/coisas estabelecem relações de causa e efeito entre si e que estas causas e efeitos se organizam segundo pressupostos lógicos. A ciência ocupa-se do estudo destas causas e efeitos e da descrição da forma como interagem os objetos pois ao entende-los vamos conseguir prever de forma mais clara as relações e entender o que entra no domínio do possível e do provável.</p>
<p>A título de exemplo, o princípio da não contradição estabelece que não é possível dizer algo e o seu contrário e que as duas asserções tenham ambas valor de verdade.</p>
<p>Talvez a causa mais importante a conhecer na forma como se ordena a realidade e concretamente estas relações de causa efeito seja a causa final. Para bem do argumento vamos usar a palavra função embora duvide que seja a mais rigorosa. Todas as coisas servem uma função, quer isto dizer que apontam para uma finalidade. Tomemos por exemplo o lápis que estou a usar para escrever este texto, ele tem como finalidade o seu uso para a escrita. Podemos usar o lápis para outras funções como desenho, e até para tocar bateria, mas nem todos os seus usos cumprem o propósito para o qual foi criado. Aqui é útil termos em conta duas noções: a de hierarquia nas finalidades consoante estão mais próximas ou não da causa final, e a noção de potência. Um lápis não é capaz de voar até à lua por si mesmo porque enquanto objeto não tem essa potência, ou seja não tem essa capacidade no seu reportório.</p>
<p>Entendendo estes conceitos entendemos melhor como os objetos são criados e as suas funções.</p>
<p>Assim agora podemos passar ao ser humano e veremos que para melhor nos conhecermos é importante conhecermos a nossa causa final como um todo e também das partes. A título de exemplo: usamos a boca para comer e o ato de comer essencialmente serve para termos saúde e sobreviver, contudo é um ato que dá prazer. Se aprendermos apenas a comer por prazer sendo esse o principal objetivo da nossa alimentação vamos criar desordem e uma tensão relativamente às finalidades para as quais orientamos as ações. A consequência para estas desordens é patologia, isto é, um funcionamento menos harmonioso com a realidade. Um paralelismo que podemos traçar é com as leis da física. Alguém que tenta dimensionar uma máquina deve atender aos pressupostos das leis da física para que esta funcione de forma apurada segundo o seu objetivo, caso isto não aconteça existe entropia e a máquina não funcionará de forma adequada.</p>
<p>Podemos fingir que a gravidade não existe, no entanto sentiremos diretamente os seus efeitos de qualquer modo.</p>
<p><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!vydj!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fc5b7a57c-4254-48bc-a86a-96b2b39ac6d7_2290x3250.jpeg" alt="Aristotle - Wikiquote"><strong>Aristóteles uma das figuras mais importantes da filosofia clássica particularmente no estudo da teleologia</strong> </p>
<h2><strong>Razão e vontade</strong></h2>
<p>Como seres humanos somos dotados de inteligência e de uma mente que nos permite aprender. Ao aprendermos sobre a realidade vamos fazendo juízos e tomando decisões pois somos parte ativa nesta realidade. Guiados pela razão somos capazes de ação voluntária, isto é, livre arbítrio. Quer isto dizer que as nossas ações adquirem uma natureza ética e moral na medida em que preservamos estas capacidades. Isto vai sempre e invariavelmente ter implicações na formação da nossa mente e no seu equilíbrio (adesão à realidade).</p>
<p>Alguns teóricos de índole materialista têm vindo a questionar estes pressupostos, contudo se inspecionarmos profundamente os seus argumentos podemos ver que não se sustentam logicamente e que se tratam de estratégias sofistas de retórica. Apesar de podermos dizer que não temos livre-arbítrio para decidir, a forma como nos comportamos revela que verdadeiramente acreditamos que ele exista.</p>
<p><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!MzZK!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F4261c0d1-422c-46e8-94cb-65598c4cfaa2_728x546.jpeg" alt="Nenhuma descrição de foto disponível."><strong>A velha dicotomia entre a busca da verdade e a busca de pontos de vista</strong></p>
<p>Estes temas são vastíssimos e muito se poderia dizer sobre cada uma destas partes, e até sobre outras inclusive. Esta é apenas uma amostra de alguns aspectos que, quando bem entendidos, podem mudar a nossa perceção do humano e consequentemente mudar a forma como se pensa a psicologia do mesmo. </p>
]]></content:encoded>
      <itunes:author><![CDATA[Tiago G]]></itunes:author>
      <itunes:summary><![CDATA[<p>Na atualidade vejo a defesa de uma antropologia humana que não está fundada na boa filosofia e que nos leva a um entendimento parcial ou até errado do ser humano. Dentro da psicologia moderna há inclusive alguns modelos que pela sua natureza, inerentemente materialista ou relativista, ignoram alguns pressupostos elementares para o entendimento do ser humano. Decidi escrever este texto apenas para deixar aqui alguns elementos que procuro incorporar no meu trabalho como psicólogo e que me parecem essenciais para um melhor entendimento do ser humano.</p>
<h2>Essência e matéria</h2>
<p>Antes das coisas existirem materialmente, existem na mente de alguém. Uma casa antes de ser construída existe em termos conceptuais na mente do seu construtor. Um triângulo antes de ser desenhado numa folha existe em termos da sua essência .</p>
<p>O que quer isto dizer ?</p>
<p>Quer dizer que o conjunto de coisas que existem tem propriedades materiais e imateriais. Pensar nas coisas apenas de uma forma, essencial ou material, é perder elementos para uma representação mais completa de tudo o que existe.</p>
<p>Estes conceitos aplicam-se ao ser humano, que tem características essenciais (indispensáveis à caracterização da natureza humana), como por exemplo ser dotado de razão e vontade; e características materiais que compõe os componentes físicos do Homem: carne, ossos, sangue etc… Ao analisarmos o ser humano apenas na sua perspetiva material cometemos alguns erros inclusive de natureza valorativa, pois o entendimento da essência é fundamental para que realizemos o valor do ser humano enquanto um ser diferente entre os viventes.</p>
<p>Não dizemos que o valor da vida de um cão tem o mesmo valor da vida de um humano, porque não o fazemos ? Precisamente pelo entendimento que temos da diferença na nossa essência.</p>
<p>A vida dos humanos tem o mesmo valor ? Se atendermos apenas à parte material do ser humano podemos facilmente cair na falácia de que algumas vidas podem valer mais e outras menos. São as duas dimensões, essencial e material, que configuram o que é a verdadeira dignidade humana.</p>
<h2><strong>Causa e finalidade</strong></h2>
<p>A causa das coisas diz respeito ao porquê das coisas existirem. Qualquer arguto observador da realidade percebe, ainda que de forma intuitiva, que os fenómenos/coisas estabelecem relações de causa e efeito entre si e que estas causas e efeitos se organizam segundo pressupostos lógicos. A ciência ocupa-se do estudo destas causas e efeitos e da descrição da forma como interagem os objetos pois ao entende-los vamos conseguir prever de forma mais clara as relações e entender o que entra no domínio do possível e do provável.</p>
<p>A título de exemplo, o princípio da não contradição estabelece que não é possível dizer algo e o seu contrário e que as duas asserções tenham ambas valor de verdade.</p>
<p>Talvez a causa mais importante a conhecer na forma como se ordena a realidade e concretamente estas relações de causa efeito seja a causa final. Para bem do argumento vamos usar a palavra função embora duvide que seja a mais rigorosa. Todas as coisas servem uma função, quer isto dizer que apontam para uma finalidade. Tomemos por exemplo o lápis que estou a usar para escrever este texto, ele tem como finalidade o seu uso para a escrita. Podemos usar o lápis para outras funções como desenho, e até para tocar bateria, mas nem todos os seus usos cumprem o propósito para o qual foi criado. Aqui é útil termos em conta duas noções: a de hierarquia nas finalidades consoante estão mais próximas ou não da causa final, e a noção de potência. Um lápis não é capaz de voar até à lua por si mesmo porque enquanto objeto não tem essa potência, ou seja não tem essa capacidade no seu reportório.</p>
<p>Entendendo estes conceitos entendemos melhor como os objetos são criados e as suas funções.</p>
<p>Assim agora podemos passar ao ser humano e veremos que para melhor nos conhecermos é importante conhecermos a nossa causa final como um todo e também das partes. A título de exemplo: usamos a boca para comer e o ato de comer essencialmente serve para termos saúde e sobreviver, contudo é um ato que dá prazer. Se aprendermos apenas a comer por prazer sendo esse o principal objetivo da nossa alimentação vamos criar desordem e uma tensão relativamente às finalidades para as quais orientamos as ações. A consequência para estas desordens é patologia, isto é, um funcionamento menos harmonioso com a realidade. Um paralelismo que podemos traçar é com as leis da física. Alguém que tenta dimensionar uma máquina deve atender aos pressupostos das leis da física para que esta funcione de forma apurada segundo o seu objetivo, caso isto não aconteça existe entropia e a máquina não funcionará de forma adequada.</p>
<p>Podemos fingir que a gravidade não existe, no entanto sentiremos diretamente os seus efeitos de qualquer modo.</p>
<p><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!vydj!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fc5b7a57c-4254-48bc-a86a-96b2b39ac6d7_2290x3250.jpeg" alt="Aristotle - Wikiquote"><strong>Aristóteles uma das figuras mais importantes da filosofia clássica particularmente no estudo da teleologia</strong> </p>
<h2><strong>Razão e vontade</strong></h2>
<p>Como seres humanos somos dotados de inteligência e de uma mente que nos permite aprender. Ao aprendermos sobre a realidade vamos fazendo juízos e tomando decisões pois somos parte ativa nesta realidade. Guiados pela razão somos capazes de ação voluntária, isto é, livre arbítrio. Quer isto dizer que as nossas ações adquirem uma natureza ética e moral na medida em que preservamos estas capacidades. Isto vai sempre e invariavelmente ter implicações na formação da nossa mente e no seu equilíbrio (adesão à realidade).</p>
<p>Alguns teóricos de índole materialista têm vindo a questionar estes pressupostos, contudo se inspecionarmos profundamente os seus argumentos podemos ver que não se sustentam logicamente e que se tratam de estratégias sofistas de retórica. Apesar de podermos dizer que não temos livre-arbítrio para decidir, a forma como nos comportamos revela que verdadeiramente acreditamos que ele exista.</p>
<p><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!MzZK!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F4261c0d1-422c-46e8-94cb-65598c4cfaa2_728x546.jpeg" alt="Nenhuma descrição de foto disponível."><strong>A velha dicotomia entre a busca da verdade e a busca de pontos de vista</strong></p>
<p>Estes temas são vastíssimos e muito se poderia dizer sobre cada uma destas partes, e até sobre outras inclusive. Esta é apenas uma amostra de alguns aspectos que, quando bem entendidos, podem mudar a nossa perceção do humano e consequentemente mudar a forma como se pensa a psicologia do mesmo. </p>
]]></itunes:summary>
      <itunes:image href="https://blossom.primal.net/878931952234fe8000e304a353cf7e5da708af16b1aec16736cbcb5cdccffd5d.jpg"/>
      </item>
      
      <item>
      <title><![CDATA[Afinal de contas o que é o amor?]]></title>
      <description><![CDATA[Do "amor" descartável ao amor eterno]]></description>
             <itunes:subtitle><![CDATA[Do "amor" descartável ao amor eterno]]></itunes:subtitle>
      <pubDate>Tue, 23 Sep 2025 15:08:01 GMT</pubDate>
      <link>https://tvieiragoncalves.npub.pro/post/afinal-de-contas-o-que-o-amor-1fxs6p/</link>
      <comments>https://tvieiragoncalves.npub.pro/post/afinal-de-contas-o-que-o-amor-1fxs6p/</comments>
      <guid isPermaLink="false">naddr1qqjyzenfdeskcttyv5kkxmmww3shxtt094ch2efddukkzmt0wgknzencwvm8qq3qh5e0y6r2tagu4cygnfggzcfrt4afarvcvvcgqmpzyv605g4n89nqxpqqqp65w5xvh9k</guid>
      <category>psicologia</category>
      
        <media:content url="https://blossom.primal.net/fe029ded0564cc6d78de814914d03ec68b1a9387cf1a8ab8fb0267420c2522cb.jpg" medium="image"/>
        <enclosure 
          url="https://blossom.primal.net/fe029ded0564cc6d78de814914d03ec68b1a9387cf1a8ab8fb0267420c2522cb.jpg" length="0" 
          type="image/jpeg" 
        />
      <noteId>naddr1qqjyzenfdeskcttyv5kkxmmww3shxtt094ch2efddukkzmt0wgknzencwvm8qq3qh5e0y6r2tagu4cygnfggzcfrt4afarvcvvcgqmpzyv605g4n89nqxpqqqp65w5xvh9k</noteId>
      <npub>npub1h5e0y6r2tagu4cygnfggzcfrt4afarvcvvcgqmpzyv605g4n89nqhlf2e2</npub>
      <dc:creator><![CDATA[Tiago G]]></dc:creator>
      <content:encoded><![CDATA[<p>O homem moderno fala de “amor” a toda a hora na televisão, em filmes, nas séries e em livros. São frequentemente organizadas paradas sobre o tema , contudo e paradoxalmente, temos as taxas mais elevadas de divórcio de sempre, famílias completamente dilaceradas e uma natalidade reduzidíssima quando comparada com as gerações precedentes. Algo parece não estar certo pois o discurso que tanto louva o “amor” parece não condizer com a atitude. Talvez um dos problemas comece desde logo pela definição da palavra, bem sabemos que cada vez mais no mundo relativista as palavras perdem o seu sentido próprio. Então vejamos, o que quer “amor” dizer concretamente para o homem moderno.</p>
<p>Para muitos amor quer dizer utilidade , no sentido em que o “amor” que têm pelo outro varia em função da utilidade que este tem para a vida daquela pessoa. Enquanto a pessoa satisfaz uma necessidade, seja esta emocional ou uma utilidade hedónica ( que se refere ao prazer) o “amor” existe, quando isto cessa o “amor” também deixa de existir. Nesta aceção de “amor” este não passa de um sentimento que pode ser “intenso” mas será sempre passageiro, passará com o tempo sem a base da constância e da decisão.</p>
<p>Outra confusão com o termo diz respeito a um sentimentalismo bacoco que é para muitos “amor”, aqui vemos o domínio da sensualidade e das paixões ser confundido com algo muito mais elevado. Sentir o fulgor da atração não é amar alguém e para quem “ama” com base exclusiva nesse pressuposto impõe-se que se lhe diga: “sic transit gloria mundi - assim passa a glória do mundo”. Quer isto dizer que as coisas mundanas são passageiras, todos envelheceremos e esse fulgor da atração também passará.</p>
<p>Há também casos de pessoas para as quais “amar” é efetuar uma troca comercial, como celebrar um contrato de troca de bens. No entanto, o amor não foi feito para ser mercadejado e a sua existência não depende sequer da reciprocidade como nos diz C.S Lewis. Quem ama doa-se e a generosidade e genuinidade da doação é também assegurada pela aceitação de poder não ser correspondido em todos os momentos.</p>
<blockquote>
<p>Love is never wasted for its value does not rest upon reciprocity.</p>
<p>C.S Lewis</p>
</blockquote>
<p><strong>Então fica a pergunta, qual é o verdadeiro conceito de amor?</strong></p>
<p>Hoje quer-se pensar o amor sem a cruz que lhe está associada mas nada poderia estar mais longe da verdade. A essência do amor é o sacrifício pelo outro, para amarmos temos de possuir a capacidade de deixar o egoísmo e ver além de nós e dos nossos desejos mais imediatos. Isto implica entrega e disposição para sofrer e padecer várias dores, contudo sempre em função de um bem maior. O parto ilustra bem esta realidade, é um momento de ansiedade, dúvida e sofrimento para muitas grávidas mas é também um momento de júbilo no qual a mulher participa intimamente no projeto de criação divino.</p>
<p><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!xk-x!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F594d006f-3c6a-4016-bb70-8cf7caee1af7_850x400.jpeg" alt="Se não queres sofrer não ames. Porém, se não amas para que..."></p>
<p>Santo agostinho diz-nos palavras muito importante sobre o sofrimento e o amor, os dois estão intimamente ligados e negar-se a amar é negar ter apreço pela própria vida. </p>
<img src="https://blossom.primal.net/fe029ded0564cc6d78de814914d03ec68b1a9387cf1a8ab8fb0267420c2522cb.jpg">

<blockquote>
<p>Nossa Senhora das Dores demonstra perfeitamente o amor materno que sofre e se compadece das dores do filho.</p>
</blockquote>
<p>O amor requer a nossa dedicação e compromisso de vida diário, a isto chamamos também de fidelidade. O amor é algo que nos aproxima de Deus, sendo Deus a fonte de todo o amor, o nosso amor é tanto mais perfeito quanto mais se assemelhar ao de Deus, e este como sabemos é um amor que padeceu muitas dores.</p>
<p>O amor conjugal verdadeiro adere há ordem natural, não pode estar fundado em ilusões que atentam contra a natureza do homem ou da mulher. Digamos que o homem e a mulher se podem cumprir de forma plena nesse amor conjugal que se quer aberto à vida. Aberto à vida porque sendo a vida um dom de Deus é algo bom e desejável, não devendo ser limitado por uma mentalidade contracetiva que vê os filhos como um encargo e não uma bênção.</p>
<p>O amor é sempre voluntário e fundado na liberdade de decisão da pessoa. Não se ama alguém sob coação e não se obriga alguém a amar outro. Para o bem e para o mal temos vontade e capacidade de decisão para escolher amar. Frequentemente vemos o sentido de domínio sobre a pessoa a apoderar-se de nós e a limitar a nossa capacidade de amar precisamente por ignorarmos este princípio.</p>
<p>Amar alguém é ter disponibilidade para o perdão pois sabemos da fragilidade humana e entendendo esta condição entenderemos que o perdão é uma necessidade e que vai ser empregue sucessivas vezes ao longo do nosso percurso de vida.</p>
<p>Amar é também desejar o bem do outro como nos diz S. Tomás Aquino. Amar o próximo como a si mesmo é mais um sinal de um amor genuíno. Nesta decisão que tomamos devemos fazê-lo apesar dos problemas e defeitos da outra pessoa.</p>
<p>Quem ama o outro ama também a verdade e não quer que o seu amor seja redil de mentiras e enganos, portanto a sinceridade estará sempre presente nesse amor. No amor genuíno está também a vocação para a eternidade pois este amor não se quer meramente circunscrito a um tempo ou uma circunstância.</p>
<p>Neste tempo de grande desnorte em relação a este assunto queiramos pautar o nosso amor por estes princípios e dar testemunho de um amor que está além dos preceitos mundanos. Um amor que nos una em todas as dificuldades e graças da vida, pois assim será sempre mais fácil viver mesmo que com dor.</p>
<p>Cada vez mais se torna evidente para nós como sociedade que precisamos destas referências pois só assim teremos capacidade para corresponder de forma correta aos vários papéis que iremos desempenhar ao longo da nossa vida.</p>
<p><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!KpVy!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F3b4d5ef6-fce1-42bc-8a73-d844f567b499_369x334.png" alt=""></p>
]]></content:encoded>
      <itunes:author><![CDATA[Tiago G]]></itunes:author>
      <itunes:summary><![CDATA[<p>O homem moderno fala de “amor” a toda a hora na televisão, em filmes, nas séries e em livros. São frequentemente organizadas paradas sobre o tema , contudo e paradoxalmente, temos as taxas mais elevadas de divórcio de sempre, famílias completamente dilaceradas e uma natalidade reduzidíssima quando comparada com as gerações precedentes. Algo parece não estar certo pois o discurso que tanto louva o “amor” parece não condizer com a atitude. Talvez um dos problemas comece desde logo pela definição da palavra, bem sabemos que cada vez mais no mundo relativista as palavras perdem o seu sentido próprio. Então vejamos, o que quer “amor” dizer concretamente para o homem moderno.</p>
<p>Para muitos amor quer dizer utilidade , no sentido em que o “amor” que têm pelo outro varia em função da utilidade que este tem para a vida daquela pessoa. Enquanto a pessoa satisfaz uma necessidade, seja esta emocional ou uma utilidade hedónica ( que se refere ao prazer) o “amor” existe, quando isto cessa o “amor” também deixa de existir. Nesta aceção de “amor” este não passa de um sentimento que pode ser “intenso” mas será sempre passageiro, passará com o tempo sem a base da constância e da decisão.</p>
<p>Outra confusão com o termo diz respeito a um sentimentalismo bacoco que é para muitos “amor”, aqui vemos o domínio da sensualidade e das paixões ser confundido com algo muito mais elevado. Sentir o fulgor da atração não é amar alguém e para quem “ama” com base exclusiva nesse pressuposto impõe-se que se lhe diga: “sic transit gloria mundi - assim passa a glória do mundo”. Quer isto dizer que as coisas mundanas são passageiras, todos envelheceremos e esse fulgor da atração também passará.</p>
<p>Há também casos de pessoas para as quais “amar” é efetuar uma troca comercial, como celebrar um contrato de troca de bens. No entanto, o amor não foi feito para ser mercadejado e a sua existência não depende sequer da reciprocidade como nos diz C.S Lewis. Quem ama doa-se e a generosidade e genuinidade da doação é também assegurada pela aceitação de poder não ser correspondido em todos os momentos.</p>
<blockquote>
<p>Love is never wasted for its value does not rest upon reciprocity.</p>
<p>C.S Lewis</p>
</blockquote>
<p><strong>Então fica a pergunta, qual é o verdadeiro conceito de amor?</strong></p>
<p>Hoje quer-se pensar o amor sem a cruz que lhe está associada mas nada poderia estar mais longe da verdade. A essência do amor é o sacrifício pelo outro, para amarmos temos de possuir a capacidade de deixar o egoísmo e ver além de nós e dos nossos desejos mais imediatos. Isto implica entrega e disposição para sofrer e padecer várias dores, contudo sempre em função de um bem maior. O parto ilustra bem esta realidade, é um momento de ansiedade, dúvida e sofrimento para muitas grávidas mas é também um momento de júbilo no qual a mulher participa intimamente no projeto de criação divino.</p>
<p><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!xk-x!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F594d006f-3c6a-4016-bb70-8cf7caee1af7_850x400.jpeg" alt="Se não queres sofrer não ames. Porém, se não amas para que..."></p>
<p>Santo agostinho diz-nos palavras muito importante sobre o sofrimento e o amor, os dois estão intimamente ligados e negar-se a amar é negar ter apreço pela própria vida. </p>
<img src="https://blossom.primal.net/fe029ded0564cc6d78de814914d03ec68b1a9387cf1a8ab8fb0267420c2522cb.jpg">

<blockquote>
<p>Nossa Senhora das Dores demonstra perfeitamente o amor materno que sofre e se compadece das dores do filho.</p>
</blockquote>
<p>O amor requer a nossa dedicação e compromisso de vida diário, a isto chamamos também de fidelidade. O amor é algo que nos aproxima de Deus, sendo Deus a fonte de todo o amor, o nosso amor é tanto mais perfeito quanto mais se assemelhar ao de Deus, e este como sabemos é um amor que padeceu muitas dores.</p>
<p>O amor conjugal verdadeiro adere há ordem natural, não pode estar fundado em ilusões que atentam contra a natureza do homem ou da mulher. Digamos que o homem e a mulher se podem cumprir de forma plena nesse amor conjugal que se quer aberto à vida. Aberto à vida porque sendo a vida um dom de Deus é algo bom e desejável, não devendo ser limitado por uma mentalidade contracetiva que vê os filhos como um encargo e não uma bênção.</p>
<p>O amor é sempre voluntário e fundado na liberdade de decisão da pessoa. Não se ama alguém sob coação e não se obriga alguém a amar outro. Para o bem e para o mal temos vontade e capacidade de decisão para escolher amar. Frequentemente vemos o sentido de domínio sobre a pessoa a apoderar-se de nós e a limitar a nossa capacidade de amar precisamente por ignorarmos este princípio.</p>
<p>Amar alguém é ter disponibilidade para o perdão pois sabemos da fragilidade humana e entendendo esta condição entenderemos que o perdão é uma necessidade e que vai ser empregue sucessivas vezes ao longo do nosso percurso de vida.</p>
<p>Amar é também desejar o bem do outro como nos diz S. Tomás Aquino. Amar o próximo como a si mesmo é mais um sinal de um amor genuíno. Nesta decisão que tomamos devemos fazê-lo apesar dos problemas e defeitos da outra pessoa.</p>
<p>Quem ama o outro ama também a verdade e não quer que o seu amor seja redil de mentiras e enganos, portanto a sinceridade estará sempre presente nesse amor. No amor genuíno está também a vocação para a eternidade pois este amor não se quer meramente circunscrito a um tempo ou uma circunstância.</p>
<p>Neste tempo de grande desnorte em relação a este assunto queiramos pautar o nosso amor por estes princípios e dar testemunho de um amor que está além dos preceitos mundanos. Um amor que nos una em todas as dificuldades e graças da vida, pois assim será sempre mais fácil viver mesmo que com dor.</p>
<p>Cada vez mais se torna evidente para nós como sociedade que precisamos destas referências pois só assim teremos capacidade para corresponder de forma correta aos vários papéis que iremos desempenhar ao longo da nossa vida.</p>
<p><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!KpVy!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F3b4d5ef6-fce1-42bc-8a73-d844f567b499_369x334.png" alt=""></p>
]]></itunes:summary>
      <itunes:image href="https://blossom.primal.net/fe029ded0564cc6d78de814914d03ec68b1a9387cf1a8ab8fb0267420c2522cb.jpg"/>
      </item>
      
      <item>
      <title><![CDATA[A Lição Mais Difícil que Alguma Vez Aprendi ]]></title>
      <description><![CDATA[Tens de manter a família unida.]]></description>
             <itunes:subtitle><![CDATA[Tens de manter a família unida.]]></itunes:subtitle>
      <pubDate>Fri, 08 Aug 2025 12:03:09 GMT</pubDate>
      <link>https://tvieiragoncalves.npub.pro/post/a-li-o-mais-dif-cil-que-alguma-vez-aprendi-nhxde7/</link>
      <comments>https://tvieiragoncalves.npub.pro/post/a-li-o-mais-dif-cil-que-alguma-vez-aprendi-nhxde7/</comments>
      <guid isPermaLink="false">naddr1qqc5zt2vdykk7t2dv95hxt2yd9nz6cmfdskhzat994qkcem4d4sj64n90gk5zurjv4hxg6fdde58ser9xupzp0fj7f5x5h63etsg3xjss9sjxht6n6xescesspkzyge5lg3txwtxqvzqqqr4gu7lk2pa</guid>
      <category>psicologia</category>
      
