<rss
      xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
      xmlns:media="http://search.yahoo.com/mrss/"
      xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
      xmlns:itunes="http://www.itunes.com/dtds/podcast-1.0.dtd"
      xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
      version="2.0"
    >
      <channel>
        <title><![CDATA[GENESIS BLOG]]></title>
        <description><![CDATA[Psicólogo 🇵🇹
Bitcoin maxi
Portuguese 
Catholic]]></description>
        <link>https://tvieiragoncalves.npub.pro/tag/filosofia/</link>
        <atom:link href="https://tvieiragoncalves.npub.pro/tag/filosofia/rss/" rel="self" type="application/rss+xml"/>
        <itunes:new-feed-url>https://tvieiragoncalves.npub.pro/tag/filosofia/rss/</itunes:new-feed-url>
        <itunes:author><![CDATA[Tiago G]]></itunes:author>
        <itunes:subtitle><![CDATA[Psicólogo 🇵🇹
Bitcoin maxi
Portuguese 
Catholic]]></itunes:subtitle>
        <itunes:type>episodic</itunes:type>
        <itunes:owner>
          <itunes:name><![CDATA[Tiago G]]></itunes:name>
          <itunes:email><![CDATA[Tiago G]]></itunes:email>
        </itunes:owner>
            
      <pubDate>Thu, 09 Oct 2025 18:10:59 GMT</pubDate>
      <lastBuildDate>Thu, 09 Oct 2025 18:10:59 GMT</lastBuildDate>
      
      <itunes:image href="https://nostr.build/i/6790.gif" />
      <image>
        <title><![CDATA[GENESIS BLOG]]></title>
        <link>https://tvieiragoncalves.npub.pro/tag/filosofia/</link>
        <url>https://nostr.build/i/6790.gif</url>
      </image>
      <item>
      <title><![CDATA[O que é o humano?]]></title>
      <description><![CDATA[Elementos para a antropologia clássica do ser humano
]]></description>
             <itunes:subtitle><![CDATA[Elementos para a antropologia clássica do ser humano
]]></itunes:subtitle>
      <pubDate>Thu, 09 Oct 2025 18:10:59 GMT</pubDate>
      <link>https://tvieiragoncalves.npub.pro/post/o-que-o-humano-4sgaro/</link>
      <comments>https://tvieiragoncalves.npub.pro/post/o-que-o-humano-4sgaro/</comments>
      <guid isPermaLink="false">naddr1qq257tt3w4jj6meddp6k6ctwdukngum8v9ex7q3qh5e0y6r2tagu4cygnfggzcfrt4afarvcvvcgqmpzyv605g4n89nqxpqqqp65w907jff</guid>
      <category>filosofia</category>
      
        <media:content url="https://blossom.primal.net/878931952234fe8000e304a353cf7e5da708af16b1aec16736cbcb5cdccffd5d.jpg" medium="image"/>
        <enclosure 
          url="https://blossom.primal.net/878931952234fe8000e304a353cf7e5da708af16b1aec16736cbcb5cdccffd5d.jpg" length="0" 
          type="image/jpeg" 
        />
      <noteId>naddr1qq257tt3w4jj6meddp6k6ctwdukngum8v9ex7q3qh5e0y6r2tagu4cygnfggzcfrt4afarvcvvcgqmpzyv605g4n89nqxpqqqp65w907jff</noteId>
      <npub>npub1h5e0y6r2tagu4cygnfggzcfrt4afarvcvvcgqmpzyv605g4n89nqhlf2e2</npub>
      <dc:creator><![CDATA[Tiago G]]></dc:creator>
      <content:encoded><![CDATA[<p>Na atualidade vejo a defesa de uma antropologia humana que não está fundada na boa filosofia e que nos leva a um entendimento parcial ou até errado do ser humano. Dentro da psicologia moderna há inclusive alguns modelos que pela sua natureza, inerentemente materialista ou relativista, ignoram alguns pressupostos elementares para o entendimento do ser humano. Decidi escrever este texto apenas para deixar aqui alguns elementos que procuro incorporar no meu trabalho como psicólogo e que me parecem essenciais para um melhor entendimento do ser humano.</p>
<h2>Essência e matéria</h2>
<p>Antes das coisas existirem materialmente, existem na mente de alguém. Uma casa antes de ser construída existe em termos conceptuais na mente do seu construtor. Um triângulo antes de ser desenhado numa folha existe em termos da sua essência .</p>
<p>O que quer isto dizer ?</p>
<p>Quer dizer que o conjunto de coisas que existem tem propriedades materiais e imateriais. Pensar nas coisas apenas de uma forma, essencial ou material, é perder elementos para uma representação mais completa de tudo o que existe.</p>
<p>Estes conceitos aplicam-se ao ser humano, que tem características essenciais (indispensáveis à caracterização da natureza humana), como por exemplo ser dotado de razão e vontade; e características materiais que compõe os componentes físicos do Homem: carne, ossos, sangue etc… Ao analisarmos o ser humano apenas na sua perspetiva material cometemos alguns erros inclusive de natureza valorativa, pois o entendimento da essência é fundamental para que realizemos o valor do ser humano enquanto um ser diferente entre os viventes.</p>
<p>Não dizemos que o valor da vida de um cão tem o mesmo valor da vida de um humano, porque não o fazemos ? Precisamente pelo entendimento que temos da diferença na nossa essência.</p>
<p>A vida dos humanos tem o mesmo valor ? Se atendermos apenas à parte material do ser humano podemos facilmente cair na falácia de que algumas vidas podem valer mais e outras menos. São as duas dimensões, essencial e material, que configuram o que é a verdadeira dignidade humana.</p>
<h2><strong>Causa e finalidade</strong></h2>
<p>A causa das coisas diz respeito ao porquê das coisas existirem. Qualquer arguto observador da realidade percebe, ainda que de forma intuitiva, que os fenómenos/coisas estabelecem relações de causa e efeito entre si e que estas causas e efeitos se organizam segundo pressupostos lógicos. A ciência ocupa-se do estudo destas causas e efeitos e da descrição da forma como interagem os objetos pois ao entende-los vamos conseguir prever de forma mais clara as relações e entender o que entra no domínio do possível e do provável.</p>
<p>A título de exemplo, o princípio da não contradição estabelece que não é possível dizer algo e o seu contrário e que as duas asserções tenham ambas valor de verdade.</p>
<p>Talvez a causa mais importante a conhecer na forma como se ordena a realidade e concretamente estas relações de causa efeito seja a causa final. Para bem do argumento vamos usar a palavra função embora duvide que seja a mais rigorosa. Todas as coisas servem uma função, quer isto dizer que apontam para uma finalidade. Tomemos por exemplo o lápis que estou a usar para escrever este texto, ele tem como finalidade o seu uso para a escrita. Podemos usar o lápis para outras funções como desenho, e até para tocar bateria, mas nem todos os seus usos cumprem o propósito para o qual foi criado. Aqui é útil termos em conta duas noções: a de hierarquia nas finalidades consoante estão mais próximas ou não da causa final, e a noção de potência. Um lápis não é capaz de voar até à lua por si mesmo porque enquanto objeto não tem essa potência, ou seja não tem essa capacidade no seu reportório.</p>
<p>Entendendo estes conceitos entendemos melhor como os objetos são criados e as suas funções.</p>
<p>Assim agora podemos passar ao ser humano e veremos que para melhor nos conhecermos é importante conhecermos a nossa causa final como um todo e também das partes. A título de exemplo: usamos a boca para comer e o ato de comer essencialmente serve para termos saúde e sobreviver, contudo é um ato que dá prazer. Se aprendermos apenas a comer por prazer sendo esse o principal objetivo da nossa alimentação vamos criar desordem e uma tensão relativamente às finalidades para as quais orientamos as ações. A consequência para estas desordens é patologia, isto é, um funcionamento menos harmonioso com a realidade. Um paralelismo que podemos traçar é com as leis da física. Alguém que tenta dimensionar uma máquina deve atender aos pressupostos das leis da física para que esta funcione de forma apurada segundo o seu objetivo, caso isto não aconteça existe entropia e a máquina não funcionará de forma adequada.</p>
<p>Podemos fingir que a gravidade não existe, no entanto sentiremos diretamente os seus efeitos de qualquer modo.</p>
<p><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!vydj!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fc5b7a57c-4254-48bc-a86a-96b2b39ac6d7_2290x3250.jpeg" alt="Aristotle - Wikiquote"><strong>Aristóteles uma das figuras mais importantes da filosofia clássica particularmente no estudo da teleologia</strong> </p>
<h2><strong>Razão e vontade</strong></h2>
<p>Como seres humanos somos dotados de inteligência e de uma mente que nos permite aprender. Ao aprendermos sobre a realidade vamos fazendo juízos e tomando decisões pois somos parte ativa nesta realidade. Guiados pela razão somos capazes de ação voluntária, isto é, livre arbítrio. Quer isto dizer que as nossas ações adquirem uma natureza ética e moral na medida em que preservamos estas capacidades. Isto vai sempre e invariavelmente ter implicações na formação da nossa mente e no seu equilíbrio (adesão à realidade).</p>
<p>Alguns teóricos de índole materialista têm vindo a questionar estes pressupostos, contudo se inspecionarmos profundamente os seus argumentos podemos ver que não se sustentam logicamente e que se tratam de estratégias sofistas de retórica. Apesar de podermos dizer que não temos livre-arbítrio para decidir, a forma como nos comportamos revela que verdadeiramente acreditamos que ele exista.</p>
<p><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!MzZK!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F4261c0d1-422c-46e8-94cb-65598c4cfaa2_728x546.jpeg" alt="Nenhuma descrição de foto disponível."><strong>A velha dicotomia entre a busca da verdade e a busca de pontos de vista</strong></p>
<p>Estes temas são vastíssimos e muito se poderia dizer sobre cada uma destas partes, e até sobre outras inclusive. Esta é apenas uma amostra de alguns aspectos que, quando bem entendidos, podem mudar a nossa perceção do humano e consequentemente mudar a forma como se pensa a psicologia do mesmo. </p>
]]></content:encoded>
      <itunes:author><![CDATA[Tiago G]]></itunes:author>
      <itunes:summary><![CDATA[<p>Na atualidade vejo a defesa de uma antropologia humana que não está fundada na boa filosofia e que nos leva a um entendimento parcial ou até errado do ser humano. Dentro da psicologia moderna há inclusive alguns modelos que pela sua natureza, inerentemente materialista ou relativista, ignoram alguns pressupostos elementares para o entendimento do ser humano. Decidi escrever este texto apenas para deixar aqui alguns elementos que procuro incorporar no meu trabalho como psicólogo e que me parecem essenciais para um melhor entendimento do ser humano.</p>
<h2>Essência e matéria</h2>
<p>Antes das coisas existirem materialmente, existem na mente de alguém. Uma casa antes de ser construída existe em termos conceptuais na mente do seu construtor. Um triângulo antes de ser desenhado numa folha existe em termos da sua essência .</p>
<p>O que quer isto dizer ?</p>
<p>Quer dizer que o conjunto de coisas que existem tem propriedades materiais e imateriais. Pensar nas coisas apenas de uma forma, essencial ou material, é perder elementos para uma representação mais completa de tudo o que existe.</p>
<p>Estes conceitos aplicam-se ao ser humano, que tem características essenciais (indispensáveis à caracterização da natureza humana), como por exemplo ser dotado de razão e vontade; e características materiais que compõe os componentes físicos do Homem: carne, ossos, sangue etc… Ao analisarmos o ser humano apenas na sua perspetiva material cometemos alguns erros inclusive de natureza valorativa, pois o entendimento da essência é fundamental para que realizemos o valor do ser humano enquanto um ser diferente entre os viventes.</p>
<p>Não dizemos que o valor da vida de um cão tem o mesmo valor da vida de um humano, porque não o fazemos ? Precisamente pelo entendimento que temos da diferença na nossa essência.</p>
<p>A vida dos humanos tem o mesmo valor ? Se atendermos apenas à parte material do ser humano podemos facilmente cair na falácia de que algumas vidas podem valer mais e outras menos. São as duas dimensões, essencial e material, que configuram o que é a verdadeira dignidade humana.</p>
<h2><strong>Causa e finalidade</strong></h2>
<p>A causa das coisas diz respeito ao porquê das coisas existirem. Qualquer arguto observador da realidade percebe, ainda que de forma intuitiva, que os fenómenos/coisas estabelecem relações de causa e efeito entre si e que estas causas e efeitos se organizam segundo pressupostos lógicos. A ciência ocupa-se do estudo destas causas e efeitos e da descrição da forma como interagem os objetos pois ao entende-los vamos conseguir prever de forma mais clara as relações e entender o que entra no domínio do possível e do provável.</p>
<p>A título de exemplo, o princípio da não contradição estabelece que não é possível dizer algo e o seu contrário e que as duas asserções tenham ambas valor de verdade.</p>
<p>Talvez a causa mais importante a conhecer na forma como se ordena a realidade e concretamente estas relações de causa efeito seja a causa final. Para bem do argumento vamos usar a palavra função embora duvide que seja a mais rigorosa. Todas as coisas servem uma função, quer isto dizer que apontam para uma finalidade. Tomemos por exemplo o lápis que estou a usar para escrever este texto, ele tem como finalidade o seu uso para a escrita. Podemos usar o lápis para outras funções como desenho, e até para tocar bateria, mas nem todos os seus usos cumprem o propósito para o qual foi criado. Aqui é útil termos em conta duas noções: a de hierarquia nas finalidades consoante estão mais próximas ou não da causa final, e a noção de potência. Um lápis não é capaz de voar até à lua por si mesmo porque enquanto objeto não tem essa potência, ou seja não tem essa capacidade no seu reportório.</p>
<p>Entendendo estes conceitos entendemos melhor como os objetos são criados e as suas funções.</p>
<p>Assim agora podemos passar ao ser humano e veremos que para melhor nos conhecermos é importante conhecermos a nossa causa final como um todo e também das partes. A título de exemplo: usamos a boca para comer e o ato de comer essencialmente serve para termos saúde e sobreviver, contudo é um ato que dá prazer. Se aprendermos apenas a comer por prazer sendo esse o principal objetivo da nossa alimentação vamos criar desordem e uma tensão relativamente às finalidades para as quais orientamos as ações. A consequência para estas desordens é patologia, isto é, um funcionamento menos harmonioso com a realidade. Um paralelismo que podemos traçar é com as leis da física. Alguém que tenta dimensionar uma máquina deve atender aos pressupostos das leis da física para que esta funcione de forma apurada segundo o seu objetivo, caso isto não aconteça existe entropia e a máquina não funcionará de forma adequada.</p>
<p>Podemos fingir que a gravidade não existe, no entanto sentiremos diretamente os seus efeitos de qualquer modo.</p>
<p><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!vydj!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fc5b7a57c-4254-48bc-a86a-96b2b39ac6d7_2290x3250.jpeg" alt="Aristotle - Wikiquote"><strong>Aristóteles uma das figuras mais importantes da filosofia clássica particularmente no estudo da teleologia</strong> </p>
<h2><strong>Razão e vontade</strong></h2>
<p>Como seres humanos somos dotados de inteligência e de uma mente que nos permite aprender. Ao aprendermos sobre a realidade vamos fazendo juízos e tomando decisões pois somos parte ativa nesta realidade. Guiados pela razão somos capazes de ação voluntária, isto é, livre arbítrio. Quer isto dizer que as nossas ações adquirem uma natureza ética e moral na medida em que preservamos estas capacidades. Isto vai sempre e invariavelmente ter implicações na formação da nossa mente e no seu equilíbrio (adesão à realidade).</p>
<p>Alguns teóricos de índole materialista têm vindo a questionar estes pressupostos, contudo se inspecionarmos profundamente os seus argumentos podemos ver que não se sustentam logicamente e que se tratam de estratégias sofistas de retórica. Apesar de podermos dizer que não temos livre-arbítrio para decidir, a forma como nos comportamos revela que verdadeiramente acreditamos que ele exista.</p>
<p><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!MzZK!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F4261c0d1-422c-46e8-94cb-65598c4cfaa2_728x546.jpeg" alt="Nenhuma descrição de foto disponível."><strong>A velha dicotomia entre a busca da verdade e a busca de pontos de vista</strong></p>
<p>Estes temas são vastíssimos e muito se poderia dizer sobre cada uma destas partes, e até sobre outras inclusive. Esta é apenas uma amostra de alguns aspectos que, quando bem entendidos, podem mudar a nossa perceção do humano e consequentemente mudar a forma como se pensa a psicologia do mesmo. </p>
]]></itunes:summary>
      <itunes:image href="https://blossom.primal.net/878931952234fe8000e304a353cf7e5da708af16b1aec16736cbcb5cdccffd5d.jpg"/>
      </item>
      
      <item>
      <title><![CDATA[Afinal de contas o que é o amor?]]></title>
      <description><![CDATA[Do "amor" descartável ao amor eterno]]></description>
             <itunes:subtitle><![CDATA[Do "amor" descartável ao amor eterno]]></itunes:subtitle>
      <pubDate>Tue, 23 Sep 2025 15:08:01 GMT</pubDate>
      <link>https://tvieiragoncalves.npub.pro/post/afinal-de-contas-o-que-o-amor-1fxs6p/</link>
      <comments>https://tvieiragoncalves.npub.pro/post/afinal-de-contas-o-que-o-amor-1fxs6p/</comments>
      <guid isPermaLink="false">naddr1qqjyzenfdeskcttyv5kkxmmww3shxtt094ch2efddukkzmt0wgknzencwvm8qq3qh5e0y6r2tagu4cygnfggzcfrt4afarvcvvcgqmpzyv605g4n89nqxpqqqp65w5xvh9k</guid>
      <category>psicologia</category>
      
        <media:content url="https://blossom.primal.net/fe029ded0564cc6d78de814914d03ec68b1a9387cf1a8ab8fb0267420c2522cb.jpg" medium="image"/>
        <enclosure 
          url="https://blossom.primal.net/fe029ded0564cc6d78de814914d03ec68b1a9387cf1a8ab8fb0267420c2522cb.jpg" length="0" 
          type="image/jpeg" 
        />
      <noteId>naddr1qqjyzenfdeskcttyv5kkxmmww3shxtt094ch2efddukkzmt0wgknzencwvm8qq3qh5e0y6r2tagu4cygnfggzcfrt4afarvcvvcgqmpzyv605g4n89nqxpqqqp65w5xvh9k</noteId>
      <npub>npub1h5e0y6r2tagu4cygnfggzcfrt4afarvcvvcgqmpzyv605g4n89nqhlf2e2</npub>
      <dc:creator><![CDATA[Tiago G]]></dc:creator>
      <content:encoded><![CDATA[<p>O homem moderno fala de “amor” a toda a hora na televisão, em filmes, nas séries e em livros. São frequentemente organizadas paradas sobre o tema , contudo e paradoxalmente, temos as taxas mais elevadas de divórcio de sempre, famílias completamente dilaceradas e uma natalidade reduzidíssima quando comparada com as gerações precedentes. Algo parece não estar certo pois o discurso que tanto louva o “amor” parece não condizer com a atitude. Talvez um dos problemas comece desde logo pela definição da palavra, bem sabemos que cada vez mais no mundo relativista as palavras perdem o seu sentido próprio. Então vejamos, o que quer “amor” dizer concretamente para o homem moderno.</p>
<p>Para muitos amor quer dizer utilidade , no sentido em que o “amor” que têm pelo outro varia em função da utilidade que este tem para a vida daquela pessoa. Enquanto a pessoa satisfaz uma necessidade, seja esta emocional ou uma utilidade hedónica ( que se refere ao prazer) o “amor” existe, quando isto cessa o “amor” também deixa de existir. Nesta aceção de “amor” este não passa de um sentimento que pode ser “intenso” mas será sempre passageiro, passará com o tempo sem a base da constância e da decisão.</p>
<p>Outra confusão com o termo diz respeito a um sentimentalismo bacoco que é para muitos “amor”, aqui vemos o domínio da sensualidade e das paixões ser confundido com algo muito mais elevado. Sentir o fulgor da atração não é amar alguém e para quem “ama” com base exclusiva nesse pressuposto impõe-se que se lhe diga: “sic transit gloria mundi - assim passa a glória do mundo”. Quer isto dizer que as coisas mundanas são passageiras, todos envelheceremos e esse fulgor da atração também passará.</p>
<p>Há também casos de pessoas para as quais “amar” é efetuar uma troca comercial, como celebrar um contrato de troca de bens. No entanto, o amor não foi feito para ser mercadejado e a sua existência não depende sequer da reciprocidade como nos diz C.S Lewis. Quem ama doa-se e a generosidade e genuinidade da doação é também assegurada pela aceitação de poder não ser correspondido em todos os momentos.</p>
<blockquote>
<p>Love is never wasted for its value does not rest upon reciprocity.</p>
<p>C.S Lewis</p>
</blockquote>
<p><strong>Então fica a pergunta, qual é o verdadeiro conceito de amor?</strong></p>
<p>Hoje quer-se pensar o amor sem a cruz que lhe está associada mas nada poderia estar mais longe da verdade. A essência do amor é o sacrifício pelo outro, para amarmos temos de possuir a capacidade de deixar o egoísmo e ver além de nós e dos nossos desejos mais imediatos. Isto implica entrega e disposição para sofrer e padecer várias dores, contudo sempre em função de um bem maior. O parto ilustra bem esta realidade, é um momento de ansiedade, dúvida e sofrimento para muitas grávidas mas é também um momento de júbilo no qual a mulher participa intimamente no projeto de criação divino.</p>
<p><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!xk-x!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F594d006f-3c6a-4016-bb70-8cf7caee1af7_850x400.jpeg" alt="Se não queres sofrer não ames. Porém, se não amas para que..."></p>
<p>Santo agostinho diz-nos palavras muito importante sobre o sofrimento e o amor, os dois estão intimamente ligados e negar-se a amar é negar ter apreço pela própria vida. </p>
<img src="https://blossom.primal.net/fe029ded0564cc6d78de814914d03ec68b1a9387cf1a8ab8fb0267420c2522cb.jpg">

<blockquote>
<p>Nossa Senhora das Dores demonstra perfeitamente o amor materno que sofre e se compadece das dores do filho.</p>
</blockquote>
<p>O amor requer a nossa dedicação e compromisso de vida diário, a isto chamamos também de fidelidade. O amor é algo que nos aproxima de Deus, sendo Deus a fonte de todo o amor, o nosso amor é tanto mais perfeito quanto mais se assemelhar ao de Deus, e este como sabemos é um amor que padeceu muitas dores.</p>
<p>O amor conjugal verdadeiro adere há ordem natural, não pode estar fundado em ilusões que atentam contra a natureza do homem ou da mulher. Digamos que o homem e a mulher se podem cumprir de forma plena nesse amor conjugal que se quer aberto à vida. Aberto à vida porque sendo a vida um dom de Deus é algo bom e desejável, não devendo ser limitado por uma mentalidade contracetiva que vê os filhos como um encargo e não uma bênção.</p>
<p>O amor é sempre voluntário e fundado na liberdade de decisão da pessoa. Não se ama alguém sob coação e não se obriga alguém a amar outro. Para o bem e para o mal temos vontade e capacidade de decisão para escolher amar. Frequentemente vemos o sentido de domínio sobre a pessoa a apoderar-se de nós e a limitar a nossa capacidade de amar precisamente por ignorarmos este princípio.</p>
<p>Amar alguém é ter disponibilidade para o perdão pois sabemos da fragilidade humana e entendendo esta condição entenderemos que o perdão é uma necessidade e que vai ser empregue sucessivas vezes ao longo do nosso percurso de vida.</p>
<p>Amar é também desejar o bem do outro como nos diz S. Tomás Aquino. Amar o próximo como a si mesmo é mais um sinal de um amor genuíno. Nesta decisão que tomamos devemos fazê-lo apesar dos problemas e defeitos da outra pessoa.</p>
<p>Quem ama o outro ama também a verdade e não quer que o seu amor seja redil de mentiras e enganos, portanto a sinceridade estará sempre presente nesse amor. No amor genuíno está também a vocação para a eternidade pois este amor não se quer meramente circunscrito a um tempo ou uma circunstância.</p>
<p>Neste tempo de grande desnorte em relação a este assunto queiramos pautar o nosso amor por estes princípios e dar testemunho de um amor que está além dos preceitos mundanos. Um amor que nos una em todas as dificuldades e graças da vida, pois assim será sempre mais fácil viver mesmo que com dor.</p>
<p>Cada vez mais se torna evidente para nós como sociedade que precisamos destas referências pois só assim teremos capacidade para corresponder de forma correta aos vários papéis que iremos desempenhar ao longo da nossa vida.</p>
<p><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!KpVy!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F3b4d5ef6-fce1-42bc-8a73-d844f567b499_369x334.png" alt=""></p>
]]></content:encoded>
      <itunes:author><![CDATA[Tiago G]]></itunes:author>
      <itunes:summary><![CDATA[<p>O homem moderno fala de “amor” a toda a hora na televisão, em filmes, nas séries e em livros. São frequentemente organizadas paradas sobre o tema , contudo e paradoxalmente, temos as taxas mais elevadas de divórcio de sempre, famílias completamente dilaceradas e uma natalidade reduzidíssima quando comparada com as gerações precedentes. Algo parece não estar certo pois o discurso que tanto louva o “amor” parece não condizer com a atitude. Talvez um dos problemas comece desde logo pela definição da palavra, bem sabemos que cada vez mais no mundo relativista as palavras perdem o seu sentido próprio. Então vejamos, o que quer “amor” dizer concretamente para o homem moderno.</p>
<p>Para muitos amor quer dizer utilidade , no sentido em que o “amor” que têm pelo outro varia em função da utilidade que este tem para a vida daquela pessoa. Enquanto a pessoa satisfaz uma necessidade, seja esta emocional ou uma utilidade hedónica ( que se refere ao prazer) o “amor” existe, quando isto cessa o “amor” também deixa de existir. Nesta aceção de “amor” este não passa de um sentimento que pode ser “intenso” mas será sempre passageiro, passará com o tempo sem a base da constância e da decisão.</p>
<p>Outra confusão com o termo diz respeito a um sentimentalismo bacoco que é para muitos “amor”, aqui vemos o domínio da sensualidade e das paixões ser confundido com algo muito mais elevado. Sentir o fulgor da atração não é amar alguém e para quem “ama” com base exclusiva nesse pressuposto impõe-se que se lhe diga: “sic transit gloria mundi - assim passa a glória do mundo”. Quer isto dizer que as coisas mundanas são passageiras, todos envelheceremos e esse fulgor da atração também passará.</p>
<p>Há também casos de pessoas para as quais “amar” é efetuar uma troca comercial, como celebrar um contrato de troca de bens. No entanto, o amor não foi feito para ser mercadejado e a sua existência não depende sequer da reciprocidade como nos diz C.S Lewis. Quem ama doa-se e a generosidade e genuinidade da doação é também assegurada pela aceitação de poder não ser correspondido em todos os momentos.</p>
<blockquote>
<p>Love is never wasted for its value does not rest upon reciprocity.</p>
<p>C.S Lewis</p>
</blockquote>
<p><strong>Então fica a pergunta, qual é o verdadeiro conceito de amor?</strong></p>
<p>Hoje quer-se pensar o amor sem a cruz que lhe está associada mas nada poderia estar mais longe da verdade. A essência do amor é o sacrifício pelo outro, para amarmos temos de possuir a capacidade de deixar o egoísmo e ver além de nós e dos nossos desejos mais imediatos. Isto implica entrega e disposição para sofrer e padecer várias dores, contudo sempre em função de um bem maior. O parto ilustra bem esta realidade, é um momento de ansiedade, dúvida e sofrimento para muitas grávidas mas é também um momento de júbilo no qual a mulher participa intimamente no projeto de criação divino.</p>
<p><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!xk-x!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F594d006f-3c6a-4016-bb70-8cf7caee1af7_850x400.jpeg" alt="Se não queres sofrer não ames. Porém, se não amas para que..."></p>
<p>Santo agostinho diz-nos palavras muito importante sobre o sofrimento e o amor, os dois estão intimamente ligados e negar-se a amar é negar ter apreço pela própria vida. </p>
<img src="https://blossom.primal.net/fe029ded0564cc6d78de814914d03ec68b1a9387cf1a8ab8fb0267420c2522cb.jpg">

<blockquote>
<p>Nossa Senhora das Dores demonstra perfeitamente o amor materno que sofre e se compadece das dores do filho.</p>
</blockquote>
<p>O amor requer a nossa dedicação e compromisso de vida diário, a isto chamamos também de fidelidade. O amor é algo que nos aproxima de Deus, sendo Deus a fonte de todo o amor, o nosso amor é tanto mais perfeito quanto mais se assemelhar ao de Deus, e este como sabemos é um amor que padeceu muitas dores.</p>
<p>O amor conjugal verdadeiro adere há ordem natural, não pode estar fundado em ilusões que atentam contra a natureza do homem ou da mulher. Digamos que o homem e a mulher se podem cumprir de forma plena nesse amor conjugal que se quer aberto à vida. Aberto à vida porque sendo a vida um dom de Deus é algo bom e desejável, não devendo ser limitado por uma mentalidade contracetiva que vê os filhos como um encargo e não uma bênção.</p>
<p>O amor é sempre voluntário e fundado na liberdade de decisão da pessoa. Não se ama alguém sob coação e não se obriga alguém a amar outro. Para o bem e para o mal temos vontade e capacidade de decisão para escolher amar. Frequentemente vemos o sentido de domínio sobre a pessoa a apoderar-se de nós e a limitar a nossa capacidade de amar precisamente por ignorarmos este princípio.</p>
<p>Amar alguém é ter disponibilidade para o perdão pois sabemos da fragilidade humana e entendendo esta condição entenderemos que o perdão é uma necessidade e que vai ser empregue sucessivas vezes ao longo do nosso percurso de vida.</p>
<p>Amar é também desejar o bem do outro como nos diz S. Tomás Aquino. Amar o próximo como a si mesmo é mais um sinal de um amor genuíno. Nesta decisão que tomamos devemos fazê-lo apesar dos problemas e defeitos da outra pessoa.</p>
<p>Quem ama o outro ama também a verdade e não quer que o seu amor seja redil de mentiras e enganos, portanto a sinceridade estará sempre presente nesse amor. No amor genuíno está também a vocação para a eternidade pois este amor não se quer meramente circunscrito a um tempo ou uma circunstância.</p>
<p>Neste tempo de grande desnorte em relação a este assunto queiramos pautar o nosso amor por estes princípios e dar testemunho de um amor que está além dos preceitos mundanos. Um amor que nos una em todas as dificuldades e graças da vida, pois assim será sempre mais fácil viver mesmo que com dor.</p>
<p>Cada vez mais se torna evidente para nós como sociedade que precisamos destas referências pois só assim teremos capacidade para corresponder de forma correta aos vários papéis que iremos desempenhar ao longo da nossa vida.</p>
<p><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!KpVy!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F3b4d5ef6-fce1-42bc-8a73-d844f567b499_369x334.png" alt=""></p>
]]></itunes:summary>
      <itunes:image href="https://blossom.primal.net/fe029ded0564cc6d78de814914d03ec68b1a9387cf1a8ab8fb0267420c2522cb.jpg"/>
      </item>
      
      <item>
      <title><![CDATA[5 Razões Para A Crise Da Autoridade]]></title>
      <description><![CDATA[Autoridade: Prestígio e virtude vs corrupção e desventura
]]></description>
             <itunes:subtitle><![CDATA[Autoridade: Prestígio e virtude vs corrupção e desventura
]]></itunes:subtitle>
      <pubDate>Thu, 24 Jul 2025 19:52:18 GMT</pubDate>
      <link>https://tvieiragoncalves.npub.pro/post/5-raz-es-para-a-crise-da-autoridade-59hkp2/</link>
      <comments>https://tvieiragoncalves.npub.pro/post/5-raz-es-para-a-crise-da-autoridade-59hkp2/</comments>
      <guid isPermaLink="false">naddr1qq4r2t2jv9az6etn94gxzunp94qj6smjd9ek2t2yvyk5zat5daexjerpv3jj6dfedp4hqvszyz7n9ungdf04rjhq3zd9pqtpydwh485dnp3npqrvyg3nf73zkvukvqcyqqq823crvd9mx</guid>
      <category>política</category>
      