        <media:content url="https://blossom.primal.net/cce8d336af47c2ac017f1eaa7dc23c87589e73e1a77d670e001f91606233c08d.jpg" medium="image"/>
        <enclosure 
          url="https://blossom.primal.net/cce8d336af47c2ac017f1eaa7dc23c87589e73e1a77d670e001f91606233c08d.jpg" length="0" 
          type="image/jpeg" 
        />
      <noteId>naddr1qqc5zt2vdykk7t2dv95hxt2yd9nz6cmfdskhzat994qkcem4d4sj64n90gk5zurjv4hxg6fdde58ser9xupzp0fj7f5x5h63etsg3xjss9sjxht6n6xescesspkzyge5lg3txwtxqvzqqqr4gu7lk2pa</noteId>
      <npub>npub1h5e0y6r2tagu4cygnfggzcfrt4afarvcvvcgqmpzyv605g4n89nqhlf2e2</npub>
      <dc:creator><![CDATA[Tiago G]]></dc:creator>
      <content:encoded><![CDATA[<p><em><strong>Texto de Ed Latimore</strong></em></p>
<p>Não sou um daqueles miúdos que não conheciam o pai. Eu sabia exatamente quem ele era. Via-o uma ou duas vezes por ano. Até vivi com ele durante um verão. Mas uma vez fiz um cálculo aproximado do tempo que realmente passámos juntos enquanto crescia. Incluindo aquele verão, estimo — generosamente — que passei um total de 60 horas com o meu pai. Não 60 dias. Não 60 fins de semana. Sessenta horas. E a maior parte desse tempo não foi de vínculo ou orientação. Era ele a conduzir-me a mim e à minha irmã enquanto visitava amigos. Não tenho uma única memória dele a viver connosco, ou mesmo a viver na mesma cidade.</p>
<p>Quando o meu pai morreu, eu tinha 18 anos. Chorei porque achava que era suposto. A minha irmã não chorou. No início, a minha mãe e eu pensámos que ela estava com dificuldade em processar a perda. Mas à medida que cresci, percebi a verdade: ela não tinha motivo para sofrer. Ela não o conhecia realmente. Nem eu.</p>
<p>Ele não era cruel nem abusivo. Pagava a pensão de alimentos. Mas também não estava presente. Não nos protegia. Enquanto o namorado da minha mãe nos maltratava, o meu pai não fez nada para intervir. Isso deixa-me com apenas duas opções: ou ele não sabia, ou não se importava. De qualquer forma, ele não estava lá. Durante a maior parte da minha vida, quando pensava no meu pai, simplesmente não havia muito em que pensar. Ele não era um vilão, mas também não era um protetor ou guia. Dizia a mim mesmo que ele não tinha impacto na minha vida. Estava enganado.</p>
<p>Anos após a sua morte, comecei a ler sobre o papel crucial que os pais desempenham no desenvolvimento infantil. A ciência é impressionante. Crianças com pais envolvidos — realmente envolvidos, não apenas visitas de fim de semana ou um cheque pelo correio — mostram um melhor desenvolvimento nas partes do cérebro que regulam o stress e o controlo emocional. A amígdala, que governa o medo e a raiva, desenvolve-se de forma diferente sem a presença de um pai. O córtex pré-frontal — responsável pela tomada de decisões e controlo de impulsos — fortalece-se quando um pai está consistentemente presente.</p>
<p>Estudos como o Projeto ABCD e o Projeto de Intervenção Precoce de Bucareste confirmaram isso através de exames cerebrais. Crianças criadas sem pais presentes e amorosos tornam-se frequentemente mais reativas, mais ansiosas e mais vulneráveis ao stress e à pressão dos pares. Tornas-te ou demasiado fraco para lidar com conflitos, ou demasiado volátil para os gerir com sabedoria. De qualquer forma, estás em modo de sobrevivência — facilmente manipulado, rápido a enraivecer-te e emocionalmente instável.</p>
<p>Frederick Douglass disse uma vez: “É mais fácil construir crianças fortes do que reparar homens quebrados.” Os dados confirmam-no.</p>
<p>Lutei contra o vício, a pobreza e a identidade durante grande parte da minha vida adulta. Sou o primeiro a dizer que a responsabilidade pessoal importa — mas seria tolo ignorar o quão mais difícil é para as crianças prosperarem sem um lar estável com dois pais. Isso importa mais do que o dinheiro. Não é uma opinião — é uma realidade observável.</p>
<p>Fui um dos sortudos. Evitei a prisão. Fiquei sóbrio. Descobri a minha vida. Conquistei um diploma em física. Construí uma carreira. Lutei para voltar — literal e figurativamente. Mas agora que sou pai, carrego uma lição que nunca esquecerei:</p>
<p>Acima de tudo, mantém a família unida.</p>
<p>Quando tens filhos, a tua vida deixa de ser apenas sobre ti. Ainda tens objetivos, passatempos e responsabilidades, mas a tua prioridade máxima é proteger e fortalecer a família. Isso começa com o autocontrolo. Se tens hábitos que ameaçam a tua família — álcool, pornografia, jogo, infidelidade — controla-os. Rápido.</p>
<p>Penso frequentemente no caos que nunca trarei para o meu lar simplesmente porque me tornei sóbrio. Demasiadas famílias são destruídas por um homem que não se conseguia controlar. Um homem assim não é apenas um risco para a sua esposa — é uma responsabilidade para os seus filhos.</p>
<p>Alguns homens gostam de dizer: “Ela que aguente.” Mas quando o teu comportamento traz caos, tornas mais difícil para os teus filhos sentirem-se seguros, amados, guiados. A presença de um pai deve criar paz, não provocar dor.</p>
<p>Sim, por vezes as famílias não podem ficar juntas. No entanto, muitas dessas situações poderiam ter sido evitadas ao escolher o parceiro certo antes de ter filhos. Aqui está uma das ironias tristes da ausência de pai:</p>
<p>Rapazes sem pais têm maior probabilidade de se tornarem promíscuos e imprudentes. Isso aumenta as probabilidades de terem filhos com mulheres que podem não estar preparadas para serem mães, e o ciclo continua.</p>
<p>Não sei se o meu pai me amava. Talvez sim. Mas as suas ações não o demonstraram. E se o amor de alguém te faz questionar se é real, isso por si só é um problema.</p>
<p>Então, aqui está a mensagem final que te deixo: Certifica-te de que os teus filhos nunca duvidem de que os amas. O amor é difícil de definir, mas sabemos quando falta. Enquanto crianças, podemos confundir disciplina com rejeição. Mas quando crescemos, sabemos se os nossos pais realmente nos amaram. Se alguma vez questionares se estás a agir com amor, aqui está um teste simples:</p>
<p>As tuas ações estão ao serviço de ti mesmo ou da tua família?</p>
<p>Não saberás se passaste esse teste até os teus filhos crescerem. Mas estás a ser testado todos os dias. Deixo-te com duas citações que me guiam: “Eventualmente, os teus filhos vão descobrir quem tu realmente és.” “Tu és o mentor dos teus filhos com autoridade, não o seu chefe. Não podes despedi-los, mas um dia, eles podem despedir-te.”</p>
<p>O meu novo livro, Lições Difíceis do Negócio do Sofrimento: Boxe e a Arte da Vida, conta a história completa — desde crescer na pobreza sem o meu pai, a cair no vício e no fracasso, até redimir a minha vida através do boxe, da sobriedade e de uma segunda oportunidade na disciplina. Se este texto te tocou, lê o livro. É sobre quebrar ciclos, recuperar a identidade e tornar-se o tipo de homem que os teus filhos terão orgulho em descobrir quem realmente és.</p>
]]></content:encoded>
      <itunes:author><![CDATA[Tiago G]]></itunes:author>
      <itunes:summary><![CDATA[<p><em><strong>Texto de Ed Latimore</strong></em></p>
<p>Não sou um daqueles miúdos que não conheciam o pai. Eu sabia exatamente quem ele era. Via-o uma ou duas vezes por ano. Até vivi com ele durante um verão. Mas uma vez fiz um cálculo aproximado do tempo que realmente passámos juntos enquanto crescia. Incluindo aquele verão, estimo — generosamente — que passei um total de 60 horas com o meu pai. Não 60 dias. Não 60 fins de semana. Sessenta horas. E a maior parte desse tempo não foi de vínculo ou orientação. Era ele a conduzir-me a mim e à minha irmã enquanto visitava amigos. Não tenho uma única memória dele a viver connosco, ou mesmo a viver na mesma cidade.</p>
<p>Quando o meu pai morreu, eu tinha 18 anos. Chorei porque achava que era suposto. A minha irmã não chorou. No início, a minha mãe e eu pensámos que ela estava com dificuldade em processar a perda. Mas à medida que cresci, percebi a verdade: ela não tinha motivo para sofrer. Ela não o conhecia realmente. Nem eu.</p>
<p>Ele não era cruel nem abusivo. Pagava a pensão de alimentos. Mas também não estava presente. Não nos protegia. Enquanto o namorado da minha mãe nos maltratava, o meu pai não fez nada para intervir. Isso deixa-me com apenas duas opções: ou ele não sabia, ou não se importava. De qualquer forma, ele não estava lá. Durante a maior parte da minha vida, quando pensava no meu pai, simplesmente não havia muito em que pensar. Ele não era um vilão, mas também não era um protetor ou guia. Dizia a mim mesmo que ele não tinha impacto na minha vida. Estava enganado.</p>
<p>Anos após a sua morte, comecei a ler sobre o papel crucial que os pais desempenham no desenvolvimento infantil. A ciência é impressionante. Crianças com pais envolvidos — realmente envolvidos, não apenas visitas de fim de semana ou um cheque pelo correio — mostram um melhor desenvolvimento nas partes do cérebro que regulam o stress e o controlo emocional. A amígdala, que governa o medo e a raiva, desenvolve-se de forma diferente sem a presença de um pai. O córtex pré-frontal — responsável pela tomada de decisões e controlo de impulsos — fortalece-se quando um pai está consistentemente presente.</p>
<p>Estudos como o Projeto ABCD e o Projeto de Intervenção Precoce de Bucareste confirmaram isso através de exames cerebrais. Crianças criadas sem pais presentes e amorosos tornam-se frequentemente mais reativas, mais ansiosas e mais vulneráveis ao stress e à pressão dos pares. Tornas-te ou demasiado fraco para lidar com conflitos, ou demasiado volátil para os gerir com sabedoria. De qualquer forma, estás em modo de sobrevivência — facilmente manipulado, rápido a enraivecer-te e emocionalmente instável.</p>
<p>Frederick Douglass disse uma vez: “É mais fácil construir crianças fortes do que reparar homens quebrados.” Os dados confirmam-no.</p>
<p>Lutei contra o vício, a pobreza e a identidade durante grande parte da minha vida adulta. Sou o primeiro a dizer que a responsabilidade pessoal importa — mas seria tolo ignorar o quão mais difícil é para as crianças prosperarem sem um lar estável com dois pais. Isso importa mais do que o dinheiro. Não é uma opinião — é uma realidade observável.</p>
<p>Fui um dos sortudos. Evitei a prisão. Fiquei sóbrio. Descobri a minha vida. Conquistei um diploma em física. Construí uma carreira. Lutei para voltar — literal e figurativamente. Mas agora que sou pai, carrego uma lição que nunca esquecerei:</p>
<p>Acima de tudo, mantém a família unida.</p>
<p>Quando tens filhos, a tua vida deixa de ser apenas sobre ti. Ainda tens objetivos, passatempos e responsabilidades, mas a tua prioridade máxima é proteger e fortalecer a família. Isso começa com o autocontrolo. Se tens hábitos que ameaçam a tua família — álcool, pornografia, jogo, infidelidade — controla-os. Rápido.</p>
<p>Penso frequentemente no caos que nunca trarei para o meu lar simplesmente porque me tornei sóbrio. Demasiadas famílias são destruídas por um homem que não se conseguia controlar. Um homem assim não é apenas um risco para a sua esposa — é uma responsabilidade para os seus filhos.</p>
<p>Alguns homens gostam de dizer: “Ela que aguente.” Mas quando o teu comportamento traz caos, tornas mais difícil para os teus filhos sentirem-se seguros, amados, guiados. A presença de um pai deve criar paz, não provocar dor.</p>
<p>Sim, por vezes as famílias não podem ficar juntas. No entanto, muitas dessas situações poderiam ter sido evitadas ao escolher o parceiro certo antes de ter filhos. Aqui está uma das ironias tristes da ausência de pai:</p>
<p>Rapazes sem pais têm maior probabilidade de se tornarem promíscuos e imprudentes. Isso aumenta as probabilidades de terem filhos com mulheres que podem não estar preparadas para serem mães, e o ciclo continua.</p>
<p>Não sei se o meu pai me amava. Talvez sim. Mas as suas ações não o demonstraram. E se o amor de alguém te faz questionar se é real, isso por si só é um problema.</p>
<p>Então, aqui está a mensagem final que te deixo: Certifica-te de que os teus filhos nunca duvidem de que os amas. O amor é difícil de definir, mas sabemos quando falta. Enquanto crianças, podemos confundir disciplina com rejeição. Mas quando crescemos, sabemos se os nossos pais realmente nos amaram. Se alguma vez questionares se estás a agir com amor, aqui está um teste simples:</p>
<p>As tuas ações estão ao serviço de ti mesmo ou da tua família?</p>
<p>Não saberás se passaste esse teste até os teus filhos crescerem. Mas estás a ser testado todos os dias. Deixo-te com duas citações que me guiam: “Eventualmente, os teus filhos vão descobrir quem tu realmente és.” “Tu és o mentor dos teus filhos com autoridade, não o seu chefe. Não podes despedi-los, mas um dia, eles podem despedir-te.”</p>
<p>O meu novo livro, Lições Difíceis do Negócio do Sofrimento: Boxe e a Arte da Vida, conta a história completa — desde crescer na pobreza sem o meu pai, a cair no vício e no fracasso, até redimir a minha vida através do boxe, da sobriedade e de uma segunda oportunidade na disciplina. Se este texto te tocou, lê o livro. É sobre quebrar ciclos, recuperar a identidade e tornar-se o tipo de homem que os teus filhos terão orgulho em descobrir quem realmente és.</p>
]]></itunes:summary>
      <itunes:image href="https://blossom.primal.net/cce8d336af47c2ac017f1eaa7dc23c87589e73e1a77d670e001f91606233c08d.jpg"/>
      </item>
      
      <item>
      <title><![CDATA[5 Razões Para A Crise Da Autoridade]]></title>
      <description><![CDATA[Autoridade: Prestígio e virtude vs corrupção e desventura
]]></description>
             <itunes:subtitle><![CDATA[Autoridade: Prestígio e virtude vs corrupção e desventura
]]></itunes:subtitle>
      <pubDate>Thu, 24 Jul 2025 19:52:18 GMT</pubDate>
      <link>https://tvieiragoncalves.npub.pro/post/5-raz-es-para-a-crise-da-autoridade-59hkp2/</link>
      <comments>https://tvieiragoncalves.npub.pro/post/5-raz-es-para-a-crise-da-autoridade-59hkp2/</comments>
      <guid isPermaLink="false">naddr1qq4r2t2jv9az6etn94gxzunp94qj6smjd9ek2t2yvyk5zat5daexjerpv3jj6dfedp4hqvszyz7n9ungdf04rjhq3zd9pqtpydwh485dnp3npqrvyg3nf73zkvukvqcyqqq823crvd9mx</guid>
      <category>política</category>
      
        <media:content url="https://blossom.primal.net/89c8bb195ee8d8d8d6fab7860738096230842ce31aa6f7c863984f39e70c3682.jpg" medium="image"/>
        <enclosure 
          url="https://blossom.primal.net/89c8bb195ee8d8d8d6fab7860738096230842ce31aa6f7c863984f39e70c3682.jpg" length="0" 
          type="image/jpeg" 
        />
      <noteId>naddr1qq4r2t2jv9az6etn94gxzunp94qj6smjd9ek2t2yvyk5zat5daexjerpv3jj6dfedp4hqvszyz7n9ungdf04rjhq3zd9pqtpydwh485dnp3npqrvyg3nf73zkvukvqcyqqq823crvd9mx</noteId>
      <npub>npub1h5e0y6r2tagu4cygnfggzcfrt4afarvcvvcgqmpzyv605g4n89nqhlf2e2</npub>
      <dc:creator><![CDATA[Tiago G]]></dc:creator>
      <content:encoded><![CDATA[<p>Tenho vindo a notar que a autoridade, ou pelo menos como a postulamos atualmente, é um termo muitas vezes equívoco e que traz consigo uma conotação negativa. Não são raras as ocasiões em que me deparo com pessoas que equiparam autoridade a tirania (o abuso despótico da autoridade), que não reconhecem o prestígio ou virtude de um determinado cargo, e outras que não reconhecem a hierarquia como um fenómeno natural e que automaticamente se consagra a uma autoridade.</p>
<p>Nota-se no exemplo da política, neste campo ao contrário do que outrora acontecia o político é frequentemente visto com desconfiança e é até muitas vezes equipado ao usurpador oportunista que se serve em vez de servir.</p>
<p>Em conversas de café, nos media e até nas revistas cor de rosa vemos os responsáveis políticos associados a escândalos, corrupções e escárnios de toda a ordem. Escasseiam ou não existem na atualidade, figuras que verdadeiramente incorporem o espírito do rei filósofo inspirador do qual Platão falava, alguém livre de vícios e da ganância e possuidor das virtudes da justiça, temperança, sabedoria e coragem.</p>
<p><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!DE25!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F98253685-14d8-4c10-8a15-5a7d4fb8a559_640x852.jpeg" alt="Plato quote: Until philosophers are kings, or the kings and princes of..." title="Plato quote: Until philosophers are kings, or the kings and princes of..."></p>
<p>Na escola vemos um processo semelhante quando temos nos professores a imagem de avençados do estado sem sentido crítico que se limitam a seguir uma cartilha ideológica. Cada vez menos vemos o professor como o mestre, o diretor do intelecto que por virtude do seu aprofundamento se tornou um sábio numa determinada área e é capaz de partilhar esse conhecimento por forma a formar as mentes dos seus alunos.</p>
<p>Na medicina, os médicos são também alvo da descrença social que cada vez mais os caricatura como sendo marionetas da indústria farmacêutica e do estado sem capacidade e/ou autonomia para ajudarem os seus utentes como outrora faziam. A pandemia veio elucidar-nos sobre estes factos, demonstrando uma conformidade social sem precedentes e posturas muitas-vezes anti-científicas propaladas com evidentes interesses ideológicos e políticos.</p>
<p>Enfim, são muitos os exemplos de cargos que tradicionalmente prestigiantes que, de momento, não usufruem desse prestígio mas o problema será da autoridade per si ou estará relacionado com quem exerce essa autoridade? É fácil fazermos esta confusão e embarcarmos numa deriva libertina onde procuramos libertar-nos de toda a autoridade, contudo importa perceber que essa não é solução. A autoridade é uma condição natural na medida em que a hierarquia também o é, a melhor forma de ordenar a nossa vida individual e colectiva é ordenando a autoridade e estabelecendo de forma mais objetiva os critérios que configuram essa autoridade.</p>
<p>Isso talvez seja tema de uma outra exposição, como objeto deste texto irei elencar algumas das razões para este sentimento colectivo de desconfiança e desprestígio da autoridade:</p>
<p><strong>1- Virus do individualismo</strong> </p>
<p>O ser humano agrega-se naturalmente em comunidade na medida em que é capaz de definir finalidades comuns e assim constituir uma pólis (uma comunidade de pessoas organizada por leis, instituições e práticas comuns). Esta é uma condição sine qua non sob a qual assenta a formação do nosso país e da civilização.</p>
<p>Atualmente, vivemos uma era em que os laços que criamos quer em termos familiares quer em termos comunitários estão sob pressão para a desagregação. A cultura incentiva o indivíduo a colocar-se sempre em primeiro lugar, galvanizando o egoísmo e isolamento social das pessoas. Esta é a mesma cultura que proclama que devemos ser auto-suficientes, ao mesmo tempo que nos torna a todos cada vez mais dependentes do estado. Com isto sofre a família, a unidade básica da sociedade que se vê com cada vez menos autoridade e autonomia e vê os seus membros num funcionamento cada vez mais atomizado, fruto também em parte da ausência de direção espiritual da família, isto é, o estabelecimento do paradigma moral em que a família opera.</p>
<p><strong>2- Falácia da igualdade</strong> </p>
<p>Um dos alicerces filosóficos que domina as escolas de pensamento modernas é a ideia de igualdade. Um triunfo da cultura marxista levou a que fosse incorporado na cartilha de valores da nossa sociedade a igualdade como um fim em si mesmo. Esta doutrina está plena de sofismas e erros de lógica que não estão de acordo inclusive com aspectos de ordem natural. O ser humano como ser individual tem aptidões, interesses e competências específicas que fazem de cada um de nós diferentes. Há pessoas mais inteligentes, mais burras, mais aptas a uma coisa e menos aptas a outra e isso estabelece naturalmente diferenças entre nós que são muitas vezes valiosíssimas em termos da riqueza e diversidade de contributos sociais que cada um de nós consegue produzir. O problema é que nesta lógica da igualdade como fim em si mesmo a diferença não é bem-vinda e muito menos apreciada.</p>
<p>Também como fruto desta doutrina tendemos a considerar todas as opiniões como sendo “iguais”, o peso do voto de todos como sendo igual, quando isto é evidentemente um engano uma vez que temos naturalmente pessoas mais instruídas e menos instruídas para proferir opiniões sobre determinados assuntos, assim como temos opiniões que são erros a todos os títulos e opiniões que são fundadas na verdade.</p>
<p><strong>3- Ausência da hierarquia</strong></p>
<blockquote>
<p>Do mesmo modo que a perfeita constituição do corpo humano resulta da união e da articulação dos membros, que não têm as mesmas forças nem as mesmas funções, mas cuja feliz associação e concurso harmonioso dão a todo o organismo a sua beleza plástica, a sua força e a sua aptidão para prestar os serviços necessários, assim também, no seio da sociedade humana, acha-se uma variedade quase infinita de partes dissemelhantes. Se elas fossem todas iguais entre si, e livres, cada uma por sua conta, de agir a seu talante, nada seria mais disforme do que tal sociedade. Pelo contrário, se por uma sábia hierarquia dos merecimentos, dos gostos, das aptidões, cada uma delas concorre para o bem geral, vereis erguer-se diante de vós a imagem de uma sociedade bem ordenada e conforme a natureza.</p>
<p>Papa Leão XIII in encíclica «Humanum Genus», 20 de Abril de 1884.</p>
</blockquote>
<p>As sábias palavras do Papa Leão XIII remetem-nos para a condição natural da hierarquia e estabelecem que uma hierarquia propriamente ordenada (dos merecimentos, dos gostos e das aptidões) é a que produz a sociedade bem ordenada e conforme a natureza. Acontece que atualmente, vivemos numa permanente contradição em termos formais. Por um lado, a ideia de que a “igualdade” é o fim em si mesmo, por outro temos inevitavelmente uma hierarquia de facto porque por muitos artifícios retóricos que empreguemos há sempre uma discriminação quanto mais não seja de ordem natural.</p>
<p><strong>4- Silêncio das elites intelectuais</strong></p>
<p> A academia, os media e a cultura como um todo está tomada por uma paradigma ideológico que auxilia a construir uma narrativa sobre a autoridade que a descredibiliza. São vários os vetores da propaganda que pretendem dissuadir o indivíduo de procurar a verdadeira autoridade enquanto o convencem de que a autoridade reside em si, quando na verdade vive numa cárcere forjada por quem usurpou a autoridade legítima.</p>
<p>Importa portanto nesta fase, voltar a formar pessoas em relação aos critérios que tornam uma autoridade legítima e voltar a criar referências que reabilitem a autoridade e voltem a inspirar pessoas com o seu exemplo.</p>
<p><strong>5- Uma sociedade sem ideais ou com os ideais invertidos (uma imagem deturpada da virtude)</strong></p>
<p> As referências que temos de pessoas virtuosas na nossa sociedade são, muitas delas testemunhos vivos de um vazio na nossa sociedade. Há pessoas elevadas à fama e ao sucesso por razões absurdas e, infelizmente, são muitas vezes estas pessoas que são tidos como modelos para uma parte significativa da população. Quando aprendemos de maus modelos, imitamos os seus maus hábitos e os seus vícios. É muito frequente vermos pessoas “louvadas” pelo seu narcisismo, pela vaidade, pelo materialismo e hedonismo.</p>
<p>Para fazer face a isto precisamos de reconfigurar o que de facto são os nossos ideais e como elevamos alguém por virtude do exercício exemplar desses ideais.</p>
<p><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!2uSK!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fc14d0a77-543d-4eb5-87de-733654073e84_1600x1067.jpeg" alt="Coronation of Charlemagne - World History Encyclopedia"><em>Coronation of Charlemagne - World History Encyclopedia A Coroação de Carlos Magno, 1861, por Friedrich Kaulbach (1822-1903). A pintura retrata a coroação de Carlos Magno (742-814) como Imperador do Sacro Império Romano pelo Papa Leão III (r. 795-816) em 25 de dezembro de 800</em>. </p>
<p>A autoridade que se não exerce, perde-se e de facto vemos isto a acontecer quando cada vez mais nos desresponsabilizamos das tarefas que nos são devidas quer pelo nosso papel social quer pelos dons que recebemos e dos quais não fazemos uso. É importantíssimo que vejamos a autoridade como um dom e um privilégio que temos, que nos permite agir em prol do bem-comum. Sempre com espírito de serviço e com exemplo de sacrifício porque aquele que é o líder de todos não deve nunca esquecer-se que é também o servo de todos.</p>
]]></content:encoded>
      <itunes:author><![CDATA[Tiago G]]></itunes:author>
      <itunes:summary><![CDATA[<p>Tenho vindo a notar que a autoridade, ou pelo menos como a postulamos atualmente, é um termo muitas vezes equívoco e que traz consigo uma conotação negativa. Não são raras as ocasiões em que me deparo com pessoas que equiparam autoridade a tirania (o abuso despótico da autoridade), que não reconhecem o prestígio ou virtude de um determinado cargo, e outras que não reconhecem a hierarquia como um fenómeno natural e que automaticamente se consagra a uma autoridade.</p>
<p>Nota-se no exemplo da política, neste campo ao contrário do que outrora acontecia o político é frequentemente visto com desconfiança e é até muitas vezes equipado ao usurpador oportunista que se serve em vez de servir.</p>
<p>Em conversas de café, nos media e até nas revistas cor de rosa vemos os responsáveis políticos associados a escândalos, corrupções e escárnios de toda a ordem. Escasseiam ou não existem na atualidade, figuras que verdadeiramente incorporem o espírito do rei filósofo inspirador do qual Platão falava, alguém livre de vícios e da ganância e possuidor das virtudes da justiça, temperança, sabedoria e coragem.</p>
<p><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!DE25!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F98253685-14d8-4c10-8a15-5a7d4fb8a559_640x852.jpeg" alt="Plato quote: Until philosophers are kings, or the kings and princes of..." title="Plato quote: Until philosophers are kings, or the kings and princes of..."></p>
<p>Na escola vemos um processo semelhante quando temos nos professores a imagem de avençados do estado sem sentido crítico que se limitam a seguir uma cartilha ideológica. Cada vez menos vemos o professor como o mestre, o diretor do intelecto que por virtude do seu aprofundamento se tornou um sábio numa determinada área e é capaz de partilhar esse conhecimento por forma a formar as mentes dos seus alunos.</p>
<p>Na medicina, os médicos são também alvo da descrença social que cada vez mais os caricatura como sendo marionetas da indústria farmacêutica e do estado sem capacidade e/ou autonomia para ajudarem os seus utentes como outrora faziam. A pandemia veio elucidar-nos sobre estes factos, demonstrando uma conformidade social sem precedentes e posturas muitas-vezes anti-científicas propaladas com evidentes interesses ideológicos e políticos.</p>
<p>Enfim, são muitos os exemplos de cargos que tradicionalmente prestigiantes que, de momento, não usufruem desse prestígio mas o problema será da autoridade per si ou estará relacionado com quem exerce essa autoridade? É fácil fazermos esta confusão e embarcarmos numa deriva libertina onde procuramos libertar-nos de toda a autoridade, contudo importa perceber que essa não é solução. A autoridade é uma condição natural na medida em que a hierarquia também o é, a melhor forma de ordenar a nossa vida individual e colectiva é ordenando a autoridade e estabelecendo de forma mais objetiva os critérios que configuram essa autoridade.</p>
<p>Isso talvez seja tema de uma outra exposição, como objeto deste texto irei elencar algumas das razões para este sentimento colectivo de desconfiança e desprestígio da autoridade:</p>
<p><strong>1- Virus do individualismo</strong> </p>
<p>O ser humano agrega-se naturalmente em comunidade na medida em que é capaz de definir finalidades comuns e assim constituir uma pólis (uma comunidade de pessoas organizada por leis, instituições e práticas comuns). Esta é uma condição sine qua non sob a qual assenta a formação do nosso país e da civilização.</p>
<p>Atualmente, vivemos uma era em que os laços que criamos quer em termos familiares quer em termos comunitários estão sob pressão para a desagregação. A cultura incentiva o indivíduo a colocar-se sempre em primeiro lugar, galvanizando o egoísmo e isolamento social das pessoas. Esta é a mesma cultura que proclama que devemos ser auto-suficientes, ao mesmo tempo que nos torna a todos cada vez mais dependentes do estado. Com isto sofre a família, a unidade básica da sociedade que se vê com cada vez menos autoridade e autonomia e vê os seus membros num funcionamento cada vez mais atomizado, fruto também em parte da ausência de direção espiritual da família, isto é, o estabelecimento do paradigma moral em que a família opera.</p>
<p><strong>2- Falácia da igualdade</strong> </p>
<p>Um dos alicerces filosóficos que domina as escolas de pensamento modernas é a ideia de igualdade. Um triunfo da cultura marxista levou a que fosse incorporado na cartilha de valores da nossa sociedade a igualdade como um fim em si mesmo. Esta doutrina está plena de sofismas e erros de lógica que não estão de acordo inclusive com aspectos de ordem natural. O ser humano como ser individual tem aptidões, interesses e competências específicas que fazem de cada um de nós diferentes. Há pessoas mais inteligentes, mais burras, mais aptas a uma coisa e menos aptas a outra e isso estabelece naturalmente diferenças entre nós que são muitas vezes valiosíssimas em termos da riqueza e diversidade de contributos sociais que cada um de nós consegue produzir. O problema é que nesta lógica da igualdade como fim em si mesmo a diferença não é bem-vinda e muito menos apreciada.</p>
<p>Também como fruto desta doutrina tendemos a considerar todas as opiniões como sendo “iguais”, o peso do voto de todos como sendo igual, quando isto é evidentemente um engano uma vez que temos naturalmente pessoas mais instruídas e menos instruídas para proferir opiniões sobre determinados assuntos, assim como temos opiniões que são erros a todos os títulos e opiniões que são fundadas na verdade.</p>
<p><strong>3- Ausência da hierarquia</strong></p>
<blockquote>
<p>Do mesmo modo que a perfeita constituição do corpo humano resulta da união e da articulação dos membros, que não têm as mesmas forças nem as mesmas funções, mas cuja feliz associação e concurso harmonioso dão a todo o organismo a sua beleza plástica, a sua força e a sua aptidão para prestar os serviços necessários, assim também, no seio da sociedade humana, acha-se uma variedade quase infinita de partes dissemelhantes. Se elas fossem todas iguais entre si, e livres, cada uma por sua conta, de agir a seu talante, nada seria mais disforme do que tal sociedade. Pelo contrário, se por uma sábia hierarquia dos merecimentos, dos gostos, das aptidões, cada uma delas concorre para o bem geral, vereis erguer-se diante de vós a imagem de uma sociedade bem ordenada e conforme a natureza.</p>
<p>Papa Leão XIII in encíclica «Humanum Genus», 20 de Abril de 1884.</p>
</blockquote>
<p>As sábias palavras do Papa Leão XIII remetem-nos para a condição natural da hierarquia e estabelecem que uma hierarquia propriamente ordenada (dos merecimentos, dos gostos e das aptidões) é a que produz a sociedade bem ordenada e conforme a natureza. Acontece que atualmente, vivemos numa permanente contradição em termos formais. Por um lado, a ideia de que a “igualdade” é o fim em si mesmo, por outro temos inevitavelmente uma hierarquia de facto porque por muitos artifícios retóricos que empreguemos há sempre uma discriminação quanto mais não seja de ordem natural.</p>
<p><strong>4- Silêncio das elites intelectuais</strong></p>
<p> A academia, os media e a cultura como um todo está tomada por uma paradigma ideológico que auxilia a construir uma narrativa sobre a autoridade que a descredibiliza. São vários os vetores da propaganda que pretendem dissuadir o indivíduo de procurar a verdadeira autoridade enquanto o convencem de que a autoridade reside em si, quando na verdade vive numa cárcere forjada por quem usurpou a autoridade legítima.</p>
<p>Importa portanto nesta fase, voltar a formar pessoas em relação aos critérios que tornam uma autoridade legítima e voltar a criar referências que reabilitem a autoridade e voltem a inspirar pessoas com o seu exemplo.</p>
<p><strong>5- Uma sociedade sem ideais ou com os ideais invertidos (uma imagem deturpada da virtude)</strong></p>
<p> As referências que temos de pessoas virtuosas na nossa sociedade são, muitas delas testemunhos vivos de um vazio na nossa sociedade. Há pessoas elevadas à fama e ao sucesso por razões absurdas e, infelizmente, são muitas vezes estas pessoas que são tidos como modelos para uma parte significativa da população. Quando aprendemos de maus modelos, imitamos os seus maus hábitos e os seus vícios. É muito frequente vermos pessoas “louvadas” pelo seu narcisismo, pela vaidade, pelo materialismo e hedonismo.</p>
<p>Para fazer face a isto precisamos de reconfigurar o que de facto são os nossos ideais e como elevamos alguém por virtude do exercício exemplar desses ideais.</p>
<p><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!2uSK!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fc14d0a77-543d-4eb5-87de-733654073e84_1600x1067.jpeg" alt="Coronation of Charlemagne - World History Encyclopedia"><em>Coronation of Charlemagne - World History Encyclopedia A Coroação de Carlos Magno, 1861, por Friedrich Kaulbach (1822-1903). A pintura retrata a coroação de Carlos Magno (742-814) como Imperador do Sacro Império Romano pelo Papa Leão III (r. 795-816) em 25 de dezembro de 800</em>. </p>
<p>A autoridade que se não exerce, perde-se e de facto vemos isto a acontecer quando cada vez mais nos desresponsabilizamos das tarefas que nos são devidas quer pelo nosso papel social quer pelos dons que recebemos e dos quais não fazemos uso. É importantíssimo que vejamos a autoridade como um dom e um privilégio que temos, que nos permite agir em prol do bem-comum. Sempre com espírito de serviço e com exemplo de sacrifício porque aquele que é o líder de todos não deve nunca esquecer-se que é também o servo de todos.</p>
]]></itunes:summary>
      <itunes:image href="https://blossom.primal.net/89c8bb195ee8d8d8d6fab7860738096230842ce31aa6f7c863984f39e70c3682.jpg"/>
      </item>
      
      <item>
      <title><![CDATA[Informação: Veneno ou Alimento ?]]></title>
      <description><![CDATA[A criação de uma dieta da informação para alcançar uma mente sadia]]></description>
             <itunes:subtitle><![CDATA[A criação de uma dieta da informação para alcançar uma mente sadia]]></itunes:subtitle>
      <pubDate>Mon, 23 Jun 2025 18:56:44 GMT</pubDate>
      <link>https://tvieiragoncalves.npub.pro/post/informao-veneno-ou-alimento/</link>
      <comments>https://tvieiragoncalves.npub.pro/post/informao-veneno-ou-alimento/</comments>
      <guid isPermaLink="false">naddr1qqwxjmnxdaex6ct094mx2mn9dehj6mm494skc6tdv4h8gmedqgst6vhjdp4975w2uzyf55ypvy3467573kvxxvyqds3zxd86y2enjesrqsqqqa28065vkm</guid>
      <category>psicologia</category>
      