        <media:content url="https://blossom.primal.net/89c8bb195ee8d8d8d6fab7860738096230842ce31aa6f7c863984f39e70c3682.jpg" medium="image"/>
        <enclosure 
          url="https://blossom.primal.net/89c8bb195ee8d8d8d6fab7860738096230842ce31aa6f7c863984f39e70c3682.jpg" length="0" 
          type="image/jpeg" 
        />
      <noteId>naddr1qq4r2t2jv9az6etn94gxzunp94qj6smjd9ek2t2yvyk5zat5daexjerpv3jj6dfedp4hqvszyz7n9ungdf04rjhq3zd9pqtpydwh485dnp3npqrvyg3nf73zkvukvqcyqqq823crvd9mx</noteId>
      <npub>npub1h5e0y6r2tagu4cygnfggzcfrt4afarvcvvcgqmpzyv605g4n89nqhlf2e2</npub>
      <dc:creator><![CDATA[Tiago G]]></dc:creator>
      <content:encoded><![CDATA[<p>Tenho vindo a notar que a autoridade, ou pelo menos como a postulamos atualmente, é um termo muitas vezes equívoco e que traz consigo uma conotação negativa. Não são raras as ocasiões em que me deparo com pessoas que equiparam autoridade a tirania (o abuso despótico da autoridade), que não reconhecem o prestígio ou virtude de um determinado cargo, e outras que não reconhecem a hierarquia como um fenómeno natural e que automaticamente se consagra a uma autoridade.</p>
<p>Nota-se no exemplo da política, neste campo ao contrário do que outrora acontecia o político é frequentemente visto com desconfiança e é até muitas vezes equipado ao usurpador oportunista que se serve em vez de servir.</p>
<p>Em conversas de café, nos media e até nas revistas cor de rosa vemos os responsáveis políticos associados a escândalos, corrupções e escárnios de toda a ordem. Escasseiam ou não existem na atualidade, figuras que verdadeiramente incorporem o espírito do rei filósofo inspirador do qual Platão falava, alguém livre de vícios e da ganância e possuidor das virtudes da justiça, temperança, sabedoria e coragem.</p>
<p><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!DE25!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F98253685-14d8-4c10-8a15-5a7d4fb8a559_640x852.jpeg" alt="Plato quote: Until philosophers are kings, or the kings and princes of..." title="Plato quote: Until philosophers are kings, or the kings and princes of..."></p>
<p>Na escola vemos um processo semelhante quando temos nos professores a imagem de avençados do estado sem sentido crítico que se limitam a seguir uma cartilha ideológica. Cada vez menos vemos o professor como o mestre, o diretor do intelecto que por virtude do seu aprofundamento se tornou um sábio numa determinada área e é capaz de partilhar esse conhecimento por forma a formar as mentes dos seus alunos.</p>
<p>Na medicina, os médicos são também alvo da descrença social que cada vez mais os caricatura como sendo marionetas da indústria farmacêutica e do estado sem capacidade e/ou autonomia para ajudarem os seus utentes como outrora faziam. A pandemia veio elucidar-nos sobre estes factos, demonstrando uma conformidade social sem precedentes e posturas muitas-vezes anti-científicas propaladas com evidentes interesses ideológicos e políticos.</p>
<p>Enfim, são muitos os exemplos de cargos que tradicionalmente prestigiantes que, de momento, não usufruem desse prestígio mas o problema será da autoridade per si ou estará relacionado com quem exerce essa autoridade? É fácil fazermos esta confusão e embarcarmos numa deriva libertina onde procuramos libertar-nos de toda a autoridade, contudo importa perceber que essa não é solução. A autoridade é uma condição natural na medida em que a hierarquia também o é, a melhor forma de ordenar a nossa vida individual e colectiva é ordenando a autoridade e estabelecendo de forma mais objetiva os critérios que configuram essa autoridade.</p>
<p>Isso talvez seja tema de uma outra exposição, como objeto deste texto irei elencar algumas das razões para este sentimento colectivo de desconfiança e desprestígio da autoridade:</p>
<p><strong>1- Virus do individualismo</strong> </p>
<p>O ser humano agrega-se naturalmente em comunidade na medida em que é capaz de definir finalidades comuns e assim constituir uma pólis (uma comunidade de pessoas organizada por leis, instituições e práticas comuns). Esta é uma condição sine qua non sob a qual assenta a formação do nosso país e da civilização.</p>
<p>Atualmente, vivemos uma era em que os laços que criamos quer em termos familiares quer em termos comunitários estão sob pressão para a desagregação. A cultura incentiva o indivíduo a colocar-se sempre em primeiro lugar, galvanizando o egoísmo e isolamento social das pessoas. Esta é a mesma cultura que proclama que devemos ser auto-suficientes, ao mesmo tempo que nos torna a todos cada vez mais dependentes do estado. Com isto sofre a família, a unidade básica da sociedade que se vê com cada vez menos autoridade e autonomia e vê os seus membros num funcionamento cada vez mais atomizado, fruto também em parte da ausência de direção espiritual da família, isto é, o estabelecimento do paradigma moral em que a família opera.</p>
<p><strong>2- Falácia da igualdade</strong> </p>
<p>Um dos alicerces filosóficos que domina as escolas de pensamento modernas é a ideia de igualdade. Um triunfo da cultura marxista levou a que fosse incorporado na cartilha de valores da nossa sociedade a igualdade como um fim em si mesmo. Esta doutrina está plena de sofismas e erros de lógica que não estão de acordo inclusive com aspectos de ordem natural. O ser humano como ser individual tem aptidões, interesses e competências específicas que fazem de cada um de nós diferentes. Há pessoas mais inteligentes, mais burras, mais aptas a uma coisa e menos aptas a outra e isso estabelece naturalmente diferenças entre nós que são muitas vezes valiosíssimas em termos da riqueza e diversidade de contributos sociais que cada um de nós consegue produzir. O problema é que nesta lógica da igualdade como fim em si mesmo a diferença não é bem-vinda e muito menos apreciada.</p>
<p>Também como fruto desta doutrina tendemos a considerar todas as opiniões como sendo “iguais”, o peso do voto de todos como sendo igual, quando isto é evidentemente um engano uma vez que temos naturalmente pessoas mais instruídas e menos instruídas para proferir opiniões sobre determinados assuntos, assim como temos opiniões que são erros a todos os títulos e opiniões que são fundadas na verdade.</p>
<p><strong>3- Ausência da hierarquia</strong></p>
<blockquote>
<p>Do mesmo modo que a perfeita constituição do corpo humano resulta da união e da articulação dos membros, que não têm as mesmas forças nem as mesmas funções, mas cuja feliz associação e concurso harmonioso dão a todo o organismo a sua beleza plástica, a sua força e a sua aptidão para prestar os serviços necessários, assim também, no seio da sociedade humana, acha-se uma variedade quase infinita de partes dissemelhantes. Se elas fossem todas iguais entre si, e livres, cada uma por sua conta, de agir a seu talante, nada seria mais disforme do que tal sociedade. Pelo contrário, se por uma sábia hierarquia dos merecimentos, dos gostos, das aptidões, cada uma delas concorre para o bem geral, vereis erguer-se diante de vós a imagem de uma sociedade bem ordenada e conforme a natureza.</p>
<p>Papa Leão XIII in encíclica «Humanum Genus», 20 de Abril de 1884.</p>
</blockquote>
<p>As sábias palavras do Papa Leão XIII remetem-nos para a condição natural da hierarquia e estabelecem que uma hierarquia propriamente ordenada (dos merecimentos, dos gostos e das aptidões) é a que produz a sociedade bem ordenada e conforme a natureza. Acontece que atualmente, vivemos numa permanente contradição em termos formais. Por um lado, a ideia de que a “igualdade” é o fim em si mesmo, por outro temos inevitavelmente uma hierarquia de facto porque por muitos artifícios retóricos que empreguemos há sempre uma discriminação quanto mais não seja de ordem natural.</p>
<p><strong>4- Silêncio das elites intelectuais</strong></p>
<p> A academia, os media e a cultura como um todo está tomada por uma paradigma ideológico que auxilia a construir uma narrativa sobre a autoridade que a descredibiliza. São vários os vetores da propaganda que pretendem dissuadir o indivíduo de procurar a verdadeira autoridade enquanto o convencem de que a autoridade reside em si, quando na verdade vive numa cárcere forjada por quem usurpou a autoridade legítima.</p>
<p>Importa portanto nesta fase, voltar a formar pessoas em relação aos critérios que tornam uma autoridade legítima e voltar a criar referências que reabilitem a autoridade e voltem a inspirar pessoas com o seu exemplo.</p>
<p><strong>5- Uma sociedade sem ideais ou com os ideais invertidos (uma imagem deturpada da virtude)</strong></p>
<p> As referências que temos de pessoas virtuosas na nossa sociedade são, muitas delas testemunhos vivos de um vazio na nossa sociedade. Há pessoas elevadas à fama e ao sucesso por razões absurdas e, infelizmente, são muitas vezes estas pessoas que são tidos como modelos para uma parte significativa da população. Quando aprendemos de maus modelos, imitamos os seus maus hábitos e os seus vícios. É muito frequente vermos pessoas “louvadas” pelo seu narcisismo, pela vaidade, pelo materialismo e hedonismo.</p>
<p>Para fazer face a isto precisamos de reconfigurar o que de facto são os nossos ideais e como elevamos alguém por virtude do exercício exemplar desses ideais.</p>
<p><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!2uSK!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fc14d0a77-543d-4eb5-87de-733654073e84_1600x1067.jpeg" alt="Coronation of Charlemagne - World History Encyclopedia"><em>Coronation of Charlemagne - World History Encyclopedia A Coroação de Carlos Magno, 1861, por Friedrich Kaulbach (1822-1903). A pintura retrata a coroação de Carlos Magno (742-814) como Imperador do Sacro Império Romano pelo Papa Leão III (r. 795-816) em 25 de dezembro de 800</em>. </p>
<p>A autoridade que se não exerce, perde-se e de facto vemos isto a acontecer quando cada vez mais nos desresponsabilizamos das tarefas que nos são devidas quer pelo nosso papel social quer pelos dons que recebemos e dos quais não fazemos uso. É importantíssimo que vejamos a autoridade como um dom e um privilégio que temos, que nos permite agir em prol do bem-comum. Sempre com espírito de serviço e com exemplo de sacrifício porque aquele que é o líder de todos não deve nunca esquecer-se que é também o servo de todos.</p>
]]></content:encoded>
      <itunes:author><![CDATA[Tiago G]]></itunes:author>
      <itunes:summary><![CDATA[<p>Tenho vindo a notar que a autoridade, ou pelo menos como a postulamos atualmente, é um termo muitas vezes equívoco e que traz consigo uma conotação negativa. Não são raras as ocasiões em que me deparo com pessoas que equiparam autoridade a tirania (o abuso despótico da autoridade), que não reconhecem o prestígio ou virtude de um determinado cargo, e outras que não reconhecem a hierarquia como um fenómeno natural e que automaticamente se consagra a uma autoridade.</p>
<p>Nota-se no exemplo da política, neste campo ao contrário do que outrora acontecia o político é frequentemente visto com desconfiança e é até muitas vezes equipado ao usurpador oportunista que se serve em vez de servir.</p>
<p>Em conversas de café, nos media e até nas revistas cor de rosa vemos os responsáveis políticos associados a escândalos, corrupções e escárnios de toda a ordem. Escasseiam ou não existem na atualidade, figuras que verdadeiramente incorporem o espírito do rei filósofo inspirador do qual Platão falava, alguém livre de vícios e da ganância e possuidor das virtudes da justiça, temperança, sabedoria e coragem.</p>
<p><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!DE25!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F98253685-14d8-4c10-8a15-5a7d4fb8a559_640x852.jpeg" alt="Plato quote: Until philosophers are kings, or the kings and princes of..." title="Plato quote: Until philosophers are kings, or the kings and princes of..."></p>
<p>Na escola vemos um processo semelhante quando temos nos professores a imagem de avençados do estado sem sentido crítico que se limitam a seguir uma cartilha ideológica. Cada vez menos vemos o professor como o mestre, o diretor do intelecto que por virtude do seu aprofundamento se tornou um sábio numa determinada área e é capaz de partilhar esse conhecimento por forma a formar as mentes dos seus alunos.</p>
<p>Na medicina, os médicos são também alvo da descrença social que cada vez mais os caricatura como sendo marionetas da indústria farmacêutica e do estado sem capacidade e/ou autonomia para ajudarem os seus utentes como outrora faziam. A pandemia veio elucidar-nos sobre estes factos, demonstrando uma conformidade social sem precedentes e posturas muitas-vezes anti-científicas propaladas com evidentes interesses ideológicos e políticos.</p>
<p>Enfim, são muitos os exemplos de cargos que tradicionalmente prestigiantes que, de momento, não usufruem desse prestígio mas o problema será da autoridade per si ou estará relacionado com quem exerce essa autoridade? É fácil fazermos esta confusão e embarcarmos numa deriva libertina onde procuramos libertar-nos de toda a autoridade, contudo importa perceber que essa não é solução. A autoridade é uma condição natural na medida em que a hierarquia também o é, a melhor forma de ordenar a nossa vida individual e colectiva é ordenando a autoridade e estabelecendo de forma mais objetiva os critérios que configuram essa autoridade.</p>
<p>Isso talvez seja tema de uma outra exposição, como objeto deste texto irei elencar algumas das razões para este sentimento colectivo de desconfiança e desprestígio da autoridade:</p>
<p><strong>1- Virus do individualismo</strong> </p>
<p>O ser humano agrega-se naturalmente em comunidade na medida em que é capaz de definir finalidades comuns e assim constituir uma pólis (uma comunidade de pessoas organizada por leis, instituições e práticas comuns). Esta é uma condição sine qua non sob a qual assenta a formação do nosso país e da civilização.</p>
<p>Atualmente, vivemos uma era em que os laços que criamos quer em termos familiares quer em termos comunitários estão sob pressão para a desagregação. A cultura incentiva o indivíduo a colocar-se sempre em primeiro lugar, galvanizando o egoísmo e isolamento social das pessoas. Esta é a mesma cultura que proclama que devemos ser auto-suficientes, ao mesmo tempo que nos torna a todos cada vez mais dependentes do estado. Com isto sofre a família, a unidade básica da sociedade que se vê com cada vez menos autoridade e autonomia e vê os seus membros num funcionamento cada vez mais atomizado, fruto também em parte da ausência de direção espiritual da família, isto é, o estabelecimento do paradigma moral em que a família opera.</p>
<p><strong>2- Falácia da igualdade</strong> </p>
<p>Um dos alicerces filosóficos que domina as escolas de pensamento modernas é a ideia de igualdade. Um triunfo da cultura marxista levou a que fosse incorporado na cartilha de valores da nossa sociedade a igualdade como um fim em si mesmo. Esta doutrina está plena de sofismas e erros de lógica que não estão de acordo inclusive com aspectos de ordem natural. O ser humano como ser individual tem aptidões, interesses e competências específicas que fazem de cada um de nós diferentes. Há pessoas mais inteligentes, mais burras, mais aptas a uma coisa e menos aptas a outra e isso estabelece naturalmente diferenças entre nós que são muitas vezes valiosíssimas em termos da riqueza e diversidade de contributos sociais que cada um de nós consegue produzir. O problema é que nesta lógica da igualdade como fim em si mesmo a diferença não é bem-vinda e muito menos apreciada.</p>
<p>Também como fruto desta doutrina tendemos a considerar todas as opiniões como sendo “iguais”, o peso do voto de todos como sendo igual, quando isto é evidentemente um engano uma vez que temos naturalmente pessoas mais instruídas e menos instruídas para proferir opiniões sobre determinados assuntos, assim como temos opiniões que são erros a todos os títulos e opiniões que são fundadas na verdade.</p>
<p><strong>3- Ausência da hierarquia</strong></p>
<blockquote>
<p>Do mesmo modo que a perfeita constituição do corpo humano resulta da união e da articulação dos membros, que não têm as mesmas forças nem as mesmas funções, mas cuja feliz associação e concurso harmonioso dão a todo o organismo a sua beleza plástica, a sua força e a sua aptidão para prestar os serviços necessários, assim também, no seio da sociedade humana, acha-se uma variedade quase infinita de partes dissemelhantes. Se elas fossem todas iguais entre si, e livres, cada uma por sua conta, de agir a seu talante, nada seria mais disforme do que tal sociedade. Pelo contrário, se por uma sábia hierarquia dos merecimentos, dos gostos, das aptidões, cada uma delas concorre para o bem geral, vereis erguer-se diante de vós a imagem de uma sociedade bem ordenada e conforme a natureza.</p>
<p>Papa Leão XIII in encíclica «Humanum Genus», 20 de Abril de 1884.</p>
</blockquote>
<p>As sábias palavras do Papa Leão XIII remetem-nos para a condição natural da hierarquia e estabelecem que uma hierarquia propriamente ordenada (dos merecimentos, dos gostos e das aptidões) é a que produz a sociedade bem ordenada e conforme a natureza. Acontece que atualmente, vivemos numa permanente contradição em termos formais. Por um lado, a ideia de que a “igualdade” é o fim em si mesmo, por outro temos inevitavelmente uma hierarquia de facto porque por muitos artifícios retóricos que empreguemos há sempre uma discriminação quanto mais não seja de ordem natural.</p>
<p><strong>4- Silêncio das elites intelectuais</strong></p>
<p> A academia, os media e a cultura como um todo está tomada por uma paradigma ideológico que auxilia a construir uma narrativa sobre a autoridade que a descredibiliza. São vários os vetores da propaganda que pretendem dissuadir o indivíduo de procurar a verdadeira autoridade enquanto o convencem de que a autoridade reside em si, quando na verdade vive numa cárcere forjada por quem usurpou a autoridade legítima.</p>
<p>Importa portanto nesta fase, voltar a formar pessoas em relação aos critérios que tornam uma autoridade legítima e voltar a criar referências que reabilitem a autoridade e voltem a inspirar pessoas com o seu exemplo.</p>
<p><strong>5- Uma sociedade sem ideais ou com os ideais invertidos (uma imagem deturpada da virtude)</strong></p>
<p> As referências que temos de pessoas virtuosas na nossa sociedade são, muitas delas testemunhos vivos de um vazio na nossa sociedade. Há pessoas elevadas à fama e ao sucesso por razões absurdas e, infelizmente, são muitas vezes estas pessoas que são tidos como modelos para uma parte significativa da população. Quando aprendemos de maus modelos, imitamos os seus maus hábitos e os seus vícios. É muito frequente vermos pessoas “louvadas” pelo seu narcisismo, pela vaidade, pelo materialismo e hedonismo.</p>
<p>Para fazer face a isto precisamos de reconfigurar o que de facto são os nossos ideais e como elevamos alguém por virtude do exercício exemplar desses ideais.</p>
<p><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/$s_!2uSK!,w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fc14d0a77-543d-4eb5-87de-733654073e84_1600x1067.jpeg" alt="Coronation of Charlemagne - World History Encyclopedia"><em>Coronation of Charlemagne - World History Encyclopedia A Coroação de Carlos Magno, 1861, por Friedrich Kaulbach (1822-1903). A pintura retrata a coroação de Carlos Magno (742-814) como Imperador do Sacro Império Romano pelo Papa Leão III (r. 795-816) em 25 de dezembro de 800</em>. </p>
<p>A autoridade que se não exerce, perde-se e de facto vemos isto a acontecer quando cada vez mais nos desresponsabilizamos das tarefas que nos são devidas quer pelo nosso papel social quer pelos dons que recebemos e dos quais não fazemos uso. É importantíssimo que vejamos a autoridade como um dom e um privilégio que temos, que nos permite agir em prol do bem-comum. Sempre com espírito de serviço e com exemplo de sacrifício porque aquele que é o líder de todos não deve nunca esquecer-se que é também o servo de todos.</p>
]]></itunes:summary>
      <itunes:image href="https://blossom.primal.net/89c8bb195ee8d8d8d6fab7860738096230842ce31aa6f7c863984f39e70c3682.jpg"/>
      </item>
      
      <item>
      <title><![CDATA[Informação: Veneno ou Alimento ?]]></title>
      <description><![CDATA[A criação de uma dieta da informação para alcançar uma mente sadia]]></description>
             <itunes:subtitle><![CDATA[A criação de uma dieta da informação para alcançar uma mente sadia]]></itunes:subtitle>
      <pubDate>Mon, 23 Jun 2025 18:56:44 GMT</pubDate>
      <link>https://tvieiragoncalves.npub.pro/post/informao-veneno-ou-alimento/</link>
      <comments>https://tvieiragoncalves.npub.pro/post/informao-veneno-ou-alimento/</comments>
      <guid isPermaLink="false">naddr1qqwxjmnxdaex6ct094mx2mn9dehj6mm494skc6tdv4h8gmedqgst6vhjdp4975w2uzyf55ypvy3467573kvxxvyqds3zxd86y2enjesrqsqqqa28065vkm</guid>
      <category>psicologia</category>
      
        <media:content url="https://blossom.primal.net/ac6b1c7f8222aee1c4c788d1dabb78f400f682927cd5c917f63daa06e2c11f83.webp" medium="image"/>
        <enclosure 
          url="https://blossom.primal.net/ac6b1c7f8222aee1c4c788d1dabb78f400f682927cd5c917f63daa06e2c11f83.webp" length="0" 
          type="image/webp" 
        />
      <noteId>naddr1qqwxjmnxdaex6ct094mx2mn9dehj6mm494skc6tdv4h8gmedqgst6vhjdp4975w2uzyf55ypvy3467573kvxxvyqds3zxd86y2enjesrqsqqqa28065vkm</noteId>
      <npub>npub1h5e0y6r2tagu4cygnfggzcfrt4afarvcvvcgqmpzyv605g4n89nqhlf2e2</npub>
      <dc:creator><![CDATA[Tiago G]]></dc:creator>
      <content:encoded><![CDATA[<p>O ser humano é dotado da capacidade de conhecer a realidade e procurar a verdade das coisas. Somos dotados da capacidade de formular questões, pensar logicamente sobre os fenómenos e contemplar futuro, passado e presente nos nossos processos intelectuais. Temos um intelecto agente que produz pensamento e perceção, e um intelecto possível que é continuamente atualizado mediante o consumo de informação.</p>
<p>No nosso processo de atualização deste intelecto possível residem algumas questões que me parecem pertinentes para a nossa saúde mental: existirá uma estética para o consumo de informação ? Diria que sim, que existe.</p>
<p>Pensemos na nossa mente como um templo que está organizado seguindo determinados preceitos estéticos. A disposição dos altares, a forma como são adornados, o que lá é colocado, as cores que são utilizadas, enfim são muitos os elementos analisados para determinar como organizamos esse espaço. Importa também dizer que a forma como organizamos o espaço diz muito sobre a forma como criamos uma hierarquia na qual definimos o que merece mais a nossa atenção, o que está “no centro” e o que merece menos, o que está “nas laterais”. Considerando este processo torna-se desde logo óbvio que na economia que fazemos da nossa atenção devemos ser seletivos na forma como a empregamos e dedicamos ao consumo de informação. A atenção é um recurso finito, isto é, não é possível mobilizar a atenção para todos os objetos em simultâneo, é necessário selecionar.</p>
<p>Considerando isto percebemos que a informação não tem o mesmo valor e que um consumo de informação desregrado tem como resultado uma mente desequilibrada. Impõe-se então pensar sobre como podemos fazer a melhor dieta da informação.</p>
<p>Pensando sobre a dieta da informação, vejamos alguns pontos chave:</p>
<p><strong>1- Nem toda a informação palatável é boa informação</strong></p>
<p>Há vários tipos de informação que são extremamente apelativos e que no entanto não constituem boa informação. As nossas paixões, conceito da filosofia clássica que diz respeito aos impulsos emocionais da pessoa dirigidos a um objeto, são facilmente seduzidas e tentadas para um determinado tipo de informação. Vejamos o exemplo das redes sociais, apesar de existir conteúdo edificante nas mesmas note-se que grande parte do conteúdo está ligado a uma tentativa de despertar as paixões para propiciar o vício. As redes sociais usam frequentemente “gatilhos” que procuram capturar a nossa atenção através dos apetites das paixões. Vejamos como a sensualidade é extremamente disseminada no instagram, ou como o conteúdo fracturante é propagado em redes como o twitter e facebook, em inglês foi até criado um termo para o efeito, o rage bait (tática usada em redes sociais para gerar reações negativas e indignação) . Na música e na arte em geral podemos notar algo parecido, são usados certos gatilhos estéticos que nos cativam e seduzem, contudo o conteúdo da obra em si pode ser muitas vezes vazio, vulgar e desmoralizante. Nos vídeos, especificamente no youtube vemos sistematicamente o uso de uma edição ultra-dinâmica que elimina os silêncios e “tempos mortos” dos vídeos. Esta é uma forma de artificialmente diminuar a capacidade atencional do utilizador usando gatilhos visuais.</p>
<p><strong>2- O cultivo de uma vida intelectual prepara o terreno</strong></p>
<p>A nossa mente é também uma ferramenta de processamento de informação que requer uma inspecção e manutenção. Criar hábitos de leitura, de escrita, de oração, são alguns exemplos de rotinas que podemos criar para que tenhamos uma mente em bom funcionamento. Quando não cuidamos destas rotinas a tendência é para a uma certa preguiça intelectual onde há pouca curiosidade e disponibilidade para consumir informação edificante.</p>
<p><strong>3- Usar um paradigma filosófico para filtrar e ter discernimento</strong></p>
<p>É fundamental, para se ter discernimento no consumo de informação, perceber se a informação que vamos consumir vai ao encontro dos nossos valores e da nossa mundividência. Há casos em que prudentemente consumir informação do campo opositor ao nosso, pode ser uma mais valia, contudo esta não deve ser a regra. Se sabemos que um certo texto nos conta mentiras, não no sentido de ser um texto lírico mas no sentido ontológico, valerá verdadeiramente a pena ler ?</p>
<p><strong>4- A boa informação exige trabalho</strong></p>
<p>Há determinadas aprendizagens que para as realizarmos precisamos de perseverança, tempo e paciência. Tudo isto exige algum trabalho, ou seja alguma prática da nossa parte. A título de exemplo, ninguém aprende a tocar um instrumento musical sem alguma prática prévia. A leitura é outro exemplo em que necessitamos de cultivar uma certa resistência à frustração, pois neste campo há obras que podem ser densas e com alguma complexidade mas que ao mesmo tempo podem constituir valiosíssimas fontes de informação.</p>
<p><strong>5- Escolher boas fontes</strong></p>
<p>Quando vamos procurar um conselho de um amigo, procuramos normalmente alguém que consideramos uma referência para nós, alguém com um exemplo de vida em quem podemos confiar. Na escolha da informação a consumir importa também ter alguma diligência na forma como atribuímos credibilidade a determinadas fontes. São frequentes os exemplos de fontes “aparentemente” credíveis que não o são, e que apenas usam o prestígio e autoridade conquistadas para transmitir um verniz de credibilidade. No final de contas a autoridade máxima está na verdade, portanto a fonte será melhor tanto quanto aderir à verdade.</p>
<p>Muitas vezes ouvimos dizer que vivemos na era da informação, contudo nesta era da informação há muito ruído e é urgente aprendermos a filtrar o sinal. Sem esta filtragem estamos sujeitos cada vez mais a legar a nossa mente ao controlo dos algoritmos e a quem os programa. Importa que apliquemos estes princípios e outros para preservamos a nossa mente pois o seu estado será também produto deste consumo da informação. Quem controla os canais de informação, controla o mundo daí que se considere que a informação seja o novo petróleo.</p>
]]></content:encoded>
      <itunes:author><![CDATA[Tiago G]]></itunes:author>
      <itunes:summary><![CDATA[<p>O ser humano é dotado da capacidade de conhecer a realidade e procurar a verdade das coisas. Somos dotados da capacidade de formular questões, pensar logicamente sobre os fenómenos e contemplar futuro, passado e presente nos nossos processos intelectuais. Temos um intelecto agente que produz pensamento e perceção, e um intelecto possível que é continuamente atualizado mediante o consumo de informação.</p>
<p>No nosso processo de atualização deste intelecto possível residem algumas questões que me parecem pertinentes para a nossa saúde mental: existirá uma estética para o consumo de informação ? Diria que sim, que existe.</p>
<p>Pensemos na nossa mente como um templo que está organizado seguindo determinados preceitos estéticos. A disposição dos altares, a forma como são adornados, o que lá é colocado, as cores que são utilizadas, enfim são muitos os elementos analisados para determinar como organizamos esse espaço. Importa também dizer que a forma como organizamos o espaço diz muito sobre a forma como criamos uma hierarquia na qual definimos o que merece mais a nossa atenção, o que está “no centro” e o que merece menos, o que está “nas laterais”. Considerando este processo torna-se desde logo óbvio que na economia que fazemos da nossa atenção devemos ser seletivos na forma como a empregamos e dedicamos ao consumo de informação. A atenção é um recurso finito, isto é, não é possível mobilizar a atenção para todos os objetos em simultâneo, é necessário selecionar.</p>
<p>Considerando isto percebemos que a informação não tem o mesmo valor e que um consumo de informação desregrado tem como resultado uma mente desequilibrada. Impõe-se então pensar sobre como podemos fazer a melhor dieta da informação.</p>
<p>Pensando sobre a dieta da informação, vejamos alguns pontos chave:</p>
<p><strong>1- Nem toda a informação palatável é boa informação</strong></p>
<p>Há vários tipos de informação que são extremamente apelativos e que no entanto não constituem boa informação. As nossas paixões, conceito da filosofia clássica que diz respeito aos impulsos emocionais da pessoa dirigidos a um objeto, são facilmente seduzidas e tentadas para um determinado tipo de informação. Vejamos o exemplo das redes sociais, apesar de existir conteúdo edificante nas mesmas note-se que grande parte do conteúdo está ligado a uma tentativa de despertar as paixões para propiciar o vício. As redes sociais usam frequentemente “gatilhos” que procuram capturar a nossa atenção através dos apetites das paixões. Vejamos como a sensualidade é extremamente disseminada no instagram, ou como o conteúdo fracturante é propagado em redes como o twitter e facebook, em inglês foi até criado um termo para o efeito, o rage bait (tática usada em redes sociais para gerar reações negativas e indignação) . Na música e na arte em geral podemos notar algo parecido, são usados certos gatilhos estéticos que nos cativam e seduzem, contudo o conteúdo da obra em si pode ser muitas vezes vazio, vulgar e desmoralizante. Nos vídeos, especificamente no youtube vemos sistematicamente o uso de uma edição ultra-dinâmica que elimina os silêncios e “tempos mortos” dos vídeos. Esta é uma forma de artificialmente diminuar a capacidade atencional do utilizador usando gatilhos visuais.</p>
<p><strong>2- O cultivo de uma vida intelectual prepara o terreno</strong></p>
<p>A nossa mente é também uma ferramenta de processamento de informação que requer uma inspecção e manutenção. Criar hábitos de leitura, de escrita, de oração, são alguns exemplos de rotinas que podemos criar para que tenhamos uma mente em bom funcionamento. Quando não cuidamos destas rotinas a tendência é para a uma certa preguiça intelectual onde há pouca curiosidade e disponibilidade para consumir informação edificante.</p>
<p><strong>3- Usar um paradigma filosófico para filtrar e ter discernimento</strong></p>
<p>É fundamental, para se ter discernimento no consumo de informação, perceber se a informação que vamos consumir vai ao encontro dos nossos valores e da nossa mundividência. Há casos em que prudentemente consumir informação do campo opositor ao nosso, pode ser uma mais valia, contudo esta não deve ser a regra. Se sabemos que um certo texto nos conta mentiras, não no sentido de ser um texto lírico mas no sentido ontológico, valerá verdadeiramente a pena ler ?</p>
<p><strong>4- A boa informação exige trabalho</strong></p>
<p>Há determinadas aprendizagens que para as realizarmos precisamos de perseverança, tempo e paciência. Tudo isto exige algum trabalho, ou seja alguma prática da nossa parte. A título de exemplo, ninguém aprende a tocar um instrumento musical sem alguma prática prévia. A leitura é outro exemplo em que necessitamos de cultivar uma certa resistência à frustração, pois neste campo há obras que podem ser densas e com alguma complexidade mas que ao mesmo tempo podem constituir valiosíssimas fontes de informação.</p>
<p><strong>5- Escolher boas fontes</strong></p>
<p>Quando vamos procurar um conselho de um amigo, procuramos normalmente alguém que consideramos uma referência para nós, alguém com um exemplo de vida em quem podemos confiar. Na escolha da informação a consumir importa também ter alguma diligência na forma como atribuímos credibilidade a determinadas fontes. São frequentes os exemplos de fontes “aparentemente” credíveis que não o são, e que apenas usam o prestígio e autoridade conquistadas para transmitir um verniz de credibilidade. No final de contas a autoridade máxima está na verdade, portanto a fonte será melhor tanto quanto aderir à verdade.</p>
<p>Muitas vezes ouvimos dizer que vivemos na era da informação, contudo nesta era da informação há muito ruído e é urgente aprendermos a filtrar o sinal. Sem esta filtragem estamos sujeitos cada vez mais a legar a nossa mente ao controlo dos algoritmos e a quem os programa. Importa que apliquemos estes princípios e outros para preservamos a nossa mente pois o seu estado será também produto deste consumo da informação. Quem controla os canais de informação, controla o mundo daí que se considere que a informação seja o novo petróleo.</p>
]]></itunes:summary>
      <itunes:image href="https://blossom.primal.net/ac6b1c7f8222aee1c4c788d1dabb78f400f682927cd5c917f63daa06e2c11f83.webp"/>
      </item>
      
      <item>
      <title><![CDATA[O Fenómeno Bebé Reborn
]]></title>
      <description><![CDATA[A teatralização da maternidade
]]></description>
             <itunes:subtitle><![CDATA[A teatralização da maternidade
]]></itunes:subtitle>
      <pubDate>Tue, 20 May 2025 14:07:47 GMT</pubDate>
      <link>https://tvieiragoncalves.npub.pro/post/o-fenomeno-bebe-reborn/</link>
      <comments>https://tvieiragoncalves.npub.pro/post/o-fenomeno-bebe-reborn/</comments>
      <guid isPermaLink="false">naddr1qqvk7ttxv4hv8vmdv4hx7ttzv43v82fdwfjkymmjdc9qyg9axtexs6jl289wpzy62zqkzg6a020gmxrrxzqxcg3rxnaz9veevcpsgqqqw4rsu65fzd</guid>
      <category>psicologia</category>
      