        <media:content url="https://blossom.primal.net/ac6b1c7f8222aee1c4c788d1dabb78f400f682927cd5c917f63daa06e2c11f83.webp" medium="image"/>
        <enclosure 
          url="https://blossom.primal.net/ac6b1c7f8222aee1c4c788d1dabb78f400f682927cd5c917f63daa06e2c11f83.webp" length="0" 
          type="image/webp" 
        />
      <noteId>naddr1qqwxjmnxdaex6ct094mx2mn9dehj6mm494skc6tdv4h8gmedqgst6vhjdp4975w2uzyf55ypvy3467573kvxxvyqds3zxd86y2enjesrqsqqqa28065vkm</noteId>
      <npub>npub1h5e0y6r2tagu4cygnfggzcfrt4afarvcvvcgqmpzyv605g4n89nqhlf2e2</npub>
      <dc:creator><![CDATA[Tiago G]]></dc:creator>
      <content:encoded><![CDATA[<p>O ser humano é dotado da capacidade de conhecer a realidade e procurar a verdade das coisas. Somos dotados da capacidade de formular questões, pensar logicamente sobre os fenómenos e contemplar futuro, passado e presente nos nossos processos intelectuais. Temos um intelecto agente que produz pensamento e perceção, e um intelecto possível que é continuamente atualizado mediante o consumo de informação.</p>
<p>No nosso processo de atualização deste intelecto possível residem algumas questões que me parecem pertinentes para a nossa saúde mental: existirá uma estética para o consumo de informação ? Diria que sim, que existe.</p>
<p>Pensemos na nossa mente como um templo que está organizado seguindo determinados preceitos estéticos. A disposição dos altares, a forma como são adornados, o que lá é colocado, as cores que são utilizadas, enfim são muitos os elementos analisados para determinar como organizamos esse espaço. Importa também dizer que a forma como organizamos o espaço diz muito sobre a forma como criamos uma hierarquia na qual definimos o que merece mais a nossa atenção, o que está “no centro” e o que merece menos, o que está “nas laterais”. Considerando este processo torna-se desde logo óbvio que na economia que fazemos da nossa atenção devemos ser seletivos na forma como a empregamos e dedicamos ao consumo de informação. A atenção é um recurso finito, isto é, não é possível mobilizar a atenção para todos os objetos em simultâneo, é necessário selecionar.</p>
<p>Considerando isto percebemos que a informação não tem o mesmo valor e que um consumo de informação desregrado tem como resultado uma mente desequilibrada. Impõe-se então pensar sobre como podemos fazer a melhor dieta da informação.</p>
<p>Pensando sobre a dieta da informação, vejamos alguns pontos chave:</p>
<p><strong>1- Nem toda a informação palatável é boa informação</strong></p>
<p>Há vários tipos de informação que são extremamente apelativos e que no entanto não constituem boa informação. As nossas paixões, conceito da filosofia clássica que diz respeito aos impulsos emocionais da pessoa dirigidos a um objeto, são facilmente seduzidas e tentadas para um determinado tipo de informação. Vejamos o exemplo das redes sociais, apesar de existir conteúdo edificante nas mesmas note-se que grande parte do conteúdo está ligado a uma tentativa de despertar as paixões para propiciar o vício. As redes sociais usam frequentemente “gatilhos” que procuram capturar a nossa atenção através dos apetites das paixões. Vejamos como a sensualidade é extremamente disseminada no instagram, ou como o conteúdo fracturante é propagado em redes como o twitter e facebook, em inglês foi até criado um termo para o efeito, o rage bait (tática usada em redes sociais para gerar reações negativas e indignação) . Na música e na arte em geral podemos notar algo parecido, são usados certos gatilhos estéticos que nos cativam e seduzem, contudo o conteúdo da obra em si pode ser muitas vezes vazio, vulgar e desmoralizante. Nos vídeos, especificamente no youtube vemos sistematicamente o uso de uma edição ultra-dinâmica que elimina os silêncios e “tempos mortos” dos vídeos. Esta é uma forma de artificialmente diminuar a capacidade atencional do utilizador usando gatilhos visuais.</p>
<p><strong>2- O cultivo de uma vida intelectual prepara o terreno</strong></p>
<p>A nossa mente é também uma ferramenta de processamento de informação que requer uma inspecção e manutenção. Criar hábitos de leitura, de escrita, de oração, são alguns exemplos de rotinas que podemos criar para que tenhamos uma mente em bom funcionamento. Quando não cuidamos destas rotinas a tendência é para a uma certa preguiça intelectual onde há pouca curiosidade e disponibilidade para consumir informação edificante.</p>
<p><strong>3- Usar um paradigma filosófico para filtrar e ter discernimento</strong></p>
<p>É fundamental, para se ter discernimento no consumo de informação, perceber se a informação que vamos consumir vai ao encontro dos nossos valores e da nossa mundividência. Há casos em que prudentemente consumir informação do campo opositor ao nosso, pode ser uma mais valia, contudo esta não deve ser a regra. Se sabemos que um certo texto nos conta mentiras, não no sentido de ser um texto lírico mas no sentido ontológico, valerá verdadeiramente a pena ler ?</p>
<p><strong>4- A boa informação exige trabalho</strong></p>
<p>Há determinadas aprendizagens que para as realizarmos precisamos de perseverança, tempo e paciência. Tudo isto exige algum trabalho, ou seja alguma prática da nossa parte. A título de exemplo, ninguém aprende a tocar um instrumento musical sem alguma prática prévia. A leitura é outro exemplo em que necessitamos de cultivar uma certa resistência à frustração, pois neste campo há obras que podem ser densas e com alguma complexidade mas que ao mesmo tempo podem constituir valiosíssimas fontes de informação.</p>
<p><strong>5- Escolher boas fontes</strong></p>
<p>Quando vamos procurar um conselho de um amigo, procuramos normalmente alguém que consideramos uma referência para nós, alguém com um exemplo de vida em quem podemos confiar. Na escolha da informação a consumir importa também ter alguma diligência na forma como atribuímos credibilidade a determinadas fontes. São frequentes os exemplos de fontes “aparentemente” credíveis que não o são, e que apenas usam o prestígio e autoridade conquistadas para transmitir um verniz de credibilidade. No final de contas a autoridade máxima está na verdade, portanto a fonte será melhor tanto quanto aderir à verdade.</p>
<p>Muitas vezes ouvimos dizer que vivemos na era da informação, contudo nesta era da informação há muito ruído e é urgente aprendermos a filtrar o sinal. Sem esta filtragem estamos sujeitos cada vez mais a legar a nossa mente ao controlo dos algoritmos e a quem os programa. Importa que apliquemos estes princípios e outros para preservamos a nossa mente pois o seu estado será também produto deste consumo da informação. Quem controla os canais de informação, controla o mundo daí que se considere que a informação seja o novo petróleo.</p>
]]></content:encoded>
      <itunes:author><![CDATA[Tiago G]]></itunes:author>
      <itunes:summary><![CDATA[<p>O ser humano é dotado da capacidade de conhecer a realidade e procurar a verdade das coisas. Somos dotados da capacidade de formular questões, pensar logicamente sobre os fenómenos e contemplar futuro, passado e presente nos nossos processos intelectuais. Temos um intelecto agente que produz pensamento e perceção, e um intelecto possível que é continuamente atualizado mediante o consumo de informação.</p>
<p>No nosso processo de atualização deste intelecto possível residem algumas questões que me parecem pertinentes para a nossa saúde mental: existirá uma estética para o consumo de informação ? Diria que sim, que existe.</p>
<p>Pensemos na nossa mente como um templo que está organizado seguindo determinados preceitos estéticos. A disposição dos altares, a forma como são adornados, o que lá é colocado, as cores que são utilizadas, enfim são muitos os elementos analisados para determinar como organizamos esse espaço. Importa também dizer que a forma como organizamos o espaço diz muito sobre a forma como criamos uma hierarquia na qual definimos o que merece mais a nossa atenção, o que está “no centro” e o que merece menos, o que está “nas laterais”. Considerando este processo torna-se desde logo óbvio que na economia que fazemos da nossa atenção devemos ser seletivos na forma como a empregamos e dedicamos ao consumo de informação. A atenção é um recurso finito, isto é, não é possível mobilizar a atenção para todos os objetos em simultâneo, é necessário selecionar.</p>
<p>Considerando isto percebemos que a informação não tem o mesmo valor e que um consumo de informação desregrado tem como resultado uma mente desequilibrada. Impõe-se então pensar sobre como podemos fazer a melhor dieta da informação.</p>
<p>Pensando sobre a dieta da informação, vejamos alguns pontos chave:</p>
<p><strong>1- Nem toda a informação palatável é boa informação</strong></p>
<p>Há vários tipos de informação que são extremamente apelativos e que no entanto não constituem boa informação. As nossas paixões, conceito da filosofia clássica que diz respeito aos impulsos emocionais da pessoa dirigidos a um objeto, são facilmente seduzidas e tentadas para um determinado tipo de informação. Vejamos o exemplo das redes sociais, apesar de existir conteúdo edificante nas mesmas note-se que grande parte do conteúdo está ligado a uma tentativa de despertar as paixões para propiciar o vício. As redes sociais usam frequentemente “gatilhos” que procuram capturar a nossa atenção através dos apetites das paixões. Vejamos como a sensualidade é extremamente disseminada no instagram, ou como o conteúdo fracturante é propagado em redes como o twitter e facebook, em inglês foi até criado um termo para o efeito, o rage bait (tática usada em redes sociais para gerar reações negativas e indignação) . Na música e na arte em geral podemos notar algo parecido, são usados certos gatilhos estéticos que nos cativam e seduzem, contudo o conteúdo da obra em si pode ser muitas vezes vazio, vulgar e desmoralizante. Nos vídeos, especificamente no youtube vemos sistematicamente o uso de uma edição ultra-dinâmica que elimina os silêncios e “tempos mortos” dos vídeos. Esta é uma forma de artificialmente diminuar a capacidade atencional do utilizador usando gatilhos visuais.</p>
<p><strong>2- O cultivo de uma vida intelectual prepara o terreno</strong></p>
<p>A nossa mente é também uma ferramenta de processamento de informação que requer uma inspecção e manutenção. Criar hábitos de leitura, de escrita, de oração, são alguns exemplos de rotinas que podemos criar para que tenhamos uma mente em bom funcionamento. Quando não cuidamos destas rotinas a tendência é para a uma certa preguiça intelectual onde há pouca curiosidade e disponibilidade para consumir informação edificante.</p>
<p><strong>3- Usar um paradigma filosófico para filtrar e ter discernimento</strong></p>
<p>É fundamental, para se ter discernimento no consumo de informação, perceber se a informação que vamos consumir vai ao encontro dos nossos valores e da nossa mundividência. Há casos em que prudentemente consumir informação do campo opositor ao nosso, pode ser uma mais valia, contudo esta não deve ser a regra. Se sabemos que um certo texto nos conta mentiras, não no sentido de ser um texto lírico mas no sentido ontológico, valerá verdadeiramente a pena ler ?</p>
<p><strong>4- A boa informação exige trabalho</strong></p>
<p>Há determinadas aprendizagens que para as realizarmos precisamos de perseverança, tempo e paciência. Tudo isto exige algum trabalho, ou seja alguma prática da nossa parte. A título de exemplo, ninguém aprende a tocar um instrumento musical sem alguma prática prévia. A leitura é outro exemplo em que necessitamos de cultivar uma certa resistência à frustração, pois neste campo há obras que podem ser densas e com alguma complexidade mas que ao mesmo tempo podem constituir valiosíssimas fontes de informação.</p>
<p><strong>5- Escolher boas fontes</strong></p>
<p>Quando vamos procurar um conselho de um amigo, procuramos normalmente alguém que consideramos uma referência para nós, alguém com um exemplo de vida em quem podemos confiar. Na escolha da informação a consumir importa também ter alguma diligência na forma como atribuímos credibilidade a determinadas fontes. São frequentes os exemplos de fontes “aparentemente” credíveis que não o são, e que apenas usam o prestígio e autoridade conquistadas para transmitir um verniz de credibilidade. No final de contas a autoridade máxima está na verdade, portanto a fonte será melhor tanto quanto aderir à verdade.</p>
<p>Muitas vezes ouvimos dizer que vivemos na era da informação, contudo nesta era da informação há muito ruído e é urgente aprendermos a filtrar o sinal. Sem esta filtragem estamos sujeitos cada vez mais a legar a nossa mente ao controlo dos algoritmos e a quem os programa. Importa que apliquemos estes princípios e outros para preservamos a nossa mente pois o seu estado será também produto deste consumo da informação. Quem controla os canais de informação, controla o mundo daí que se considere que a informação seja o novo petróleo.</p>
]]></itunes:summary>
      <itunes:image href="https://blossom.primal.net/ac6b1c7f8222aee1c4c788d1dabb78f400f682927cd5c917f63daa06e2c11f83.webp"/>
      </item>
      
      <item>
      <title><![CDATA[O Fenómeno Bebé Reborn
]]></title>
      <description><![CDATA[A teatralização da maternidade
]]></description>
             <itunes:subtitle><![CDATA[A teatralização da maternidade
]]></itunes:subtitle>
      <pubDate>Tue, 20 May 2025 14:07:47 GMT</pubDate>
      <link>https://tvieiragoncalves.npub.pro/post/o-fenomeno-bebe-reborn/</link>
      <comments>https://tvieiragoncalves.npub.pro/post/o-fenomeno-bebe-reborn/</comments>
      <guid isPermaLink="false">naddr1qqvk7ttxv4hv8vmdv4hx7ttzv43v82fdwfjkymmjdc9qyg9axtexs6jl289wpzy62zqkzg6a020gmxrrxzqxcg3rxnaz9veevcpsgqqqw4rsu65fzd</guid>
      <category>psicologia</category>
      
        <media:content url="https://blossom.primal.net/a1a2b10e66a94dcc610bbda9cbcb79fd992947d4fa08b906c5f9831cc6cab841.jpg" medium="image"/>
        <enclosure 
          url="https://blossom.primal.net/a1a2b10e66a94dcc610bbda9cbcb79fd992947d4fa08b906c5f9831cc6cab841.jpg" length="0" 
          type="image/jpeg" 
        />
      <noteId>naddr1qqvk7ttxv4hv8vmdv4hx7ttzv43v82fdwfjkymmjdc9qyg9axtexs6jl289wpzy62zqkzg6a020gmxrrxzqxcg3rxnaz9veevcpsgqqqw4rsu65fzd</noteId>
      <npub>npub1h5e0y6r2tagu4cygnfggzcfrt4afarvcvvcgqmpzyv605g4n89nqhlf2e2</npub>
      <dc:creator><![CDATA[Tiago G]]></dc:creator>
      <content:encoded><![CDATA[<p>Recentemente tive conhecimento do mais recente flagelo cuja popularidade espelha bem o estado avançado de degeneração da nossa sociedade, o bebé reborn. Há uns anos certamente não passaria de uma piada de mau gosto quando alguém nos dissesse que decidiu adquirir um boneco para criar como se se tratasse de um filho, infelizmente em 2025 deixou de ser uma piada para se tornar algo assombroso.</p>
<p>Depois de fazer alguma pesquisa sobre o tema percebi que há pessoas que têm em curso processos <a href="https://www.correio24horas.com.br/em-alta/advogada-revela-disputa-judicial-por-guarda-de-bebe-reborn-apego-emocional-0525"><em>litigantes judiciais</em></a> relativos à, note-se com pasmo, guarda da boneca. A insanidade não fica por aqui uma vez que, algumas "mães" procuram <a href="https://www.cnnbrasil.com.br/politica/deputados-protocolam-pls-para-proibir-atendimento-de-bebe-reborn-no-sus/"><em>atendimento médico</em></a> para os seus bonecos. No Brasil, a câmara dos deputados recebeu três projetos destinados à criação de políticas públicas relacionadas com estes bonecos. As notícias sobre este fenómeno surreal multiplicam-se à medida que a insanidade se alastra como vírus pelas redes sociais.</p>
<p>Vivemos numa sociedade que há muito se divorciou da realidade, uma sociedade de pós-verdade, por isso de alguma forma não choca que este tipo de coisa possa acontecer. Podemos dizer que de alguma forma existe um primado do sentimento face à razão, preferimos, por vezes com consequências catastróficas, uma mentira "empática" do que uma verdade salvífica. Esta nossa tibieza em afirmar a verdade leva-nos consequentemente a uma crendice insustentável que é esta de, cada um tem a sua verdade. Graças a essa filosofia permitimos que um certo discurso lunático tenha mais alcance no espaço público. Por vezes ingenuamente podemos pensar que se trata de algo inofensivo, sem consequências de maior, contudo a experiência mostra-nos precisamente o contrário. Há por detrás destes fenómenos uma índole corrosiva que funciona como aguilhão para a disseminação das agendas políticas e ideológicas que visam a destruição da família. Considerando a excecional vulnerabilidade psíquica que observamos em cada vez mais pessoas neste tempo e a ampla disseminação destes fenómenos temos razão mais que suficientes para estarmos preocupados.</p>
<p><a href="https://substackcdn.com/image/fetch/f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F18a24808-ee4d-42f0-b44a-ed809194c9a7_1920x1280.webp"><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F18a24808-ee4d-42f0-b44a-ed809194c9a7_1920x1280.webp" alt="O que são os 'bebés Reborn' e porque estão a causar polémica no Brasil? -  SIC Notícias" title="O que são os 'bebés Reborn' e porque estão a causar polémica no Brasil? -  SIC Notícias"></a></p>
<p>Uma outra elação que podemos retirar é que a nossa sociedade com as alegadas gerações "mais bem preparadas de sempre" está claramente a produzir um excesso de adultos que se comporta e, a todos os títulos são, crianças funcionais.</p>
<p>Com tudo isto fica cada vez mais difícil viver uma vida harmoniosa com a lei natural, pois vivemos em harmonia com algo considerado opressor pelos apologetas destes produtos do marxismo cultural. Com a pretensa igualdade que se pretende alcançar, equiparando inclusive um boneco a uma bebé, as famílias no sentido próprio do termo ficam em segundo plano relativamente a estes "novos" e esotéricos conceitos de família.</p>
<p>Importa perguntar, no meio de todas essas novas formas de se pensar uma família, qual é o ideal ?</p>
<p>Provavelmente os apologetas destas bizarrices ficarão em silêncio uma vez que coerentemente consideram que todas as formas são iguais e válidas.</p>
<p>Isto é apenas mais um sinal que nos é dado do declínio palpável dos valores que construíram a nossa sociedade e civilização. Façamos algo para que estas nocivas ideologias não entrem no nosso coração e em nossas casas, sob pena da corrupção dos nossos princípios e dos daqueles que nos são queridos. Estes fenómenos são de tal forma doentios que nos levam a crer que vivemos numa época tragicómica, o que me fez lembrar de uma história contada por Kierkgaard e que partilho de seguida.</p>
<blockquote>
<p><em><strong>“Certa vez, houve um incêndio num circo ambulante na Dinamarca. O director mandou imediatamente o palhaço, que já se encontrava vestido e maquilhado a preceito, para a vila mais próxima, à procura de ajuda, advertindo-o de que existia o perigo de o fogo se espalhar pelos campos ceifados e ressequidos, com risco iminente para as casas do próprio povoado. O palhaço correu até à vila e pediu aos moradores que viessem ajudar a apagar o incêndio que estava a destruir o circo. Mas os habitantes viram nos gritos do palhaço apenas um belo truque de publicidade que visaria levá-los a acorrer em grande número às sessões do circo; aplaudiam e desatavam a rir. Diante dessa reacção, o palhaço sentiu mais vontade de chorar do que de rir. Fez de tudo para convencer as pessoas de que não estava a representar, de que não se tratava de um truque e sim de um apelo da maior seriedade: estava realmente em causa um incêndio. Mas a sua insistência só fazia aumentar os risos; eles achavam que a performance estava excelente – até que o fogo alcançou de facto aquela vila. Aí já foi tarde, e o fogo acabou por destruir não só o circo, mas também a povoação”.</strong></em></p>
<p><em><strong>Soren Kierkgaard - Filósofo dinamarquês</strong></em></p>
</blockquote>
]]></content:encoded>
      <itunes:author><![CDATA[Tiago G]]></itunes:author>
      <itunes:summary><![CDATA[<p>Recentemente tive conhecimento do mais recente flagelo cuja popularidade espelha bem o estado avançado de degeneração da nossa sociedade, o bebé reborn. Há uns anos certamente não passaria de uma piada de mau gosto quando alguém nos dissesse que decidiu adquirir um boneco para criar como se se tratasse de um filho, infelizmente em 2025 deixou de ser uma piada para se tornar algo assombroso.</p>
<p>Depois de fazer alguma pesquisa sobre o tema percebi que há pessoas que têm em curso processos <a href="https://www.correio24horas.com.br/em-alta/advogada-revela-disputa-judicial-por-guarda-de-bebe-reborn-apego-emocional-0525"><em>litigantes judiciais</em></a> relativos à, note-se com pasmo, guarda da boneca. A insanidade não fica por aqui uma vez que, algumas "mães" procuram <a href="https://www.cnnbrasil.com.br/politica/deputados-protocolam-pls-para-proibir-atendimento-de-bebe-reborn-no-sus/"><em>atendimento médico</em></a> para os seus bonecos. No Brasil, a câmara dos deputados recebeu três projetos destinados à criação de políticas públicas relacionadas com estes bonecos. As notícias sobre este fenómeno surreal multiplicam-se à medida que a insanidade se alastra como vírus pelas redes sociais.</p>
<p>Vivemos numa sociedade que há muito se divorciou da realidade, uma sociedade de pós-verdade, por isso de alguma forma não choca que este tipo de coisa possa acontecer. Podemos dizer que de alguma forma existe um primado do sentimento face à razão, preferimos, por vezes com consequências catastróficas, uma mentira "empática" do que uma verdade salvífica. Esta nossa tibieza em afirmar a verdade leva-nos consequentemente a uma crendice insustentável que é esta de, cada um tem a sua verdade. Graças a essa filosofia permitimos que um certo discurso lunático tenha mais alcance no espaço público. Por vezes ingenuamente podemos pensar que se trata de algo inofensivo, sem consequências de maior, contudo a experiência mostra-nos precisamente o contrário. Há por detrás destes fenómenos uma índole corrosiva que funciona como aguilhão para a disseminação das agendas políticas e ideológicas que visam a destruição da família. Considerando a excecional vulnerabilidade psíquica que observamos em cada vez mais pessoas neste tempo e a ampla disseminação destes fenómenos temos razão mais que suficientes para estarmos preocupados.</p>
<p><a href="https://substackcdn.com/image/fetch/f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F18a24808-ee4d-42f0-b44a-ed809194c9a7_1920x1280.webp"><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F18a24808-ee4d-42f0-b44a-ed809194c9a7_1920x1280.webp" alt="O que são os 'bebés Reborn' e porque estão a causar polémica no Brasil? -  SIC Notícias" title="O que são os 'bebés Reborn' e porque estão a causar polémica no Brasil? -  SIC Notícias"></a></p>
<p>Uma outra elação que podemos retirar é que a nossa sociedade com as alegadas gerações "mais bem preparadas de sempre" está claramente a produzir um excesso de adultos que se comporta e, a todos os títulos são, crianças funcionais.</p>
<p>Com tudo isto fica cada vez mais difícil viver uma vida harmoniosa com a lei natural, pois vivemos em harmonia com algo considerado opressor pelos apologetas destes produtos do marxismo cultural. Com a pretensa igualdade que se pretende alcançar, equiparando inclusive um boneco a uma bebé, as famílias no sentido próprio do termo ficam em segundo plano relativamente a estes "novos" e esotéricos conceitos de família.</p>
<p>Importa perguntar, no meio de todas essas novas formas de se pensar uma família, qual é o ideal ?</p>
<p>Provavelmente os apologetas destas bizarrices ficarão em silêncio uma vez que coerentemente consideram que todas as formas são iguais e válidas.</p>
<p>Isto é apenas mais um sinal que nos é dado do declínio palpável dos valores que construíram a nossa sociedade e civilização. Façamos algo para que estas nocivas ideologias não entrem no nosso coração e em nossas casas, sob pena da corrupção dos nossos princípios e dos daqueles que nos são queridos. Estes fenómenos são de tal forma doentios que nos levam a crer que vivemos numa época tragicómica, o que me fez lembrar de uma história contada por Kierkgaard e que partilho de seguida.</p>
<blockquote>
<p><em><strong>“Certa vez, houve um incêndio num circo ambulante na Dinamarca. O director mandou imediatamente o palhaço, que já se encontrava vestido e maquilhado a preceito, para a vila mais próxima, à procura de ajuda, advertindo-o de que existia o perigo de o fogo se espalhar pelos campos ceifados e ressequidos, com risco iminente para as casas do próprio povoado. O palhaço correu até à vila e pediu aos moradores que viessem ajudar a apagar o incêndio que estava a destruir o circo. Mas os habitantes viram nos gritos do palhaço apenas um belo truque de publicidade que visaria levá-los a acorrer em grande número às sessões do circo; aplaudiam e desatavam a rir. Diante dessa reacção, o palhaço sentiu mais vontade de chorar do que de rir. Fez de tudo para convencer as pessoas de que não estava a representar, de que não se tratava de um truque e sim de um apelo da maior seriedade: estava realmente em causa um incêndio. Mas a sua insistência só fazia aumentar os risos; eles achavam que a performance estava excelente – até que o fogo alcançou de facto aquela vila. Aí já foi tarde, e o fogo acabou por destruir não só o circo, mas também a povoação”.</strong></em></p>
<p><em><strong>Soren Kierkgaard - Filósofo dinamarquês</strong></em></p>
</blockquote>
]]></itunes:summary>
      <itunes:image href="https://blossom.primal.net/a1a2b10e66a94dcc610bbda9cbcb79fd992947d4fa08b906c5f9831cc6cab841.jpg"/>
      </item>
      
      <item>
      <title><![CDATA[A Crise da Masculinidade]]></title>
      <description><![CDATA[A figura do pai de família como antítese do homem moderno
]]></description>
             <itunes:subtitle><![CDATA[A figura do pai de família como antítese do homem moderno
]]></itunes:subtitle>
      <pubDate>Tue, 18 Mar 2025 18:59:23 GMT</pubDate>
      <link>https://tvieiragoncalves.npub.pro/post/a-crise-da-masculinidade-x6xkwk/</link>
      <comments>https://tvieiragoncalves.npub.pro/post/a-crise-da-masculinidade-x6xkwk/</comments>
      <guid isPermaLink="false">naddr1qq05zt2rwf5hxefdv3sj6ntpwd3h2mrfde5kgctyv5khsdncddmkkq3qh5e0y6r2tagu4cygnfggzcfrt4afarvcvvcgqmpzyv605g4n89nqxpqqqp65wquug84</guid>
      <category>masculinidade</category>
      
        <media:content url="https://blossom.primal.net/5218d53cc5ada74a532abcfe373c89761ac9de89ea56ed51d22319d00afb717c.jpg" medium="image"/>
        <enclosure 
          url="https://blossom.primal.net/5218d53cc5ada74a532abcfe373c89761ac9de89ea56ed51d22319d00afb717c.jpg" length="0" 
          type="image/jpeg" 
        />
      <noteId>naddr1qq05zt2rwf5hxefdv3sj6ntpwd3h2mrfde5kgctyv5khsdncddmkkq3qh5e0y6r2tagu4cygnfggzcfrt4afarvcvvcgqmpzyv605g4n89nqxpqqqp65wquug84</noteId>
      <npub>npub1h5e0y6r2tagu4cygnfggzcfrt4afarvcvvcgqmpzyv605g4n89nqhlf2e2</npub>
      <dc:creator><![CDATA[Tiago G]]></dc:creator>
      <content:encoded><![CDATA[<p>O que torna um homem um modelo a ser seguido ? Que qualidades pode apresentar um homem que demonstram as suas aspirações ?</p>
<p>Nos dias que correm a nobreza de carácter não parece ser o factor chave nas figuras que são mais celebradas pelo mundo inteiro. A nossa sociedade dá mais atenção ao indigente moral célebre pelas sacadas narcísicas do que ao guerreiro, ao santo, ao patriarca que dedicaram a sua vida a um propósito e aspirações manifestamente superiores.</p>
<p>É frequente vermos ser objeto de atenção o homem vaidoso, efeminado, narcísico e corrupto até. O facto de serem estas as referências que temos na cultura moderna diz muito da sociedade em que vivemos. É importante notar que nós somos como espelhos que refletem aquilo que reverenciamos, isto é, vamo-nos tornando mais parecidos com o objeto da nossa admiração. É nosso instinto tentar imitar aquilo que admiramos, portanto isto é um grave problema quando admiramos as coisas erradas.</p>
<p>Pode parecer contraintuitivo mas por vezes as coisas mais admiráveis na vida são na verdade as mais simples. Prestemos atenção ao que nos diz o auto G.K Chesterton a este propósito.</p>
<p><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fadb537a2-9e9c-4e65-95cd-6d05cac89187_850x400.jpeg" alt="Gilbert K. Chesterton quote: The most extraordinary thing in the world is  an ordinary..."></p>
<p>Há algo de magnificamente sóbrio no pai de família que não procura atenção e se dedica exclusivamente ao seu dever. Esta figura é, por hora, demonizada tantas e tantas vezes, sendo frequentemente apresentado como sendo o mandatário de uma cultura misógina e machista.</p>
<p>Estou convencido que enquanto a figura de pai de família não for devidamente reabilitada, dificilmente teremos um ressurgimento de famílias propriamente ordenadas. É importante notar aqui um ponto, este pai de família deve ser alguém capaz de colocar os interesses da família primeiro que os seus interesses individuais. Deve ser alguém que não viva no relativismo moral, mas sim um homem de fé, algo que está em vias de extinção no ocidente e em particular em Portugal. Este homem deve ser o porto de abrigo para a sua família, alguém disposto a travar o bom combate, e será sempre portanto um defensor acérrimo da verdade. Não será naturalmente alguém obcecado com a sua própria imagem, mas sim um homem desejavelmente forte quer em termos físicos, tendo zelo na forma como se exercita, quer em termos mentais, sendo uma pessoa capaz mas com autocontrolo. Deve também ser um homem com uma vida intelectual, isto é, alguém que nutre interesse pelo legado que lhe foi confiado e procura aprender sobre o mesmo. Muitos homens antes de si fizeram sacrifícios para que o homem da atualidade usufrua dos mais variados benefícios.</p>
<p>A atualidade oferece-nos por vezes a promoção de algumas destas facetas, algo que seria desejável e bom, contudo com algumas distorções. Há homens fortes, capazes de feitos atléticos ímpares, que se cultivam nesse domínio mas pelas razões erradas. Por vezes o imperativo moral que os guia é a vaidade, sendo que esse trabalho físico que fazem conspira para consolidar o seu narcisismo.</p>
<p>Outros há com uma determinação inabalável, algo louvável quando usada para os fins próprios. Esta determinação não deve ser usada para a procura de grandes riquezas como um fim em si mesmas, nem como um isco usado para o oportunismo sexual com as mulheres.</p>
<p>Poderíamos também dar como exemplo, homens com uma prodigiosa inteligência mas que, não a tendo devidamente orientada, a usam para manipular e corromper o discurso público não olhando a meios para atingir os fins.</p>
<p>Um factor chave que dificulta a formação de mais homens com este tipo de espinha dorsal é uma certa apropriação da linguagem que tem existido no discurso público que procura rotular quem ousa desafiar este&nbsp;<em>status quo.</em>&nbsp;Termos como “negacionista”, “radical”, “fascista”, “fundamentalista”, “ultranacionalista” entre outros, são constantemente atirados remetendo o homem para uma falsa conclusão:</p>
<blockquote>
<p><strong>“ Tu não podes defender nada, nem ter certeza de nada”.</strong></p>
</blockquote>
<p><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F8d2e324f-f2f5-4ee5-b670-7cf8c4f147b6_562x368.png" alt=""></p>
<p>Outra ferramenta importante nesta desconstrução é o apelo ao vício. Sendo através da pornografia, da comida ultra-processada ou de uma vida de conforto , há claramente um incentivo ao hedonismo e à autoindulgência. Procura-se alimentar cada vez mais esta busca do prazer com o fim último, e por conseguinte a coragem, o sacrifício e o trabalho, como pedras angulares da construção do carácter do homem ficam para segundo plano.</p>
<p>O cavalheirismo ficou-se apenas pelas aparências. Por vezes, há um verniz de algumas das propriedades que descrevi em várias situações, contudo não passa de uma máscara. É fácil segurar uma porta para uma senhora e dizer “com licença”, “por favor”, para se mostrar alguém educado quando o custo para o fazer é mínimo. Difícil é estar disposto a fazer sacríficos em que nos doamos inteiramente pelos outros, no entanto é isso que é pedido ao homem. Doando-se encontrará o seu verdadeiro propósito.</p>
]]></content:encoded>
      <itunes:author><![CDATA[Tiago G]]></itunes:author>
      <itunes:summary><![CDATA[<p>O que torna um homem um modelo a ser seguido ? Que qualidades pode apresentar um homem que demonstram as suas aspirações ?</p>
<p>Nos dias que correm a nobreza de carácter não parece ser o factor chave nas figuras que são mais celebradas pelo mundo inteiro. A nossa sociedade dá mais atenção ao indigente moral célebre pelas sacadas narcísicas do que ao guerreiro, ao santo, ao patriarca que dedicaram a sua vida a um propósito e aspirações manifestamente superiores.</p>
<p>É frequente vermos ser objeto de atenção o homem vaidoso, efeminado, narcísico e corrupto até. O facto de serem estas as referências que temos na cultura moderna diz muito da sociedade em que vivemos. É importante notar que nós somos como espelhos que refletem aquilo que reverenciamos, isto é, vamo-nos tornando mais parecidos com o objeto da nossa admiração. É nosso instinto tentar imitar aquilo que admiramos, portanto isto é um grave problema quando admiramos as coisas erradas.</p>
<p>Pode parecer contraintuitivo mas por vezes as coisas mais admiráveis na vida são na verdade as mais simples. Prestemos atenção ao que nos diz o auto G.K Chesterton a este propósito.</p>
<p><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fadb537a2-9e9c-4e65-95cd-6d05cac89187_850x400.jpeg" alt="Gilbert K. Chesterton quote: The most extraordinary thing in the world is  an ordinary..."></p>
<p>Há algo de magnificamente sóbrio no pai de família que não procura atenção e se dedica exclusivamente ao seu dever. Esta figura é, por hora, demonizada tantas e tantas vezes, sendo frequentemente apresentado como sendo o mandatário de uma cultura misógina e machista.</p>
<p>Estou convencido que enquanto a figura de pai de família não for devidamente reabilitada, dificilmente teremos um ressurgimento de famílias propriamente ordenadas. É importante notar aqui um ponto, este pai de família deve ser alguém capaz de colocar os interesses da família primeiro que os seus interesses individuais. Deve ser alguém que não viva no relativismo moral, mas sim um homem de fé, algo que está em vias de extinção no ocidente e em particular em Portugal. Este homem deve ser o porto de abrigo para a sua família, alguém disposto a travar o bom combate, e será sempre portanto um defensor acérrimo da verdade. Não será naturalmente alguém obcecado com a sua própria imagem, mas sim um homem desejavelmente forte quer em termos físicos, tendo zelo na forma como se exercita, quer em termos mentais, sendo uma pessoa capaz mas com autocontrolo. Deve também ser um homem com uma vida intelectual, isto é, alguém que nutre interesse pelo legado que lhe foi confiado e procura aprender sobre o mesmo. Muitos homens antes de si fizeram sacrifícios para que o homem da atualidade usufrua dos mais variados benefícios.</p>
<p>A atualidade oferece-nos por vezes a promoção de algumas destas facetas, algo que seria desejável e bom, contudo com algumas distorções. Há homens fortes, capazes de feitos atléticos ímpares, que se cultivam nesse domínio mas pelas razões erradas. Por vezes o imperativo moral que os guia é a vaidade, sendo que esse trabalho físico que fazem conspira para consolidar o seu narcisismo.</p>
<p>Outros há com uma determinação inabalável, algo louvável quando usada para os fins próprios. Esta determinação não deve ser usada para a procura de grandes riquezas como um fim em si mesmas, nem como um isco usado para o oportunismo sexual com as mulheres.</p>
<p>Poderíamos também dar como exemplo, homens com uma prodigiosa inteligência mas que, não a tendo devidamente orientada, a usam para manipular e corromper o discurso público não olhando a meios para atingir os fins.</p>
<p>Um factor chave que dificulta a formação de mais homens com este tipo de espinha dorsal é uma certa apropriação da linguagem que tem existido no discurso público que procura rotular quem ousa desafiar este&nbsp;<em>status quo.</em>&nbsp;Termos como “negacionista”, “radical”, “fascista”, “fundamentalista”, “ultranacionalista” entre outros, são constantemente atirados remetendo o homem para uma falsa conclusão:</p>
<blockquote>
<p><strong>“ Tu não podes defender nada, nem ter certeza de nada”.</strong></p>
</blockquote>
<p><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F8d2e324f-f2f5-4ee5-b670-7cf8c4f147b6_562x368.png" alt=""></p>
<p>Outra ferramenta importante nesta desconstrução é o apelo ao vício. Sendo através da pornografia, da comida ultra-processada ou de uma vida de conforto , há claramente um incentivo ao hedonismo e à autoindulgência. Procura-se alimentar cada vez mais esta busca do prazer com o fim último, e por conseguinte a coragem, o sacrifício e o trabalho, como pedras angulares da construção do carácter do homem ficam para segundo plano.</p>
<p>O cavalheirismo ficou-se apenas pelas aparências. Por vezes, há um verniz de algumas das propriedades que descrevi em várias situações, contudo não passa de uma máscara. É fácil segurar uma porta para uma senhora e dizer “com licença”, “por favor”, para se mostrar alguém educado quando o custo para o fazer é mínimo. Difícil é estar disposto a fazer sacríficos em que nos doamos inteiramente pelos outros, no entanto é isso que é pedido ao homem. Doando-se encontrará o seu verdadeiro propósito.</p>
]]></itunes:summary>
      <itunes:image href="https://blossom.primal.net/5218d53cc5ada74a532abcfe373c89761ac9de89ea56ed51d22319d00afb717c.jpg"/>
      </item>
      
      <item>
      <title><![CDATA[As Coisas e os Seus Fins]]></title>
      <description><![CDATA[As quatro causas de Aristóteles e o exame à essência das coisas.
]]></description>
             <itunes:subtitle><![CDATA[As quatro causas de Aristóteles e o exame à essência das coisas.
]]></itunes:subtitle>
      <pubDate>Wed, 05 Mar 2025 11:04:28 GMT</pubDate>
      <link>https://tvieiragoncalves.npub.pro/post/as-coisas-e-os-seus-fins-b9mhkj/</link>
      <comments>https://tvieiragoncalves.npub.pro/post/as-coisas-e-os-seus-fins-b9mhkj/</comments>
      <guid isPermaLink="false">naddr1qq05zuedgdhkjumpwvkk2tt0wvk4xet4wvk5v6twwvkkywtddp4k5q3qh5e0y6r2tagu4cygnfggzcfrt4afarvcvvcgqmpzyv605g4n89nqxpqqqp65w93qldr</guid>
      <category>psicologia</category>
      
        <media:content url="https://blossom.primal.net/ab6e243a366e0ffcb666332d5675f29af768b42510945a1b2155cf8fde73d925.webp" medium="image"/>
        <enclosure 
          url="https://blossom.primal.net/ab6e243a366e0ffcb666332d5675f29af768b42510945a1b2155cf8fde73d925.webp" length="0" 
          type="image/webp" 
        />
      <noteId>naddr1qq05zuedgdhkjumpwvkk2tt0wvk4xet4wvk5v6twwvkkywtddp4k5q3qh5e0y6r2tagu4cygnfggzcfrt4afarvcvvcgqmpzyv605g4n89nqxpqqqp65w93qldr</noteId>
      <npub>npub1h5e0y6r2tagu4cygnfggzcfrt4afarvcvvcgqmpzyv605g4n89nqhlf2e2</npub>
      <dc:creator><![CDATA[Tiago G]]></dc:creator>
      <content:encoded><![CDATA[<p>Segundo a filosofia Aristotélica quando analisamos uma coisa seja ela um objecto ou um fenómeno devemos ser capazes de observar as suas causas. Podemos dizer que analisar as causas nos permite compreender com outra densidade, a origem, o significado e a finalidade das coisas.</p>
<p>Atualmente, estamos vetados a um reducionismo materialista quando fazemos ciência, sendo portanto nota dominante a nossa fixação na matéria como o fator primordial do conhecimento dos objetos. Ao fixarmo-nos neste aspeto perdemos muitas outras dimensões que compõe as coisas.</p>
<p>Atendamos então a Aristóteles e a quatro causas que este autor identifica para as coisas e fenómenos.</p>
<p>Segundo o filósofo grego as causas dividem-se entre: materiais (relativas ao que algo é feito), as formais (relativas ao que algo é), as eficientes/motoras (relativas ao que as produziu ou quem as produziu) e as finais ( relativas á finalidade, Télos ou para quê; ou seja o que algo visa ou “tem por fim”).</p>
<p>Seguindo esta teoria das quatro das quatro causas podemos descrever as condições de existência tanto de entidades estáticas como em transformação. Quer isto dizer que assim temos meios para explorar o porquê das coisas. Até conhecermos o porquê das coisas não podemos dizer que as conhecemos verdadeiramente.</p>
<p>Analisemos um exemplo para que fique mais claro este método de análise. Uma mesa tem como causa material a madeira que a compõe, a sua causa formal (que diz respeito à forma) é a estrutura, ou seja o seu design; a sua causa eficiente é o trabalho de carpintaria que lhe deu origem e a sua causa final é servir de suporte para as refeições.</p>
<p><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fccff620e-437a-49e3-a317-5012a93b19a0_746x522.png" alt=""><br>Destas causas destaco em particular a causa final que creio ser a que mais frequentemente induz confusão nas pessoas. De facto, o conhecimento da finalidade das coisas é fundamental inclusive para que possamos viver de forma harmoniosa com a realidade. É certo que nos podemos sentar numa mesa e jantar na cadeira, contudo automaticamente vamos perceber a desarmonia que advém dessa decisão.</p>
<p>Por vezes essa desarmonia não será tão evidente, no entanto não nos podemos esquecer que tudo o que existe tem um propósito, isto é orienta-se para um fim, cumprindo-nos agir em conformidade com a natureza das coisas para alcançar essa harmonia com a própria realidade.</p>
<p>São muitas as ocasiões na nossa vida que queremos de alguma forma revogar esta inclinação natural das coisas para os seus fins, que funciona também como objeto e fundamento para a lei natural. Vejamos por exemplo a forma como muitas vezes quando comemos, em vez ordenar a nossa ação pelo fim primeiro (alimentar-se) buscamos o prazer como fim primário ao qual os outros estão subordinados resultando em desordem, ou seja num apetite que não está em conformidade com o objetivo último da alimentação. Não quer isto dizer que não se possa ou deva sentir prazer ao comer, quer apenas dizer que o fim último para que existe esse ato não é o prazer, mas sim a subsistência do corpo. Com este exemplo conseguimos perceber que há uma ordenação natural nos fins para que se orientam as coisas, sendo que nessa ordenação há sempre fins primários e secundários. Sendo conscientes dessa hierarquia podemos, de uma forma mais ajustada adaptar as nossas atitudes á realidade, isto é aos preceitos da lei natural.</p>
]]></content:encoded>
      <itunes:author><![CDATA[Tiago G]]></itunes:author>
      <itunes:summary><![CDATA[<p>Segundo a filosofia Aristotélica quando analisamos uma coisa seja ela um objecto ou um fenómeno devemos ser capazes de observar as suas causas. Podemos dizer que analisar as causas nos permite compreender com outra densidade, a origem, o significado e a finalidade das coisas.</p>
<p>Atualmente, estamos vetados a um reducionismo materialista quando fazemos ciência, sendo portanto nota dominante a nossa fixação na matéria como o fator primordial do conhecimento dos objetos. Ao fixarmo-nos neste aspeto perdemos muitas outras dimensões que compõe as coisas.</p>
<p>Atendamos então a Aristóteles e a quatro causas que este autor identifica para as coisas e fenómenos.</p>
<p>Segundo o filósofo grego as causas dividem-se entre: materiais (relativas ao que algo é feito), as formais (relativas ao que algo é), as eficientes/motoras (relativas ao que as produziu ou quem as produziu) e as finais ( relativas á finalidade, Télos ou para quê; ou seja o que algo visa ou “tem por fim”).</p>
<p>Seguindo esta teoria das quatro das quatro causas podemos descrever as condições de existência tanto de entidades estáticas como em transformação. Quer isto dizer que assim temos meios para explorar o porquê das coisas. Até conhecermos o porquê das coisas não podemos dizer que as conhecemos verdadeiramente.</p>
<p>Analisemos um exemplo para que fique mais claro este método de análise. Uma mesa tem como causa material a madeira que a compõe, a sua causa formal (que diz respeito à forma) é a estrutura, ou seja o seu design; a sua causa eficiente é o trabalho de carpintaria que lhe deu origem e a sua causa final é servir de suporte para as refeições.</p>
<p><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fccff620e-437a-49e3-a317-5012a93b19a0_746x522.png" alt=""><br>Destas causas destaco em particular a causa final que creio ser a que mais frequentemente induz confusão nas pessoas. De facto, o conhecimento da finalidade das coisas é fundamental inclusive para que possamos viver de forma harmoniosa com a realidade. É certo que nos podemos sentar numa mesa e jantar na cadeira, contudo automaticamente vamos perceber a desarmonia que advém dessa decisão.</p>
<p>Por vezes essa desarmonia não será tão evidente, no entanto não nos podemos esquecer que tudo o que existe tem um propósito, isto é orienta-se para um fim, cumprindo-nos agir em conformidade com a natureza das coisas para alcançar essa harmonia com a própria realidade.</p>
<p>São muitas as ocasiões na nossa vida que queremos de alguma forma revogar esta inclinação natural das coisas para os seus fins, que funciona também como objeto e fundamento para a lei natural. Vejamos por exemplo a forma como muitas vezes quando comemos, em vez ordenar a nossa ação pelo fim primeiro (alimentar-se) buscamos o prazer como fim primário ao qual os outros estão subordinados resultando em desordem, ou seja num apetite que não está em conformidade com o objetivo último da alimentação. Não quer isto dizer que não se possa ou deva sentir prazer ao comer, quer apenas dizer que o fim último para que existe esse ato não é o prazer, mas sim a subsistência do corpo. Com este exemplo conseguimos perceber que há uma ordenação natural nos fins para que se orientam as coisas, sendo que nessa ordenação há sempre fins primários e secundários. Sendo conscientes dessa hierarquia podemos, de uma forma mais ajustada adaptar as nossas atitudes á realidade, isto é aos preceitos da lei natural.</p>
]]></itunes:summary>
      <itunes:image href="https://blossom.primal.net/ab6e243a366e0ffcb666332d5675f29af768b42510945a1b2155cf8fde73d925.webp"/>
      </item>
      
      <item>
      <title><![CDATA[Dez Conselhos Que Gostava De Ter Recebido]]></title>
      <description><![CDATA[Uma análise retrospectiva
]]></description>
             <itunes:subtitle><![CDATA[Uma análise retrospectiva
]]></itunes:subtitle>
      <pubDate>Thu, 20 Feb 2025 23:17:29 GMT</pubDate>
      <link>https://tvieiragoncalves.npub.pro/post/dez-conselhos-que-gostava-de-ter-recebido-s134w4/</link>
      <comments>https://tvieiragoncalves.npub.pro/post/dez-conselhos-que-gostava-de-ter-recebido-s134w4/</comments>
      <guid isPermaLink="false">naddr1qqcyget694pk7mnnv4kxsmmn94gh2efdgahhxarpwesj63r9942x2u3d2fjkxetzd9jx7ttnxyengae5qgst6vhjdp4975w2uzyf55ypvy3467573kvxxvyqds3zxd86y2enjesrqsqqqa289lju9r</guid>
      <category>psicologia</category>
      
        <media:content url="https://blossom.primal.net/f0ad1615b725548fd3a54d7e9c462fe8745b19c035cb2ba7474cb31aa7cb86d8.jpg" medium="image"/>
        <enclosure 
          url="https://blossom.primal.net/f0ad1615b725548fd3a54d7e9c462fe8745b19c035cb2ba7474cb31aa7cb86d8.jpg" length="0" 
          type="image/jpeg" 
        />
      <noteId>naddr1qqcyget694pk7mnnv4kxsmmn94gh2efdgahhxarpwesj63r9942x2u3d2fjkxetzd9jx7ttnxyengae5qgst6vhjdp4975w2uzyf55ypvy3467573kvxxvyqds3zxd86y2enjesrqsqqqa289lju9r</noteId>
      <npub>npub1h5e0y6r2tagu4cygnfggzcfrt4afarvcvvcgqmpzyv605g4n89nqhlf2e2</npub>
      <dc:creator><![CDATA[Tiago G]]></dc:creator>
      <content:encoded><![CDATA[<p>Quando estava prestes a entrar para a universidade sentia que a minha vida estava a desenrolar-se plenamente de acordo com os conselhos que havia recebido. Estava focado nos estudos e com a esperança de que esse foco me garantisse um bom trabalho. Com efeito, os estudos abriram algumas portas, no entanto, não posso deixar de assinalar que há outras decisões mais importantes a tomar e que não tiveram o mesmo protagonismo na minha vida.</p>
<p>Nessa mesma altura estava a iniciar um relacionamento amoroso, sem ter clara a finalidade desse namoro e o caminho que o mesmo deveria ter seguido. Talvez até me tivessem aconselhado sobre isso, contudo o foco estava mais no trabalho e em usufruir das oportunidades que se apresentaram nessa juventude confortável, na qual contei sempre com o apoio financeiro dos meus pais. Estava, como a maioria à minha volta, a viver uma vida libertina. Quer isto dizer uma vida sem grandes preocupações, a não ser estudar e fazer o suficiente para não reprovar a nenhuma disciplina. O resto é movido muito mais para emoção do que pela razão. Aquilo que considerava prazeroso era bom e o que não o era, era mau. Não tinha propriamente uma ideia clara do que queria criar a longo prazo e portanto estava muito mais focado no presente e em usufruir daquilo que podia no momento.</p>
<p>Fazendo uma análise retrospetiva de tudo, não culpo ninguém porque a informação existe para quem a procura, contudo noto aqui apenas o ambiente social e cultural que favorece determinadas decisões em detrimento de outras. O foco tem estado muito mais nos estudos, no trabalho e na fruição dos prazeres que se apresentam aos jovens sem que se pense demasiado no futuro.</p>
<p>Neste contexto, e vendo esta fase da vida com outro grau de distanciamento, deixo aqui dez conselhos que julgo essenciais.</p>
<p><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F1ab20422-2add-4f40-8f0a-dcc97b97b2e8_1024x1259.jpeg" alt=""><em>Rei Salomão - Gustav Dore</em> </p>
<p><em><strong>1.Focar na decisão mais importante: constituir ou não família.</strong></em> </p>
<p>A decisão de constituir ou não família é muito mais relevante para a nossa vida do que propriamente a de escolher uma profissão. Não estou necessariamente a fazer apologia de que todas as pessoas devem constituir família, convenhamos que muitos de nós não têm vocação para o mesmo (apesar de muitos ainda assim o fazerem), mas quer seja afirmativa ou negativa a resposta parece-me fundamental que nos concentremos nessa decisão. Muito mais do que qualquer profissão a família é onde naturalmente procuramos apoio, conforto e incentivo perante todas as vicissitudes da vida.</p>
<p>O facto de existirem famílias que não são fontes de amor para as pessoas em nada invalida que esta seja a organização social por excelência que aporta significado ás nossas vidas. Infelizmente, para muitas pessoas uma experiência pessoal mais difícil a este nível influi na forma como pensam sobre a possibilidade de criarem a sua própria família.</p>
<p>Algumas questões a ter em conta nesta ponderação:</p>
<p>Qual é o meu ideal de família ?</p>
<p>Qual o meu papel enquanto homem/mulher no seio da família?</p>
<p>Que tipo de parceiro devo procurar?</p>
<p>Desejo ter filhos ?</p>
<p>Podemos usar estas questões como pontos de partida para iniciar uma exploração da nossa vocação.</p>
<p><em><strong>2.Tomar decisões cedo em vez de protelar indefinidamente</strong></em> </p>
<p>Atualmente notamos que as pessoas constituem família cada vez mais tarde e que têm filhos cada vez mais tarde. É curioso notar que nos relacionamentos por vezes há alguma pressa para passar do conhecer a pessoa à intimidade sexual e não há pressa alguma para decidir se de facto é com aquela pessoa que queremos passar o resto dos nossos dias.</p>
<p>Este é apenas um aspecto no qual se nota uma progressiva detioração da capacidade para decidir. É-nos muitas vezes transmitida a ideia de que temos tempo e de que não há uma idade certa para tomar determinadas decisões. Estes discursos são cínicos pois é evidente que há fases que são mais propícias para dar determinados passos na nossa vida, daí que seja muito importante aprender a tomar decisões cedo.</p>
<p>Para tomar decisões sóbrias é fundamental saber-se exatamente aquilo que queremos. Se tudo isso está indefinido e não conseguimos postular uma ideia de futuro para nós será muito mais difícil tomar qualquer tipo de decisão importante. Um outro aspecto a ter em conta é o de que as principais decisões são guiadas pela razão, isto é os nossos sentimentos têm de estar ao serviço dos nossos valores e nunca o contrário.</p>
<p><em>3.Se não te imaginas a casar com a pessoa com quem estás, termina o relacionamento.</em> </p>
<p>Deixar a porta aberta num relacionamento de forma indefinida é algo que vai produzir instabilidade no longo prazo. É óbvio que para muitas pessoas o casamento é “apenas um papel” e portanto não vêm a real utilidade em se casar. Contudo, e de forma não surpreendente, notamos que os casais que têm na sua vida uma visão sobrenatural do casamento tendem a perdurar. Digamos que a cola que é usada para unir as pessoas é de um outro calibre, enquanto que a cola usada por aqueles que não têm Deus nas suas vidas está muito mais sujeita à volatilidade do tempo, dos apetites individuais e do relativismo.</p>
<p><em>4.Assume a responsabilidade pelos teus erros sem te deixar levar pelo vitimismo.</em> </p>
<p>A cultura atual, influenciada de forma determinante pela filosofia marxista, está permanentemente a postular divisões de poder na sociedade que pressupõe duas categorias principais a de oprimido e opressor. Esta ideologia apoiada no revisionismo histórico e numa pedagogia social falaciosa incute desde cedo na população a ideia de que em algum momento, tendo ou não pertencido a uma minoria, somos vítimas. Vemos vários exemplos e derivações desta doutrina quando tocamos em temas como o feminismo, o racismo e outros ismos que se focam apenas nesta divisão dicotómica oprimido e opressor.</p>
<p>Esta narrativa esquece que a hierarquia é uma organização natural que define aptidões diferenciadas e consequentemente vocações diferentes. Um outro aspecto que também é esquecido é o livre arbítrio, isto é, a ideia de que as pessoas têm poder de decisão e que muitas vezes podem ser coniventes e partes atuantes no sistema em que participam.</p>
<p>Quer isto dizer que individualmente cada um de nós, havendo discernimento, tem escolha e portanto é muito mais produtivo focar a nossa atenção nesse aspecto do que em qualquer tipo de desigualdade que possa existir. A igualdade de circunstâncias para todas as pessoas é uma utopia, a única igualdade que existe é da essência humana.</p>
<p>O caminho para escapar ao vitimismo será sempre o da responsabilidade individual e da gratidão apesar das circunstâncias adversas que possamos estar a viver.</p>
<p><em>5.Foca-te primeiro no que te é mais próximo antes do mundo</em></p>
<p>Por vezes, inspirados por uma soberba intelectual que agora é típica da juventude vemo-nos a fazer o papel de ativistas em determinadas causas, algumas nobres outras nem tanto. Acontece que este ativismo é frequentemente uma ato postiço, uma pose que usamos como forma de sinalizar a nossa virtude perante os nossos pares. Onde se percebem os pés de barro é quando notamos que diante das pessoas que nos são mais próximas não temos o mesmo zelo que apresentamos quando estamos a debater as grandes questões do mundo.</p>
<p>Há que ser zeloso com quem nos rodeia e os problemas mais urgentes para resolver, e aqueles em que a nossa intervenção é de facto mais necessária, são os que nos são mais próximos.</p>
<p><em>6.Dizer a verdade</em></p>
<p> A corrupção moral funciona de forma gradual, vai de menos a mais, começamos com uma coisa pequena até chegarmos a algo maior. Quando somos mais novos vamos experimentando a corrupção através do exercício da mentira em pequenas coisas e gradualmente vamos avançando para as coisas maiores. Alguns de nós resistem à mentira, facilmente se entende que não desejamos que os outros nos mintam no entanto, se o repetimos muitas vezes facilmente a banalizamos.</p>
<p>A mentira é uma tentativa de esquivar a responsabilidade pelas nossas ações ou opiniões, uma tentativa de fuga ás consequências. Contudo, importa perceber que inevitavelmente vamos sempre confrontar-nos com as consequências sejam quais forem as circunstâncias. Se não as experimentamos pela espada dos outros será pela nossa própria espada quando finalmente percebermos que não há harmonia entre o pensamento e a ação, que dizemos uma coisa mas fazemos outra, que a nossa identidade é também ela uma ficção. O exercício da verdade será a única via para nos aproximarmos de uma existência mais harmoniosa e autêntica, a única forma de estabelecer uma relação genuína com os outros.</p>
<p><em>7.Decisões inspiradas pela coragem e menos pelo medo</em></p>
<p>As nossas decisões têm frequentemente como força motriz o medo. O medo da rejeição impede-nos de ir falar com aquela pessoa de quem gostamos, o medo do juízo social impede-nos de proferir a nossa opinião em determinado assunto, o medo da morte leva-nos a ter comportamentos obsessivos com a nossa saúde; enfim, são muitas as situações em que as nossas decisões são pautadas pelo medo.</p>
<p>É importante que cada vez mais, o medo não seja o factor definidor da nossa decisão. A coragem, temperada pela prudência, devem ser os grandes arquitetos da nossa decisão. Aquilo que é bom no sentido mais profundo é o que devemos seguir, independentemente de sentirmos medo.</p>
<p><em>8.Ninguém é obrigado a gostar de nós, ninguém nos deve nada</em></p>
<p> O ressentimento e mágoa leva-nos por vezes a tratar os outros como se eles nos devessem algo, como se fosse impensável não nos reconhecerem como aprazíveis aos seus olhos ou justos. Isto é uma forma subtil do orgulho se expressar, porque mais uma vez nos colocamos na posição de vítima e assim, julgamos que os outros nos deveriam reconhecer como virtuosos de alguma forma.</p>
<p>Pois bem, apesar dos outros, tal como nós, terem deveres e poderem fazer menção honrosa da nossa existência não devemos esperar isso. Esperando isso, acabamos escravizados por essas expectativas porque continuamos à espera que gostem de nós. Desta forma distorcemos também o próprio conceito de amor, que é doar-se sem esperar em troca. Não é que os outros não o possam fazer, podem, o problema está na espera e na exigência.</p>
<p><em>9.Definir uma matriz moral objetiva</em> </p>
<p>Imbuídos de um espírito relativista estamos muitas vezes sujeitos a uma subjetividade enorme no que diz respeito aos nossos valores. O resultado disto é que inevitavelmente vamos ter uma definição menos clara do bem e do mal. Frequentemente vamos confundir o que é bom ou mau com os nossos desejos, alimentado pelos nossos vícios. Para termos uma visão mais clara da realidade é fundamental sairmos dessa visão subjetiva do valor e sermos capazes de procurar a verdadeira fonte das definições morais.</p>
<p>Aqui, há determinadas mensagens sociais que nos confundem os sentidos, nomeadamente aquelas que atestam que tudo são apenas “pontos de vista”, que não há uma “verdade” mas sim várias verdades, e que “neste tempo/cultura/país” a moralidade é outra. São tudo asserções que dificultam esta pesquisa pela verdade e definição moral universal. Neste campo, o ser humano só será capaz de ter mais estabilidade em termos psicológicos aderindo a um sistema de valores imutável, esta é a única forma de basear a sua identidade em princípios mais objetivos.</p>
<p><em>10.Encontrar um propósito maior para a vida</em></p>
<p> Santo Agostinho diz-nos o seguinte:</p>
<ul>
<li><p>Se não queres sofrer não ames, mas se não amas para que queres viver?</p>
<p>Santo Agostinho</p>
</li>
</ul>
<p>Por vezes na nossa vida procuramos esquivar-nos do sofrimento e inclusive somos vitimas de um certo ceticismo e embotamento afetivo. Vamos experimentando a traição e a frustração das nossas expectativas e isso vai endurecendo o nosso coração. Em resultado disso, muitas vezes tornamo-nos também mais egoístas, focados na mera satisfação das nossas necessidades e menos nas dos outros. No entanto, isto faz de nós infelizes porque não conseguimos deixar de amar. A solução é encontrar algo maior que nós mesmos para amar, entendendo sempre que a essência do amor é o sacrifício. Encontrar isso é simultaneamente definir um propósito para a vida e daí derivar um significado que nos sustenta até nos momentos mais difíceis.</p>
<p>Eventualmente poderei fazer alguma publicação específica expandindo um pouco mais alguns destes conselhos, uma vez que observo que muito mais poderia ter sido dito em cada um deles. Talvez venha a criar mais algumas publicações sobre este tema.</p>
]]></content:encoded>
      <itunes:author><![CDATA[Tiago G]]></itunes:author>
      <itunes:summary><![CDATA[<p>Quando estava prestes a entrar para a universidade sentia que a minha vida estava a desenrolar-se plenamente de acordo com os conselhos que havia recebido. Estava focado nos estudos e com a esperança de que esse foco me garantisse um bom trabalho. Com efeito, os estudos abriram algumas portas, no entanto, não posso deixar de assinalar que há outras decisões mais importantes a tomar e que não tiveram o mesmo protagonismo na minha vida.</p>
<p>Nessa mesma altura estava a iniciar um relacionamento amoroso, sem ter clara a finalidade desse namoro e o caminho que o mesmo deveria ter seguido. Talvez até me tivessem aconselhado sobre isso, contudo o foco estava mais no trabalho e em usufruir das oportunidades que se apresentaram nessa juventude confortável, na qual contei sempre com o apoio financeiro dos meus pais. Estava, como a maioria à minha volta, a viver uma vida libertina. Quer isto dizer uma vida sem grandes preocupações, a não ser estudar e fazer o suficiente para não reprovar a nenhuma disciplina. O resto é movido muito mais para emoção do que pela razão. Aquilo que considerava prazeroso era bom e o que não o era, era mau. Não tinha propriamente uma ideia clara do que queria criar a longo prazo e portanto estava muito mais focado no presente e em usufruir daquilo que podia no momento.</p>
<p>Fazendo uma análise retrospetiva de tudo, não culpo ninguém porque a informação existe para quem a procura, contudo noto aqui apenas o ambiente social e cultural que favorece determinadas decisões em detrimento de outras. O foco tem estado muito mais nos estudos, no trabalho e na fruição dos prazeres que se apresentam aos jovens sem que se pense demasiado no futuro.</p>
<p>Neste contexto, e vendo esta fase da vida com outro grau de distanciamento, deixo aqui dez conselhos que julgo essenciais.</p>
<p><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F1ab20422-2add-4f40-8f0a-dcc97b97b2e8_1024x1259.jpeg" alt=""><em>Rei Salomão - Gustav Dore</em> </p>
<p><em><strong>1.Focar na decisão mais importante: constituir ou não família.</strong></em> </p>
<p>A decisão de constituir ou não família é muito mais relevante para a nossa vida do que propriamente a de escolher uma profissão. Não estou necessariamente a fazer apologia de que todas as pessoas devem constituir família, convenhamos que muitos de nós não têm vocação para o mesmo (apesar de muitos ainda assim o fazerem), mas quer seja afirmativa ou negativa a resposta parece-me fundamental que nos concentremos nessa decisão. Muito mais do que qualquer profissão a família é onde naturalmente procuramos apoio, conforto e incentivo perante todas as vicissitudes da vida.</p>
<p>O facto de existirem famílias que não são fontes de amor para as pessoas em nada invalida que esta seja a organização social por excelência que aporta significado ás nossas vidas. Infelizmente, para muitas pessoas uma experiência pessoal mais difícil a este nível influi na forma como pensam sobre a possibilidade de criarem a sua própria família.</p>
<p>Algumas questões a ter em conta nesta ponderação:</p>
<p>Qual é o meu ideal de família ?</p>
<p>Qual o meu papel enquanto homem/mulher no seio da família?</p>
<p>Que tipo de parceiro devo procurar?</p>
<p>Desejo ter filhos ?</p>
<p>Podemos usar estas questões como pontos de partida para iniciar uma exploração da nossa vocação.</p>
<p><em><strong>2.Tomar decisões cedo em vez de protelar indefinidamente</strong></em> </p>
<p>Atualmente notamos que as pessoas constituem família cada vez mais tarde e que têm filhos cada vez mais tarde. É curioso notar que nos relacionamentos por vezes há alguma pressa para passar do conhecer a pessoa à intimidade sexual e não há pressa alguma para decidir se de facto é com aquela pessoa que queremos passar o resto dos nossos dias.</p>
<p>Este é apenas um aspecto no qual se nota uma progressiva detioração da capacidade para decidir. É-nos muitas vezes transmitida a ideia de que temos tempo e de que não há uma idade certa para tomar determinadas decisões. Estes discursos são cínicos pois é evidente que há fases que são mais propícias para dar determinados passos na nossa vida, daí que seja muito importante aprender a tomar decisões cedo.</p>
<p>Para tomar decisões sóbrias é fundamental saber-se exatamente aquilo que queremos. Se tudo isso está indefinido e não conseguimos postular uma ideia de futuro para nós será muito mais difícil tomar qualquer tipo de decisão importante. Um outro aspecto a ter em conta é o de que as principais decisões são guiadas pela razão, isto é os nossos sentimentos têm de estar ao serviço dos nossos valores e nunca o contrário.</p>
<p><em>3.Se não te imaginas a casar com a pessoa com quem estás, termina o relacionamento.</em> </p>
<p>Deixar a porta aberta num relacionamento de forma indefinida é algo que vai produzir instabilidade no longo prazo. É óbvio que para muitas pessoas o casamento é “apenas um papel” e portanto não vêm a real utilidade em se casar. Contudo, e de forma não surpreendente, notamos que os casais que têm na sua vida uma visão sobrenatural do casamento tendem a perdurar. Digamos que a cola que é usada para unir as pessoas é de um outro calibre, enquanto que a cola usada por aqueles que não têm Deus nas suas vidas está muito mais sujeita à volatilidade do tempo, dos apetites individuais e do relativismo.</p>
<p><em>4.Assume a responsabilidade pelos teus erros sem te deixar levar pelo vitimismo.</em> </p>
<p>A cultura atual, influenciada de forma determinante pela filosofia marxista, está permanentemente a postular divisões de poder na sociedade que pressupõe duas categorias principais a de oprimido e opressor. Esta ideologia apoiada no revisionismo histórico e numa pedagogia social falaciosa incute desde cedo na população a ideia de que em algum momento, tendo ou não pertencido a uma minoria, somos vítimas. Vemos vários exemplos e derivações desta doutrina quando tocamos em temas como o feminismo, o racismo e outros ismos que se focam apenas nesta divisão dicotómica oprimido e opressor.</p>
<p>Esta narrativa esquece que a hierarquia é uma organização natural que define aptidões diferenciadas e consequentemente vocações diferentes. Um outro aspecto que também é esquecido é o livre arbítrio, isto é, a ideia de que as pessoas têm poder de decisão e que muitas vezes podem ser coniventes e partes atuantes no sistema em que participam.</p>
<p>Quer isto dizer que individualmente cada um de nós, havendo discernimento, tem escolha e portanto é muito mais produtivo focar a nossa atenção nesse aspecto do que em qualquer tipo de desigualdade que possa existir. A igualdade de circunstâncias para todas as pessoas é uma utopia, a única igualdade que existe é da essência humana.</p>
<p>O caminho para escapar ao vitimismo será sempre o da responsabilidade individual e da gratidão apesar das circunstâncias adversas que possamos estar a viver.</p>
<p><em>5.Foca-te primeiro no que te é mais próximo antes do mundo</em></p>
<p>Por vezes, inspirados por uma soberba intelectual que agora é típica da juventude vemo-nos a fazer o papel de ativistas em determinadas causas, algumas nobres outras nem tanto. Acontece que este ativismo é frequentemente uma ato postiço, uma pose que usamos como forma de sinalizar a nossa virtude perante os nossos pares. Onde se percebem os pés de barro é quando notamos que diante das pessoas que nos são mais próximas não temos o mesmo zelo que apresentamos quando estamos a debater as grandes questões do mundo.</p>
<p>Há que ser zeloso com quem nos rodeia e os problemas mais urgentes para resolver, e aqueles em que a nossa intervenção é de facto mais necessária, são os que nos são mais próximos.</p>
<p><em>6.Dizer a verdade</em></p>
<p> A corrupção moral funciona de forma gradual, vai de menos a mais, começamos com uma coisa pequena até chegarmos a algo maior. Quando somos mais novos vamos experimentando a corrupção através do exercício da mentira em pequenas coisas e gradualmente vamos avançando para as coisas maiores. Alguns de nós resistem à mentira, facilmente se entende que não desejamos que os outros nos mintam no entanto, se o repetimos muitas vezes facilmente a banalizamos.</p>
<p>A mentira é uma tentativa de esquivar a responsabilidade pelas nossas ações ou opiniões, uma tentativa de fuga ás consequências. Contudo, importa perceber que inevitavelmente vamos sempre confrontar-nos com as consequências sejam quais forem as circunstâncias. Se não as experimentamos pela espada dos outros será pela nossa própria espada quando finalmente percebermos que não há harmonia entre o pensamento e a ação, que dizemos uma coisa mas fazemos outra, que a nossa identidade é também ela uma ficção. O exercício da verdade será a única via para nos aproximarmos de uma existência mais harmoniosa e autêntica, a única forma de estabelecer uma relação genuína com os outros.</p>
<p><em>7.Decisões inspiradas pela coragem e menos pelo medo</em></p>
<p>As nossas decisões têm frequentemente como força motriz o medo. O medo da rejeição impede-nos de ir falar com aquela pessoa de quem gostamos, o medo do juízo social impede-nos de proferir a nossa opinião em determinado assunto, o medo da morte leva-nos a ter comportamentos obsessivos com a nossa saúde; enfim, são muitas as situações em que as nossas decisões são pautadas pelo medo.</p>
<p>É importante que cada vez mais, o medo não seja o factor definidor da nossa decisão. A coragem, temperada pela prudência, devem ser os grandes arquitetos da nossa decisão. Aquilo que é bom no sentido mais profundo é o que devemos seguir, independentemente de sentirmos medo.</p>
<p><em>8.Ninguém é obrigado a gostar de nós, ninguém nos deve nada</em></p>
<p> O ressentimento e mágoa leva-nos por vezes a tratar os outros como se eles nos devessem algo, como se fosse impensável não nos reconhecerem como aprazíveis aos seus olhos ou justos. Isto é uma forma subtil do orgulho se expressar, porque mais uma vez nos colocamos na posição de vítima e assim, julgamos que os outros nos deveriam reconhecer como virtuosos de alguma forma.</p>
<p>Pois bem, apesar dos outros, tal como nós, terem deveres e poderem fazer menção honrosa da nossa existência não devemos esperar isso. Esperando isso, acabamos escravizados por essas expectativas porque continuamos à espera que gostem de nós. Desta forma distorcemos também o próprio conceito de amor, que é doar-se sem esperar em troca. Não é que os outros não o possam fazer, podem, o problema está na espera e na exigência.</p>
<p><em>9.Definir uma matriz moral objetiva</em> </p>
<p>Imbuídos de um espírito relativista estamos muitas vezes sujeitos a uma subjetividade enorme no que diz respeito aos nossos valores. O resultado disto é que inevitavelmente vamos ter uma definição menos clara do bem e do mal. Frequentemente vamos confundir o que é bom ou mau com os nossos desejos, alimentado pelos nossos vícios. Para termos uma visão mais clara da realidade é fundamental sairmos dessa visão subjetiva do valor e sermos capazes de procurar a verdadeira fonte das definições morais.</p>
<p>Aqui, há determinadas mensagens sociais que nos confundem os sentidos, nomeadamente aquelas que atestam que tudo são apenas “pontos de vista”, que não há uma “verdade” mas sim várias verdades, e que “neste tempo/cultura/país” a moralidade é outra. São tudo asserções que dificultam esta pesquisa pela verdade e definição moral universal. Neste campo, o ser humano só será capaz de ter mais estabilidade em termos psicológicos aderindo a um sistema de valores imutável, esta é a única forma de basear a sua identidade em princípios mais objetivos.</p>
<p><em>10.Encontrar um propósito maior para a vida</em></p>
<p> Santo Agostinho diz-nos o seguinte:</p>
<ul>
<li><p>Se não queres sofrer não ames, mas se não amas para que queres viver?</p>
<p>Santo Agostinho</p>
</li>
</ul>
<p>Por vezes na nossa vida procuramos esquivar-nos do sofrimento e inclusive somos vitimas de um certo ceticismo e embotamento afetivo. Vamos experimentando a traição e a frustração das nossas expectativas e isso vai endurecendo o nosso coração. Em resultado disso, muitas vezes tornamo-nos também mais egoístas, focados na mera satisfação das nossas necessidades e menos nas dos outros. No entanto, isto faz de nós infelizes porque não conseguimos deixar de amar. A solução é encontrar algo maior que nós mesmos para amar, entendendo sempre que a essência do amor é o sacrifício. Encontrar isso é simultaneamente definir um propósito para a vida e daí derivar um significado que nos sustenta até nos momentos mais difíceis.</p>
<p>Eventualmente poderei fazer alguma publicação específica expandindo um pouco mais alguns destes conselhos, uma vez que observo que muito mais poderia ter sido dito em cada um deles. Talvez venha a criar mais algumas publicações sobre este tema.</p>
]]></itunes:summary>
      <itunes:image href="https://blossom.primal.net/f0ad1615b725548fd3a54d7e9c462fe8745b19c035cb2ba7474cb31aa7cb86d8.jpg"/>
      </item>
      