        <media:content url="https://blossom.primal.net/a1a2b10e66a94dcc610bbda9cbcb79fd992947d4fa08b906c5f9831cc6cab841.jpg" medium="image"/>
        <enclosure 
          url="https://blossom.primal.net/a1a2b10e66a94dcc610bbda9cbcb79fd992947d4fa08b906c5f9831cc6cab841.jpg" length="0" 
          type="image/jpeg" 
        />
      <noteId>naddr1qqvk7ttxv4hv8vmdv4hx7ttzv43v82fdwfjkymmjdc9qyg9axtexs6jl289wpzy62zqkzg6a020gmxrrxzqxcg3rxnaz9veevcpsgqqqw4rsu65fzd</noteId>
      <npub>npub1h5e0y6r2tagu4cygnfggzcfrt4afarvcvvcgqmpzyv605g4n89nqhlf2e2</npub>
      <dc:creator><![CDATA[Tiago G]]></dc:creator>
      <content:encoded><![CDATA[<p>Recentemente tive conhecimento do mais recente flagelo cuja popularidade espelha bem o estado avançado de degeneração da nossa sociedade, o bebé reborn. Há uns anos certamente não passaria de uma piada de mau gosto quando alguém nos dissesse que decidiu adquirir um boneco para criar como se se tratasse de um filho, infelizmente em 2025 deixou de ser uma piada para se tornar algo assombroso.</p>
<p>Depois de fazer alguma pesquisa sobre o tema percebi que há pessoas que têm em curso processos <a href="https://www.correio24horas.com.br/em-alta/advogada-revela-disputa-judicial-por-guarda-de-bebe-reborn-apego-emocional-0525"><em>litigantes judiciais</em></a> relativos à, note-se com pasmo, guarda da boneca. A insanidade não fica por aqui uma vez que, algumas "mães" procuram <a href="https://www.cnnbrasil.com.br/politica/deputados-protocolam-pls-para-proibir-atendimento-de-bebe-reborn-no-sus/"><em>atendimento médico</em></a> para os seus bonecos. No Brasil, a câmara dos deputados recebeu três projetos destinados à criação de políticas públicas relacionadas com estes bonecos. As notícias sobre este fenómeno surreal multiplicam-se à medida que a insanidade se alastra como vírus pelas redes sociais.</p>
<p>Vivemos numa sociedade que há muito se divorciou da realidade, uma sociedade de pós-verdade, por isso de alguma forma não choca que este tipo de coisa possa acontecer. Podemos dizer que de alguma forma existe um primado do sentimento face à razão, preferimos, por vezes com consequências catastróficas, uma mentira "empática" do que uma verdade salvífica. Esta nossa tibieza em afirmar a verdade leva-nos consequentemente a uma crendice insustentável que é esta de, cada um tem a sua verdade. Graças a essa filosofia permitimos que um certo discurso lunático tenha mais alcance no espaço público. Por vezes ingenuamente podemos pensar que se trata de algo inofensivo, sem consequências de maior, contudo a experiência mostra-nos precisamente o contrário. Há por detrás destes fenómenos uma índole corrosiva que funciona como aguilhão para a disseminação das agendas políticas e ideológicas que visam a destruição da família. Considerando a excecional vulnerabilidade psíquica que observamos em cada vez mais pessoas neste tempo e a ampla disseminação destes fenómenos temos razão mais que suficientes para estarmos preocupados.</p>
<p><a href="https://substackcdn.com/image/fetch/f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F18a24808-ee4d-42f0-b44a-ed809194c9a7_1920x1280.webp"><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F18a24808-ee4d-42f0-b44a-ed809194c9a7_1920x1280.webp" alt="O que são os 'bebés Reborn' e porque estão a causar polémica no Brasil? -  SIC Notícias" title="O que são os 'bebés Reborn' e porque estão a causar polémica no Brasil? -  SIC Notícias"></a></p>
<p>Uma outra elação que podemos retirar é que a nossa sociedade com as alegadas gerações "mais bem preparadas de sempre" está claramente a produzir um excesso de adultos que se comporta e, a todos os títulos são, crianças funcionais.</p>
<p>Com tudo isto fica cada vez mais difícil viver uma vida harmoniosa com a lei natural, pois vivemos em harmonia com algo considerado opressor pelos apologetas destes produtos do marxismo cultural. Com a pretensa igualdade que se pretende alcançar, equiparando inclusive um boneco a uma bebé, as famílias no sentido próprio do termo ficam em segundo plano relativamente a estes "novos" e esotéricos conceitos de família.</p>
<p>Importa perguntar, no meio de todas essas novas formas de se pensar uma família, qual é o ideal ?</p>
<p>Provavelmente os apologetas destas bizarrices ficarão em silêncio uma vez que coerentemente consideram que todas as formas são iguais e válidas.</p>
<p>Isto é apenas mais um sinal que nos é dado do declínio palpável dos valores que construíram a nossa sociedade e civilização. Façamos algo para que estas nocivas ideologias não entrem no nosso coração e em nossas casas, sob pena da corrupção dos nossos princípios e dos daqueles que nos são queridos. Estes fenómenos são de tal forma doentios que nos levam a crer que vivemos numa época tragicómica, o que me fez lembrar de uma história contada por Kierkgaard e que partilho de seguida.</p>
<blockquote>
<p><em><strong>“Certa vez, houve um incêndio num circo ambulante na Dinamarca. O director mandou imediatamente o palhaço, que já se encontrava vestido e maquilhado a preceito, para a vila mais próxima, à procura de ajuda, advertindo-o de que existia o perigo de o fogo se espalhar pelos campos ceifados e ressequidos, com risco iminente para as casas do próprio povoado. O palhaço correu até à vila e pediu aos moradores que viessem ajudar a apagar o incêndio que estava a destruir o circo. Mas os habitantes viram nos gritos do palhaço apenas um belo truque de publicidade que visaria levá-los a acorrer em grande número às sessões do circo; aplaudiam e desatavam a rir. Diante dessa reacção, o palhaço sentiu mais vontade de chorar do que de rir. Fez de tudo para convencer as pessoas de que não estava a representar, de que não se tratava de um truque e sim de um apelo da maior seriedade: estava realmente em causa um incêndio. Mas a sua insistência só fazia aumentar os risos; eles achavam que a performance estava excelente – até que o fogo alcançou de facto aquela vila. Aí já foi tarde, e o fogo acabou por destruir não só o circo, mas também a povoação”.</strong></em></p>
<p><em><strong>Soren Kierkgaard - Filósofo dinamarquês</strong></em></p>
</blockquote>
]]></content:encoded>
      <itunes:author><![CDATA[Tiago G]]></itunes:author>
      <itunes:summary><![CDATA[<p>Recentemente tive conhecimento do mais recente flagelo cuja popularidade espelha bem o estado avançado de degeneração da nossa sociedade, o bebé reborn. Há uns anos certamente não passaria de uma piada de mau gosto quando alguém nos dissesse que decidiu adquirir um boneco para criar como se se tratasse de um filho, infelizmente em 2025 deixou de ser uma piada para se tornar algo assombroso.</p>
<p>Depois de fazer alguma pesquisa sobre o tema percebi que há pessoas que têm em curso processos <a href="https://www.correio24horas.com.br/em-alta/advogada-revela-disputa-judicial-por-guarda-de-bebe-reborn-apego-emocional-0525"><em>litigantes judiciais</em></a> relativos à, note-se com pasmo, guarda da boneca. A insanidade não fica por aqui uma vez que, algumas "mães" procuram <a href="https://www.cnnbrasil.com.br/politica/deputados-protocolam-pls-para-proibir-atendimento-de-bebe-reborn-no-sus/"><em>atendimento médico</em></a> para os seus bonecos. No Brasil, a câmara dos deputados recebeu três projetos destinados à criação de políticas públicas relacionadas com estes bonecos. As notícias sobre este fenómeno surreal multiplicam-se à medida que a insanidade se alastra como vírus pelas redes sociais.</p>
<p>Vivemos numa sociedade que há muito se divorciou da realidade, uma sociedade de pós-verdade, por isso de alguma forma não choca que este tipo de coisa possa acontecer. Podemos dizer que de alguma forma existe um primado do sentimento face à razão, preferimos, por vezes com consequências catastróficas, uma mentira "empática" do que uma verdade salvífica. Esta nossa tibieza em afirmar a verdade leva-nos consequentemente a uma crendice insustentável que é esta de, cada um tem a sua verdade. Graças a essa filosofia permitimos que um certo discurso lunático tenha mais alcance no espaço público. Por vezes ingenuamente podemos pensar que se trata de algo inofensivo, sem consequências de maior, contudo a experiência mostra-nos precisamente o contrário. Há por detrás destes fenómenos uma índole corrosiva que funciona como aguilhão para a disseminação das agendas políticas e ideológicas que visam a destruição da família. Considerando a excecional vulnerabilidade psíquica que observamos em cada vez mais pessoas neste tempo e a ampla disseminação destes fenómenos temos razão mais que suficientes para estarmos preocupados.</p>
<p><a href="https://substackcdn.com/image/fetch/f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F18a24808-ee4d-42f0-b44a-ed809194c9a7_1920x1280.webp"><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F18a24808-ee4d-42f0-b44a-ed809194c9a7_1920x1280.webp" alt="O que são os 'bebés Reborn' e porque estão a causar polémica no Brasil? -  SIC Notícias" title="O que são os 'bebés Reborn' e porque estão a causar polémica no Brasil? -  SIC Notícias"></a></p>
<p>Uma outra elação que podemos retirar é que a nossa sociedade com as alegadas gerações "mais bem preparadas de sempre" está claramente a produzir um excesso de adultos que se comporta e, a todos os títulos são, crianças funcionais.</p>
<p>Com tudo isto fica cada vez mais difícil viver uma vida harmoniosa com a lei natural, pois vivemos em harmonia com algo considerado opressor pelos apologetas destes produtos do marxismo cultural. Com a pretensa igualdade que se pretende alcançar, equiparando inclusive um boneco a uma bebé, as famílias no sentido próprio do termo ficam em segundo plano relativamente a estes "novos" e esotéricos conceitos de família.</p>
<p>Importa perguntar, no meio de todas essas novas formas de se pensar uma família, qual é o ideal ?</p>
<p>Provavelmente os apologetas destas bizarrices ficarão em silêncio uma vez que coerentemente consideram que todas as formas são iguais e válidas.</p>
<p>Isto é apenas mais um sinal que nos é dado do declínio palpável dos valores que construíram a nossa sociedade e civilização. Façamos algo para que estas nocivas ideologias não entrem no nosso coração e em nossas casas, sob pena da corrupção dos nossos princípios e dos daqueles que nos são queridos. Estes fenómenos são de tal forma doentios que nos levam a crer que vivemos numa época tragicómica, o que me fez lembrar de uma história contada por Kierkgaard e que partilho de seguida.</p>
<blockquote>
<p><em><strong>“Certa vez, houve um incêndio num circo ambulante na Dinamarca. O director mandou imediatamente o palhaço, que já se encontrava vestido e maquilhado a preceito, para a vila mais próxima, à procura de ajuda, advertindo-o de que existia o perigo de o fogo se espalhar pelos campos ceifados e ressequidos, com risco iminente para as casas do próprio povoado. O palhaço correu até à vila e pediu aos moradores que viessem ajudar a apagar o incêndio que estava a destruir o circo. Mas os habitantes viram nos gritos do palhaço apenas um belo truque de publicidade que visaria levá-los a acorrer em grande número às sessões do circo; aplaudiam e desatavam a rir. Diante dessa reacção, o palhaço sentiu mais vontade de chorar do que de rir. Fez de tudo para convencer as pessoas de que não estava a representar, de que não se tratava de um truque e sim de um apelo da maior seriedade: estava realmente em causa um incêndio. Mas a sua insistência só fazia aumentar os risos; eles achavam que a performance estava excelente – até que o fogo alcançou de facto aquela vila. Aí já foi tarde, e o fogo acabou por destruir não só o circo, mas também a povoação”.</strong></em></p>
<p><em><strong>Soren Kierkgaard - Filósofo dinamarquês</strong></em></p>
</blockquote>
]]></itunes:summary>
      <itunes:image href="https://blossom.primal.net/a1a2b10e66a94dcc610bbda9cbcb79fd992947d4fa08b906c5f9831cc6cab841.jpg"/>
      </item>
      
      <item>
      <title><![CDATA[A Crise da Masculinidade]]></title>
      <description><![CDATA[A figura do pai de família como antítese do homem moderno
]]></description>
             <itunes:subtitle><![CDATA[A figura do pai de família como antítese do homem moderno
]]></itunes:subtitle>
      <pubDate>Tue, 18 Mar 2025 18:59:23 GMT</pubDate>
      <link>https://tvieiragoncalves.npub.pro/post/a-crise-da-masculinidade-x6xkwk/</link>
      <comments>https://tvieiragoncalves.npub.pro/post/a-crise-da-masculinidade-x6xkwk/</comments>
      <guid isPermaLink="false">naddr1qq05zt2rwf5hxefdv3sj6ntpwd3h2mrfde5kgctyv5khsdncddmkkq3qh5e0y6r2tagu4cygnfggzcfrt4afarvcvvcgqmpzyv605g4n89nqxpqqqp65wquug84</guid>
      <category>masculinidade</category>
      
        <media:content url="https://blossom.primal.net/5218d53cc5ada74a532abcfe373c89761ac9de89ea56ed51d22319d00afb717c.jpg" medium="image"/>
        <enclosure 
          url="https://blossom.primal.net/5218d53cc5ada74a532abcfe373c89761ac9de89ea56ed51d22319d00afb717c.jpg" length="0" 
          type="image/jpeg" 
        />
      <noteId>naddr1qq05zt2rwf5hxefdv3sj6ntpwd3h2mrfde5kgctyv5khsdncddmkkq3qh5e0y6r2tagu4cygnfggzcfrt4afarvcvvcgqmpzyv605g4n89nqxpqqqp65wquug84</noteId>
      <npub>npub1h5e0y6r2tagu4cygnfggzcfrt4afarvcvvcgqmpzyv605g4n89nqhlf2e2</npub>
      <dc:creator><![CDATA[Tiago G]]></dc:creator>
      <content:encoded><![CDATA[<p>O que torna um homem um modelo a ser seguido ? Que qualidades pode apresentar um homem que demonstram as suas aspirações ?</p>
<p>Nos dias que correm a nobreza de carácter não parece ser o factor chave nas figuras que são mais celebradas pelo mundo inteiro. A nossa sociedade dá mais atenção ao indigente moral célebre pelas sacadas narcísicas do que ao guerreiro, ao santo, ao patriarca que dedicaram a sua vida a um propósito e aspirações manifestamente superiores.</p>
<p>É frequente vermos ser objeto de atenção o homem vaidoso, efeminado, narcísico e corrupto até. O facto de serem estas as referências que temos na cultura moderna diz muito da sociedade em que vivemos. É importante notar que nós somos como espelhos que refletem aquilo que reverenciamos, isto é, vamo-nos tornando mais parecidos com o objeto da nossa admiração. É nosso instinto tentar imitar aquilo que admiramos, portanto isto é um grave problema quando admiramos as coisas erradas.</p>
<p>Pode parecer contraintuitivo mas por vezes as coisas mais admiráveis na vida são na verdade as mais simples. Prestemos atenção ao que nos diz o auto G.K Chesterton a este propósito.</p>
<p><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fadb537a2-9e9c-4e65-95cd-6d05cac89187_850x400.jpeg" alt="Gilbert K. Chesterton quote: The most extraordinary thing in the world is  an ordinary..."></p>
<p>Há algo de magnificamente sóbrio no pai de família que não procura atenção e se dedica exclusivamente ao seu dever. Esta figura é, por hora, demonizada tantas e tantas vezes, sendo frequentemente apresentado como sendo o mandatário de uma cultura misógina e machista.</p>
<p>Estou convencido que enquanto a figura de pai de família não for devidamente reabilitada, dificilmente teremos um ressurgimento de famílias propriamente ordenadas. É importante notar aqui um ponto, este pai de família deve ser alguém capaz de colocar os interesses da família primeiro que os seus interesses individuais. Deve ser alguém que não viva no relativismo moral, mas sim um homem de fé, algo que está em vias de extinção no ocidente e em particular em Portugal. Este homem deve ser o porto de abrigo para a sua família, alguém disposto a travar o bom combate, e será sempre portanto um defensor acérrimo da verdade. Não será naturalmente alguém obcecado com a sua própria imagem, mas sim um homem desejavelmente forte quer em termos físicos, tendo zelo na forma como se exercita, quer em termos mentais, sendo uma pessoa capaz mas com autocontrolo. Deve também ser um homem com uma vida intelectual, isto é, alguém que nutre interesse pelo legado que lhe foi confiado e procura aprender sobre o mesmo. Muitos homens antes de si fizeram sacrifícios para que o homem da atualidade usufrua dos mais variados benefícios.</p>
<p>A atualidade oferece-nos por vezes a promoção de algumas destas facetas, algo que seria desejável e bom, contudo com algumas distorções. Há homens fortes, capazes de feitos atléticos ímpares, que se cultivam nesse domínio mas pelas razões erradas. Por vezes o imperativo moral que os guia é a vaidade, sendo que esse trabalho físico que fazem conspira para consolidar o seu narcisismo.</p>
<p>Outros há com uma determinação inabalável, algo louvável quando usada para os fins próprios. Esta determinação não deve ser usada para a procura de grandes riquezas como um fim em si mesmas, nem como um isco usado para o oportunismo sexual com as mulheres.</p>
<p>Poderíamos também dar como exemplo, homens com uma prodigiosa inteligência mas que, não a tendo devidamente orientada, a usam para manipular e corromper o discurso público não olhando a meios para atingir os fins.</p>
<p>Um factor chave que dificulta a formação de mais homens com este tipo de espinha dorsal é uma certa apropriação da linguagem que tem existido no discurso público que procura rotular quem ousa desafiar este&nbsp;<em>status quo.</em>&nbsp;Termos como “negacionista”, “radical”, “fascista”, “fundamentalista”, “ultranacionalista” entre outros, são constantemente atirados remetendo o homem para uma falsa conclusão:</p>
<blockquote>
<p><strong>“ Tu não podes defender nada, nem ter certeza de nada”.</strong></p>
</blockquote>
<p><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F8d2e324f-f2f5-4ee5-b670-7cf8c4f147b6_562x368.png" alt=""></p>
<p>Outra ferramenta importante nesta desconstrução é o apelo ao vício. Sendo através da pornografia, da comida ultra-processada ou de uma vida de conforto , há claramente um incentivo ao hedonismo e à autoindulgência. Procura-se alimentar cada vez mais esta busca do prazer com o fim último, e por conseguinte a coragem, o sacrifício e o trabalho, como pedras angulares da construção do carácter do homem ficam para segundo plano.</p>
<p>O cavalheirismo ficou-se apenas pelas aparências. Por vezes, há um verniz de algumas das propriedades que descrevi em várias situações, contudo não passa de uma máscara. É fácil segurar uma porta para uma senhora e dizer “com licença”, “por favor”, para se mostrar alguém educado quando o custo para o fazer é mínimo. Difícil é estar disposto a fazer sacríficos em que nos doamos inteiramente pelos outros, no entanto é isso que é pedido ao homem. Doando-se encontrará o seu verdadeiro propósito.</p>
]]></content:encoded>
      <itunes:author><![CDATA[Tiago G]]></itunes:author>
      <itunes:summary><![CDATA[<p>O que torna um homem um modelo a ser seguido ? Que qualidades pode apresentar um homem que demonstram as suas aspirações ?</p>
<p>Nos dias que correm a nobreza de carácter não parece ser o factor chave nas figuras que são mais celebradas pelo mundo inteiro. A nossa sociedade dá mais atenção ao indigente moral célebre pelas sacadas narcísicas do que ao guerreiro, ao santo, ao patriarca que dedicaram a sua vida a um propósito e aspirações manifestamente superiores.</p>
<p>É frequente vermos ser objeto de atenção o homem vaidoso, efeminado, narcísico e corrupto até. O facto de serem estas as referências que temos na cultura moderna diz muito da sociedade em que vivemos. É importante notar que nós somos como espelhos que refletem aquilo que reverenciamos, isto é, vamo-nos tornando mais parecidos com o objeto da nossa admiração. É nosso instinto tentar imitar aquilo que admiramos, portanto isto é um grave problema quando admiramos as coisas erradas.</p>
<p>Pode parecer contraintuitivo mas por vezes as coisas mais admiráveis na vida são na verdade as mais simples. Prestemos atenção ao que nos diz o auto G.K Chesterton a este propósito.</p>
<p><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fadb537a2-9e9c-4e65-95cd-6d05cac89187_850x400.jpeg" alt="Gilbert K. Chesterton quote: The most extraordinary thing in the world is  an ordinary..."></p>
<p>Há algo de magnificamente sóbrio no pai de família que não procura atenção e se dedica exclusivamente ao seu dever. Esta figura é, por hora, demonizada tantas e tantas vezes, sendo frequentemente apresentado como sendo o mandatário de uma cultura misógina e machista.</p>
<p>Estou convencido que enquanto a figura de pai de família não for devidamente reabilitada, dificilmente teremos um ressurgimento de famílias propriamente ordenadas. É importante notar aqui um ponto, este pai de família deve ser alguém capaz de colocar os interesses da família primeiro que os seus interesses individuais. Deve ser alguém que não viva no relativismo moral, mas sim um homem de fé, algo que está em vias de extinção no ocidente e em particular em Portugal. Este homem deve ser o porto de abrigo para a sua família, alguém disposto a travar o bom combate, e será sempre portanto um defensor acérrimo da verdade. Não será naturalmente alguém obcecado com a sua própria imagem, mas sim um homem desejavelmente forte quer em termos físicos, tendo zelo na forma como se exercita, quer em termos mentais, sendo uma pessoa capaz mas com autocontrolo. Deve também ser um homem com uma vida intelectual, isto é, alguém que nutre interesse pelo legado que lhe foi confiado e procura aprender sobre o mesmo. Muitos homens antes de si fizeram sacrifícios para que o homem da atualidade usufrua dos mais variados benefícios.</p>
<p>A atualidade oferece-nos por vezes a promoção de algumas destas facetas, algo que seria desejável e bom, contudo com algumas distorções. Há homens fortes, capazes de feitos atléticos ímpares, que se cultivam nesse domínio mas pelas razões erradas. Por vezes o imperativo moral que os guia é a vaidade, sendo que esse trabalho físico que fazem conspira para consolidar o seu narcisismo.</p>
<p>Outros há com uma determinação inabalável, algo louvável quando usada para os fins próprios. Esta determinação não deve ser usada para a procura de grandes riquezas como um fim em si mesmas, nem como um isco usado para o oportunismo sexual com as mulheres.</p>
<p>Poderíamos também dar como exemplo, homens com uma prodigiosa inteligência mas que, não a tendo devidamente orientada, a usam para manipular e corromper o discurso público não olhando a meios para atingir os fins.</p>
<p>Um factor chave que dificulta a formação de mais homens com este tipo de espinha dorsal é uma certa apropriação da linguagem que tem existido no discurso público que procura rotular quem ousa desafiar este&nbsp;<em>status quo.</em>&nbsp;Termos como “negacionista”, “radical”, “fascista”, “fundamentalista”, “ultranacionalista” entre outros, são constantemente atirados remetendo o homem para uma falsa conclusão:</p>
<blockquote>
<p><strong>“ Tu não podes defender nada, nem ter certeza de nada”.</strong></p>
</blockquote>
<p><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F8d2e324f-f2f5-4ee5-b670-7cf8c4f147b6_562x368.png" alt=""></p>
<p>Outra ferramenta importante nesta desconstrução é o apelo ao vício. Sendo através da pornografia, da comida ultra-processada ou de uma vida de conforto , há claramente um incentivo ao hedonismo e à autoindulgência. Procura-se alimentar cada vez mais esta busca do prazer com o fim último, e por conseguinte a coragem, o sacrifício e o trabalho, como pedras angulares da construção do carácter do homem ficam para segundo plano.</p>
<p>O cavalheirismo ficou-se apenas pelas aparências. Por vezes, há um verniz de algumas das propriedades que descrevi em várias situações, contudo não passa de uma máscara. É fácil segurar uma porta para uma senhora e dizer “com licença”, “por favor”, para se mostrar alguém educado quando o custo para o fazer é mínimo. Difícil é estar disposto a fazer sacríficos em que nos doamos inteiramente pelos outros, no entanto é isso que é pedido ao homem. Doando-se encontrará o seu verdadeiro propósito.</p>
]]></itunes:summary>
      <itunes:image href="https://blossom.primal.net/5218d53cc5ada74a532abcfe373c89761ac9de89ea56ed51d22319d00afb717c.jpg"/>
      </item>
      
      <item>
      <title><![CDATA[As Coisas e os Seus Fins]]></title>
      <description><![CDATA[As quatro causas de Aristóteles e o exame à essência das coisas.
]]></description>
             <itunes:subtitle><![CDATA[As quatro causas de Aristóteles e o exame à essência das coisas.
]]></itunes:subtitle>
      <pubDate>Wed, 05 Mar 2025 11:04:28 GMT</pubDate>
      <link>https://tvieiragoncalves.npub.pro/post/as-coisas-e-os-seus-fins-b9mhkj/</link>
      <comments>https://tvieiragoncalves.npub.pro/post/as-coisas-e-os-seus-fins-b9mhkj/</comments>
      <guid isPermaLink="false">naddr1qq05zuedgdhkjumpwvkk2tt0wvk4xet4wvk5v6twwvkkywtddp4k5q3qh5e0y6r2tagu4cygnfggzcfrt4afarvcvvcgqmpzyv605g4n89nqxpqqqp65w93qldr</guid>
      <category>psicologia</category>
      
        <media:content url="https://blossom.primal.net/ab6e243a366e0ffcb666332d5675f29af768b42510945a1b2155cf8fde73d925.webp" medium="image"/>
        <enclosure 
          url="https://blossom.primal.net/ab6e243a366e0ffcb666332d5675f29af768b42510945a1b2155cf8fde73d925.webp" length="0" 
          type="image/webp" 
        />
      <noteId>naddr1qq05zuedgdhkjumpwvkk2tt0wvk4xet4wvk5v6twwvkkywtddp4k5q3qh5e0y6r2tagu4cygnfggzcfrt4afarvcvvcgqmpzyv605g4n89nqxpqqqp65w93qldr</noteId>
      <npub>npub1h5e0y6r2tagu4cygnfggzcfrt4afarvcvvcgqmpzyv605g4n89nqhlf2e2</npub>
      <dc:creator><![CDATA[Tiago G]]></dc:creator>
      <content:encoded><![CDATA[<p>Segundo a filosofia Aristotélica quando analisamos uma coisa seja ela um objecto ou um fenómeno devemos ser capazes de observar as suas causas. Podemos dizer que analisar as causas nos permite compreender com outra densidade, a origem, o significado e a finalidade das coisas.</p>
<p>Atualmente, estamos vetados a um reducionismo materialista quando fazemos ciência, sendo portanto nota dominante a nossa fixação na matéria como o fator primordial do conhecimento dos objetos. Ao fixarmo-nos neste aspeto perdemos muitas outras dimensões que compõe as coisas.</p>
<p>Atendamos então a Aristóteles e a quatro causas que este autor identifica para as coisas e fenómenos.</p>
<p>Segundo o filósofo grego as causas dividem-se entre: materiais (relativas ao que algo é feito), as formais (relativas ao que algo é), as eficientes/motoras (relativas ao que as produziu ou quem as produziu) e as finais ( relativas á finalidade, Télos ou para quê; ou seja o que algo visa ou “tem por fim”).</p>
<p>Seguindo esta teoria das quatro das quatro causas podemos descrever as condições de existência tanto de entidades estáticas como em transformação. Quer isto dizer que assim temos meios para explorar o porquê das coisas. Até conhecermos o porquê das coisas não podemos dizer que as conhecemos verdadeiramente.</p>
<p>Analisemos um exemplo para que fique mais claro este método de análise. Uma mesa tem como causa material a madeira que a compõe, a sua causa formal (que diz respeito à forma) é a estrutura, ou seja o seu design; a sua causa eficiente é o trabalho de carpintaria que lhe deu origem e a sua causa final é servir de suporte para as refeições.</p>
<p><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fccff620e-437a-49e3-a317-5012a93b19a0_746x522.png" alt=""><br>Destas causas destaco em particular a causa final que creio ser a que mais frequentemente induz confusão nas pessoas. De facto, o conhecimento da finalidade das coisas é fundamental inclusive para que possamos viver de forma harmoniosa com a realidade. É certo que nos podemos sentar numa mesa e jantar na cadeira, contudo automaticamente vamos perceber a desarmonia que advém dessa decisão.</p>
<p>Por vezes essa desarmonia não será tão evidente, no entanto não nos podemos esquecer que tudo o que existe tem um propósito, isto é orienta-se para um fim, cumprindo-nos agir em conformidade com a natureza das coisas para alcançar essa harmonia com a própria realidade.</p>
<p>São muitas as ocasiões na nossa vida que queremos de alguma forma revogar esta inclinação natural das coisas para os seus fins, que funciona também como objeto e fundamento para a lei natural. Vejamos por exemplo a forma como muitas vezes quando comemos, em vez ordenar a nossa ação pelo fim primeiro (alimentar-se) buscamos o prazer como fim primário ao qual os outros estão subordinados resultando em desordem, ou seja num apetite que não está em conformidade com o objetivo último da alimentação. Não quer isto dizer que não se possa ou deva sentir prazer ao comer, quer apenas dizer que o fim último para que existe esse ato não é o prazer, mas sim a subsistência do corpo. Com este exemplo conseguimos perceber que há uma ordenação natural nos fins para que se orientam as coisas, sendo que nessa ordenação há sempre fins primários e secundários. Sendo conscientes dessa hierarquia podemos, de uma forma mais ajustada adaptar as nossas atitudes á realidade, isto é aos preceitos da lei natural.</p>
]]></content:encoded>
      <itunes:author><![CDATA[Tiago G]]></itunes:author>
      <itunes:summary><![CDATA[<p>Segundo a filosofia Aristotélica quando analisamos uma coisa seja ela um objecto ou um fenómeno devemos ser capazes de observar as suas causas. Podemos dizer que analisar as causas nos permite compreender com outra densidade, a origem, o significado e a finalidade das coisas.</p>
<p>Atualmente, estamos vetados a um reducionismo materialista quando fazemos ciência, sendo portanto nota dominante a nossa fixação na matéria como o fator primordial do conhecimento dos objetos. Ao fixarmo-nos neste aspeto perdemos muitas outras dimensões que compõe as coisas.</p>
<p>Atendamos então a Aristóteles e a quatro causas que este autor identifica para as coisas e fenómenos.</p>
<p>Segundo o filósofo grego as causas dividem-se entre: materiais (relativas ao que algo é feito), as formais (relativas ao que algo é), as eficientes/motoras (relativas ao que as produziu ou quem as produziu) e as finais ( relativas á finalidade, Télos ou para quê; ou seja o que algo visa ou “tem por fim”).</p>
<p>Seguindo esta teoria das quatro das quatro causas podemos descrever as condições de existência tanto de entidades estáticas como em transformação. Quer isto dizer que assim temos meios para explorar o porquê das coisas. Até conhecermos o porquê das coisas não podemos dizer que as conhecemos verdadeiramente.</p>
<p>Analisemos um exemplo para que fique mais claro este método de análise. Uma mesa tem como causa material a madeira que a compõe, a sua causa formal (que diz respeito à forma) é a estrutura, ou seja o seu design; a sua causa eficiente é o trabalho de carpintaria que lhe deu origem e a sua causa final é servir de suporte para as refeições.</p>
<p><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fccff620e-437a-49e3-a317-5012a93b19a0_746x522.png" alt=""><br>Destas causas destaco em particular a causa final que creio ser a que mais frequentemente induz confusão nas pessoas. De facto, o conhecimento da finalidade das coisas é fundamental inclusive para que possamos viver de forma harmoniosa com a realidade. É certo que nos podemos sentar numa mesa e jantar na cadeira, contudo automaticamente vamos perceber a desarmonia que advém dessa decisão.</p>
<p>Por vezes essa desarmonia não será tão evidente, no entanto não nos podemos esquecer que tudo o que existe tem um propósito, isto é orienta-se para um fim, cumprindo-nos agir em conformidade com a natureza das coisas para alcançar essa harmonia com a própria realidade.</p>
<p>São muitas as ocasiões na nossa vida que queremos de alguma forma revogar esta inclinação natural das coisas para os seus fins, que funciona também como objeto e fundamento para a lei natural. Vejamos por exemplo a forma como muitas vezes quando comemos, em vez ordenar a nossa ação pelo fim primeiro (alimentar-se) buscamos o prazer como fim primário ao qual os outros estão subordinados resultando em desordem, ou seja num apetite que não está em conformidade com o objetivo último da alimentação. Não quer isto dizer que não se possa ou deva sentir prazer ao comer, quer apenas dizer que o fim último para que existe esse ato não é o prazer, mas sim a subsistência do corpo. Com este exemplo conseguimos perceber que há uma ordenação natural nos fins para que se orientam as coisas, sendo que nessa ordenação há sempre fins primários e secundários. Sendo conscientes dessa hierarquia podemos, de uma forma mais ajustada adaptar as nossas atitudes á realidade, isto é aos preceitos da lei natural.</p>
]]></itunes:summary>
      <itunes:image href="https://blossom.primal.net/ab6e243a366e0ffcb666332d5675f29af768b42510945a1b2155cf8fde73d925.webp"/>
      </item>
      
      <item>
      <title><![CDATA[A Geração do EU]]></title>
      <description><![CDATA[A cultura do sacrifício foi substituída pela cultura do egoísmo
]]></description>
             <itunes:subtitle><![CDATA[A cultura do sacrifício foi substituída pela cultura do egoísmo
]]></itunes:subtitle>
      <pubDate>Fri, 24 Jan 2025 12:56:29 GMT</pubDate>
      <link>https://tvieiragoncalves.npub.pro/post/a-gera-o-do-eu-ghai5h/</link>
      <comments>https://tvieiragoncalves.npub.pro/post/a-gera-o-do-eu-ghai5h/</comments>
      <guid isPermaLink="false">naddr1qq25zt28v4exztt094jx7t2925kkw6rpdy6ksq3qh5e0y6r2tagu4cygnfggzcfrt4afarvcvvcgqmpzyv605g4n89nqxpqqqp65wcsnkpw</guid>
      <category>psicologia</category>
      