      <item>
      <title><![CDATA[O que é o amor ?]]></title>
      <description><![CDATA[A perspetiva de Erich Fromm]]></description>
             <itunes:subtitle><![CDATA[A perspetiva de Erich Fromm]]></itunes:subtitle>
      <pubDate>Fri, 14 Feb 2025 12:10:11 GMT</pubDate>
      <link>https://tvieiragoncalves.npub.pro/post/o-que-o-amor-um497f/</link>
      <comments>https://tvieiragoncalves.npub.pro/post/o-que-o-amor-um497f/</comments>
      <guid isPermaLink="false">naddr1qqf57tt3w4jj6medv9kk7u3dw4kngwfhvcpzp0fj7f5x5h63etsg3xjss9sjxht6n6xescesspkzyge5lg3txwtxqvzqqqr4guy8egs0</guid>
      <category>psicologia</category>
      
      <noteId>naddr1qqf57tt3w4jj6medv9kk7u3dw4kngwfhvcpzp0fj7f5x5h63etsg3xjss9sjxht6n6xescesspkzyge5lg3txwtxqvzqqqr4guy8egs0</noteId>
      <npub>npub1h5e0y6r2tagu4cygnfggzcfrt4afarvcvvcgqmpzyv605g4n89nqhlf2e2</npub>
      <dc:creator><![CDATA[Tiago G]]></dc:creator>
      <content:encoded><![CDATA[<p>Muitos livros foram escritos sobre o tema oferecendo perspetivas líricas, narrativas, psicológicas/filosóficas, religiosas, simbólicas e políticas. A resposta varia no seu significado consoante o paradigma teórico de análise. Reconhecendo esta multiplicidade de dimensões do conceito qualquer reflexão será sempre, inevitavelmente parcial, no entanto cumpre realizar-se dado que a importância do tema o exige. Muito se tem dito e muito mais se dirá precisamente porque este é um tema que convida à expressão de uma profunda intimidade universal.</p>
<p>O amor é, segundo Erich Fromm psicanalista alemão, uma decisão, um julgamento e uma promessa, além de um sentimento. Segundo o autor o amor requer paciência, disciplina, concentração, fé e, quanto a mim uma ideia fundamental de Fromm, a capacidade para transcender o nosso próximo narcisismo. Como seriamos capazes de amar sem ultrapassar o nosso narcisismo? Seríamos capazes do compromisso necessário para aceitar o sacrifício de não corresponder aos nossos desejos mais imediatos em prol da construção de um projeto para o futuro com outra pessoa? No nosso narcisismo reside frequentemente o nosso movimento em direção á gratificação imediata e à não aceitação do sacrifício inerente à construção de algo que desejavelmente será maior que nós. </p>
<p>Como nos diz um pergaminho da Psicologia Gestalt, corrente teórica que se dedica ao estudo da forma e da percepção, o todo é maior que a soma das partes. É precisamente neste ponto que está uma das principais forças centrípetas deste conceito, na hipótese de construir algo que melhora a nossa vida que acrescenta em significado, sendo esta a unidade base na qual psicologicamente se medem as coisas e os fenómenos. Fromm propõe ainda que o amor não será apenas a ligação ao objeto amado, mas também uma orientação perante a vida, dizendo: “ o amor é uma atitude, uma orientação de carácter que determina a ligação da pessoa ao mundo como um todo e não apenas a um objeto.” Sendo assim não será suspeito que neste conceito esteja a chave para operar profundas transformações no carácter e na vida dos Humanos, que a somar á construção da relação com o outro têm a construção de uma nova relação com o mundo.</p>
<p>O amor é uma dádiva na qual ao darmos podemos experienciar a nossa riqueza de carácter, a nossa força e o nosso poder. Podemos ver este conceito como um professor que nos ensina sobre a vida e sobre as relações. Ensina-nos humildade na medida em que aceitamos algo maior que nós, ensina disciplina porque requer um foco constante e diria até que nos pode ensinar o significado e peso do conceito de fé. Neste último ponto falo de fé porque o amor contempla a dúvida fundamental da rejeição do sacrifício feito em prol do amor, e a fé transcende essa dificuldade da dúvida. A fé parece salvar-nos da corrosão da dúvida e purificar as intenções da pessoa que ama. Ter fé é mais que desenvolver uma mera expectativa, é a construção da esperança interiormente mesmo que seja na face do improvável ou implausível. Assim sendo, amar parece-se em muito com uma experiência eminentemente religiosa na medida em que sacraliza a experiência da pessoa que ama e a vida, atribuindo contornos de divino e transcendental ao que, aos olhos que quem não ama, pode parecer trivial e normal.</p>
<p><img src="https://tvieiragoncalves.github.io/genesis/uploads/sacredheartbatoni-1.jpeg" alt="O que é o amor ?"><em>Sagrado coração de Jesus</em></p>
<p>Um amor maduro quer-se consciente da necessidade de amar. Fromm diz-nos que o amor maduro está em: “eu preciso de ti porque te amo” e não em “eu amo-te porque preciso de ti”. Esta inversão do sentido da frase parece fundamental para que o amor não seja confundido com uma forma de egoísmo. Aqui a necessidade do outro surge em função do amor que temos pelo outro, não sendo o amor consequência da necessidade que temos do outro. Amar maduramente é a aceitação do sacrifício diante da incerteza e da dor por vezes debilitante. Assim desenvolvemos a tolerância que nos permite crescer e desenraizar da perversidade do narcisismo cumprindo a nossa identidade na missão de amar.</p>
<p><img src="https://i.imgur.com/qSebLvB.jpg" alt=""></p>
]]></content:encoded>
      <itunes:author><![CDATA[Tiago G]]></itunes:author>
      <itunes:summary><![CDATA[<p>Muitos livros foram escritos sobre o tema oferecendo perspetivas líricas, narrativas, psicológicas/filosóficas, religiosas, simbólicas e políticas. A resposta varia no seu significado consoante o paradigma teórico de análise. Reconhecendo esta multiplicidade de dimensões do conceito qualquer reflexão será sempre, inevitavelmente parcial, no entanto cumpre realizar-se dado que a importância do tema o exige. Muito se tem dito e muito mais se dirá precisamente porque este é um tema que convida à expressão de uma profunda intimidade universal.</p>
<p>O amor é, segundo Erich Fromm psicanalista alemão, uma decisão, um julgamento e uma promessa, além de um sentimento. Segundo o autor o amor requer paciência, disciplina, concentração, fé e, quanto a mim uma ideia fundamental de Fromm, a capacidade para transcender o nosso próximo narcisismo. Como seriamos capazes de amar sem ultrapassar o nosso narcisismo? Seríamos capazes do compromisso necessário para aceitar o sacrifício de não corresponder aos nossos desejos mais imediatos em prol da construção de um projeto para o futuro com outra pessoa? No nosso narcisismo reside frequentemente o nosso movimento em direção á gratificação imediata e à não aceitação do sacrifício inerente à construção de algo que desejavelmente será maior que nós. </p>
<p>Como nos diz um pergaminho da Psicologia Gestalt, corrente teórica que se dedica ao estudo da forma e da percepção, o todo é maior que a soma das partes. É precisamente neste ponto que está uma das principais forças centrípetas deste conceito, na hipótese de construir algo que melhora a nossa vida que acrescenta em significado, sendo esta a unidade base na qual psicologicamente se medem as coisas e os fenómenos. Fromm propõe ainda que o amor não será apenas a ligação ao objeto amado, mas também uma orientação perante a vida, dizendo: “ o amor é uma atitude, uma orientação de carácter que determina a ligação da pessoa ao mundo como um todo e não apenas a um objeto.” Sendo assim não será suspeito que neste conceito esteja a chave para operar profundas transformações no carácter e na vida dos Humanos, que a somar á construção da relação com o outro têm a construção de uma nova relação com o mundo.</p>
<p>O amor é uma dádiva na qual ao darmos podemos experienciar a nossa riqueza de carácter, a nossa força e o nosso poder. Podemos ver este conceito como um professor que nos ensina sobre a vida e sobre as relações. Ensina-nos humildade na medida em que aceitamos algo maior que nós, ensina disciplina porque requer um foco constante e diria até que nos pode ensinar o significado e peso do conceito de fé. Neste último ponto falo de fé porque o amor contempla a dúvida fundamental da rejeição do sacrifício feito em prol do amor, e a fé transcende essa dificuldade da dúvida. A fé parece salvar-nos da corrosão da dúvida e purificar as intenções da pessoa que ama. Ter fé é mais que desenvolver uma mera expectativa, é a construção da esperança interiormente mesmo que seja na face do improvável ou implausível. Assim sendo, amar parece-se em muito com uma experiência eminentemente religiosa na medida em que sacraliza a experiência da pessoa que ama e a vida, atribuindo contornos de divino e transcendental ao que, aos olhos que quem não ama, pode parecer trivial e normal.</p>
<p><img src="https://tvieiragoncalves.github.io/genesis/uploads/sacredheartbatoni-1.jpeg" alt="O que é o amor ?"><em>Sagrado coração de Jesus</em></p>
<p>Um amor maduro quer-se consciente da necessidade de amar. Fromm diz-nos que o amor maduro está em: “eu preciso de ti porque te amo” e não em “eu amo-te porque preciso de ti”. Esta inversão do sentido da frase parece fundamental para que o amor não seja confundido com uma forma de egoísmo. Aqui a necessidade do outro surge em função do amor que temos pelo outro, não sendo o amor consequência da necessidade que temos do outro. Amar maduramente é a aceitação do sacrifício diante da incerteza e da dor por vezes debilitante. Assim desenvolvemos a tolerância que nos permite crescer e desenraizar da perversidade do narcisismo cumprindo a nossa identidade na missão de amar.</p>
<p><img src="https://i.imgur.com/qSebLvB.jpg" alt=""></p>
]]></itunes:summary>
      
      </item>
      
      <item>
      <title><![CDATA[A Geração do EU]]></title>
      <description><![CDATA[A cultura do sacrifício foi substituída pela cultura do egoísmo
]]></description>
             <itunes:subtitle><![CDATA[A cultura do sacrifício foi substituída pela cultura do egoísmo
]]></itunes:subtitle>
      <pubDate>Fri, 24 Jan 2025 12:56:29 GMT</pubDate>
      <link>https://tvieiragoncalves.npub.pro/post/a-gera-o-do-eu-ghai5h/</link>
      <comments>https://tvieiragoncalves.npub.pro/post/a-gera-o-do-eu-ghai5h/</comments>
      <guid isPermaLink="false">naddr1qq25zt28v4exztt094jx7t2925kkw6rpdy6ksq3qh5e0y6r2tagu4cygnfggzcfrt4afarvcvvcgqmpzyv605g4n89nqxpqqqp65wcsnkpw</guid>
      <category>psicologia</category>
      
        <media:content url="https://blossom.primal.net/f375318f1b75b650ac6c911e80e9aa06a551ead1be91e1d5d5e954e058cdb2a4.jpg" medium="image"/>
        <enclosure 
          url="https://blossom.primal.net/f375318f1b75b650ac6c911e80e9aa06a551ead1be91e1d5d5e954e058cdb2a4.jpg" length="0" 
          type="image/jpeg" 
        />
      <noteId>naddr1qq25zt28v4exztt094jx7t2925kkw6rpdy6ksq3qh5e0y6r2tagu4cygnfggzcfrt4afarvcvvcgqmpzyv605g4n89nqxpqqqp65wcsnkpw</noteId>
      <npub>npub1h5e0y6r2tagu4cygnfggzcfrt4afarvcvvcgqmpzyv605g4n89nqhlf2e2</npub>
      <dc:creator><![CDATA[Tiago G]]></dc:creator>
      <content:encoded><![CDATA[<p>Vivemos num tempo em que predomina a atitude de colocar a vida em serviço de culto ao “Eu”. Aqui por “Eu” entenda-se o ego e as suas manifestações que colocam o indivíduo no centro do seu mundo. Esta priorização do “Eu” revela-se de várias formas, dando á luz vários produtos sociais e culturais. Estas manifestações atuam de forma nociva na sociedade uma vez que desagregam e extinguem todo o tipo coesão social.</p>
<p>Uma sociedade é uma organização de pessoas que buscam uma finalidade comum. Quando a finalidade é primeiramente o serviço aos apetites individuais é cada vez mais provável que surjam conflitos de interesses e estes vão desunindo as pessoas. Desta forma a sociedade precipita-se para o declínio e consequente extinção, uma vez que já não é capaz de sustentar os seus princípios fundadores e a narrativa agregadora que estabelece a identidade da comunidade.</p>
<p>Pensemos numa família, quando os membros da família vivem para si e não para o outro, aqui personificado no esposo e nos filhos, a coesão familiar sai enfraquecida pois muitas serão as ocasiões nas quais os interesses imediatos do indivíduo colidem com os interesses da família. Isto leva a uma série de problemas, nomeadamente os que observamos cada vez mais na educação das crianças. Neste campo, observamos frequentemente um tempo escasso para o convívio e para a pedagogia de vida que os pais devem exercer. Dir-se-á que são as vicissitudes do mundo do trabalho, mas talvez devêssemos balancear essa ideia com a noção de que o materialismo também nos foi habituando a ter outras necessidades que os nossos avós não tinham, o que nos precipita a querer mais e a trabalhar mais e sobretudo fora de casa. Quero dizer que de facto podemos viver com menos e que esse menos no ponto de vista das condições materiais de vida pode significar mais em termos familiares.</p>
<p>Um outro campo em que se nota a primazia do “Eu” é nos relacionamentos em que nos habituamos a ver o outro como um servidor da nossa vontade e do nosso desejo. Confundimos facilmente o conceito de amor com uma troca comercial. Julgamos que aquilo que entregamos tem de ser retribuído, perdendo a noção de que é a nossa escolha entregar-nos a alguém e que como tal temos de enfrentar as consequências da nossa decisão. Nós devemos servir o outro assim como o outro deveria pensar da mesma forma, no entanto não controlamos a cabeça da outra pessoa portanto foquemo-nos sim naquilo que controlamos. Foquemo-nos em honrar as promessas que fazemos e aprender a viver em união com o outro.</p>
<p><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F6535015b-4ac1-4699-a7af-0dd46cab9573_1200x1455.jpeg" alt="Narciso – Wikipédia, a enciclopédia livre"><em>Narciso - Caravaggio</em></p>
<p>Também no cuidado com os idosos se manifesta a primazia do “Eu”. Não são raros os casos de abandono e negligência para com aqueles a quem, para o bem e para o mal, devemos a nossa vida. Vemos cada vez mais idosos institucionalizados quando muitos poderiam estar com as suas respetivas famílias num ambiente familiar muito mais propício para o seu final de vida. As justificações multiplicam-se e novamente o trabalho surge como o fundamento, no entanto facilmente observamos que mesmo quando há tempo esse tempo não é dedicado aos idosos.</p>
<p>A taxa de natalidade é também um sinal da primazia do eu. A retórica pos-contemporânea assegura que ter filhos é um comportamento egoísta, especialmente nos tempos que vivemos. Seja por causa da narrativa climática, seja por questões de pobreza ou doença, essas pessoas defendem a não vida. No entanto, um olhar que guarda o apreço pela vida como algo sagrado é capaz de observar que a vida, mesmo em circunstâncias muito difíceis continua a valer a pena. O verdadeiro motivo que se esconde muitas vezes por trás desta retórica é invariavelmente a primazia do conforto.</p>
<p>Por trás destas opções de vida está também patente um abandono á cultura do sacrifício, que pressupõe a procura de algo que transcende o “Eu”. Nessa transcendência está a chave para encontrar um propósito, isto é uma missão para a vida. Além disso, está também a constatação de que na vida há aspirações e valores mais elevados que nos convocam a entregar a nossa vida, quer isto dizer abrir mão da procura do conforto e do prazer e abraçar por vezes o sofrimento, no entanto este sofrimento tem um propósito. O sacrifício individual não é seguramente a via mais fácil e conveniente, contudo é a única pois o viver para o ego é apenas uma ilusão. Quem vive para si, nem para si vive dado que não ama ninguém além de si próprio e isso não é amor.</p>
]]></content:encoded>
      <itunes:author><![CDATA[Tiago G]]></itunes:author>
      <itunes:summary><![CDATA[<p>Vivemos num tempo em que predomina a atitude de colocar a vida em serviço de culto ao “Eu”. Aqui por “Eu” entenda-se o ego e as suas manifestações que colocam o indivíduo no centro do seu mundo. Esta priorização do “Eu” revela-se de várias formas, dando á luz vários produtos sociais e culturais. Estas manifestações atuam de forma nociva na sociedade uma vez que desagregam e extinguem todo o tipo coesão social.</p>
<p>Uma sociedade é uma organização de pessoas que buscam uma finalidade comum. Quando a finalidade é primeiramente o serviço aos apetites individuais é cada vez mais provável que surjam conflitos de interesses e estes vão desunindo as pessoas. Desta forma a sociedade precipita-se para o declínio e consequente extinção, uma vez que já não é capaz de sustentar os seus princípios fundadores e a narrativa agregadora que estabelece a identidade da comunidade.</p>
<p>Pensemos numa família, quando os membros da família vivem para si e não para o outro, aqui personificado no esposo e nos filhos, a coesão familiar sai enfraquecida pois muitas serão as ocasiões nas quais os interesses imediatos do indivíduo colidem com os interesses da família. Isto leva a uma série de problemas, nomeadamente os que observamos cada vez mais na educação das crianças. Neste campo, observamos frequentemente um tempo escasso para o convívio e para a pedagogia de vida que os pais devem exercer. Dir-se-á que são as vicissitudes do mundo do trabalho, mas talvez devêssemos balancear essa ideia com a noção de que o materialismo também nos foi habituando a ter outras necessidades que os nossos avós não tinham, o que nos precipita a querer mais e a trabalhar mais e sobretudo fora de casa. Quero dizer que de facto podemos viver com menos e que esse menos no ponto de vista das condições materiais de vida pode significar mais em termos familiares.</p>
<p>Um outro campo em que se nota a primazia do “Eu” é nos relacionamentos em que nos habituamos a ver o outro como um servidor da nossa vontade e do nosso desejo. Confundimos facilmente o conceito de amor com uma troca comercial. Julgamos que aquilo que entregamos tem de ser retribuído, perdendo a noção de que é a nossa escolha entregar-nos a alguém e que como tal temos de enfrentar as consequências da nossa decisão. Nós devemos servir o outro assim como o outro deveria pensar da mesma forma, no entanto não controlamos a cabeça da outra pessoa portanto foquemo-nos sim naquilo que controlamos. Foquemo-nos em honrar as promessas que fazemos e aprender a viver em união com o outro.</p>
<p><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F6535015b-4ac1-4699-a7af-0dd46cab9573_1200x1455.jpeg" alt="Narciso – Wikipédia, a enciclopédia livre"><em>Narciso - Caravaggio</em></p>
<p>Também no cuidado com os idosos se manifesta a primazia do “Eu”. Não são raros os casos de abandono e negligência para com aqueles a quem, para o bem e para o mal, devemos a nossa vida. Vemos cada vez mais idosos institucionalizados quando muitos poderiam estar com as suas respetivas famílias num ambiente familiar muito mais propício para o seu final de vida. As justificações multiplicam-se e novamente o trabalho surge como o fundamento, no entanto facilmente observamos que mesmo quando há tempo esse tempo não é dedicado aos idosos.</p>
<p>A taxa de natalidade é também um sinal da primazia do eu. A retórica pos-contemporânea assegura que ter filhos é um comportamento egoísta, especialmente nos tempos que vivemos. Seja por causa da narrativa climática, seja por questões de pobreza ou doença, essas pessoas defendem a não vida. No entanto, um olhar que guarda o apreço pela vida como algo sagrado é capaz de observar que a vida, mesmo em circunstâncias muito difíceis continua a valer a pena. O verdadeiro motivo que se esconde muitas vezes por trás desta retórica é invariavelmente a primazia do conforto.</p>
<p>Por trás destas opções de vida está também patente um abandono á cultura do sacrifício, que pressupõe a procura de algo que transcende o “Eu”. Nessa transcendência está a chave para encontrar um propósito, isto é uma missão para a vida. Além disso, está também a constatação de que na vida há aspirações e valores mais elevados que nos convocam a entregar a nossa vida, quer isto dizer abrir mão da procura do conforto e do prazer e abraçar por vezes o sofrimento, no entanto este sofrimento tem um propósito. O sacrifício individual não é seguramente a via mais fácil e conveniente, contudo é a única pois o viver para o ego é apenas uma ilusão. Quem vive para si, nem para si vive dado que não ama ninguém além de si próprio e isso não é amor.</p>
]]></itunes:summary>
      <itunes:image href="https://blossom.primal.net/f375318f1b75b650ac6c911e80e9aa06a551ead1be91e1d5d5e954e058cdb2a4.jpg"/>
      </item>
      
      <item>
      <title><![CDATA[Assumir responsabilidades]]></title>
      <description><![CDATA[A fuga à vitimização e a postura proativa na resolução de problemas.
]]></description>
             <itunes:subtitle><![CDATA[A fuga à vitimização e a postura proativa na resolução de problemas.
]]></itunes:subtitle>
      <pubDate>Thu, 02 Jan 2025 19:30:46 GMT</pubDate>
      <link>https://tvieiragoncalves.npub.pro/post/assumir-responsabilidades-c6ksgt/</link>
      <comments>https://tvieiragoncalves.npub.pro/post/assumir-responsabilidades-c6ksgt/</comments>
      <guid isPermaLink="false">naddr1qqsyzumnw4kkju3dwfjhxur0deekzcnfd35kgctyv4ej6cekddekwaqzyz7n9ungdf04rjhq3zd9pqtpydwh485dnp3npqrvyg3nf73zkvukvqcyqqq823c53xr7e</guid>
      <category>psicologia</category>
      
      <noteId>naddr1qqsyzumnw4kkju3dwfjhxur0deekzcnfd35kgctyv4ej6cekddekwaqzyz7n9ungdf04rjhq3zd9pqtpydwh485dnp3npqrvyg3nf73zkvukvqcyqqq823c53xr7e</noteId>
      <npub>npub1h5e0y6r2tagu4cygnfggzcfrt4afarvcvvcgqmpzyv605g4n89nqhlf2e2</npub>
      <dc:creator><![CDATA[Tiago G]]></dc:creator>
      <content:encoded><![CDATA[<p>Texto publicado por <em>Foundation Father @FoundationDads</em> e traduzido para português.</p>
<p>Assumir responsabilidades numa época efeminada como a nossa é um superpoder.</p>
<p>Algumas pessoas não sabem o que significa "assumir responsabilidades", no entanto, porque nunca tiveram um pai ou outra pessoa que as ama-se o suficiente para lhes ensinar.</p>
<p>Então, aqui está como assumir responsabilidades.</p>
<h2><strong>Lembra-te que não és uma pessoa desamparada e incompetente.</strong></h2>
<p>As coisas não te acontecem simplesmente enquanto olhas fixamente com a boca aberta, usando todo o teu poder cerebral para te lembrares de como respirar.</p>
<p>Tu tens poder de ação.</p>
<h2>Mantém estas perguntas em mente:</h2>
<p>"Que papel desempenhei eu nesta situação ou como ajudei a formar o sistema em que estou inserido?"</p>
<p>"O que posso fazer agora mesmo para começar a corrigi-lo, por mais pequeno que seja?"</p>
<p>Aqui estão alguns exemplos de como aplicar estas perguntas.</p>
<p><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F3e5c7d1c-9c90-4ba8-8a22-32bbee862f42_1000x783.jpeg" alt="A arte de ser Português on X: &quot;José Malhoa (pintor naturalista português,  1855-1933), &quot;O Remédio&quot;. Museu Nacional de Soares dos Reis, Porto.  https://t.co/o1J9nYzPpl&quot; / X"><em>José Malhoa - Remédio</em></p>
<h2>Saúde</h2>
<p>Estás com excesso de peso e cansado o tempo todo? Deprimido?</p>
<p>Começa a caminhar 30 minutos por dia. De preferência ao ar livre.</p>
<p>Pára de comer snacks.</p>
<p>Marca uma consulta com um médico para fazer análises ao sangue.</p>
<p>Todas estas coisas estão ao teu alcance.</p>
<h2>Finanças</h2>
<p>Estás a afogar-te em dívidas de cartão de crédito? Assumir responsabilidades significa reduzir drasticamente o teu consumo e iniciar um programa radical de pagamento do máximo de dívida que conseguires.</p>
<p>Obtém uma aplicação de orçamento e começa a planear.</p>
<p>Sentes-te preso no teu emprego sem futuro? Sentes que não ganhas o suficiente? Vai a entrevistas para vagas de emprego e descobre o teu verdadeiro valor no mercado.</p>
<p>Reserva 1 hora todas as noites para melhorares. A menos que já estejas a trabalhar em dois empregos, toda a gente tem pelo menos 1 hora todas as noites.</p>
<h2>Arredores imediatos</h2>
<p>Se vês algo que precisa de ser feito, simplesmente faz. Não te queixes disso. Não resmungues baixinho. Não desejes que alguém tratasse disso. Simplesmente faz e não peças permissão.</p>
<p>Guarda o carrinho de compras. Lava a caneca de café no lava-loiça. Arranca as ervas daninhas. Repara a parede. Se o quintal do teu vizinho estiver cheio de ervas, vai lá e corta a relva tu mesmo. Limpa a água do lava-loiça. Arruma a bancada. Leva o lixo para fora. Leva bom café para o escritório.</p>
<h2>Os teus filhos</h2>
<p>Muitos pais queixam-se do comportamento dos seus filhos como se não tivessem qualquer influência sobre o assunto. Mas os teus filhos farão o que tu os ensinaste a fazer.</p>
<p>"Fizemos o melhor que pudemos."</p>
<p>Não, não fizeram, e assumir responsabilidades significa admitir que foste permissivo e preguiçoso ou que querias sentir-te justo por não bater.</p>
<p>Que pequena coisa podes fazer agora mesmo para começar? Escolhe um único comportamento que queres que eles parem, senta-os e explica as consequências do comportamento. Pede desculpa por teres deixado andar durante tanto tempo.</p>
<p>Quando eles apresentarem o comportamento, aplica as consequências. Aconteça o que acontecer.</p>
<h2>Os teus relacionamentos</h2>
<p>Não tens amigos ou o teu grupo de amigos atual é uma má influência? Podes fazer novos amigos. Assumir responsabilidades significa admitir que a tua solidão é em grande parte auto-infligida.</p>
<p><strong>O que podes fazer?</strong></p>
<p>Começa a jogar ténis ou futebol. Existem ligas em todo o lado. Encontra uma boa igreja local e encontra maneiras de te envolver. Existem encontros para todo o tipo de atividade. Participa num que se alinhe com as tuas preferências. Quando estiveres em público, sorri mais e puxa conversa.</p>
<p>Depois de conheceres algumas pessoas, estabelece uma cadência regular. Agenda almoços semanais ou mensais e alterna entre algumas pessoas. Ou talvez café de manhã.</p>
<p>Não acontecerá da noite para o dia, mas dando pequenos passos consistentemente durante alguns meses e vais perceber que tens uma vida social.</p>
<h2>Os teus erros</h2>
<p>Se erraste, não te retires e escondas nem arranjes desculpas. Pede desculpa à pessoa que prejudicaste, diz-lhe porquê e oferece-te para compensar. Aceita as consequências com humildade.</p>
<p>Vais descobrir que nada te conquista mais respeito do que assumir os teus erros. Esta é a principal. Se aprenderes a fazer isto bem, cobrirá uma infinidade de pecados porque cria hábito. Mesmo que tenhas apenas 1% de culpa na situação, assumir a responsabilidade e pedir desculpa pelo teu 1% está a construir um certo grupo de músculos.</p>
<p>"Mas ele devia ter..." Pára com isso. Confiaste demasiado? Presumiste demasiado sem comunicar? Assume a responsabilidade por isso.</p>
<p>Estes exemplos podiam continuar para sempre, então vou parar e terminar com este princípio:</p>
<p>A tua resposta importa mais do que as tuas circunstâncias.</p>
<p>Existem vítimas reais, algumas de tragédias horríveis. Mas mesmo que não te tenhas atirado para areias movediças, ainda podes assumir a responsabilidade por como reages e pelo que escolhes fazer a seguir.</p>
<p>Às vezes, é agarrar numa corda de um transeunte e dizer: "Obrigado."</p>
<p>Não te afogues nas areias movediças até que alguém te dê uma palmadinha nas costas por quão difícil é para ti, e não continues a apontar para o teu tempo nas areias movediças para desculpares os teus fracassos.</p>
<p>Podes não ter escolhido uma batalha específica. Ainda podes assumir a responsabilidade por quão bem lutas a batalha. Num certo sentido, ninguém escolhe a principal batalha que enfrenta. Ninguém escolheu nascer. Ninguém escolheu a sua família. Ninguém escolheu as suas circunstâncias.</p>
<p>O mundo nunca será perfeito. Tens de assumir a responsabilidade pela tua parte dele de qualquer maneira. Pode ser difícil. Pode ser doloroso. Não te foi prometida uma vida fácil e sem dor.</p>
<p>Depois de começares a assumir responsabilidades, qual é o próximo passo?</p>
<p>Altura de assumir mais responsabilidades.</p>
<p>Por exemplo, se não tens problemas em fazer amigos e tens essa parte da tua vida resolvida, assume a responsabilidade por outra pessoa. Encontra um dos rapazes solitários na tua igreja que precisa de um amigo e adiciona-o à tua rotação de almoços.</p>
<p>A recompensa por assumir responsabilidades é subir de nível e, como consequência, as coisas devem tornar-se mais desafiantes.</p>
<p>Mas agora estás mais bem preparado para isso. Repete até morrer e, esperançosamente, a tua causa de morte será por viver e não por te queixares de não viver.</p>
]]></content:encoded>
      <itunes:author><![CDATA[Tiago G]]></itunes:author>
      <itunes:summary><![CDATA[<p>Texto publicado por <em>Foundation Father @FoundationDads</em> e traduzido para português.</p>
<p>Assumir responsabilidades numa época efeminada como a nossa é um superpoder.</p>
<p>Algumas pessoas não sabem o que significa "assumir responsabilidades", no entanto, porque nunca tiveram um pai ou outra pessoa que as ama-se o suficiente para lhes ensinar.</p>
<p>Então, aqui está como assumir responsabilidades.</p>
<h2><strong>Lembra-te que não és uma pessoa desamparada e incompetente.</strong></h2>
<p>As coisas não te acontecem simplesmente enquanto olhas fixamente com a boca aberta, usando todo o teu poder cerebral para te lembrares de como respirar.</p>
<p>Tu tens poder de ação.</p>
<h2>Mantém estas perguntas em mente:</h2>
<p>"Que papel desempenhei eu nesta situação ou como ajudei a formar o sistema em que estou inserido?"</p>
<p>"O que posso fazer agora mesmo para começar a corrigi-lo, por mais pequeno que seja?"</p>
<p>Aqui estão alguns exemplos de como aplicar estas perguntas.</p>
<p><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F3e5c7d1c-9c90-4ba8-8a22-32bbee862f42_1000x783.jpeg" alt="A arte de ser Português on X: &quot;José Malhoa (pintor naturalista português,  1855-1933), &quot;O Remédio&quot;. Museu Nacional de Soares dos Reis, Porto.  https://t.co/o1J9nYzPpl&quot; / X"><em>José Malhoa - Remédio</em></p>
<h2>Saúde</h2>
<p>Estás com excesso de peso e cansado o tempo todo? Deprimido?</p>
<p>Começa a caminhar 30 minutos por dia. De preferência ao ar livre.</p>
<p>Pára de comer snacks.</p>
<p>Marca uma consulta com um médico para fazer análises ao sangue.</p>
<p>Todas estas coisas estão ao teu alcance.</p>
<h2>Finanças</h2>
<p>Estás a afogar-te em dívidas de cartão de crédito? Assumir responsabilidades significa reduzir drasticamente o teu consumo e iniciar um programa radical de pagamento do máximo de dívida que conseguires.</p>
<p>Obtém uma aplicação de orçamento e começa a planear.</p>
<p>Sentes-te preso no teu emprego sem futuro? Sentes que não ganhas o suficiente? Vai a entrevistas para vagas de emprego e descobre o teu verdadeiro valor no mercado.</p>
<p>Reserva 1 hora todas as noites para melhorares. A menos que já estejas a trabalhar em dois empregos, toda a gente tem pelo menos 1 hora todas as noites.</p>
<h2>Arredores imediatos</h2>
<p>Se vês algo que precisa de ser feito, simplesmente faz. Não te queixes disso. Não resmungues baixinho. Não desejes que alguém tratasse disso. Simplesmente faz e não peças permissão.</p>
<p>Guarda o carrinho de compras. Lava a caneca de café no lava-loiça. Arranca as ervas daninhas. Repara a parede. Se o quintal do teu vizinho estiver cheio de ervas, vai lá e corta a relva tu mesmo. Limpa a água do lava-loiça. Arruma a bancada. Leva o lixo para fora. Leva bom café para o escritório.</p>
<h2>Os teus filhos</h2>
<p>Muitos pais queixam-se do comportamento dos seus filhos como se não tivessem qualquer influência sobre o assunto. Mas os teus filhos farão o que tu os ensinaste a fazer.</p>
<p>"Fizemos o melhor que pudemos."</p>
<p>Não, não fizeram, e assumir responsabilidades significa admitir que foste permissivo e preguiçoso ou que querias sentir-te justo por não bater.</p>
<p>Que pequena coisa podes fazer agora mesmo para começar? Escolhe um único comportamento que queres que eles parem, senta-os e explica as consequências do comportamento. Pede desculpa por teres deixado andar durante tanto tempo.</p>
<p>Quando eles apresentarem o comportamento, aplica as consequências. Aconteça o que acontecer.</p>
<h2>Os teus relacionamentos</h2>
<p>Não tens amigos ou o teu grupo de amigos atual é uma má influência? Podes fazer novos amigos. Assumir responsabilidades significa admitir que a tua solidão é em grande parte auto-infligida.</p>
<p><strong>O que podes fazer?</strong></p>
<p>Começa a jogar ténis ou futebol. Existem ligas em todo o lado. Encontra uma boa igreja local e encontra maneiras de te envolver. Existem encontros para todo o tipo de atividade. Participa num que se alinhe com as tuas preferências. Quando estiveres em público, sorri mais e puxa conversa.</p>
<p>Depois de conheceres algumas pessoas, estabelece uma cadência regular. Agenda almoços semanais ou mensais e alterna entre algumas pessoas. Ou talvez café de manhã.</p>
<p>Não acontecerá da noite para o dia, mas dando pequenos passos consistentemente durante alguns meses e vais perceber que tens uma vida social.</p>
<h2>Os teus erros</h2>
<p>Se erraste, não te retires e escondas nem arranjes desculpas. Pede desculpa à pessoa que prejudicaste, diz-lhe porquê e oferece-te para compensar. Aceita as consequências com humildade.</p>
<p>Vais descobrir que nada te conquista mais respeito do que assumir os teus erros. Esta é a principal. Se aprenderes a fazer isto bem, cobrirá uma infinidade de pecados porque cria hábito. Mesmo que tenhas apenas 1% de culpa na situação, assumir a responsabilidade e pedir desculpa pelo teu 1% está a construir um certo grupo de músculos.</p>
<p>"Mas ele devia ter..." Pára com isso. Confiaste demasiado? Presumiste demasiado sem comunicar? Assume a responsabilidade por isso.</p>
<p>Estes exemplos podiam continuar para sempre, então vou parar e terminar com este princípio:</p>
<p>A tua resposta importa mais do que as tuas circunstâncias.</p>
<p>Existem vítimas reais, algumas de tragédias horríveis. Mas mesmo que não te tenhas atirado para areias movediças, ainda podes assumir a responsabilidade por como reages e pelo que escolhes fazer a seguir.</p>
<p>Às vezes, é agarrar numa corda de um transeunte e dizer: "Obrigado."</p>
<p>Não te afogues nas areias movediças até que alguém te dê uma palmadinha nas costas por quão difícil é para ti, e não continues a apontar para o teu tempo nas areias movediças para desculpares os teus fracassos.</p>
<p>Podes não ter escolhido uma batalha específica. Ainda podes assumir a responsabilidade por quão bem lutas a batalha. Num certo sentido, ninguém escolhe a principal batalha que enfrenta. Ninguém escolheu nascer. Ninguém escolheu a sua família. Ninguém escolheu as suas circunstâncias.</p>
<p>O mundo nunca será perfeito. Tens de assumir a responsabilidade pela tua parte dele de qualquer maneira. Pode ser difícil. Pode ser doloroso. Não te foi prometida uma vida fácil e sem dor.</p>
<p>Depois de começares a assumir responsabilidades, qual é o próximo passo?</p>
<p>Altura de assumir mais responsabilidades.</p>
<p>Por exemplo, se não tens problemas em fazer amigos e tens essa parte da tua vida resolvida, assume a responsabilidade por outra pessoa. Encontra um dos rapazes solitários na tua igreja que precisa de um amigo e adiciona-o à tua rotação de almoços.</p>
<p>A recompensa por assumir responsabilidades é subir de nível e, como consequência, as coisas devem tornar-se mais desafiantes.</p>
<p>Mas agora estás mais bem preparado para isso. Repete até morrer e, esperançosamente, a tua causa de morte será por viver e não por te queixares de não viver.</p>
]]></itunes:summary>
      
      </item>
      
      <item>
      <title><![CDATA[Será que o mal existe? ]]></title>
      <description><![CDATA[A verdadeira face do mal]]></description>
             <itunes:subtitle><![CDATA[A verdadeira face do mal]]></itunes:subtitle>
      <pubDate>Sat, 14 Dec 2024 14:05:58 GMT</pubDate>
      <link>https://tvieiragoncalves.npub.pro/post/ser-que-o-mal-existe-ttbad7/</link>
      <comments>https://tvieiragoncalves.npub.pro/post/ser-que-o-mal-existe-ttbad7/</comments>
      <guid isPermaLink="false">naddr1qqd4xetj94ch2efddukk6ctv94jhs6tnw3jj6ar5vfskgdczyz7n9ungdf04rjhq3zd9pqtpydwh485dnp3npqrvyg3nf73zkvukvqcyqqq823cmpfzdc</guid>
      <category>mal</category>
      
      <noteId>naddr1qqd4xetj94ch2efddukk6ctv94jhs6tnw3jj6ar5vfskgdczyz7n9ungdf04rjhq3zd9pqtpydwh485dnp3npqrvyg3nf73zkvukvqcyqqq823cmpfzdc</noteId>
      <npub>npub1h5e0y6r2tagu4cygnfggzcfrt4afarvcvvcgqmpzyv605g4n89nqhlf2e2</npub>
      <dc:creator><![CDATA[Tiago G]]></dc:creator>
      <content:encoded><![CDATA[<p>O título deste texto dá-nos uma pergunta retórica, isto é, uma interrogação com uma resposta evidente. Para que não restem dúvidas a resposta evidente seria, um enfático e inequívoco sim. Sim, o mal existe. Contudo, nos dias que correm muitas pessoas aparentam duvidar da existência do mal.</p>
<p>Creio que em verdade não será tanto uma dúvida sincera, porque de facto ninguém consegue sustentar uma visão de mundo sem ter alguma ideia do que é o mal. Penso que será mais uma tentativa de fazer apologética do mal, disfarçada de uma certa ingenuidade. O que quero dizer é que as pessoas que apregoam que o mal não existe sabem perfeitamente que existe, no entanto é conveniente negá-lo para que daí não decorra um julgamento sincero das suas atitudes. A definição objetiva destas coisas pode ser-nos difícil porque implica que nos vejamos de uma forma mais clara e honesta quando usamos de uma medida objetiva.</p>
<p>Ao desviarmos a atenção destes factos, tentamos de alguma forma justificar a nossa corrupção moral. Dizemos adágios populares como: “cada cabeça sua sentença”; isto para esconder um facto incontornável que é a universalidade do mal. Significa isto que o mal quando nasce é para todos, assim como o bem. Não é lógico nem racional defender que a pedofilia é um mal na nossa cultura mas que nas outras culturas não é assim tão mau. Se é um mal é-o naturalmente para a humanidade. Por outro lado defender que as leis morais são exclusivas para um determinado grupo de humanos é concorrer para a ideia de casta social ou diferença na essência do humano.</p>
<p>Um outro esquema que nos leva a considerar que o mal é relativo é o facto de ignorarmos de onde provém a definição de mal. É porventura frequente que imbuídos do espírito da democracia ocidental julguemos que a possível definição de mal vem da convenção social, ou seja, daquilo que a maior parte das pessoas acredita ser o mal. Contudo, facilmente percebemos que não é assim, que a definição de mal não provém de convenção social mas que depende de condições preternaturais. Há uma intemporalidade no mal que não depende da época ou da convenção social.</p>
<p>Penso que a analogia com a física pode ajudar-nos a perceber melhor estas realidades. Não há uma lei da gravidade diferente para a pessoa A e para a pessoa B, a lei é exatamente a mesma no entanto os corpos movem-se a diferentes velocidades e altitudes portanto sentem-na de formas diferentes.</p>
<p>No ramo da psicologia vejo infelizmente um problema sério que se pretende com a excessiva utilização da linguagem terapêutica para falar sobre o mal. É muitíssimo frequente ver uma tentativa de patologizar todos os males. Não negando que o distúrbio psíquico pode estar presente na pessoa que comete um mal, inclusive um mal grave, isso não significa que em muitos casos não haja um assentimento consciente e deliberado da pessoa àquela atitude. Esta linguagem terapêutica levam-nos por vezes a romantizar o mal, e a procurar narrativas que o tornam numa novela sentimental onde a pessoa é sempre rotulada como uma vítima das circunstâncias contextuais, basta vermos o exemplo do marxismo que assim a determina.</p>
<p>Nesta ideologia a pessoa comete crimes porque é pobre e foi vetada a uma exclusão social, como se não fosse possível à pessoa pobre seguir um caminho de retidão moral. O filme Joker ilustra bem este aspeto novelesco da romantização do mal. Neste filme a personagem principal, um psicopata degenerado, é retratado como um doente mental que procura fazer “justiça” assassinando inocentes e destruindo património. Devido à pueril noção de agência, responsabilidade individual, e livre arbítrio o mal é quase tratado como uma caminho único, como se a personagem estivesse predestinada aquele mal.</p>
<p><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F41e645b3-5423-4a82-85ef-c7f69bb2f04e_1486x821.jpeg" alt="A 'Joker' sequel? Joaquin Phoenix on the potential for more - Los Angeles  Times">&gt; <em>Joaquin Phoenix - Joker 2019</em></p>
<p>São muitos os esquemas á nossa volta que além de dissimularem o mal, tentando indicar a sua inexistência, o promovem como sendo um bem. São muitas as mensagens contraditórias que promovem o exercício da vontade humana como um imperativo moral. São também frequentes as apologias à tolerância e empatia para com o mal. Contudo, isto é absurdidade. Como teremos ordem e paz sem combater os males? Como teremos espaço para a virtude quando tudo estiver tomado pelo mal ? Precisamos de filtrar este ruido para perceber de forma mais objetiva qual é a verdadeira face do mal.      </p>
]]></content:encoded>
      <itunes:author><![CDATA[Tiago G]]></itunes:author>
      <itunes:summary><![CDATA[<p>O título deste texto dá-nos uma pergunta retórica, isto é, uma interrogação com uma resposta evidente. Para que não restem dúvidas a resposta evidente seria, um enfático e inequívoco sim. Sim, o mal existe. Contudo, nos dias que correm muitas pessoas aparentam duvidar da existência do mal.</p>
<p>Creio que em verdade não será tanto uma dúvida sincera, porque de facto ninguém consegue sustentar uma visão de mundo sem ter alguma ideia do que é o mal. Penso que será mais uma tentativa de fazer apologética do mal, disfarçada de uma certa ingenuidade. O que quero dizer é que as pessoas que apregoam que o mal não existe sabem perfeitamente que existe, no entanto é conveniente negá-lo para que daí não decorra um julgamento sincero das suas atitudes. A definição objetiva destas coisas pode ser-nos difícil porque implica que nos vejamos de uma forma mais clara e honesta quando usamos de uma medida objetiva.</p>
<p>Ao desviarmos a atenção destes factos, tentamos de alguma forma justificar a nossa corrupção moral. Dizemos adágios populares como: “cada cabeça sua sentença”; isto para esconder um facto incontornável que é a universalidade do mal. Significa isto que o mal quando nasce é para todos, assim como o bem. Não é lógico nem racional defender que a pedofilia é um mal na nossa cultura mas que nas outras culturas não é assim tão mau. Se é um mal é-o naturalmente para a humanidade. Por outro lado defender que as leis morais são exclusivas para um determinado grupo de humanos é concorrer para a ideia de casta social ou diferença na essência do humano.</p>
<p>Um outro esquema que nos leva a considerar que o mal é relativo é o facto de ignorarmos de onde provém a definição de mal. É porventura frequente que imbuídos do espírito da democracia ocidental julguemos que a possível definição de mal vem da convenção social, ou seja, daquilo que a maior parte das pessoas acredita ser o mal. Contudo, facilmente percebemos que não é assim, que a definição de mal não provém de convenção social mas que depende de condições preternaturais. Há uma intemporalidade no mal que não depende da época ou da convenção social.</p>
<p>Penso que a analogia com a física pode ajudar-nos a perceber melhor estas realidades. Não há uma lei da gravidade diferente para a pessoa A e para a pessoa B, a lei é exatamente a mesma no entanto os corpos movem-se a diferentes velocidades e altitudes portanto sentem-na de formas diferentes.</p>
<p>No ramo da psicologia vejo infelizmente um problema sério que se pretende com a excessiva utilização da linguagem terapêutica para falar sobre o mal. É muitíssimo frequente ver uma tentativa de patologizar todos os males. Não negando que o distúrbio psíquico pode estar presente na pessoa que comete um mal, inclusive um mal grave, isso não significa que em muitos casos não haja um assentimento consciente e deliberado da pessoa àquela atitude. Esta linguagem terapêutica levam-nos por vezes a romantizar o mal, e a procurar narrativas que o tornam numa novela sentimental onde a pessoa é sempre rotulada como uma vítima das circunstâncias contextuais, basta vermos o exemplo do marxismo que assim a determina.</p>
<p>Nesta ideologia a pessoa comete crimes porque é pobre e foi vetada a uma exclusão social, como se não fosse possível à pessoa pobre seguir um caminho de retidão moral. O filme Joker ilustra bem este aspeto novelesco da romantização do mal. Neste filme a personagem principal, um psicopata degenerado, é retratado como um doente mental que procura fazer “justiça” assassinando inocentes e destruindo património. Devido à pueril noção de agência, responsabilidade individual, e livre arbítrio o mal é quase tratado como uma caminho único, como se a personagem estivesse predestinada aquele mal.</p>
<p><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F41e645b3-5423-4a82-85ef-c7f69bb2f04e_1486x821.jpeg" alt="A 'Joker' sequel? Joaquin Phoenix on the potential for more - Los Angeles  Times">&gt; <em>Joaquin Phoenix - Joker 2019</em></p>
<p>São muitos os esquemas á nossa volta que além de dissimularem o mal, tentando indicar a sua inexistência, o promovem como sendo um bem. São muitas as mensagens contraditórias que promovem o exercício da vontade humana como um imperativo moral. São também frequentes as apologias à tolerância e empatia para com o mal. Contudo, isto é absurdidade. Como teremos ordem e paz sem combater os males? Como teremos espaço para a virtude quando tudo estiver tomado pelo mal ? Precisamos de filtrar este ruido para perceber de forma mais objetiva qual é a verdadeira face do mal.      </p>
]]></itunes:summary>
      
      </item>
      
      <item>
      <title><![CDATA[Ainda vale a pena constituir família ?]]></title>
      <description><![CDATA[As ilusões que se impõe no campo das relações. Problemas novos, soluções antigas.
]]></description>
             <itunes:subtitle><![CDATA[As ilusões que se impõe no campo das relações. Problemas novos, soluções antigas.
]]></itunes:subtitle>
      <pubDate>Thu, 14 Nov 2024 19:37:32 GMT</pubDate>
      <link>https://tvieiragoncalves.npub.pro/post/ainda-vale-a-pena-constituir-fam-lia-l24cey/</link>
      <comments>https://tvieiragoncalves.npub.pro/post/ainda-vale-a-pena-constituir-fam-lia-l24cey/</comments>
      <guid isPermaLink="false">naddr1qq45z6twv3sj6anpd3jj6cfdwpjkucfdvdhkuum5d96826tj94nxzmfdd35kzttvxg6xxeteqgst6vhjdp4975w2uzyf55ypvy3467573kvxxvyqds3zxd86y2enjesrqsqqqa287snyjg</guid>
      <category>psicologia</category>
      
      <noteId>naddr1qq45z6twv3sj6anpd3jj6cfdwpjkucfdvdhkuum5d96826tj94nxzmfdd35kzttvxg6xxeteqgst6vhjdp4975w2uzyf55ypvy3467573kvxxvyqds3zxd86y2enjesrqsqqqa287snyjg</noteId>
      <npub>npub1h5e0y6r2tagu4cygnfggzcfrt4afarvcvvcgqmpzyv605g4n89nqhlf2e2</npub>
      <dc:creator><![CDATA[Tiago G]]></dc:creator>
      <content:encoded><![CDATA[<p>Entristece-me ver tanto ceticismo em relação ao amor e às relações. Parece que agora é normal entrar numa determinada relação com uma data de validade e sem se entregar completamente.</p>
<p>O que observo é que não há confiança e também cada vez mais, não há um sentido de dever ou responsabilidade. Um casal que não tem noção do que é um voto sagrado e eterno não é provável que sobreviva muito tempo. Há uma volatilidade e relativismo que se impõe e fazem com que aquilo que hoje se é, amanhã possa já não ser. As promessas realizadas não passam disso, promessas que não se transformam realidades.</p>
<p>Fui alimentado, tal como o homem comum, com uma série de mentiras sobre as relações. Algumas hiper-idealistas em que não havia tensão, dor ou sacrifício, outras apenas focavam o lado hedonista, retratando as relações casuais como algo aconselhável. Enfim, as manobras de distração são muitas e as mentiras são bastante sedutoras à vista desarmada. Um exemplo disso é que nos é transmitida a ideia de que podemos adiar indefinidamente esse processo de compromisso com alguém.</p>
<p>Quando os jovens estão a ponto de iniciar a vida adulta é muito propagada a mensagem de que têm tempo, que precisam de ter experiências até assentarem com alguém. Muito sinceramente acho que esta filosofia tende a infantilizar as pessoas e a iludir porque pressupõe que essas experiências vão produzir uma aprendizagem valorosa e constata-se invariavelmente que esse não é o caso, que no caso dos homens isto quer muitas vezes dizer que têm carta branca para oportunismo sexual e nas mulheres quer dizer frequentemente que têm via aberta para uma romantização idealista e Holywoodesca, a base do amor fátuo. Por outro lado esta mensagem pressupõe também que temos tempo, no entanto a realidade é que não sabemos o tempo que temos e a janela para constituir família vai fechando paulatinamente á medida que o tempo passa.</p>
<p>É costume dizer-se popularmente que os homens enganam-se pelos olhos e as mulheres pelos ouvidos e, como referi, o oportunismo sexual e a romantização idealista são duas grandes expressões de erros populares neste domínio das relações. O homem, tomado muitas vezes pelo dose avassaladora de sensualidade que está presente na informação que vai consumindo, vai em busca de “troféus” para o seu espólio. No caso da mulher, muitas vezes movida a pelo sentimentalismo e pela enganadora “busca da felicidade” como fim último para a vida, tende a ficar permanentemente insatisfeita quando constata que a fantasia rapidamente se desmorona, resultado de se deixar guiar exclusivamente pelo sentimento e menos pela razão.</p>
<p>Depois temos ainda um outro problema que afeta os dois sexos, tanto homens como mulheres, que diz respeito à crescente indefinição do papel e identidade do homem e da mulher. Na era da suposta igualdade, estas definições tornam-se cada vez mais nebulosas e as referências que temos na televisão, desporto, cultura, ou academia são muitas vezes de homens efeminados e mulheres masculinizadas.</p>
<p>Acresce a isto ainda outros problemas, desde a normalização do divórcio e do adultério à perversão sexual, a ausência da vocação pedagógica dos pais entre muitos outros.</p>
<p>Nós crescemos com este tipo de propaganda, o casamento já não é o foco, construir uma família não é a pedra angular. O resultado é que temos muitas pessoas sem Deus, escravizadas pelos apetites hedonistas, sem capacidade de sacrifício para construir uma família decente, e a somar a isto, uma crise de fertilidade. Esta é a base de onde provêm muitos dos problemas políticos a que assistimos. É costume dizer-se popularmente que os homens enganam-se pelos olhos e as mulheres pelos ouvidos e, como referi, o oportunismo sexual e a romantização idealista são duas grandes expressões de erros populares neste domínio das relações. O homem, tomado muitas vezes pelo dose avassaladora de sensualidade que está presente na informação que vai consumindo, vai em busca de “troféus” para o seu espólio. No caso da mulher, muitas vezes movida a pelo sentimentalismo e pela enganadora “busca da felicidade” como fim último para a vida, tende a ficar permanentemente insatisfeita quando constata que a fantasia rapidamente se desmorona, resultado de se deixar guiar exclusivamente pelo sentimento e menos pela razão.</p>
<p>Depois temos ainda um outro problema que afeta os dois sexos, tanto homens como mulheres, que diz respeito à crescente indefinição do papel e identidade do homem e da mulher. Na era da suposta igualdade, estas definições tornam-se cada vez mais nebulosas e as referências que temos na televisão, desporto, cultura, ou academia são muitas vezes de homens efeminados e mulheres masculinizadas.</p>
<p>Acresce a isto ainda outros problemas, desde a normalização do divórcio e do adultério à perversão sexual, a ausência da vocação pedagógica dos pais entre muitos outros.</p>
<p>Nós crescemos com este tipo de propaganda, o casamento já não é o foco, construir uma família não é a pedra angular. O resultado é que temos muitas pessoas sem Deus, escravizadas pelos apetites hedonistas, sem capacidade de sacrifício para construir uma família decente, e a somar a isto, uma crise de fertilidade. Esta é a base de onde provêm muitos dos problemas políticos a que assistimos.</p>
<p><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F1abac105-7e36-443f-a342-a0845aa45758_512x665.jpeg" alt="undefined"><em>Holy Family - Collinson</em></p>
<p>Precisamos de começar a construir famílias para conseguirmos algum tipo de coesão social. Tal como Aristóteles definia, o país é um conjunto de famílias, portanto o nosso sucesso coletivo enquanto país depende da capacidade para construir e orientar devidamente as famílias.</p>
]]></content:encoded>
      <itunes:author><![CDATA[Tiago G]]></itunes:author>
      <itunes:summary><![CDATA[<p>Entristece-me ver tanto ceticismo em relação ao amor e às relações. Parece que agora é normal entrar numa determinada relação com uma data de validade e sem se entregar completamente.</p>
<p>O que observo é que não há confiança e também cada vez mais, não há um sentido de dever ou responsabilidade. Um casal que não tem noção do que é um voto sagrado e eterno não é provável que sobreviva muito tempo. Há uma volatilidade e relativismo que se impõe e fazem com que aquilo que hoje se é, amanhã possa já não ser. As promessas realizadas não passam disso, promessas que não se transformam realidades.</p>
<p>Fui alimentado, tal como o homem comum, com uma série de mentiras sobre as relações. Algumas hiper-idealistas em que não havia tensão, dor ou sacrifício, outras apenas focavam o lado hedonista, retratando as relações casuais como algo aconselhável. Enfim, as manobras de distração são muitas e as mentiras são bastante sedutoras à vista desarmada. Um exemplo disso é que nos é transmitida a ideia de que podemos adiar indefinidamente esse processo de compromisso com alguém.</p>
<p>Quando os jovens estão a ponto de iniciar a vida adulta é muito propagada a mensagem de que têm tempo, que precisam de ter experiências até assentarem com alguém. Muito sinceramente acho que esta filosofia tende a infantilizar as pessoas e a iludir porque pressupõe que essas experiências vão produzir uma aprendizagem valorosa e constata-se invariavelmente que esse não é o caso, que no caso dos homens isto quer muitas vezes dizer que têm carta branca para oportunismo sexual e nas mulheres quer dizer frequentemente que têm via aberta para uma romantização idealista e Holywoodesca, a base do amor fátuo. Por outro lado esta mensagem pressupõe também que temos tempo, no entanto a realidade é que não sabemos o tempo que temos e a janela para constituir família vai fechando paulatinamente á medida que o tempo passa.</p>
<p>É costume dizer-se popularmente que os homens enganam-se pelos olhos e as mulheres pelos ouvidos e, como referi, o oportunismo sexual e a romantização idealista são duas grandes expressões de erros populares neste domínio das relações. O homem, tomado muitas vezes pelo dose avassaladora de sensualidade que está presente na informação que vai consumindo, vai em busca de “troféus” para o seu espólio. No caso da mulher, muitas vezes movida a pelo sentimentalismo e pela enganadora “busca da felicidade” como fim último para a vida, tende a ficar permanentemente insatisfeita quando constata que a fantasia rapidamente se desmorona, resultado de se deixar guiar exclusivamente pelo sentimento e menos pela razão.</p>
<p>Depois temos ainda um outro problema que afeta os dois sexos, tanto homens como mulheres, que diz respeito à crescente indefinição do papel e identidade do homem e da mulher. Na era da suposta igualdade, estas definições tornam-se cada vez mais nebulosas e as referências que temos na televisão, desporto, cultura, ou academia são muitas vezes de homens efeminados e mulheres masculinizadas.</p>
<p>Acresce a isto ainda outros problemas, desde a normalização do divórcio e do adultério à perversão sexual, a ausência da vocação pedagógica dos pais entre muitos outros.</p>
<p>Nós crescemos com este tipo de propaganda, o casamento já não é o foco, construir uma família não é a pedra angular. O resultado é que temos muitas pessoas sem Deus, escravizadas pelos apetites hedonistas, sem capacidade de sacrifício para construir uma família decente, e a somar a isto, uma crise de fertilidade. Esta é a base de onde provêm muitos dos problemas políticos a que assistimos. É costume dizer-se popularmente que os homens enganam-se pelos olhos e as mulheres pelos ouvidos e, como referi, o oportunismo sexual e a romantização idealista são duas grandes expressões de erros populares neste domínio das relações. O homem, tomado muitas vezes pelo dose avassaladora de sensualidade que está presente na informação que vai consumindo, vai em busca de “troféus” para o seu espólio. No caso da mulher, muitas vezes movida a pelo sentimentalismo e pela enganadora “busca da felicidade” como fim último para a vida, tende a ficar permanentemente insatisfeita quando constata que a fantasia rapidamente se desmorona, resultado de se deixar guiar exclusivamente pelo sentimento e menos pela razão.</p>
<p>Depois temos ainda um outro problema que afeta os dois sexos, tanto homens como mulheres, que diz respeito à crescente indefinição do papel e identidade do homem e da mulher. Na era da suposta igualdade, estas definições tornam-se cada vez mais nebulosas e as referências que temos na televisão, desporto, cultura, ou academia são muitas vezes de homens efeminados e mulheres masculinizadas.</p>
<p>Acresce a isto ainda outros problemas, desde a normalização do divórcio e do adultério à perversão sexual, a ausência da vocação pedagógica dos pais entre muitos outros.</p>
<p>Nós crescemos com este tipo de propaganda, o casamento já não é o foco, construir uma família não é a pedra angular. O resultado é que temos muitas pessoas sem Deus, escravizadas pelos apetites hedonistas, sem capacidade de sacrifício para construir uma família decente, e a somar a isto, uma crise de fertilidade. Esta é a base de onde provêm muitos dos problemas políticos a que assistimos.</p>
<p><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F1abac105-7e36-443f-a342-a0845aa45758_512x665.jpeg" alt="undefined"><em>Holy Family - Collinson</em></p>
<p>Precisamos de começar a construir famílias para conseguirmos algum tipo de coesão social. Tal como Aristóteles definia, o país é um conjunto de famílias, portanto o nosso sucesso coletivo enquanto país depende da capacidade para construir e orientar devidamente as famílias.</p>
]]></itunes:summary>
      