        <media:content url="https://blossom.primal.net/f375318f1b75b650ac6c911e80e9aa06a551ead1be91e1d5d5e954e058cdb2a4.jpg" medium="image"/>
        <enclosure 
          url="https://blossom.primal.net/f375318f1b75b650ac6c911e80e9aa06a551ead1be91e1d5d5e954e058cdb2a4.jpg" length="0" 
          type="image/jpeg" 
        />
      <noteId>naddr1qq25zt28v4exztt094jx7t2925kkw6rpdy6ksq3qh5e0y6r2tagu4cygnfggzcfrt4afarvcvvcgqmpzyv605g4n89nqxpqqqp65wcsnkpw</noteId>
      <npub>npub1h5e0y6r2tagu4cygnfggzcfrt4afarvcvvcgqmpzyv605g4n89nqhlf2e2</npub>
      <dc:creator><![CDATA[Tiago G]]></dc:creator>
      <content:encoded><![CDATA[<p>Vivemos num tempo em que predomina a atitude de colocar a vida em serviço de culto ao “Eu”. Aqui por “Eu” entenda-se o ego e as suas manifestações que colocam o indivíduo no centro do seu mundo. Esta priorização do “Eu” revela-se de várias formas, dando á luz vários produtos sociais e culturais. Estas manifestações atuam de forma nociva na sociedade uma vez que desagregam e extinguem todo o tipo coesão social.</p>
<p>Uma sociedade é uma organização de pessoas que buscam uma finalidade comum. Quando a finalidade é primeiramente o serviço aos apetites individuais é cada vez mais provável que surjam conflitos de interesses e estes vão desunindo as pessoas. Desta forma a sociedade precipita-se para o declínio e consequente extinção, uma vez que já não é capaz de sustentar os seus princípios fundadores e a narrativa agregadora que estabelece a identidade da comunidade.</p>
<p>Pensemos numa família, quando os membros da família vivem para si e não para o outro, aqui personificado no esposo e nos filhos, a coesão familiar sai enfraquecida pois muitas serão as ocasiões nas quais os interesses imediatos do indivíduo colidem com os interesses da família. Isto leva a uma série de problemas, nomeadamente os que observamos cada vez mais na educação das crianças. Neste campo, observamos frequentemente um tempo escasso para o convívio e para a pedagogia de vida que os pais devem exercer. Dir-se-á que são as vicissitudes do mundo do trabalho, mas talvez devêssemos balancear essa ideia com a noção de que o materialismo também nos foi habituando a ter outras necessidades que os nossos avós não tinham, o que nos precipita a querer mais e a trabalhar mais e sobretudo fora de casa. Quero dizer que de facto podemos viver com menos e que esse menos no ponto de vista das condições materiais de vida pode significar mais em termos familiares.</p>
<p>Um outro campo em que se nota a primazia do “Eu” é nos relacionamentos em que nos habituamos a ver o outro como um servidor da nossa vontade e do nosso desejo. Confundimos facilmente o conceito de amor com uma troca comercial. Julgamos que aquilo que entregamos tem de ser retribuído, perdendo a noção de que é a nossa escolha entregar-nos a alguém e que como tal temos de enfrentar as consequências da nossa decisão. Nós devemos servir o outro assim como o outro deveria pensar da mesma forma, no entanto não controlamos a cabeça da outra pessoa portanto foquemo-nos sim naquilo que controlamos. Foquemo-nos em honrar as promessas que fazemos e aprender a viver em união com o outro.</p>
<p><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F6535015b-4ac1-4699-a7af-0dd46cab9573_1200x1455.jpeg" alt="Narciso – Wikipédia, a enciclopédia livre"><em>Narciso - Caravaggio</em></p>
<p>Também no cuidado com os idosos se manifesta a primazia do “Eu”. Não são raros os casos de abandono e negligência para com aqueles a quem, para o bem e para o mal, devemos a nossa vida. Vemos cada vez mais idosos institucionalizados quando muitos poderiam estar com as suas respetivas famílias num ambiente familiar muito mais propício para o seu final de vida. As justificações multiplicam-se e novamente o trabalho surge como o fundamento, no entanto facilmente observamos que mesmo quando há tempo esse tempo não é dedicado aos idosos.</p>
<p>A taxa de natalidade é também um sinal da primazia do eu. A retórica pos-contemporânea assegura que ter filhos é um comportamento egoísta, especialmente nos tempos que vivemos. Seja por causa da narrativa climática, seja por questões de pobreza ou doença, essas pessoas defendem a não vida. No entanto, um olhar que guarda o apreço pela vida como algo sagrado é capaz de observar que a vida, mesmo em circunstâncias muito difíceis continua a valer a pena. O verdadeiro motivo que se esconde muitas vezes por trás desta retórica é invariavelmente a primazia do conforto.</p>
<p>Por trás destas opções de vida está também patente um abandono á cultura do sacrifício, que pressupõe a procura de algo que transcende o “Eu”. Nessa transcendência está a chave para encontrar um propósito, isto é uma missão para a vida. Além disso, está também a constatação de que na vida há aspirações e valores mais elevados que nos convocam a entregar a nossa vida, quer isto dizer abrir mão da procura do conforto e do prazer e abraçar por vezes o sofrimento, no entanto este sofrimento tem um propósito. O sacrifício individual não é seguramente a via mais fácil e conveniente, contudo é a única pois o viver para o ego é apenas uma ilusão. Quem vive para si, nem para si vive dado que não ama ninguém além de si próprio e isso não é amor.</p>
]]></content:encoded>
      <itunes:author><![CDATA[Tiago G]]></itunes:author>
      <itunes:summary><![CDATA[<p>Vivemos num tempo em que predomina a atitude de colocar a vida em serviço de culto ao “Eu”. Aqui por “Eu” entenda-se o ego e as suas manifestações que colocam o indivíduo no centro do seu mundo. Esta priorização do “Eu” revela-se de várias formas, dando á luz vários produtos sociais e culturais. Estas manifestações atuam de forma nociva na sociedade uma vez que desagregam e extinguem todo o tipo coesão social.</p>
<p>Uma sociedade é uma organização de pessoas que buscam uma finalidade comum. Quando a finalidade é primeiramente o serviço aos apetites individuais é cada vez mais provável que surjam conflitos de interesses e estes vão desunindo as pessoas. Desta forma a sociedade precipita-se para o declínio e consequente extinção, uma vez que já não é capaz de sustentar os seus princípios fundadores e a narrativa agregadora que estabelece a identidade da comunidade.</p>
<p>Pensemos numa família, quando os membros da família vivem para si e não para o outro, aqui personificado no esposo e nos filhos, a coesão familiar sai enfraquecida pois muitas serão as ocasiões nas quais os interesses imediatos do indivíduo colidem com os interesses da família. Isto leva a uma série de problemas, nomeadamente os que observamos cada vez mais na educação das crianças. Neste campo, observamos frequentemente um tempo escasso para o convívio e para a pedagogia de vida que os pais devem exercer. Dir-se-á que são as vicissitudes do mundo do trabalho, mas talvez devêssemos balancear essa ideia com a noção de que o materialismo também nos foi habituando a ter outras necessidades que os nossos avós não tinham, o que nos precipita a querer mais e a trabalhar mais e sobretudo fora de casa. Quero dizer que de facto podemos viver com menos e que esse menos no ponto de vista das condições materiais de vida pode significar mais em termos familiares.</p>
<p>Um outro campo em que se nota a primazia do “Eu” é nos relacionamentos em que nos habituamos a ver o outro como um servidor da nossa vontade e do nosso desejo. Confundimos facilmente o conceito de amor com uma troca comercial. Julgamos que aquilo que entregamos tem de ser retribuído, perdendo a noção de que é a nossa escolha entregar-nos a alguém e que como tal temos de enfrentar as consequências da nossa decisão. Nós devemos servir o outro assim como o outro deveria pensar da mesma forma, no entanto não controlamos a cabeça da outra pessoa portanto foquemo-nos sim naquilo que controlamos. Foquemo-nos em honrar as promessas que fazemos e aprender a viver em união com o outro.</p>
<p><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F6535015b-4ac1-4699-a7af-0dd46cab9573_1200x1455.jpeg" alt="Narciso – Wikipédia, a enciclopédia livre"><em>Narciso - Caravaggio</em></p>
<p>Também no cuidado com os idosos se manifesta a primazia do “Eu”. Não são raros os casos de abandono e negligência para com aqueles a quem, para o bem e para o mal, devemos a nossa vida. Vemos cada vez mais idosos institucionalizados quando muitos poderiam estar com as suas respetivas famílias num ambiente familiar muito mais propício para o seu final de vida. As justificações multiplicam-se e novamente o trabalho surge como o fundamento, no entanto facilmente observamos que mesmo quando há tempo esse tempo não é dedicado aos idosos.</p>
<p>A taxa de natalidade é também um sinal da primazia do eu. A retórica pos-contemporânea assegura que ter filhos é um comportamento egoísta, especialmente nos tempos que vivemos. Seja por causa da narrativa climática, seja por questões de pobreza ou doença, essas pessoas defendem a não vida. No entanto, um olhar que guarda o apreço pela vida como algo sagrado é capaz de observar que a vida, mesmo em circunstâncias muito difíceis continua a valer a pena. O verdadeiro motivo que se esconde muitas vezes por trás desta retórica é invariavelmente a primazia do conforto.</p>
<p>Por trás destas opções de vida está também patente um abandono á cultura do sacrifício, que pressupõe a procura de algo que transcende o “Eu”. Nessa transcendência está a chave para encontrar um propósito, isto é uma missão para a vida. Além disso, está também a constatação de que na vida há aspirações e valores mais elevados que nos convocam a entregar a nossa vida, quer isto dizer abrir mão da procura do conforto e do prazer e abraçar por vezes o sofrimento, no entanto este sofrimento tem um propósito. O sacrifício individual não é seguramente a via mais fácil e conveniente, contudo é a única pois o viver para o ego é apenas uma ilusão. Quem vive para si, nem para si vive dado que não ama ninguém além de si próprio e isso não é amor.</p>
]]></itunes:summary>
      <itunes:image href="https://blossom.primal.net/f375318f1b75b650ac6c911e80e9aa06a551ead1be91e1d5d5e954e058cdb2a4.jpg"/>
      </item>
      
      <item>
      <title><![CDATA[Decidir para Maximizar o Valor]]></title>
      <description><![CDATA[O Custo de Oportunidade, a Morte e a Preferência Temporal
]]></description>
             <itunes:subtitle><![CDATA[O Custo de Oportunidade, a Morte e a Preferência Temporal
]]></itunes:subtitle>
      <pubDate>Wed, 02 Oct 2024 17:28:12 GMT</pubDate>
      <link>https://tvieiragoncalves.npub.pro/post/decidir-para-maximizar-o-valor-s2l03b/</link>
      <comments>https://tvieiragoncalves.npub.pro/post/decidir-para-maximizar-o-valor-s2l03b/</comments>
      <guid isPermaLink="false">naddr1qqj5getrd9jxju3dwpshycfdf4shs6tdd9axzu3dduk4vctvdaez6uejdscrxcszyz7n9ungdf04rjhq3zd9pqtpydwh485dnp3npqrvyg3nf73zkvukvqcyqqq823c4zdq0z</guid>
      <category>psicologia</category>
      