      </item>
      
      <item>
      <title><![CDATA[Quando o vício é celebrado como virtude]]></title>
      <description><![CDATA[A inversão dos valores e a destruição da tradição]]></description>
             <itunes:subtitle><![CDATA[A inversão dos valores e a destruição da tradição]]></itunes:subtitle>
      <pubDate>Thu, 24 Oct 2024 17:57:26 GMT</pubDate>
      <link>https://tvieiragoncalves.npub.pro/post/quando-o-v-cio-celebrado-como-virtude-k4qyli/</link>
      <comments>https://tvieiragoncalves.npub.pro/post/quando-o-v-cio-celebrado-como-virtude-k4qyli/</comments>
      <guid isPermaLink="false">naddr1qqk9zatpdejx7tt094mz6cmfdukkxetvv438yctydukkxmmddukhv6tjw36kgefddv68z7tvdypzp0fj7f5x5h63etsg3xjss9sjxht6n6xescesspkzyge5lg3txwtxqvzqqqr4gusn57dh</guid>
      <category>psicologia</category>
      
        <media:content url="https://blossom.primal.net/ab02ae3a56db03977da1fc9a34ff7aaa380204ebeacb1eeafa39cfe8db39765a.webp" medium="image"/>
        <enclosure 
          url="https://blossom.primal.net/ab02ae3a56db03977da1fc9a34ff7aaa380204ebeacb1eeafa39cfe8db39765a.webp" length="0" 
          type="image/webp" 
        />
      <noteId>naddr1qqk9zatpdejx7tt094mz6cmfdukkxetvv438yctydukkxmmddukhv6tjw36kgefddv68z7tvdypzp0fj7f5x5h63etsg3xjss9sjxht6n6xescesspkzyge5lg3txwtxqvzqqqr4gusn57dh</noteId>
      <npub>npub1h5e0y6r2tagu4cygnfggzcfrt4afarvcvvcgqmpzyv605g4n89nqhlf2e2</npub>
      <dc:creator><![CDATA[Tiago G]]></dc:creator>
      <content:encoded><![CDATA[<p>A atualidade acostumou-nos a uma lânguida linguagem devido à cultura do politicamente correto e ao crescente relativismo em que vivemos. A confusão é tanta que já não se chamam os bois pelos nomes e este ambiente faz com que inclusive desconheçamos o significado das palavras. A este respeito temos visto cada vez mais indefinição sobre o que são os vícios e sobre o que são as virtudes. Tal é a confusão que por vezes trocamos o significado de uns pelos outros.</p>
<p>A coragem e a convicção facilmente passam por orgulho e arrogância, a castidade passa por beatice e por aí segue a confusão com muitos outros termos.</p>
<p>A inversão de valores é tão disseminada que atrocidades como a pornografia, o aborto, o adultério entre outras atrocidades são celebrados como conquistas civilizacionais. A sua disseminação é de tal forma que hoje a pessoa média já banalizou e normalizou completamente estes aspectos. </p>
<blockquote>
<p>“Primeiro estranha-se depois entranha-se.”</p>
<p><em><strong>Fernando Pessoa</strong></em></p>
</blockquote>
<p>Enquanto isto acontece por um lado, por outro a defesa da família, da identidade e da tradição são abertamente atacadas como se se tratassem de produtos de uma cultura opressora que deve ser combatida por todos os meios. Por agora a perseguição destas ideias é ainda maioritariamente realizada através da exclusão social e económica, no entanto, não são escassos os exemplos da história em que essa perseguição assume uma outra dimensão.</p>
<p>Desta forma, está criado um paradigma e um sistema de incentivos que premeia a pessoa que colabora com o sistema vigente. Tanto é assim que se multiplicam cada vez mais os exemplos de programas de quotas e subvenções que permitem, a quem possui um grau mais avançado de assimilação ideológica progredir socialmente atalhando o caminho para o fazer. </p>
<blockquote>
<p>“Assim, toda a árvore boa produz bons frutos, porém a árvore má produz frutos maus. Não pode a árvore boa produzir frutos maus, nem a árvore má produzir frutos bons (…)”</p>
<p>Mateus 7:17-18“Assim, toda a árvore boa produz bons frutos, porém a árvore má produz frutos maus. Não pode a árvore boa produzir frutos maus, nem a árvore má produzir frutos bons (…)”</p>
</blockquote>
<p>*&gt; <em>Mateus 7:17-18</em></p>
<p>Desengane-se quem pensa que no paradigma pos-moderno não há moralização, sacerdotes e uma matriz religiosa, tudo isso existe.</p>
<p>Os psicólogos, para mal da nossa sociedade, são crescentemente os sacerdotes desta religião pagã, aquela que baseada numa filosofia e antropologia erradas vai corrompendo intelecto e coração.</p>
<p><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F3c8a9521-ca07-442c-87fb-00d4b06723b3_1068x392.png" alt=""></p>
<p>Nesta nova ordem social, que em abono da verdade é já antiga, a inversão de valores é tal que já a própria vida humana é sacrificada no altar do clima em abono da “mãe” natureza. Regredimos ao tribalismo que nos sugere que a natureza vale mais que a vida humana.</p>
<p>Este é apenas um exemplo dos rituais de sacrifício proporcionados pela “nova” religião. Um outro exemplo que podemos dar é o da castração química e física de crianças e jovens no altar da falsa compaixão e empatia. Ainda um outro exemplo que podemos dar é o da promoção do homossexualismo, do transexualismo e da não-monogamia como caminhos saudáveis a seguir, sacrificando a vida de muitos jovens confusos no altar da inclusão. Muitos mais exemplos poderiam ser dados, porque à medida que esta “nova” religião aumenta a sua ortodoxia os rituais vão ficando cada vez mais assombrosos.</p>
<p>Estes rituais têm por base uma apologia ao <em>anti logos</em>, quer isto dizer que procuram negar tudo o que é conhecimento básico sobre a realidade e sobre a verdade. A própria razão e lógica não se sustentam quando vemos situações como a de homens a competir em desportos femininos. As leis desta nova ordem são: “procura a felicidade (aqui muitas vezes entendida como o prazer) como fim último da vida “; “todas as opiniões são certas e não há uma verdade”; “Não servirás a nenhuma autoridade”; “não seguir o vício é opressão e seguir o vício é liberdade”.</p>
<p>Neste ambiente inóspito, quem quiser preservar a honra e a virtude terá cada vez mais dificuldade uma vez que a dissidência desta nova religião não é aplaudida, pelo contrário é anatematizada. Porém, importa dizer que independentemente da época há sempre espaço para o heroísmo e para a transformação destas dificuldades em degraus para que o indivíduo se possa distinguir dos demais pelas suas virtudes. Onde o vício abunda também maior o destaque será em relação à graça, como uma pedra preciosa reluzente no meio da lama que aparenta brilhar mais intensamente aos nossos olhos tal é o contraste, ou como uma luz na escuridão que se distingue facilmente. </p>
<p><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F2bbf396c-d153-410c-8202-c5da879edfb7_412x534.jpeg" alt="">###### <em>Casper David Friedrich - dreaming man in church ruins</em>   </p>
]]></content:encoded>
      <itunes:author><![CDATA[Tiago G]]></itunes:author>
      <itunes:summary><![CDATA[<p>A atualidade acostumou-nos a uma lânguida linguagem devido à cultura do politicamente correto e ao crescente relativismo em que vivemos. A confusão é tanta que já não se chamam os bois pelos nomes e este ambiente faz com que inclusive desconheçamos o significado das palavras. A este respeito temos visto cada vez mais indefinição sobre o que são os vícios e sobre o que são as virtudes. Tal é a confusão que por vezes trocamos o significado de uns pelos outros.</p>
<p>A coragem e a convicção facilmente passam por orgulho e arrogância, a castidade passa por beatice e por aí segue a confusão com muitos outros termos.</p>
<p>A inversão de valores é tão disseminada que atrocidades como a pornografia, o aborto, o adultério entre outras atrocidades são celebrados como conquistas civilizacionais. A sua disseminação é de tal forma que hoje a pessoa média já banalizou e normalizou completamente estes aspectos. </p>
<blockquote>
<p>“Primeiro estranha-se depois entranha-se.”</p>
<p><em><strong>Fernando Pessoa</strong></em></p>
</blockquote>
<p>Enquanto isto acontece por um lado, por outro a defesa da família, da identidade e da tradição são abertamente atacadas como se se tratassem de produtos de uma cultura opressora que deve ser combatida por todos os meios. Por agora a perseguição destas ideias é ainda maioritariamente realizada através da exclusão social e económica, no entanto, não são escassos os exemplos da história em que essa perseguição assume uma outra dimensão.</p>
<p>Desta forma, está criado um paradigma e um sistema de incentivos que premeia a pessoa que colabora com o sistema vigente. Tanto é assim que se multiplicam cada vez mais os exemplos de programas de quotas e subvenções que permitem, a quem possui um grau mais avançado de assimilação ideológica progredir socialmente atalhando o caminho para o fazer. </p>
<blockquote>
<p>“Assim, toda a árvore boa produz bons frutos, porém a árvore má produz frutos maus. Não pode a árvore boa produzir frutos maus, nem a árvore má produzir frutos bons (…)”</p>
<p>Mateus 7:17-18“Assim, toda a árvore boa produz bons frutos, porém a árvore má produz frutos maus. Não pode a árvore boa produzir frutos maus, nem a árvore má produzir frutos bons (…)”</p>
</blockquote>
<p>*&gt; <em>Mateus 7:17-18</em></p>
<p>Desengane-se quem pensa que no paradigma pos-moderno não há moralização, sacerdotes e uma matriz religiosa, tudo isso existe.</p>
<p>Os psicólogos, para mal da nossa sociedade, são crescentemente os sacerdotes desta religião pagã, aquela que baseada numa filosofia e antropologia erradas vai corrompendo intelecto e coração.</p>
<p><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F3c8a9521-ca07-442c-87fb-00d4b06723b3_1068x392.png" alt=""></p>
<p>Nesta nova ordem social, que em abono da verdade é já antiga, a inversão de valores é tal que já a própria vida humana é sacrificada no altar do clima em abono da “mãe” natureza. Regredimos ao tribalismo que nos sugere que a natureza vale mais que a vida humana.</p>
<p>Este é apenas um exemplo dos rituais de sacrifício proporcionados pela “nova” religião. Um outro exemplo que podemos dar é o da castração química e física de crianças e jovens no altar da falsa compaixão e empatia. Ainda um outro exemplo que podemos dar é o da promoção do homossexualismo, do transexualismo e da não-monogamia como caminhos saudáveis a seguir, sacrificando a vida de muitos jovens confusos no altar da inclusão. Muitos mais exemplos poderiam ser dados, porque à medida que esta “nova” religião aumenta a sua ortodoxia os rituais vão ficando cada vez mais assombrosos.</p>
<p>Estes rituais têm por base uma apologia ao <em>anti logos</em>, quer isto dizer que procuram negar tudo o que é conhecimento básico sobre a realidade e sobre a verdade. A própria razão e lógica não se sustentam quando vemos situações como a de homens a competir em desportos femininos. As leis desta nova ordem são: “procura a felicidade (aqui muitas vezes entendida como o prazer) como fim último da vida “; “todas as opiniões são certas e não há uma verdade”; “Não servirás a nenhuma autoridade”; “não seguir o vício é opressão e seguir o vício é liberdade”.</p>
<p>Neste ambiente inóspito, quem quiser preservar a honra e a virtude terá cada vez mais dificuldade uma vez que a dissidência desta nova religião não é aplaudida, pelo contrário é anatematizada. Porém, importa dizer que independentemente da época há sempre espaço para o heroísmo e para a transformação destas dificuldades em degraus para que o indivíduo se possa distinguir dos demais pelas suas virtudes. Onde o vício abunda também maior o destaque será em relação à graça, como uma pedra preciosa reluzente no meio da lama que aparenta brilhar mais intensamente aos nossos olhos tal é o contraste, ou como uma luz na escuridão que se distingue facilmente. </p>
<p><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F2bbf396c-d153-410c-8202-c5da879edfb7_412x534.jpeg" alt="">###### <em>Casper David Friedrich - dreaming man in church ruins</em>   </p>
]]></itunes:summary>
      <itunes:image href="https://blossom.primal.net/ab02ae3a56db03977da1fc9a34ff7aaa380204ebeacb1eeafa39cfe8db39765a.webp"/>
      </item>
      
      <item>
      <title><![CDATA[Decidir para Maximizar o Valor]]></title>
      <description><![CDATA[O Custo de Oportunidade, a Morte e a Preferência Temporal
]]></description>
             <itunes:subtitle><![CDATA[O Custo de Oportunidade, a Morte e a Preferência Temporal
]]></itunes:subtitle>
      <pubDate>Wed, 02 Oct 2024 17:28:12 GMT</pubDate>
      <link>https://tvieiragoncalves.npub.pro/post/decidir-para-maximizar-o-valor-s2l03b/</link>
      <comments>https://tvieiragoncalves.npub.pro/post/decidir-para-maximizar-o-valor-s2l03b/</comments>
      <guid isPermaLink="false">naddr1qqj5getrd9jxju3dwpshycfdf4shs6tdd9axzu3dduk4vctvdaez6uejdscrxcszyz7n9ungdf04rjhq3zd9pqtpydwh485dnp3npqrvyg3nf73zkvukvqcyqqq823c4zdq0z</guid>
      <category>psicologia</category>
      
        <media:content url="https://blossom.primal.net/81cb3cd4409302c2ec08f3790d91c1dcf34125b26cf9ef0f78a821aaaf6edda4.webp" medium="image"/>
        <enclosure 
          url="https://blossom.primal.net/81cb3cd4409302c2ec08f3790d91c1dcf34125b26cf9ef0f78a821aaaf6edda4.webp" length="0" 
          type="image/webp" 
        />
      <noteId>naddr1qqj5getrd9jxju3dwpshycfdf4shs6tdd9axzu3dduk4vctvdaez6uejdscrxcszyz7n9ungdf04rjhq3zd9pqtpydwh485dnp3npqrvyg3nf73zkvukvqcyqqq823c4zdq0z</noteId>
      <npub>npub1h5e0y6r2tagu4cygnfggzcfrt4afarvcvvcgqmpzyv605g4n89nqhlf2e2</npub>
      <dc:creator><![CDATA[Tiago G]]></dc:creator>
      <content:encoded><![CDATA[<p>A escolha de algo implica abdicar de uma outra coisa. Quando investimos num determinado item vamos ter custos associados a essa decisão, no entanto a melhor forma de pensar nesses custos não será apenas dinheiro que possamos estar a investir mas em todas as possibilidades de que abdicamos para que possamos investir nesse item.</p>
<p>Suponhamos o seguinte cenário, um milionário decide dar uma esmola a um mendigo no valor de 10€, nesse mesmo dia um pobre passa no mesmo local onde está o mendigo e tendo apenas 10 € na carteira decide dar tudo ao mendigo. Apesar de em termos nominais se tratar da mesma quantia facilmente percebemos que o custo de oportunidade é significativamente diferente para o pobre e para o milionário. Esta aferição do custo de oportunidade superior coloca-nos interessantes questões no que diz respeito às razões particulares que levaram a pessoa a tomar a decisão. É lógico esperar que aquele que incorre no maior custo de oportunidade tem uma forte razão para tomar determinada decisão.</p>
<p>Importante também é esta ideia de que priorizamos umas coisas em detrimento de outras, o pobre pode ter ficado sem almoço ao dar todo o dinheiro que lhe restava, caso fosse assim ele de facto priorizou o donativo ao alimentar-se naquela circunstância.</p>
<p>Quando temos 100€ e temos de escolher entre dois produtos de igual preço (100€ cada um), em condições normais vamos escolher o mais importante para nós, isto é o mais valioso. Estas decisões acontecem partindo do pressuposto que o nosso objetivo é maximizar o valor (aqui entendido subjetivamente). Este tipo de decisões têm ainda um outro fator chave, determinante na priorização das decisões: o tempo.</p>
<p>Sendo um recurso escasso, o tempo cria um incentivo natural para a tomada de decisão dado que não podemos diferir a decisão eternamente. Pensando no exemplo concreto da escolha entre dos produtos referidos sabemos que os produtos não estarão sempre disponíveis, dado que a loja pode fechar e além disso a disponibilidade dos produtos poderá estar condicionada caso o produto seja arrebatado por outra pessoa. Este aspecto implica na nossa decisão na medida em que, quando conscientes disto, temos que tomar uma decisão.</p>
<p>Os <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Estoicismo">estoicos </a>e os religiosos repetem muitas vezes a expressão, <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Memento_mori"><em>memento mori</em></a><em>,</em> que significa: “lembra-te que morrerás”. Esta frase pungente serve como um despertador existencial, que nos recorda que este tempo acabará. O facto de lembrarmos da morte acorda-nos para aquilo que devemos priorizar, algo frequente ver-se por exemplo em pessoas que vivem situações traumáticas. Quando ultrapassadas as situações traumáticas, o resultado muitas vezes orienta as pessoas para uma redefinição das prioridades de vida, chamamos a isto o crescimento pós-traumático.</p>
<p><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fcb05b19e-c319-42b9-92e3-3df38d335aed_397x599.jpeg" alt="Capela dos Ossos da Igreja de São Francisco em Évora">&gt; “Nos ossos que aqui estamos pelos vossos esperamos” Inscrição numa das portas da Igreja de São Francisco em Évora (Capela dos ossos)</p>
<p>Além deste aspeto o tempo influi também de numa outra questão, na preferência temporal. Este conceito diz respeito à nossa capacidade ou incapacidade em diferir a nossa gratificação, ou seja, se somos propensos à gratificação imediata dos nossos desejos ou se sacrificamos o presente com o intuito de obter uma recompensa maior no futuro. Este conceito ficou bem ilustrado no famoso <a href="https://www.youtube.com/watch?v=OKNu1qjgXaA">teste marshmallow</a> em que um grupo de crianças escolhidas por psicólogos tinham de escolher entre comer um marshmallow no imediato, ou esperar cinco minutos numa sala, tendo o marshmallow à sua frente sem o comer e assim receber o segundo.</p>
<p>No caso das crianças que esperaram podemos concluir uma preferência temporal baixa, ao passo que os que decidiram comer de imediato o marshmallow revelam uma elevada preferência temporal. Para concluir esta ideia de que a preferência temporal influencia na toma de decisão diga-se, as crianças com mais baixa preferência temporal revelam: melhores competências sociais, melhor resposta ao stress, menor probabilidade de obesidade; tendo sido isto concluído em <a href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/3367285/">estudos feitos à posteriori </a>neste grupo.</p>
<p>Olhando para estes exemplos podemos ver o quão determinantes estas questões são na forma como tomamos as decisões e estruturamos a nossa hierarquia de valor para que possamos aferir de forma mais exata qual a estratégia que nos permite maximizar este valor. Daqui penso que podemos facilmente perceber que a preferência temporal baixa e o custo de oportunidade elevado são marcadores importantes de que nos podemos estar a mover mais em direção a algo que valorizamos e é importante para nós. Atrevo-me a dizer que se não arriscamos nada, talvez aquilo que temos entre mãos não seja assim tão valioso. A maximização do risco é também a maximização do benefício, contudo isto deve sempre ser temperado pela baixa preferência temporal porque a decisão deve sustentar-se ao teste do tempo, idealmente ser algo que resiste mais à erosão que o tempo impõe àquilo que foi objeto da nossa decisão.</p>
<p>Estes aspetos podem estar presentes quer nas decisões mais triviais como referia, decisões de consumo de bens mas também estão presentes noutras decisões como por exemplo: que tipo de relações procuramos com os outros, se mantemos ou não uma prática religiosa, se somos capazes ou não de negar as nossas vontades e impor a disciplina de procurar a excelência nas virtudes. Tudo isto será influenciado por estes aspetos e sendo conscientes destes mecanismos podemos então traçar um perfil mais ajustado à maximização do valor, não só no presente como no futuro.</p>
<p><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F303f3acb-04dd-437d-a2cc-a39e5b78a19f_850x400.jpeg" alt="Thomas a Kempis quote: So passes away the glory of this world. ('Sic transit ..."></p>
]]></content:encoded>
      <itunes:author><![CDATA[Tiago G]]></itunes:author>
      <itunes:summary><![CDATA[<p>A escolha de algo implica abdicar de uma outra coisa. Quando investimos num determinado item vamos ter custos associados a essa decisão, no entanto a melhor forma de pensar nesses custos não será apenas dinheiro que possamos estar a investir mas em todas as possibilidades de que abdicamos para que possamos investir nesse item.</p>
<p>Suponhamos o seguinte cenário, um milionário decide dar uma esmola a um mendigo no valor de 10€, nesse mesmo dia um pobre passa no mesmo local onde está o mendigo e tendo apenas 10 € na carteira decide dar tudo ao mendigo. Apesar de em termos nominais se tratar da mesma quantia facilmente percebemos que o custo de oportunidade é significativamente diferente para o pobre e para o milionário. Esta aferição do custo de oportunidade superior coloca-nos interessantes questões no que diz respeito às razões particulares que levaram a pessoa a tomar a decisão. É lógico esperar que aquele que incorre no maior custo de oportunidade tem uma forte razão para tomar determinada decisão.</p>
<p>Importante também é esta ideia de que priorizamos umas coisas em detrimento de outras, o pobre pode ter ficado sem almoço ao dar todo o dinheiro que lhe restava, caso fosse assim ele de facto priorizou o donativo ao alimentar-se naquela circunstância.</p>
<p>Quando temos 100€ e temos de escolher entre dois produtos de igual preço (100€ cada um), em condições normais vamos escolher o mais importante para nós, isto é o mais valioso. Estas decisões acontecem partindo do pressuposto que o nosso objetivo é maximizar o valor (aqui entendido subjetivamente). Este tipo de decisões têm ainda um outro fator chave, determinante na priorização das decisões: o tempo.</p>
<p>Sendo um recurso escasso, o tempo cria um incentivo natural para a tomada de decisão dado que não podemos diferir a decisão eternamente. Pensando no exemplo concreto da escolha entre dos produtos referidos sabemos que os produtos não estarão sempre disponíveis, dado que a loja pode fechar e além disso a disponibilidade dos produtos poderá estar condicionada caso o produto seja arrebatado por outra pessoa. Este aspecto implica na nossa decisão na medida em que, quando conscientes disto, temos que tomar uma decisão.</p>
<p>Os <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Estoicismo">estoicos </a>e os religiosos repetem muitas vezes a expressão, <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Memento_mori"><em>memento mori</em></a><em>,</em> que significa: “lembra-te que morrerás”. Esta frase pungente serve como um despertador existencial, que nos recorda que este tempo acabará. O facto de lembrarmos da morte acorda-nos para aquilo que devemos priorizar, algo frequente ver-se por exemplo em pessoas que vivem situações traumáticas. Quando ultrapassadas as situações traumáticas, o resultado muitas vezes orienta as pessoas para uma redefinição das prioridades de vida, chamamos a isto o crescimento pós-traumático.</p>
<p><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fcb05b19e-c319-42b9-92e3-3df38d335aed_397x599.jpeg" alt="Capela dos Ossos da Igreja de São Francisco em Évora">&gt; “Nos ossos que aqui estamos pelos vossos esperamos” Inscrição numa das portas da Igreja de São Francisco em Évora (Capela dos ossos)</p>
<p>Além deste aspeto o tempo influi também de numa outra questão, na preferência temporal. Este conceito diz respeito à nossa capacidade ou incapacidade em diferir a nossa gratificação, ou seja, se somos propensos à gratificação imediata dos nossos desejos ou se sacrificamos o presente com o intuito de obter uma recompensa maior no futuro. Este conceito ficou bem ilustrado no famoso <a href="https://www.youtube.com/watch?v=OKNu1qjgXaA">teste marshmallow</a> em que um grupo de crianças escolhidas por psicólogos tinham de escolher entre comer um marshmallow no imediato, ou esperar cinco minutos numa sala, tendo o marshmallow à sua frente sem o comer e assim receber o segundo.</p>
<p>No caso das crianças que esperaram podemos concluir uma preferência temporal baixa, ao passo que os que decidiram comer de imediato o marshmallow revelam uma elevada preferência temporal. Para concluir esta ideia de que a preferência temporal influencia na toma de decisão diga-se, as crianças com mais baixa preferência temporal revelam: melhores competências sociais, melhor resposta ao stress, menor probabilidade de obesidade; tendo sido isto concluído em <a href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/3367285/">estudos feitos à posteriori </a>neste grupo.</p>
<p>Olhando para estes exemplos podemos ver o quão determinantes estas questões são na forma como tomamos as decisões e estruturamos a nossa hierarquia de valor para que possamos aferir de forma mais exata qual a estratégia que nos permite maximizar este valor. Daqui penso que podemos facilmente perceber que a preferência temporal baixa e o custo de oportunidade elevado são marcadores importantes de que nos podemos estar a mover mais em direção a algo que valorizamos e é importante para nós. Atrevo-me a dizer que se não arriscamos nada, talvez aquilo que temos entre mãos não seja assim tão valioso. A maximização do risco é também a maximização do benefício, contudo isto deve sempre ser temperado pela baixa preferência temporal porque a decisão deve sustentar-se ao teste do tempo, idealmente ser algo que resiste mais à erosão que o tempo impõe àquilo que foi objeto da nossa decisão.</p>
<p>Estes aspetos podem estar presentes quer nas decisões mais triviais como referia, decisões de consumo de bens mas também estão presentes noutras decisões como por exemplo: que tipo de relações procuramos com os outros, se mantemos ou não uma prática religiosa, se somos capazes ou não de negar as nossas vontades e impor a disciplina de procurar a excelência nas virtudes. Tudo isto será influenciado por estes aspetos e sendo conscientes destes mecanismos podemos então traçar um perfil mais ajustado à maximização do valor, não só no presente como no futuro.</p>
<p><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F303f3acb-04dd-437d-a2cc-a39e5b78a19f_850x400.jpeg" alt="Thomas a Kempis quote: So passes away the glory of this world. ('Sic transit ..."></p>
]]></itunes:summary>
      <itunes:image href="https://blossom.primal.net/81cb3cd4409302c2ec08f3790d91c1dcf34125b26cf9ef0f78a821aaaf6edda4.webp"/>
      </item>
      
      <item>
      <title><![CDATA[O Relativismo - A semente gnóstica e a destruição do valor objetivo]]></title>
      <description><![CDATA[Tower of babel]]></description>
             <itunes:subtitle><![CDATA[Tower of babel]]></itunes:subtitle>
      <pubDate>Tue, 09 Apr 2024 08:39:51 GMT</pubDate>
      <link>https://tvieiragoncalves.npub.pro/post/o-relativismo-a-semente-gn-stica-e-a-destrui-o-do-valor-objetivo-jmygny/</link>
      <comments>https://tvieiragoncalves.npub.pro/post/o-relativismo-a-semente-gn-stica-e-a-destrui-o-do-valor-objetivo-jmygny/</comments>
      <guid isPermaLink="false">naddr1qpr57t2jv4kxzarfwe5hxmt094qj6um9d4jkuar994nkuttnw35kxcfdv5kkzttyv4ehgun4dykk7ttydukhvctvdaez6mmzdfjhg6tkdukk5mtevah8jq3qh5e0y6r2tagu4cygnfggzcfrt4afarvcvvcgqmpzyv605g4n89nqxpqqqp65w7dvwkt</guid>
      <category>babylon</category>
      
        <media:content url="https://image.nostr.build/795637600bdad15acb6064e3be57a193fc17efae1ebadcd3471810186fe00eeb.jpg" medium="image"/>
        <enclosure 
          url="https://image.nostr.build/795637600bdad15acb6064e3be57a193fc17efae1ebadcd3471810186fe00eeb.jpg" length="0" 
          type="image/jpeg" 
        />
      <noteId>naddr1qpr57t2jv4kxzarfwe5hxmt094qj6um9d4jkuar994nkuttnw35kxcfdv5kkzttyv4ehgun4dykk7ttydukhvctvdaez6mmzdfjhg6tkdukk5mtevah8jq3qh5e0y6r2tagu4cygnfggzcfrt4afarvcvvcgqmpzyv605g4n89nqxpqqqp65w7dvwkt</noteId>
      <npub>npub1h5e0y6r2tagu4cygnfggzcfrt4afarvcvvcgqmpzyv605g4n89nqhlf2e2</npub>
      <dc:creator><![CDATA[Tiago G]]></dc:creator>
      <content:encoded><![CDATA[<p>O pensamento modernista/progressista que predomina na sociedade actual adere de forma comprometida a uma tese filosófica que pretende redefinir a realidade, o relativismo. Segundo esta tese a realidade é definida de forma subjectiva, ou seja, está pendente das circunstâncias, pessoas, momento. e motivação. Assim a percepção é nada mais nada menos que a co-construção da realidade colocando o ser humano como uma espécie de Deus (Demiurgo), isto é como entidade criadora da realidade. Além dos problemas morais que esta hipótese levanta, há ainda problemas da ordem da racionalidade e da lógica que são incompatíveis com esta ideia. Uma ideia central que invalida fundamentalmente esta tese é a de que desta forma deixa de existir uma realidade objetiva. Neste caso cada indivíduo poderia avançar com a “sua” interpretação do real, independentemente de esta ser falsa ou verdadeira. O dogma do relativismo é a de que todos as leituras são válidas, portanto deixa de existir uma matriz unificadora, isto é deixa de existir dogma e sem dogma não há uma verdade, há apenas interpretações da realidade que estão sujeitas aos vícios e fragilidades de cada intérprete.</p>
<p>Se em Portugal cada pessoa tivesse a sua própria língua, a que inventou, tornar-se-ia impossível comunicar pois não teríamos as mesmas referências fonéticas, semânticas. e sintáticas. Tal como na torre de Babel não teríamos a capacidade de nos compreendermos mutuamente. É pois isto que se passa no relativismo. Nesta ideologia perdemos a narrativa agregadora que clarifica as finalidades comuns da nossa vida em sociedade, sem estas teremos cada vez mais pessoas desenraizadas com uma identidade volátil e em estado de permanente isolamento.</p>
<p>Talvez vivamos neste momento uma época sem precedentes neste sentido tal é a confusão que existe na definição concreta dos entes. Não me refiro apenas aos conceitos morais mas até outros conceitos como a definição de Homem e Mulher, e futuramente o próprio conceito de espécie humana, dado que, avançamos a passos largos para uma fusão entre o ser Humano e máquina com o advento. da integração da inteligência artificial no nosso próprio corpo, vide neuralink. A este respeito adverte C.S Lewis na obra a abolição do Homem: “a conquista do Homem da sua natureza desafiando os seus limites, é simultaneamente a expressão do poder exercido por alguns Homens sobre outros Homens com a natureza como instrumento”. Quando dominamos a técnica implementamos transformações fundamentais, podendo perder a noção e o limite do que é ser humano.</p>
<p>Tudo isto advém de uma ausência de uma matriz que nos dê objetividade de valor e finalidade concreta para a existência. Como objeto da análise coloco as seguintes perguntas: se tudo evolui como podemos definir qualquer tipo de finalidade ? Isto significa, se o ser humano está em permanente transformação assim como as suas circunstâncias aquilo que hoje é verdade, amanhã pode não ser. Colocaria também uma outra pergunta, o que é mais importante guardar e fixar na eternidade para que não esteja sujeito a este relativismo ?</p>
<p>Parece evidente que o relativismo culmina na auto-destruição, por ser precisamente ilógico e irracional. Infelizmente, e muitas vezes de forma inconsciente, acabamos por dar alento a esta tese quando nos vemos incapazes de sustentar a nossa vida numa matriz que estabelece os princpíos lógicos e operativos para uma perceção da realidade mais clara, mais próxima da verdade. C.S Lewis diz-nos que o facto de determinadas pessoas não verem cores não invalida que estas existam, portanto compete-nos afinar o nosso aparelho percetivo para que sejamos capazes de ver cores e procurar a matriz através da qual podemos encontrar a verdade sobre a realidade.</p>
]]></content:encoded>
      <itunes:author><![CDATA[Tiago G]]></itunes:author>
      <itunes:summary><![CDATA[<p>O pensamento modernista/progressista que predomina na sociedade actual adere de forma comprometida a uma tese filosófica que pretende redefinir a realidade, o relativismo. Segundo esta tese a realidade é definida de forma subjectiva, ou seja, está pendente das circunstâncias, pessoas, momento. e motivação. Assim a percepção é nada mais nada menos que a co-construção da realidade colocando o ser humano como uma espécie de Deus (Demiurgo), isto é como entidade criadora da realidade. Além dos problemas morais que esta hipótese levanta, há ainda problemas da ordem da racionalidade e da lógica que são incompatíveis com esta ideia. Uma ideia central que invalida fundamentalmente esta tese é a de que desta forma deixa de existir uma realidade objetiva. Neste caso cada indivíduo poderia avançar com a “sua” interpretação do real, independentemente de esta ser falsa ou verdadeira. O dogma do relativismo é a de que todos as leituras são válidas, portanto deixa de existir uma matriz unificadora, isto é deixa de existir dogma e sem dogma não há uma verdade, há apenas interpretações da realidade que estão sujeitas aos vícios e fragilidades de cada intérprete.</p>
<p>Se em Portugal cada pessoa tivesse a sua própria língua, a que inventou, tornar-se-ia impossível comunicar pois não teríamos as mesmas referências fonéticas, semânticas. e sintáticas. Tal como na torre de Babel não teríamos a capacidade de nos compreendermos mutuamente. É pois isto que se passa no relativismo. Nesta ideologia perdemos a narrativa agregadora que clarifica as finalidades comuns da nossa vida em sociedade, sem estas teremos cada vez mais pessoas desenraizadas com uma identidade volátil e em estado de permanente isolamento.</p>
<p>Talvez vivamos neste momento uma época sem precedentes neste sentido tal é a confusão que existe na definição concreta dos entes. Não me refiro apenas aos conceitos morais mas até outros conceitos como a definição de Homem e Mulher, e futuramente o próprio conceito de espécie humana, dado que, avançamos a passos largos para uma fusão entre o ser Humano e máquina com o advento. da integração da inteligência artificial no nosso próprio corpo, vide neuralink. A este respeito adverte C.S Lewis na obra a abolição do Homem: “a conquista do Homem da sua natureza desafiando os seus limites, é simultaneamente a expressão do poder exercido por alguns Homens sobre outros Homens com a natureza como instrumento”. Quando dominamos a técnica implementamos transformações fundamentais, podendo perder a noção e o limite do que é ser humano.</p>
<p>Tudo isto advém de uma ausência de uma matriz que nos dê objetividade de valor e finalidade concreta para a existência. Como objeto da análise coloco as seguintes perguntas: se tudo evolui como podemos definir qualquer tipo de finalidade ? Isto significa, se o ser humano está em permanente transformação assim como as suas circunstâncias aquilo que hoje é verdade, amanhã pode não ser. Colocaria também uma outra pergunta, o que é mais importante guardar e fixar na eternidade para que não esteja sujeito a este relativismo ?</p>
<p>Parece evidente que o relativismo culmina na auto-destruição, por ser precisamente ilógico e irracional. Infelizmente, e muitas vezes de forma inconsciente, acabamos por dar alento a esta tese quando nos vemos incapazes de sustentar a nossa vida numa matriz que estabelece os princpíos lógicos e operativos para uma perceção da realidade mais clara, mais próxima da verdade. C.S Lewis diz-nos que o facto de determinadas pessoas não verem cores não invalida que estas existam, portanto compete-nos afinar o nosso aparelho percetivo para que sejamos capazes de ver cores e procurar a matriz através da qual podemos encontrar a verdade sobre a realidade.</p>
]]></itunes:summary>
      <itunes:image href="https://image.nostr.build/795637600bdad15acb6064e3be57a193fc17efae1ebadcd3471810186fe00eeb.jpg"/>
      </item>
      
      <item>
      <title><![CDATA[Quo vadis Portugal?]]></title>
      <description><![CDATA[Do milagre de Ourique ao Paganismo.]]></description>
             <itunes:subtitle><![CDATA[Do milagre de Ourique ao Paganismo.]]></itunes:subtitle>
      <pubDate>Tue, 24 Oct 2023 10:55:46 GMT</pubDate>
      <link>https://tvieiragoncalves.npub.pro/post/2msdc0iihoidrfwnmxtet/</link>
      <comments>https://tvieiragoncalves.npub.pro/post/2msdc0iihoidrfwnmxtet/</comments>
      <guid isPermaLink="false">naddr1qq2nyntng3pnq62fdp8kj3rjget5untcw3j4gq3qh5e0y6r2tagu4cygnfggzcfrt4afarvcvvcgqmpzyv605g4n89nqxpqqqp65w8fes7z</guid>
      <category>psicologia</category>
      
      <noteId>naddr1qq2nyntng3pnq62fdp8kj3rjget5untcw3j4gq3qh5e0y6r2tagu4cygnfggzcfrt4afarvcvvcgqmpzyv605g4n89nqxpqqqp65w8fes7z</noteId>
      <npub>npub1h5e0y6r2tagu4cygnfggzcfrt4afarvcvvcgqmpzyv605g4n89nqhlf2e2</npub>
      <dc:creator><![CDATA[Tiago G]]></dc:creator>
      <content:encoded><![CDATA[<p><img src="https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/9/9c/BatalhaOurique.jpg/800px-BatalhaOurique.jpg" alt="image"></p>
<p>Para quem possa estar a ler este texto e seja mais jovem, esta mensagem é para ti. Provavelmente nasceste, assim como eu, numa época onde se sentia que a religião era uma coisa do passado. Multiplicavam-se as mensagens na cultura pop a desqualificar a religião como uma doutrina bafienta, obsoleta que não se atualizava e não se adaptava à modernidade. A mensagem que ganhava mais destaque era a de que não era cool ser religioso, que as únicas pessoas que o eram seriam as pessoas fracas nas suas convicções e que tinham sido vítimas de uma forte lavagem cerebral. Tudo servia para desconstruir e diluir a presença da doutrina moral da igreja na sociedade. Entretenimento, agendas políticas, cultura, ciência, arte, informação, todos estes alicerces da sociedade ratificam a mesma tese: precisamos de nos modernizar e atualizar o nosso modus vivendi. António Gramsci é um dos exemplos de pensadores que estão por detrás desta transformação social, propondo que se faça primeiro uma revolução cultural para que seguidamente se faça a revolução política, e assim foi.</p>
<p><img src="https://i.ytimg.com/vi/mEf9_dgqZGM/sddefault.jpg" alt="image"><br>Diácono remédios - Provedor da Herman Enciclopédia</p>
<p>Tudo na cultura indicava outras direções para a consagração de uma “evolução” nos costumes e na convivência entre as pessoas. Antes tudo era na aparência sangrento e eivado de restrições, agora tudo é e será liberdade e Iluminismo. </p>
<p>Este movimento de esvaziamento da cultura católica era justificado como sendo necessário pois imbuído do espírito revolucionário acreditava-se que tratava de repor a verdade e  acabar com as restrições que a religião colocou na sociedade portuguesa, contudo teve o resultado talvez inesperado para alguns de produzir não um estado laico na sua conceção utópica mas sim um estado que professa uma religião pagã. Esta religião havia de ter também as suas restrições e dogmas além de produzir os seus próprios mitos para agregar socialmente em torno da ideologia. </p>
<p>O creacionismo  por exemplo era coisa de outro tempo, agora havia que inventar uma cosmovisão diferente, em que o universo é rei e senhor e o milagre que está na génese da criação é o Big Bang. Nada mais que um truque retórico que nos desvia do creacionismo católico criando novos mitos cosmológicos mas não responde às questões de fundo: porquê algo em vez de nada ? Que obra existe sem criador ? Este truque retórico funciona porque quando nos apegamos às coisas do mundo, as descrições físicas e materialistas da realidade, estamos como que demasiado entretidos intelectualmente para subir de nível de análise e colocar as questões no plano metafísico. Sem essa organização psíquica que nos permita desenvolver uma interpretação metafísica da realidade objetiva estamos suscetíveis a que esse espaço deixado vago possa ser ocupado pela ideologia vigente, presa a um tempo, um espaço e manchada por um oportunismo político que procura conquistar tudo o que é nosso começando por instilar ideias de forma subtil, por vezes quase impercetível. </p>
<p>O filósofo brasileiro Olavo de Carvalho, na sua crítica ao marxismo, diz-nos que as ideias marxistas tornam-se de tal forma insidiosas que ao dominar educação e cultura fabricam cidadãos socialistas que não se apercebem que estão a fazer o apostolado ao socialismo. Os menos humildes de entre nós julgam que as ideias que possuem foram forjadas por si mesmos, no entanto, se lhes perguntarmos se conhecem a origem filosófica de determinadas ideias serão frequentemente incapazes de o identificar. Com a humildade vem o reconhecimento de que somos todos extremamente influenciáveis e de que determinadas escolas de pensamento nos podem ter capturado, usando-nos como armamento para a disseminação de determinadas ideias. Estas ideologias são como predadores famintos esperando pacientemente encontrar vulnerabilidades na sua presa para poderem explorar essas fraquezas e ganhar terreno. </p>
<p>A procura de uma matriz de organização da realidade, um significado fundamental, é um instinto humano, um instinto religioso, e quando não preenchido pode então ser parasitado por “religiões” muitas delas  primitivas. Desengane-se quem pensa que o ateísmo, o materialismo ou o relativismo não é uma religião, nada poderia estar mais longe da verdade. Após exame consciente daquilo a que o ateísmo se propunha a fazer, libertar o ser humano dos seus preconceitos e da tirania da doutrina religiosa que se afirmava sobre os desejos hedonísticos das pessoas, percebemos que o ateísmo não só não conseguiu fazer isso porque não nos livra da culpa como deixou muito pouco de humano em nós. Numa concepção ateísta e relativista tudo é passível de ser questionado, até ao axioma mais básico levando a que categorias semânticas como “homem”, “mulher” e “ser humano” sejam agora veículos de discórdia e confusão quanto á sua definição.</p>
<p><img src="https://www.dymocks.com.au/Pages/ImageHandler.ashx?q=9781956007008&amp;w=&amp;h=570" alt="image"><br>What is a Woman - Documentário de Matt Walsh que aborda as questões da identidade de género</p>
<p>Ainda assim, como vemos plasmado na sociedade atual há uma teoria sobre a virtude em que o que é determinado pela massa  da população é o “bom” e o que é para ser seguido, mesmo quando incoerente do ponto de vista lógico ou atentatório contra a natureza humana. Nesta nova religião o subjetivismo exuberante levou a que a arte perdesse aspirações estéticas dedicando-se quase exclusivamente á afronta e ao desafio ao status quo que nada mais é que a disseminação das ideias da ideologia que vigora. No domínio da ciência, esta está cada vez mais refém da ideologia servindo os interesses da mesma. Quanto à moral, não é possível não possuir um teoria sobre de bem e sobre o mal sem um dogma, e aqui nestas novas religiões existem vários dogmas e rituais sacramentais tal como nas religiões tradicionais. Seja a glorificação do materialismo, a celebração de uma suposta “evolução” do ser humano, ou a elevação do sexo a um plano mais elevado de atenção, estes e outros dogmas fazem parte desta religião. </p>
<p>Assim lembremos as palavras de Ralph Waldo Emerson quando nos diz que o ser humano irá sempre venerar algo e que nos tornamos naquilo que veneramos, ou seja o que ocupa a nossa imaginação e os nossos pensamentos irá também determinar o nosso carácter. Portanto, cuidemos de escolher que objetos colocamos nos nossos “altares” e o que vamos venerar pois isso estará na base da criação da sociedade futura. Não existe a opção não ter religião, existe sim a opção de deixar na escuridão do inconsciente a principal força motivacional que está na base de um sistema perceptivo. De qualquer modo, algo tem de ocupar o lugar mais elevado na nossa hierarquia moral a questão é: o que deverá ser ?</p>
<p>Se quiseres apoiar o meu trabalho podes enviar BTC através do seguinte endereço lightning:</p>
<p><a href="mailto:tvieiragoncalves@getalby.com">tvieiragoncalves@getalby.com</a></p>
<p><np-embed url="https://getalby.com/p/tvieiragoncalves"><a href="https://getalby.com/p/tvieiragoncalves">https://getalby.com/p/tvieiragoncalves</a></np-embed></p>
<p><a href="mailto:tiagogoncalves@walletofsatoshi.com">tiagogoncalves@walletofsatoshi.com</a></p>
]]></content:encoded>
      <itunes:author><![CDATA[Tiago G]]></itunes:author>
      <itunes:summary><![CDATA[<p><img src="https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/9/9c/BatalhaOurique.jpg/800px-BatalhaOurique.jpg" alt="image"></p>
<p>Para quem possa estar a ler este texto e seja mais jovem, esta mensagem é para ti. Provavelmente nasceste, assim como eu, numa época onde se sentia que a religião era uma coisa do passado. Multiplicavam-se as mensagens na cultura pop a desqualificar a religião como uma doutrina bafienta, obsoleta que não se atualizava e não se adaptava à modernidade. A mensagem que ganhava mais destaque era a de que não era cool ser religioso, que as únicas pessoas que o eram seriam as pessoas fracas nas suas convicções e que tinham sido vítimas de uma forte lavagem cerebral. Tudo servia para desconstruir e diluir a presença da doutrina moral da igreja na sociedade. Entretenimento, agendas políticas, cultura, ciência, arte, informação, todos estes alicerces da sociedade ratificam a mesma tese: precisamos de nos modernizar e atualizar o nosso modus vivendi. António Gramsci é um dos exemplos de pensadores que estão por detrás desta transformação social, propondo que se faça primeiro uma revolução cultural para que seguidamente se faça a revolução política, e assim foi.</p>
<p><img src="https://i.ytimg.com/vi/mEf9_dgqZGM/sddefault.jpg" alt="image"><br>Diácono remédios - Provedor da Herman Enciclopédia</p>
<p>Tudo na cultura indicava outras direções para a consagração de uma “evolução” nos costumes e na convivência entre as pessoas. Antes tudo era na aparência sangrento e eivado de restrições, agora tudo é e será liberdade e Iluminismo. </p>
<p>Este movimento de esvaziamento da cultura católica era justificado como sendo necessário pois imbuído do espírito revolucionário acreditava-se que tratava de repor a verdade e  acabar com as restrições que a religião colocou na sociedade portuguesa, contudo teve o resultado talvez inesperado para alguns de produzir não um estado laico na sua conceção utópica mas sim um estado que professa uma religião pagã. Esta religião havia de ter também as suas restrições e dogmas além de produzir os seus próprios mitos para agregar socialmente em torno da ideologia. </p>
<p>O creacionismo  por exemplo era coisa de outro tempo, agora havia que inventar uma cosmovisão diferente, em que o universo é rei e senhor e o milagre que está na génese da criação é o Big Bang. Nada mais que um truque retórico que nos desvia do creacionismo católico criando novos mitos cosmológicos mas não responde às questões de fundo: porquê algo em vez de nada ? Que obra existe sem criador ? Este truque retórico funciona porque quando nos apegamos às coisas do mundo, as descrições físicas e materialistas da realidade, estamos como que demasiado entretidos intelectualmente para subir de nível de análise e colocar as questões no plano metafísico. Sem essa organização psíquica que nos permita desenvolver uma interpretação metafísica da realidade objetiva estamos suscetíveis a que esse espaço deixado vago possa ser ocupado pela ideologia vigente, presa a um tempo, um espaço e manchada por um oportunismo político que procura conquistar tudo o que é nosso começando por instilar ideias de forma subtil, por vezes quase impercetível. </p>
<p>O filósofo brasileiro Olavo de Carvalho, na sua crítica ao marxismo, diz-nos que as ideias marxistas tornam-se de tal forma insidiosas que ao dominar educação e cultura fabricam cidadãos socialistas que não se apercebem que estão a fazer o apostolado ao socialismo. Os menos humildes de entre nós julgam que as ideias que possuem foram forjadas por si mesmos, no entanto, se lhes perguntarmos se conhecem a origem filosófica de determinadas ideias serão frequentemente incapazes de o identificar. Com a humildade vem o reconhecimento de que somos todos extremamente influenciáveis e de que determinadas escolas de pensamento nos podem ter capturado, usando-nos como armamento para a disseminação de determinadas ideias. Estas ideologias são como predadores famintos esperando pacientemente encontrar vulnerabilidades na sua presa para poderem explorar essas fraquezas e ganhar terreno. </p>
<p>A procura de uma matriz de organização da realidade, um significado fundamental, é um instinto humano, um instinto religioso, e quando não preenchido pode então ser parasitado por “religiões” muitas delas  primitivas. Desengane-se quem pensa que o ateísmo, o materialismo ou o relativismo não é uma religião, nada poderia estar mais longe da verdade. Após exame consciente daquilo a que o ateísmo se propunha a fazer, libertar o ser humano dos seus preconceitos e da tirania da doutrina religiosa que se afirmava sobre os desejos hedonísticos das pessoas, percebemos que o ateísmo não só não conseguiu fazer isso porque não nos livra da culpa como deixou muito pouco de humano em nós. Numa concepção ateísta e relativista tudo é passível de ser questionado, até ao axioma mais básico levando a que categorias semânticas como “homem”, “mulher” e “ser humano” sejam agora veículos de discórdia e confusão quanto á sua definição.</p>
<p><img src="https://www.dymocks.com.au/Pages/ImageHandler.ashx?q=9781956007008&amp;w=&amp;h=570" alt="image"><br>What is a Woman - Documentário de Matt Walsh que aborda as questões da identidade de género</p>
<p>Ainda assim, como vemos plasmado na sociedade atual há uma teoria sobre a virtude em que o que é determinado pela massa  da população é o “bom” e o que é para ser seguido, mesmo quando incoerente do ponto de vista lógico ou atentatório contra a natureza humana. Nesta nova religião o subjetivismo exuberante levou a que a arte perdesse aspirações estéticas dedicando-se quase exclusivamente á afronta e ao desafio ao status quo que nada mais é que a disseminação das ideias da ideologia que vigora. No domínio da ciência, esta está cada vez mais refém da ideologia servindo os interesses da mesma. Quanto à moral, não é possível não possuir um teoria sobre de bem e sobre o mal sem um dogma, e aqui nestas novas religiões existem vários dogmas e rituais sacramentais tal como nas religiões tradicionais. Seja a glorificação do materialismo, a celebração de uma suposta “evolução” do ser humano, ou a elevação do sexo a um plano mais elevado de atenção, estes e outros dogmas fazem parte desta religião. </p>
<p>Assim lembremos as palavras de Ralph Waldo Emerson quando nos diz que o ser humano irá sempre venerar algo e que nos tornamos naquilo que veneramos, ou seja o que ocupa a nossa imaginação e os nossos pensamentos irá também determinar o nosso carácter. Portanto, cuidemos de escolher que objetos colocamos nos nossos “altares” e o que vamos venerar pois isso estará na base da criação da sociedade futura. Não existe a opção não ter religião, existe sim a opção de deixar na escuridão do inconsciente a principal força motivacional que está na base de um sistema perceptivo. De qualquer modo, algo tem de ocupar o lugar mais elevado na nossa hierarquia moral a questão é: o que deverá ser ?</p>
<p>Se quiseres apoiar o meu trabalho podes enviar BTC através do seguinte endereço lightning:</p>
<p><a href="mailto:tvieiragoncalves@getalby.com">tvieiragoncalves@getalby.com</a></p>
<p><np-embed url="https://getalby.com/p/tvieiragoncalves"><a href="https://getalby.com/p/tvieiragoncalves">https://getalby.com/p/tvieiragoncalves</a></np-embed></p>
<p><a href="mailto:tiagogoncalves@walletofsatoshi.com">tiagogoncalves@walletofsatoshi.com</a></p>
]]></itunes:summary>
      
      </item>
      
      <item>
      <title><![CDATA[Exultar na monotonia
]]></title>
      <description><![CDATA[Chesterton diz que as crianças conseguem exultar na monotonia, isto é, há um apetite pelo mundo e uma vitalidade nas crianças que lhes permite olhar para a rotina como algo interessante.]]></description>
             <itunes:subtitle><![CDATA[Chesterton diz que as crianças conseguem exultar na monotonia, isto é, há um apetite pelo mundo e uma vitalidade nas crianças que lhes permite olhar para a rotina como algo interessante.]]></itunes:subtitle>
      <pubDate>Wed, 11 Oct 2023 09:41:27 GMT</pubDate>
      <link>https://tvieiragoncalves.npub.pro/post/qwmgkq4vazbl0xjiluxnc/</link>
      <comments>https://tvieiragoncalves.npub.pro/post/qwmgkq4vazbl0xjiluxnc/</comments>
      <guid isPermaLink="false">naddr1qq2hzamdva44zdzkv9axymps0p4yjnr4tp8xxq3qh5e0y6r2tagu4cygnfggzcfrt4afarvcvvcgqmpzyv605g4n89nqxpqqqp65wnztd7u</guid>
      <category>psicologia</category>
      
        <media:content url="https://substackcdn.com/image/fetch/w_1456,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fa1500194-f3b6-40f6-ad23-e5874e594cc8_1200x942.jpeg" medium="image"/>
        <enclosure 
          url="https://substackcdn.com/image/fetch/w_1456,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fa1500194-f3b6-40f6-ad23-e5874e594cc8_1200x942.jpeg" length="0" 
          type="image/jpeg" 
        />
      <noteId>naddr1qq2hzamdva44zdzkv9axymps0p4yjnr4tp8xxq3qh5e0y6r2tagu4cygnfggzcfrt4afarvcvvcgqmpzyv605g4n89nqxpqqqp65wnztd7u</noteId>
      <npub>npub1h5e0y6r2tagu4cygnfggzcfrt4afarvcvvcgqmpzyv605g4n89nqhlf2e2</npub>
      <dc:creator><![CDATA[Tiago G]]></dc:creator>
      <content:encoded><![CDATA[<p><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/w_1456,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fa1500194-f3b6-40f6-ad23-e5874e594cc8_1200x942.jpeg" alt="image"></p>
<p>Quando era criança divertia-me procurar pedras de diferentes formas que me fizessem lembrar diferentes objetos. Eram tempos em que podia passar horas em tarefas aparentemente simples como procurar grilos ou tentar bater o meu recorde de toques na bola sem nunca a deixar cair. Muitos dias se resumiam a isto e apesar da monotonia não eram dias aborrecidos, bem pelo contrário. Eram dias que me pareciam infinitos, como se tivessem mais de 24 horas mas simultaneamente eram dias em que parecia haver sempre algo novo a descobrir e de facto havia mesmo.</p>
<p>Chesterton diz que as crianças conseguem exultar na monotonia, isto é, há um apetite pelo mundo e uma vitalidade nas crianças que lhes permite olhar para a rotina como algo interessante.</p>
<p>Quando estamos por exemplo com um bebé e nos escondemos atrás de um pano para depois deixarmos que a nossa cara apareça subitamente, o famoso "cucu", o bebé se nos conhece habitualmente ri e demonstra satisfação por testemunhar tal acontecimento. Podemos repetir isto várias vezes e vemos que o bebé não se farta com facilidade e continua a rir do que fazemos, como se fosse a primeira vez. De facto, cada vez é única e irrepetível mas o amadurecimento dos sentidos que um adulto experimenta já dificilmente nos permite viver exultando esta monotonia. Rapidamente nos aborrecemos e assim procuramos cessar a tarefa de imediato sempre à procura da próxima. Quando um adulto e uma criança jogam à bola por exemplo a criança repete incessantemente "chuta outra vez", já o adulto pode sentir que a sua energia se esvai a cada remate.</p>
<p>Felizmente há um antídoto mesmo para os adultos mais empedernidos. Mais do que atividades aborrecidas, há pessoas aborrecidas e estas podem encontrar na curiosidade um bálsamo para a vida que enobrece a rotina e monotonia. Quando escolhemos olhar para o mundo de forma curiosa e presente há uma panóplia infinita de potencial e possibilidades que se apresentam diante de nós. Com esta atitude experimentamos uma espontaneidade que abre portas para novos conhecimentos levantando questões sobre o mundo como por exemplo:</p>
<p>Porque é que esta mudança nos acordes da música me deixou os pelos em pé ?</p>
<p>O que tem esta laranja de especial para saber tão bem ?</p>
<p>Não é de admirar que estejamos menos sensíveis a isto, visto que, estamos muito mais sujeitos a um tipo de entretenimento passivo, através do ecrã, que pouco nos predispõe mentalmente para a pura exploração do ambiente que nos rodeia. Quando estamos na natureza por exemplo, afastados do que nos vicia e captura da nossa atenção de forma perniciosa, podemos comungar do espaço que nos envolve, o contexto convida á experiência da novidade mesmo no que já é conhecido. Desta forma estamos mais predispostos a ser verdadeiros observadores do que nos rodeia, mais do que meros recetores de informação. Esta abertura para a afirmação qualitativa da rotina torna-nos pessoas mais interessantes e interessadas pelo mundo que nos rodeia.</p>
<p>Oscar Wilde dizia que as pessoas não valorizam o pôr do sol por este acontecimento não ser pago, no entanto pode dizer-se: não seja como Oscar Wilde, valorize até as coisas rotineiras como um pôr do sol. Lembremo-nos que amanhã podemos não ter pôr do sol e que cada pôr do sol pode ser diferente dependendo da nossa capacidade para exultar nessa monotonia.</p>
<p><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/w_1456,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F0d0451fc-7358-472e-8671-3e978f7e2da7_850x400.jpeg" alt="image"></p>
<blockquote>
<p>Se quiseres apoiar o meu trabalho podes enviar BTC através do seguinte endereço lightning:</p>
</blockquote>
<blockquote>
<p><a href="mailto:tvieiragoncalves@getalby.com">tvieiragoncalves@getalby.com</a></p>
</blockquote>
<blockquote>
<p><np-embed url="https://getalby.com/p/tvieiragoncalves"><a href="https://getalby.com/p/tvieiragoncalves">https://getalby.com/p/tvieiragoncalves</a></np-embed></p>
</blockquote>
<blockquote>
<p><a href="mailto:tiagogoncalves@walletofsatoshi.com">tiagogoncalves@walletofsatoshi.com</a></p>
</blockquote>
]]></content:encoded>
      <itunes:author><![CDATA[Tiago G]]></itunes:author>
      <itunes:summary><![CDATA[<p><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/w_1456,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fa1500194-f3b6-40f6-ad23-e5874e594cc8_1200x942.jpeg" alt="image"></p>
<p>Quando era criança divertia-me procurar pedras de diferentes formas que me fizessem lembrar diferentes objetos. Eram tempos em que podia passar horas em tarefas aparentemente simples como procurar grilos ou tentar bater o meu recorde de toques na bola sem nunca a deixar cair. Muitos dias se resumiam a isto e apesar da monotonia não eram dias aborrecidos, bem pelo contrário. Eram dias que me pareciam infinitos, como se tivessem mais de 24 horas mas simultaneamente eram dias em que parecia haver sempre algo novo a descobrir e de facto havia mesmo.</p>
<p>Chesterton diz que as crianças conseguem exultar na monotonia, isto é, há um apetite pelo mundo e uma vitalidade nas crianças que lhes permite olhar para a rotina como algo interessante.</p>
<p>Quando estamos por exemplo com um bebé e nos escondemos atrás de um pano para depois deixarmos que a nossa cara apareça subitamente, o famoso "cucu", o bebé se nos conhece habitualmente ri e demonstra satisfação por testemunhar tal acontecimento. Podemos repetir isto várias vezes e vemos que o bebé não se farta com facilidade e continua a rir do que fazemos, como se fosse a primeira vez. De facto, cada vez é única e irrepetível mas o amadurecimento dos sentidos que um adulto experimenta já dificilmente nos permite viver exultando esta monotonia. Rapidamente nos aborrecemos e assim procuramos cessar a tarefa de imediato sempre à procura da próxima. Quando um adulto e uma criança jogam à bola por exemplo a criança repete incessantemente "chuta outra vez", já o adulto pode sentir que a sua energia se esvai a cada remate.</p>
<p>Felizmente há um antídoto mesmo para os adultos mais empedernidos. Mais do que atividades aborrecidas, há pessoas aborrecidas e estas podem encontrar na curiosidade um bálsamo para a vida que enobrece a rotina e monotonia. Quando escolhemos olhar para o mundo de forma curiosa e presente há uma panóplia infinita de potencial e possibilidades que se apresentam diante de nós. Com esta atitude experimentamos uma espontaneidade que abre portas para novos conhecimentos levantando questões sobre o mundo como por exemplo:</p>
<p>Porque é que esta mudança nos acordes da música me deixou os pelos em pé ?</p>
<p>O que tem esta laranja de especial para saber tão bem ?</p>
<p>Não é de admirar que estejamos menos sensíveis a isto, visto que, estamos muito mais sujeitos a um tipo de entretenimento passivo, através do ecrã, que pouco nos predispõe mentalmente para a pura exploração do ambiente que nos rodeia. Quando estamos na natureza por exemplo, afastados do que nos vicia e captura da nossa atenção de forma perniciosa, podemos comungar do espaço que nos envolve, o contexto convida á experiência da novidade mesmo no que já é conhecido. Desta forma estamos mais predispostos a ser verdadeiros observadores do que nos rodeia, mais do que meros recetores de informação. Esta abertura para a afirmação qualitativa da rotina torna-nos pessoas mais interessantes e interessadas pelo mundo que nos rodeia.</p>
<p>Oscar Wilde dizia que as pessoas não valorizam o pôr do sol por este acontecimento não ser pago, no entanto pode dizer-se: não seja como Oscar Wilde, valorize até as coisas rotineiras como um pôr do sol. Lembremo-nos que amanhã podemos não ter pôr do sol e que cada pôr do sol pode ser diferente dependendo da nossa capacidade para exultar nessa monotonia.</p>
<p><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/w_1456,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F0d0451fc-7358-472e-8671-3e978f7e2da7_850x400.jpeg" alt="image"></p>
<blockquote>
<p>Se quiseres apoiar o meu trabalho podes enviar BTC através do seguinte endereço lightning:</p>
</blockquote>
<blockquote>
<p><a href="mailto:tvieiragoncalves@getalby.com">tvieiragoncalves@getalby.com</a></p>
</blockquote>
<blockquote>
<p><np-embed url="https://getalby.com/p/tvieiragoncalves"><a href="https://getalby.com/p/tvieiragoncalves">https://getalby.com/p/tvieiragoncalves</a></np-embed></p>
</blockquote>
<blockquote>
<p><a href="mailto:tiagogoncalves@walletofsatoshi.com">tiagogoncalves@walletofsatoshi.com</a></p>
</blockquote>
]]></itunes:summary>
      <itunes:image href="https://substackcdn.com/image/fetch/w_1456,c_limit,f_webp,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fa1500194-f3b6-40f6-ad23-e5874e594cc8_1200x942.jpeg"/>
      </item>
      
      </channel>
      </rss>
    