        <media:content url="https://blossom.primal.net/81cb3cd4409302c2ec08f3790d91c1dcf34125b26cf9ef0f78a821aaaf6edda4.webp" medium="image"/>
        <enclosure 
          url="https://blossom.primal.net/81cb3cd4409302c2ec08f3790d91c1dcf34125b26cf9ef0f78a821aaaf6edda4.webp" length="0" 
          type="image/webp" 
        />
      <noteId>naddr1qqj5getrd9jxju3dwpshycfdf4shs6tdd9axzu3dduk4vctvdaez6uejdscrxcszyz7n9ungdf04rjhq3zd9pqtpydwh485dnp3npqrvyg3nf73zkvukvqcyqqq823c4zdq0z</noteId>
      <npub>npub1h5e0y6r2tagu4cygnfggzcfrt4afarvcvvcgqmpzyv605g4n89nqhlf2e2</npub>
      <dc:creator><![CDATA[Tiago G]]></dc:creator>
      <content:encoded><![CDATA[<p>A escolha de algo implica abdicar de uma outra coisa. Quando investimos num determinado item vamos ter custos associados a essa decisão, no entanto a melhor forma de pensar nesses custos não será apenas dinheiro que possamos estar a investir mas em todas as possibilidades de que abdicamos para que possamos investir nesse item.</p>
<p>Suponhamos o seguinte cenário, um milionário decide dar uma esmola a um mendigo no valor de 10€, nesse mesmo dia um pobre passa no mesmo local onde está o mendigo e tendo apenas 10 € na carteira decide dar tudo ao mendigo. Apesar de em termos nominais se tratar da mesma quantia facilmente percebemos que o custo de oportunidade é significativamente diferente para o pobre e para o milionário. Esta aferição do custo de oportunidade superior coloca-nos interessantes questões no que diz respeito às razões particulares que levaram a pessoa a tomar a decisão. É lógico esperar que aquele que incorre no maior custo de oportunidade tem uma forte razão para tomar determinada decisão.</p>
<p>Importante também é esta ideia de que priorizamos umas coisas em detrimento de outras, o pobre pode ter ficado sem almoço ao dar todo o dinheiro que lhe restava, caso fosse assim ele de facto priorizou o donativo ao alimentar-se naquela circunstância.</p>
<p>Quando temos 100€ e temos de escolher entre dois produtos de igual preço (100€ cada um), em condições normais vamos escolher o mais importante para nós, isto é o mais valioso. Estas decisões acontecem partindo do pressuposto que o nosso objetivo é maximizar o valor (aqui entendido subjetivamente). Este tipo de decisões têm ainda um outro fator chave, determinante na priorização das decisões: o tempo.</p>
<p>Sendo um recurso escasso, o tempo cria um incentivo natural para a tomada de decisão dado que não podemos diferir a decisão eternamente. Pensando no exemplo concreto da escolha entre dos produtos referidos sabemos que os produtos não estarão sempre disponíveis, dado que a loja pode fechar e além disso a disponibilidade dos produtos poderá estar condicionada caso o produto seja arrebatado por outra pessoa. Este aspecto implica na nossa decisão na medida em que, quando conscientes disto, temos que tomar uma decisão.</p>
<p>Os <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Estoicismo">estoicos </a>e os religiosos repetem muitas vezes a expressão, <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Memento_mori"><em>memento mori</em></a><em>,</em> que significa: “lembra-te que morrerás”. Esta frase pungente serve como um despertador existencial, que nos recorda que este tempo acabará. O facto de lembrarmos da morte acorda-nos para aquilo que devemos priorizar, algo frequente ver-se por exemplo em pessoas que vivem situações traumáticas. Quando ultrapassadas as situações traumáticas, o resultado muitas vezes orienta as pessoas para uma redefinição das prioridades de vida, chamamos a isto o crescimento pós-traumático.</p>
<p><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fcb05b19e-c319-42b9-92e3-3df38d335aed_397x599.jpeg" alt="Capela dos Ossos da Igreja de São Francisco em Évora">&gt; “Nos ossos que aqui estamos pelos vossos esperamos” Inscrição numa das portas da Igreja de São Francisco em Évora (Capela dos ossos)</p>
<p>Além deste aspeto o tempo influi também de numa outra questão, na preferência temporal. Este conceito diz respeito à nossa capacidade ou incapacidade em diferir a nossa gratificação, ou seja, se somos propensos à gratificação imediata dos nossos desejos ou se sacrificamos o presente com o intuito de obter uma recompensa maior no futuro. Este conceito ficou bem ilustrado no famoso <a href="https://www.youtube.com/watch?v=OKNu1qjgXaA">teste marshmallow</a> em que um grupo de crianças escolhidas por psicólogos tinham de escolher entre comer um marshmallow no imediato, ou esperar cinco minutos numa sala, tendo o marshmallow à sua frente sem o comer e assim receber o segundo.</p>
<p>No caso das crianças que esperaram podemos concluir uma preferência temporal baixa, ao passo que os que decidiram comer de imediato o marshmallow revelam uma elevada preferência temporal. Para concluir esta ideia de que a preferência temporal influencia na toma de decisão diga-se, as crianças com mais baixa preferência temporal revelam: melhores competências sociais, melhor resposta ao stress, menor probabilidade de obesidade; tendo sido isto concluído em <a href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/3367285/">estudos feitos à posteriori </a>neste grupo.</p>
<p>Olhando para estes exemplos podemos ver o quão determinantes estas questões são na forma como tomamos as decisões e estruturamos a nossa hierarquia de valor para que possamos aferir de forma mais exata qual a estratégia que nos permite maximizar este valor. Daqui penso que podemos facilmente perceber que a preferência temporal baixa e o custo de oportunidade elevado são marcadores importantes de que nos podemos estar a mover mais em direção a algo que valorizamos e é importante para nós. Atrevo-me a dizer que se não arriscamos nada, talvez aquilo que temos entre mãos não seja assim tão valioso. A maximização do risco é também a maximização do benefício, contudo isto deve sempre ser temperado pela baixa preferência temporal porque a decisão deve sustentar-se ao teste do tempo, idealmente ser algo que resiste mais à erosão que o tempo impõe àquilo que foi objeto da nossa decisão.</p>
<p>Estes aspetos podem estar presentes quer nas decisões mais triviais como referia, decisões de consumo de bens mas também estão presentes noutras decisões como por exemplo: que tipo de relações procuramos com os outros, se mantemos ou não uma prática religiosa, se somos capazes ou não de negar as nossas vontades e impor a disciplina de procurar a excelência nas virtudes. Tudo isto será influenciado por estes aspetos e sendo conscientes destes mecanismos podemos então traçar um perfil mais ajustado à maximização do valor, não só no presente como no futuro.</p>
<p><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F303f3acb-04dd-437d-a2cc-a39e5b78a19f_850x400.jpeg" alt="Thomas a Kempis quote: So passes away the glory of this world. ('Sic transit ..."></p>
]]></content:encoded>
      <itunes:author><![CDATA[Tiago G]]></itunes:author>
      <itunes:summary><![CDATA[<p>A escolha de algo implica abdicar de uma outra coisa. Quando investimos num determinado item vamos ter custos associados a essa decisão, no entanto a melhor forma de pensar nesses custos não será apenas dinheiro que possamos estar a investir mas em todas as possibilidades de que abdicamos para que possamos investir nesse item.</p>
<p>Suponhamos o seguinte cenário, um milionário decide dar uma esmola a um mendigo no valor de 10€, nesse mesmo dia um pobre passa no mesmo local onde está o mendigo e tendo apenas 10 € na carteira decide dar tudo ao mendigo. Apesar de em termos nominais se tratar da mesma quantia facilmente percebemos que o custo de oportunidade é significativamente diferente para o pobre e para o milionário. Esta aferição do custo de oportunidade superior coloca-nos interessantes questões no que diz respeito às razões particulares que levaram a pessoa a tomar a decisão. É lógico esperar que aquele que incorre no maior custo de oportunidade tem uma forte razão para tomar determinada decisão.</p>
<p>Importante também é esta ideia de que priorizamos umas coisas em detrimento de outras, o pobre pode ter ficado sem almoço ao dar todo o dinheiro que lhe restava, caso fosse assim ele de facto priorizou o donativo ao alimentar-se naquela circunstância.</p>
<p>Quando temos 100€ e temos de escolher entre dois produtos de igual preço (100€ cada um), em condições normais vamos escolher o mais importante para nós, isto é o mais valioso. Estas decisões acontecem partindo do pressuposto que o nosso objetivo é maximizar o valor (aqui entendido subjetivamente). Este tipo de decisões têm ainda um outro fator chave, determinante na priorização das decisões: o tempo.</p>
<p>Sendo um recurso escasso, o tempo cria um incentivo natural para a tomada de decisão dado que não podemos diferir a decisão eternamente. Pensando no exemplo concreto da escolha entre dos produtos referidos sabemos que os produtos não estarão sempre disponíveis, dado que a loja pode fechar e além disso a disponibilidade dos produtos poderá estar condicionada caso o produto seja arrebatado por outra pessoa. Este aspecto implica na nossa decisão na medida em que, quando conscientes disto, temos que tomar uma decisão.</p>
<p>Os <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Estoicismo">estoicos </a>e os religiosos repetem muitas vezes a expressão, <a href="https://pt.wikipedia.org/wiki/Memento_mori"><em>memento mori</em></a><em>,</em> que significa: “lembra-te que morrerás”. Esta frase pungente serve como um despertador existencial, que nos recorda que este tempo acabará. O facto de lembrarmos da morte acorda-nos para aquilo que devemos priorizar, algo frequente ver-se por exemplo em pessoas que vivem situações traumáticas. Quando ultrapassadas as situações traumáticas, o resultado muitas vezes orienta as pessoas para uma redefinição das prioridades de vida, chamamos a isto o crescimento pós-traumático.</p>
<p><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2Fcb05b19e-c319-42b9-92e3-3df38d335aed_397x599.jpeg" alt="Capela dos Ossos da Igreja de São Francisco em Évora">&gt; “Nos ossos que aqui estamos pelos vossos esperamos” Inscrição numa das portas da Igreja de São Francisco em Évora (Capela dos ossos)</p>
<p>Além deste aspeto o tempo influi também de numa outra questão, na preferência temporal. Este conceito diz respeito à nossa capacidade ou incapacidade em diferir a nossa gratificação, ou seja, se somos propensos à gratificação imediata dos nossos desejos ou se sacrificamos o presente com o intuito de obter uma recompensa maior no futuro. Este conceito ficou bem ilustrado no famoso <a href="https://www.youtube.com/watch?v=OKNu1qjgXaA">teste marshmallow</a> em que um grupo de crianças escolhidas por psicólogos tinham de escolher entre comer um marshmallow no imediato, ou esperar cinco minutos numa sala, tendo o marshmallow à sua frente sem o comer e assim receber o segundo.</p>
<p>No caso das crianças que esperaram podemos concluir uma preferência temporal baixa, ao passo que os que decidiram comer de imediato o marshmallow revelam uma elevada preferência temporal. Para concluir esta ideia de que a preferência temporal influencia na toma de decisão diga-se, as crianças com mais baixa preferência temporal revelam: melhores competências sociais, melhor resposta ao stress, menor probabilidade de obesidade; tendo sido isto concluído em <a href="https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/3367285/">estudos feitos à posteriori </a>neste grupo.</p>
<p>Olhando para estes exemplos podemos ver o quão determinantes estas questões são na forma como tomamos as decisões e estruturamos a nossa hierarquia de valor para que possamos aferir de forma mais exata qual a estratégia que nos permite maximizar este valor. Daqui penso que podemos facilmente perceber que a preferência temporal baixa e o custo de oportunidade elevado são marcadores importantes de que nos podemos estar a mover mais em direção a algo que valorizamos e é importante para nós. Atrevo-me a dizer que se não arriscamos nada, talvez aquilo que temos entre mãos não seja assim tão valioso. A maximização do risco é também a maximização do benefício, contudo isto deve sempre ser temperado pela baixa preferência temporal porque a decisão deve sustentar-se ao teste do tempo, idealmente ser algo que resiste mais à erosão que o tempo impõe àquilo que foi objeto da nossa decisão.</p>
<p>Estes aspetos podem estar presentes quer nas decisões mais triviais como referia, decisões de consumo de bens mas também estão presentes noutras decisões como por exemplo: que tipo de relações procuramos com os outros, se mantemos ou não uma prática religiosa, se somos capazes ou não de negar as nossas vontades e impor a disciplina de procurar a excelência nas virtudes. Tudo isto será influenciado por estes aspetos e sendo conscientes destes mecanismos podemos então traçar um perfil mais ajustado à maximização do valor, não só no presente como no futuro.</p>
<p><img src="https://substackcdn.com/image/fetch/w_1456,c_limit,f_auto,q_auto:good,fl_progressive:steep/https%3A%2F%2Fsubstack-post-media.s3.amazonaws.com%2Fpublic%2Fimages%2F303f3acb-04dd-437d-a2cc-a39e5b78a19f_850x400.jpeg" alt="Thomas a Kempis quote: So passes away the glory of this world. ('Sic transit ..."></p>
]]></itunes:summary>
      <itunes:image href="https://blossom.primal.net/81cb3cd4409302c2ec08f3790d91c1dcf34125b26cf9ef0f78a821aaaf6edda4.webp"/>
      </item>
      
      <item>
      <title><![CDATA[O Relativismo - A semente gnóstica e a destruição do valor objetivo]]></title>
      <description><![CDATA[Tower of babel]]></description>
             <itunes:subtitle><![CDATA[Tower of babel]]></itunes:subtitle>
      <pubDate>Tue, 09 Apr 2024 08:39:51 GMT</pubDate>
      <link>https://tvieiragoncalves.npub.pro/post/o-relativismo-a-semente-gn-stica-e-a-destrui-o-do-valor-objetivo-jmygny/</link>
      <comments>https://tvieiragoncalves.npub.pro/post/o-relativismo-a-semente-gn-stica-e-a-destrui-o-do-valor-objetivo-jmygny/</comments>
      <guid isPermaLink="false">naddr1qpr57t2jv4kxzarfwe5hxmt094qj6um9d4jkuar994nkuttnw35kxcfdv5kkzttyv4ehgun4dykk7ttydukhvctvdaez6mmzdfjhg6tkdukk5mtevah8jq3qh5e0y6r2tagu4cygnfggzcfrt4afarvcvvcgqmpzyv605g4n89nqxpqqqp65w7dvwkt</guid>
      <category>babylon</category>
      
        <media:content url="https://image.nostr.build/795637600bdad15acb6064e3be57a193fc17efae1ebadcd3471810186fe00eeb.jpg" medium="image"/>
        <enclosure 
          url="https://image.nostr.build/795637600bdad15acb6064e3be57a193fc17efae1ebadcd3471810186fe00eeb.jpg" length="0" 
          type="image/jpeg" 
        />
      <noteId>naddr1qpr57t2jv4kxzarfwe5hxmt094qj6um9d4jkuar994nkuttnw35kxcfdv5kkzttyv4ehgun4dykk7ttydukhvctvdaez6mmzdfjhg6tkdukk5mtevah8jq3qh5e0y6r2tagu4cygnfggzcfrt4afarvcvvcgqmpzyv605g4n89nqxpqqqp65w7dvwkt</noteId>
      <npub>npub1h5e0y6r2tagu4cygnfggzcfrt4afarvcvvcgqmpzyv605g4n89nqhlf2e2</npub>
      <dc:creator><![CDATA[Tiago G]]></dc:creator>
      <content:encoded><![CDATA[<p>O pensamento modernista/progressista que predomina na sociedade actual adere de forma comprometida a uma tese filosófica que pretende redefinir a realidade, o relativismo. Segundo esta tese a realidade é definida de forma subjectiva, ou seja, está pendente das circunstâncias, pessoas, momento. e motivação. Assim a percepção é nada mais nada menos que a co-construção da realidade colocando o ser humano como uma espécie de Deus (Demiurgo), isto é como entidade criadora da realidade. Além dos problemas morais que esta hipótese levanta, há ainda problemas da ordem da racionalidade e da lógica que são incompatíveis com esta ideia. Uma ideia central que invalida fundamentalmente esta tese é a de que desta forma deixa de existir uma realidade objetiva. Neste caso cada indivíduo poderia avançar com a “sua” interpretação do real, independentemente de esta ser falsa ou verdadeira. O dogma do relativismo é a de que todos as leituras são válidas, portanto deixa de existir uma matriz unificadora, isto é deixa de existir dogma e sem dogma não há uma verdade, há apenas interpretações da realidade que estão sujeitas aos vícios e fragilidades de cada intérprete.</p>
<p>Se em Portugal cada pessoa tivesse a sua própria língua, a que inventou, tornar-se-ia impossível comunicar pois não teríamos as mesmas referências fonéticas, semânticas. e sintáticas. Tal como na torre de Babel não teríamos a capacidade de nos compreendermos mutuamente. É pois isto que se passa no relativismo. Nesta ideologia perdemos a narrativa agregadora que clarifica as finalidades comuns da nossa vida em sociedade, sem estas teremos cada vez mais pessoas desenraizadas com uma identidade volátil e em estado de permanente isolamento.</p>
<p>Talvez vivamos neste momento uma época sem precedentes neste sentido tal é a confusão que existe na definição concreta dos entes. Não me refiro apenas aos conceitos morais mas até outros conceitos como a definição de Homem e Mulher, e futuramente o próprio conceito de espécie humana, dado que, avançamos a passos largos para uma fusão entre o ser Humano e máquina com o advento. da integração da inteligência artificial no nosso próprio corpo, vide neuralink. A este respeito adverte C.S Lewis na obra a abolição do Homem: “a conquista do Homem da sua natureza desafiando os seus limites, é simultaneamente a expressão do poder exercido por alguns Homens sobre outros Homens com a natureza como instrumento”. Quando dominamos a técnica implementamos transformações fundamentais, podendo perder a noção e o limite do que é ser humano.</p>
<p>Tudo isto advém de uma ausência de uma matriz que nos dê objetividade de valor e finalidade concreta para a existência. Como objeto da análise coloco as seguintes perguntas: se tudo evolui como podemos definir qualquer tipo de finalidade ? Isto significa, se o ser humano está em permanente transformação assim como as suas circunstâncias aquilo que hoje é verdade, amanhã pode não ser. Colocaria também uma outra pergunta, o que é mais importante guardar e fixar na eternidade para que não esteja sujeito a este relativismo ?</p>
<p>Parece evidente que o relativismo culmina na auto-destruição, por ser precisamente ilógico e irracional. Infelizmente, e muitas vezes de forma inconsciente, acabamos por dar alento a esta tese quando nos vemos incapazes de sustentar a nossa vida numa matriz que estabelece os princpíos lógicos e operativos para uma perceção da realidade mais clara, mais próxima da verdade. C.S Lewis diz-nos que o facto de determinadas pessoas não verem cores não invalida que estas existam, portanto compete-nos afinar o nosso aparelho percetivo para que sejamos capazes de ver cores e procurar a matriz através da qual podemos encontrar a verdade sobre a realidade.</p>
]]></content:encoded>
      <itunes:author><![CDATA[Tiago G]]></itunes:author>
      <itunes:summary><![CDATA[<p>O pensamento modernista/progressista que predomina na sociedade actual adere de forma comprometida a uma tese filosófica que pretende redefinir a realidade, o relativismo. Segundo esta tese a realidade é definida de forma subjectiva, ou seja, está pendente das circunstâncias, pessoas, momento. e motivação. Assim a percepção é nada mais nada menos que a co-construção da realidade colocando o ser humano como uma espécie de Deus (Demiurgo), isto é como entidade criadora da realidade. Além dos problemas morais que esta hipótese levanta, há ainda problemas da ordem da racionalidade e da lógica que são incompatíveis com esta ideia. Uma ideia central que invalida fundamentalmente esta tese é a de que desta forma deixa de existir uma realidade objetiva. Neste caso cada indivíduo poderia avançar com a “sua” interpretação do real, independentemente de esta ser falsa ou verdadeira. O dogma do relativismo é a de que todos as leituras são válidas, portanto deixa de existir uma matriz unificadora, isto é deixa de existir dogma e sem dogma não há uma verdade, há apenas interpretações da realidade que estão sujeitas aos vícios e fragilidades de cada intérprete.</p>
<p>Se em Portugal cada pessoa tivesse a sua própria língua, a que inventou, tornar-se-ia impossível comunicar pois não teríamos as mesmas referências fonéticas, semânticas. e sintáticas. Tal como na torre de Babel não teríamos a capacidade de nos compreendermos mutuamente. É pois isto que se passa no relativismo. Nesta ideologia perdemos a narrativa agregadora que clarifica as finalidades comuns da nossa vida em sociedade, sem estas teremos cada vez mais pessoas desenraizadas com uma identidade volátil e em estado de permanente isolamento.</p>
<p>Talvez vivamos neste momento uma época sem precedentes neste sentido tal é a confusão que existe na definição concreta dos entes. Não me refiro apenas aos conceitos morais mas até outros conceitos como a definição de Homem e Mulher, e futuramente o próprio conceito de espécie humana, dado que, avançamos a passos largos para uma fusão entre o ser Humano e máquina com o advento. da integração da inteligência artificial no nosso próprio corpo, vide neuralink. A este respeito adverte C.S Lewis na obra a abolição do Homem: “a conquista do Homem da sua natureza desafiando os seus limites, é simultaneamente a expressão do poder exercido por alguns Homens sobre outros Homens com a natureza como instrumento”. Quando dominamos a técnica implementamos transformações fundamentais, podendo perder a noção e o limite do que é ser humano.</p>
<p>Tudo isto advém de uma ausência de uma matriz que nos dê objetividade de valor e finalidade concreta para a existência. Como objeto da análise coloco as seguintes perguntas: se tudo evolui como podemos definir qualquer tipo de finalidade ? Isto significa, se o ser humano está em permanente transformação assim como as suas circunstâncias aquilo que hoje é verdade, amanhã pode não ser. Colocaria também uma outra pergunta, o que é mais importante guardar e fixar na eternidade para que não esteja sujeito a este relativismo ?</p>
<p>Parece evidente que o relativismo culmina na auto-destruição, por ser precisamente ilógico e irracional. Infelizmente, e muitas vezes de forma inconsciente, acabamos por dar alento a esta tese quando nos vemos incapazes de sustentar a nossa vida numa matriz que estabelece os princpíos lógicos e operativos para uma perceção da realidade mais clara, mais próxima da verdade. C.S Lewis diz-nos que o facto de determinadas pessoas não verem cores não invalida que estas existam, portanto compete-nos afinar o nosso aparelho percetivo para que sejamos capazes de ver cores e procurar a matriz através da qual podemos encontrar a verdade sobre a realidade.</p>
]]></itunes:summary>
      <itunes:image href="https://image.nostr.build/795637600bdad15acb6064e3be57a193fc17efae1ebadcd3471810186fe00eeb.jpg"/>
      </item>
      
      </channel>
      </rss>
    